Kalimba

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A Kalimba ou Mbira é um instrumento musical pertencente à família dos lamelofones, sendo da categoria dos idiofones dedilhados. Os primeiros lamelofones surgiram no Vale de Zambeze, próximo ao atual Zimbábue, na África Subsaariana. Eram feitos de materiais como madeira da palmeira de ráfia, bambu e outras matérias vegetais; datam de cerca de 1000 a.C. Posteriormente, esse instrumento se espalhou pela África, desenvolvendo-se em cada etnia de forma diferente, isso quer dizer que cada grupo social atribuiu ao instrumento alterações ao projeto original dando-lhe um nome próprio. Temos, a seguir, aspectos de diferenciação do instrumento: características como quantas teclas ele possui; se é construído dentro ou sobre um corpo e qual o material deste (cabaça, madeira de ráfia, bambu, coco, ou outros tipos de madeiras); se possui furos e a localização deles; ou ainda se são utilizados materiais acoplados às teclas para alterar o som.[1]

Por existirem várias designações africanas para os lamelofones, que variam conforme a língua e sua fonética, área geográfica, tipo de instrumento, sistema de classificação local e também, o contexto social, o mais adequado é usar a palavra lamelofone quando se trata de designar um instrumento genérico pertencente a esta família. Uma vez que o relato deste trabalho se refere à minha experiência pessoal, com um instrumento específico, utilizarei o termo Kalimba quando estiver me referindo ao lamelofone moderno, descendente da antiga Mbira. Alguns mitos da criação no vale do Zambeze contam como O Criador deu o metal para a raça humana com a função específica de fazer mbiras, de fato, podemos dizer que a mbira remonta ao primeiro uso de metal na África Subsaariana, entre 700 e 1000 d.C.. Entretanto, muitos estudiosos presumem que as mbiras com teclas de metal tiveram sua origem na Europa. A difusão da tecnologia de lamelofones do Zimbabue / Zambeze na África Central através do aumento dos contatos comerciais ocorreu com a chegada dos exploradores portugueses à África, por volta do ano 1400. Há registros do aparecimento de lamelofones no Brasil a partir do início do século XIX. A afinação encontrada foi na totalidade não-ocidental; havia quintas perfeitas nas afinações, porém os outros intervalos não se encaixavam no paradigma ainda em evolução da música ocidental. Mais tarde, certamente no ocidente, os lamelofones ganharam a escala ocidental de notas, escalas pentatônicas foram largamente utilizadas, escalas diatônicas e modos gregos foram difundidos no final do século XX. Os lamelofones com escalas cromáticas são recentes e ainda muito pouco difundidos.[1]

Tipos de Kalimba[editar | editar código-fonte]

Há diversas variações de kalimba, seja em relação a quantidade de teclas, construção do instrumento, material ou afinação das notas. A variação mais comum e considerada "padrão" possui 17 teclas e é afinada na escala de Dó (C). Outros instrumentos podem apresentar 8, 21 e até mesmo 34 teclas, sendo mais complexas de se tocar. Em relação a construção do instrumentos, tem-se duas variações principais: kalimbas ocas, que em geral apresentam um som mais alto e encorpado; e kalimbas maciças que possuem um som mais baixo, abafado e suave. O material varia desde plástico, acrílico, madeira, coco, entre outros. A escala de afinação, varia diretamente conforme a quantidade de teclas do instrumento; a escala mais comum para a afinação é em Dó (C), mas também é comum encontrar músicos tocando em Ré (D).[2]

Afinação[editar | editar código-fonte]

Por se tratar de um instrumento bastante delicado e sutil, a afinação da kalimba também deve ser feita de maneira suave. Em geral, para realizar a afinação do instrumento, usa-se um pequeno martelinho de metal, que, ao bater sobre as teclas perpendicularmente é capaz de alterar levemente o som, tornando a nota mais alta ou baixa e assim, afinando o instrumento.[3]

Referências

  1. a b Hollanda, Ariel Leite de. Um estudo sobre o ensino da kalimba. Trabalho de conclusão de curso, graduação em Música-Licenciatura. UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas, 2013.
  2. Changing your kalimba key: Sharps and Flats, how to make it work?, consultado em 25 de julho de 2021 
  3. Kalimba Tutorial: How to Tune Your Kalimba |, consultado em 25 de julho de 2021 

Referências