Kallocain (livro)

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Kalocaína
Kallocaína:Romance do Século XXI (PT)
Kalocaína (BR)
Autor(es) Karin Boye
Idioma sueco
País  Suécia
Género Distopia, ficção política, ficção de ciências sociais
Editora Bonniers (Estocolmo)
Lançamento 1940
Páginas 174
ISBN 9175710188
Edição portuguesa
Tradução João Reis
Editora Antígona[1]
Lançamento 2016[2]
Páginas 230
ISBN 9789726082743
Edição brasileira
Tradução Janer Cristaldo[3]
Editora Editora Americana
Lançamento 1974[4]

Kalocaína (em sueco: Kallocain) é um romance distópico escrito pela autora sueca Karin Boye e publicado em 1940[5]. Descreve um mundo em um futuro desumanizado sob um estado totalitário e repressivo, através dos olhos do químico Leo Kall, cientísta que trabalha para o Estado Mundial (em sueco: Världsstaten) que controla toda a sociedade. A obra foi traduzida para a língua portuguesa no Brasil por Janer Cristaldo, e publicada em 1974. Em Portugal o tradutor foi João Reis, com a primeira edição publicada em 2016[6].

História[editar | editar código-fonte]

A trama centra-se em Leo Kall, escrito sob a forma de um diário ou um livro de memórias. Kall vive com sua esposa Linda Kall em uma cidade(célula) destinada à indústria química . Leo é um cientista, que inicialmente é muito leal ao governo e desenvolve uma espécie de soro da verdade, a Kalocaína. Ela tem o efeito de que qualquer um que a tomar revelará qualquer coisa, mesmo coisas das quais eles não estavam conscientes.

Os temas principais incluem a noção do indivíduo em um estado totalitário, o significado da vida , e o poder do amor. Além do trabalho no laboratório e testes de Leo Kall, grande parte do romance ocorre na casa de Leo e Linda.

Enredo[editar | editar código-fonte]

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Kalocaína é uma representação de uma sociedade onde o indivíduo é apenas uma engrenagem, importante sem dúvida, mas fácil de substituir, se há algo "errado" com ele. A comunidade é caracterizada por lavagem cerebral, propaganda e vigilância - em todos os lugares existem ouvidos policiais eletrônicos e cada casa tem uma empregada, cuja tarefa é também de informar a polícia sobre qualquer comportamento anormal. Além disso, qualquer pessoa pode delatar outros cidadãos para o governo, se o comportamento for considerado suspeito. As crianças são enviadas para campos de educação especial, a partir dos sete anos de idade, e são doutrinados para se tornarem companheiros leais ao Estado Mundial e lhes é ensinado que soldados leais têm o dever apontar outros indivíduos que não são suficientemente qualificados para o grupo. Com isso,as pessoas não só encontram-se sob controle governamental, mas além disso, apreciam o aumento do aparato de vigilância sob o pretexto estatal de isso aumentaria a segurança da sociedade de maneira geral.

O Estado Mundial - o país retratado no livro - por causa da ameaça de guerra contra o Estado Universal (similar ao Estado Mundial), é forçado a levar as pessoas para o subterrâneo. Lá eles vivem em diversas "células", e a construção se estende para baixo como uma proteção contra o perigo iminente. Para evitar a espionagem, não é permitido que os cidadãos das diferentes células visitem um ao outro, e inclusive as famílias acabam sofrendo com essa proibição.

O controle estatal chega ao ápice quando o químico Leo Kall inventa uma droga, que é batizada em referência a seu inventor, de Kalocaína. Este soro leva as pessoas a revelar seus pensamentos mais íntimos, e se destina a ser utilizado para descobrir pensamentos subversivos. Com uma simples dose, sem o uso de tortura, todo indivíduo que possua ideias associais confessa sem reservas sua culpa. E Leo Kall, que acredita no Estado Mundial e em seus princípios, tem consciência da importância de sua descoberta. Inicialmente ele se recusa a parar de acreditar que a sua Kalocaína é capaz de ajudar as pessoas a criar um mundo novo e melhor.

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Outras informações[editar | editar código-fonte]

Personagens[editar | editar código-fonte]

  • Leo Kall - protagonista do romance, um químico que trabalha para o governo totalitário do Estado Mundial.
  • Linda Kall - esposa de Leo.
  • Chefe de Polícia - personagem com o qual Leo Kall faz a defesa da filosofia do Estado Mundial.

Estrutura espaço-temporal do livro[editar | editar código-fonte]

Em Kalocaína, a sociedade está indefinida no espaço e no tempo. Pode-se intuir que se passa no século XX - porque o metrô e o avião já existem e os personagens citam uma Grande Guerra - mas a autora não a situa geograficamente. Há o Estado Mundial e as cidades não possuem nome, apenas são, por exemplo, as Cidades Químicas, as Cidades dos Calçados, as Cidades Têxteis, cada uma atendendo por um número. O mundo teria sido dividido depois da Grande Guerra, além do Estado Mundial há os seres do outro lado da fronteira, do Estado vizinho, com o qual o Estado Mundial vive permanentemente em guerra.

Estrutura social no livro[editar | editar código-fonte]

A sociedade não possui classes, os habitantes são cidadãos e soldados simultaneamente, a cada indivíduo é oferecido pelo Estado, seja recruta ou general, apartamentos padrões (com um quarto para solteiros e dois para famílias) e uma alimentação padrão distribuída pelas cozinhas centrais de cada prédio. No que diz respeito a vestimentas, o cidadão-soldado dispõe de três uniformes: um para o trabalho, outro para o serviço policial-militar e um terceiro para o tempo de lazer. Pobres não existem, nem ricos, conseqüentemente. Olhos e ouvidos eletrônicos da polícia vigiam o interior de cada apartamento, inclusive à noite, através de raios infravermelhos, aqui antecipando o olho do Grande Irmão, da obra de George Orwell, 1984.

As empregadas domésticas são trocadas semanalmente e têm a obrigação de enviar à polícia, após a prestação de serviços, um relatório sobre a família para qual trabalhou. As visitas são feitas apenas após pedidos encaminhados aos porteiros dos edifícios, que por sua vez os encaminham à polícia. Sendo permitida a visita, o porteiro controlará a identidade e o horário de entrada e saída do visitante.

O mundo do livro[editar | editar código-fonte]

O mundo é dividido em apenas dois grandes países, inimigos. O Estado Mundial e o Estado vizinho.

Traduções e adaptações[editar | editar código-fonte]

Kalocaína foi traduzido em mais de dez idiomas[7]. Em 1981, Hans Abramson dirigiu uma adaptação em formato de minissérie para televisão.

Referências

  1. «Kallocaína». Editora Antígona. Consultado em 10 de fevereiro de 2017 
  2. «Kallocaína». travessa.com.br. Consultado em 10 de fevereiro de 2017 
  3. «Karin Boye - Kalocaína». Doc Slide. Consultado em 10 de fevereiro de 2017 
  4. «Kalocaína». traca.com.br. Consultado em 10 de fevereiro de 2017 
  5. «Kallocaína" Descobre para o galego o universoantiutópico de Karin Boye». Sermos Galiza (em galego). Consultado em 9 de fevereiro de 2017 
  6. «Kallocaína: Romance do Século XX / Karin Boye ; Trad. João Reis». Biblioteca Nacional de Portugal. Consultado em 9 de fevereiro de 2017 
  7. «Romanen Kallocain». karinboye.se (em sueco). Consultado em 10 de fevereiro de 2017 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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