Kanban

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Em administração da produção, Kanban é um cartão de sinalização que controla os fluxos de produção ou transportes em uma indústria. O cartão pode ser trocado por outro sistema de sinalização, como luzes, caixas vazias e até locais vazios demarcados. Já na Engenharia de Software, Kanban é uma estratégia para otimizar o fluxo de valor para partes interessadas através de um processo que utiliza um sistema visual que limita a quantidade de trabalho em andamento através de um sistema puxado." [1]

Como funciona o Kanban dentro de uma empresa

Na década de 1960 a empresa Toyota criou o chamado sistema Kanban que se trata de um sistema de abastecimento e controle de estoques. Ainda hoje o sistema é utilizado frequentemente por diversas empresas. Este sistema funciona movimentando e fornecendo itens de acordo com que vão sendo consumidos, fazendo com que não haja abastecimento de materiais antes de solicitá-lo no estágio anterior. O Kanban foi baseado num sistema visual de abastecimento de um supermercado, conforme os produtos vão sendo vendidos (consumidos), os espaços vazios vão sendo reabastecidos. São utilizados cartões para o controle e funcionamento do Kanban, cartão utilizado indica que um material foi utilizado e precisa ser reposto, os cartões também são divididos por prioridade de reabastecimento, sendo separados pelas cores verde, amarela e vermelha, em sequência para itens de menor prioridade para maior prioridade.[2] Esses cartões são utilizados em uma grande grelha dividida em vários sectores, por onde o produto passa até se transformar no produto acabado, organizando o quadro para uma melhor ilustração do andamento da produção. Esse procedimento dá uma visão mais ampla para o gestor responsável pelo processo de produção, que fica por dentro do andamento do sector.[3] Para se realizar com sucesso o Kanban são feitos cálculos do número de cartões para cada item de material, levando em consideração o Lead time, o pedido médio, o estoque de segurança e a quantidade de peças no contentor.[2] O sistema kanban não tem como função reduzir estoques, apenas limita seu nível a um valor máximo, não podendo assim ser confundido com o sistema just-in-time, o sistema Kanban é considerado apenas uma parte do sistema Just in Time.[2]

Coloca-se um Kanban em peças ou partes específicas de uma linha de produção, para indicar a entrega de uma determinada quantidade. Quando se esgotarem todas as peças, o mesmo aviso é levado ao seu ponto de partida, onde se converte num novo pedido para mais peças. Quando for recebido o cartão ou quando não há nenhuma peça na caixa ou no local definido, então deve-se movimentar, produzir ou solicitar a produção da peça.[4]

O Kanban permite agilizar a entrega e a produção de peças. Pode ser empregue em indústrias montadoras, desde que o nível de produção não oscile em demasia. Os Kanbans físicos (cartões ou caixas) podem ser Kanbans de Produção ou Kanbans de Movimentação e transitam entre os locais de armazenagem e produção substituindo formulários e outras formas de solicitar peças, permitindo enfim que a produção se realize Just in time - metodologia desenvolvida e aperfeiçoada em 1940 por Taiichi Ohno e Sakichi Toyoda conhecida como Sistema Toyota de Produção.[4]

O sistema Kanban é uma das variantes mais conhecidas do Just in Time.

Kanban no Desenvolvimento de Software[editar | editar código-fonte]

O Kanban foi adaptado como técnica para ser utilizada no desenvolvimento de software. Neste contexto ele é definido pelo Guia do Kanban para times Scrum como como "(... uma estratégia para otimizar o fluxo de valor para stakeholders através de um processo que utiliza um sistema visual que limita a quantidade de trabalho em andamento através de um sistema puxado." [1]

São 4 as práticas do Kanban utilizados para o desenvolvimento de software[1]:

  1. Visualização do Fluxo de Trabalho: visualização através do uso do quadro Kanban para fomentar as conversas certas no momento certo e criar oportunidades de melhoria.
  2. Limitando o Trabalho em Andamento (WIP): trabalho em Andamento (do inglês Work in Progress, ou WIP) se refere aos itens de trabalho que o Time Scrum e que ainda não terminou. Os times utilizando Kanban precisam controlar este trabalho como um ou mais números em um quadro Kanban.
  3. Gerenciamento ativo dos itens de trabalho em andamento; garantindo que os Itens de Trabalho não são deixados para envelhecer desnecessariamente e que sejam completados de acordo com uma SLE pré-estabelecida;
  4. Inspecionando e adaptando sua definição de “Fluxo de Trabalho”: incluindo a criação de políticas documentadas e que todo o Time compreenda, úteis para melhorar suas performances.

