Kannabateomys amblyonyx

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Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Rodentia
Família: Echimyidae
Subfamília: Dactylomyinae
Género: Kannabateomys
Jentink, 1891
Espécie: K. amblyonyx
Nome binomial
Kannabateomys amblyonyx
(Wagner, 1845)

O rato-da-taquara (Kannabateomys amblyonyx), apesar do seu nome comum, não pode ser considerado um rato propriamente dito. Este é um mamífero da família dos equimídeos, chamados também de “rat-like rodents” (roedores semelhantes a ratos) e da subordem Caviomorpha, a mesma de capivaras, pacas e preás.

Podem ser encontrados no nordeste da Argentina (Misiones), leste do Paraguai e leste e sul do Brasil. Medem cerca de 24,8 cm e sua dieta envolve basicamente brotos de bambu.

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

O Kannabateomys amblyonyx é o único do seu gênero e têm características bem interessantes em relação a sua filogenia. A família da qual faz parte abrange os ratos espinhosos neotropicais e seus parentes fósseis, dividida em 19 gêneros e 73 espécies. Provavelmente é a família mais ecologicamente diversificada, com membros que vão desde hábitos totalmente arbóreos a terrestres. O nome vulgar desse grupo tem relação também a presença de pêlos rígidos semelhantes a espinhos, característica essa que o K. amblyonyx não possui. O crânio deles apresenta uma bula auditiva bem desenvolvida, processo parocipital reduzido e arcos zigomáticos delgados.

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

Amplamente distribuído na região neotropical (área biogeográfica América do Sul e America Central), O K. amblyonyx é endêmico de uma das regiões consideradas hotspots no mundo atual a mata atlântica. Infelizmente, são regiões onde há um grande risco a biodiversidade e que podem afetar a sua distribuição. Nesse bioma, é o único mamífero especialista em taquaras (região com predominância de gramíneas) e que precisa dessas áreas fechadas principalmente para se deslocar. Ainda assim, pode ser encontrado em alguns bambuzais isolados. São nativos também da Argentina, Paraguai e Uruguai.

Descrição morfológica[editar | editar código-fonte]

Diferente de outros roedores, o seu tamanho e peso pode impressionar, já que esses animais são bem grandes (até mesmo quando comparado aos outros equimídeos). O seu corpo tem um comprimento de 24,8cm e a sua cauda é maior que o corpo, medindo 33,3cm! Além disso, pesam em torno de 384g, normalmente.

É um animal de pelagem corporal bem macia e densa, com variações de coloração bem interessantes: na parte dorsal, é castanho-amarelada, com pelos tracejados e de base acinzentada; na parte ventral, a pelagem varia de branco-amarelada a amarelo-avermelhada; as laterais, são mais claras. Também podem apresentar manchas pós-auriculares branco-amareladas. As suas patas são bem alongadas, com dedos bem separados e diferentes, parecidas com as de um mico-estrela ou sagui, adaptadas á vida arbórea. Por terem uma larga abertura no centro deles, conseguem se segurar em ramos e galhos, o que é muito importante para o seu deslocamento por hastes de taquara ou bambu. Além disso, as unhas deles não têm formas de garras e a sua cauda pilosa é recoberta de pelos finos, com um tufo de pêlos na sua extremidade e que formam um conjunto, como se fossem um pincel.


Ecologia[editar | editar código-fonte]

Até hoje, as informações ecológicas sobre esse animal são bem restritas e rasas, já que ele é pequeno, de difícil visualização e captura. No Brasil, só existem dois estudos no Sudeste.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Sobre a reprodução desta espécie, ela parece estar ligada ao seu hábito alimentar e relacionado ao período de brotação dos bambus. Desse modo, nasce apenas um filhote por gestação.