Scrum e Kanban[editar | editar código-fonte]

A perspectiva baseada em fluxo do Kanban pode melhorar e complementar o framework Scrum[5] e sua implementação. Times podem aplicar o Kanban tanto se estiverem começando a usar o Scrum quanto se já o utilizam há muito tempo.

Utilizando o Kanban para visualizar o trabalho de novas formas, um Time Scrum pode aplicar o conjunto de práticas do Kanban para otimizar o valor da entrega de maneira mais efetiva. Essas práticas se apoiam e expandem os princípios do pensamento Lean, fluxo de desenvolvimento de produtos e teoria das filas.[1]

Característica do Sistema Kanban[editar | editar código-fonte]

Neste sistema deve existir um equilíbrio entre os processos: anterior e posterior. O processo anterior não pode produzir mais peças do que a capacidade de consumo do processo posterior. Assim como, o processo posterior não deve adquirir mais peças do que o necessário para sua produção, do processo anterior.[2] No método tradicional os itens são “empurrados” de uma cadeia de suprimento para a outra, tendo havido solicitação ou não. Isso gera aumento de estoque, numa ocasião de desequilíbrio de produção e, incerteza dos envolvidos no trabalho, pois não sabem o impacto do aproveitamento e do ritmo do seu trabalho adiante. Em contrapartida, o método Kanban “puxa” os itens que são necessários à próxima cadeia, eles são movimentados na medida em que são consumidos, ou seja, apenas quando serão utilizados, sem necessidade de estoque. Em outras palavras, no sistema tradicional o “estoque comanda a produção”, já no kanban a “produção comanda o estoque”.[2]

Kanban Eletrônico[editar | editar código-fonte]

O Kanban eletrônico (ou e-Kanban) permite agilizar a entrega e a produção de peças. Pode ser empregado em indústrias montadoras, desde que o nível de produção não oscile em demasia. Os kanbans físicos (cartões ou caixas).[6]

Kanban de Produção

Kanban de Produção[editar | editar código-fonte]

É usualmente um cartão ou caixa que autoriza a produção de determinada quantidade de um item. Os cartões (ou caixas) circulam entre o sector fornecedor e a produção , sendo afixados junto às peças imediatamente após a produção e retirados após o consumo pelo cliente, retornando ao processo para autorizar a produção e reposição dos itens consumidos.[7]

Kanban de Movimentação, também chamado de Kanban de Transporte é o sinal (usualmente um cartão diferente do Kanban de Produção) que autoriza a movimentação física de peças entre o supermercado do processo fornecedor e o supermercado do processo cliente (se houver). Os cartões são afixados nos produtos (em geral, o cartão de movimentação é afixado em substituição ao cartão de produção) e levados a outro processo ou local, sendo retirados após o consumo e estando liberados para realizar novas compras no supermercado do processo fornecedor.O kanban puxa a produção e dita o ritmo de produção para atender pedidos.

Ferramenta online onde pode ser utilizado Scrum e Kanban simultaneamente

Vantagens[editar | editar código-fonte]

O Kanban possui algumas vantagens, de entre as quais:[8]

  • O número de cartões Kanban em circulação limita o estoque máximo.
  • A eficiência do sistema pode ser medida pela redução do número de cartões em circulação.
  • As necessidades de reposição são identificadas visualmente.
  • A burocracia é virtualmente eliminada e não há programação de produção para itens controlados pelo Kanban.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d Gomes, André (29 de julho de 2019). «O Guia do Kanban para Times Scrum em Português» (PDF). Scrum.org. Consultado em 25 de setembro de 2019 
  2. a b c d e Peinado, Jurandir; Alexandre Reis Graeml (2007). Administração da produção (Operações Industriais e serviços. Curitiba: UnicemP. p. 449. 750 páginas 
  3. Kniberg, Henrik; Mattias Skarin (2009). Kanban e Scrum - Obtendo o melhor de ambos. Estados Unidos da América: C4Media Inc. p. 22-80. 139 páginas. ISBN 978-0-557-13832-6 
  4. a b Lopes dos Reis, Rui (2008). Manual da gestão de stocks: teoria e prática. Lisboa: Editorial Presença. ISBN 978-972-23-3307-8 
  5. «Scrum (desenvolvimento de software)». Wikipédia, a enciclopédia livre. 24 de setembro de 2019 
  6. Pace, João Henrique (2003). O Kanban na prática. Rio de Janeiro: QualityMark. ISBN 85-7303-4-1-7 Verifique |isbn= (ajuda) 
  7. Ritzman, Larry P. (2004). Administração da produção e operações. São Paulo: Prentice Hall. ISBN 85-87918-38-9 
  8. Ribeiro, Paulo Décio (1989). Kanban: resultados de uma implementação bem sucedida. São Paulo: COP. Editora. 114 páginas 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]