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Sua fórmula dentária consiste em 1 dente incisivo, sem dentes caninos, 1 dente pré-molar e 3 dentes molares - na arcada superior e inferior (i1/1, c0/0, pm1/1, m3/3). Tem cúspides laminares. A mesma vai de encontro ao seu hábito alimentar, que é constituída basicamente por brotos de bambu, e algumas folhas e ramos dessa gramínea.

Comportamento[editar | editar código-fonte]

Esta espécie é frequentemente encontrada vivendo sozinha ou em pares e possui hábito noturno. Eles apresentam cuidados paternos com a dispersão juvenil. Os membros do mesmo sexo possuem intervalos com cuidado exclusivos, porém os intervalos de machos e fêmeas geralmente se sobrepõem. Essas características sugerem monogamia social. Stallings et al. (1994) realizaram pesquisas na Reserva Biológica do Poço das Antas, no Estado do Rio de Janeiro, no sudeste do Brasil e determinaram que uma área residencial pode chegar a 1.000 m², com densidades de até 1,47 por km². Esta é uma espécie arbórea que habita sobretudo a floresta costeira atlântica, a floresta tropical interior, a floresta da galeria molhada e os remendos de bambu. Muitas vezes, são encontradas em mata de bambu nas bacias hidrográficas, e macios densos sem bambu em pântanos. Curiosamente emitem vocalizações para defender seu território.

Curiosidades: Um animal em cativeiro viveu cerca de um ano e sete meses. Já foi observado cuidado parental, o que é incomum entre roedores. É considerada uma espécie naturalmente rara.

Conservação[editar | editar código-fonte]

Este animal está classificado como Pouco Preocupante, pela IUCN. No entanto, isso pode mudar, caso a acelerada destruição da mata Atlântica continue. Por ter preferência por taquarais e bambuzais, seja como fonte de alimento ou como hábitat, sua sobrevivência depende diretamente do estado de conservação dessa região, que hoje corresponde a 5% do original. Sendo assim, ela poderá sofrer ameaça de extinção em um futuro próximo, caso o desmatamento continue. Além disso, a ocorrência de queimadas, caça e a presença de cachorros selvagens e domésticos também ameaçam o seu estado de conservação. Isso pode ser agravado ainda pelo fato de ser uma espécie naturalmente bem rara, com uma densidade ecológica, por exemplo, de 4.28 indivíduos por km² no estado do Rio Grande do Sul, no Brasil. Normalmente é encontrada em áreas de proteção ambiental e Estudo, como os liderados pelos pesquisadores Emerson Vieira e Sergio Lucena.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Reis, Nelio (2010). Mamíferos do Brasil: Guia da Identificação. Rio de Janeiro: Technical Books Editora. 479 páginas
  • SILVA, R. B.; VIEIRA, E. M. Sobre Ratos e Pandas. Laboratório de Ecologia de Mamíferos Universidade do Vale dos Sinos, Rio Grande do Sul, mar.2006. Disponível em: < http://www.cienciahoje.org.br/revista/materia/id/142/n/sobre_ratos_e_pandas> Acesso em: 28 nov. 2017.
  • SILVA, F. A.; ASSIS, C. L.; SILVA, R. A.; ANTUNES, V. C.; LESSA, G.; QUINTELA, F. M. Distribuição e conservação do rato-do-bambu Kannabateomys amblyonyx (Rodentia, Echimyidae) no Estado de Minas Gerais, Brasil. Neotropical Biology and Conservation, Minas Gerais, 7(1):21-25, jan/abr.2012.
  • The IUCN Red List of Threatened Species. Kannabateomys amblyonyx. Disponível em: < http://www.iucnredlist.org/details/10957/0 >. Acesso em: 28 nov. 2017.
  • ANDRADE, M. A. F.; CHRISTOFF, A. U. ROEDORES EQUIMÍDEOS DO RIO GRANDE DO SUL (RODENTIA: ECHIMYIDAE). Disponível em: < https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/79704/000326941.pdf?sequence=1> Acesso em: 28 nov. 2017.
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