Karl Böhm

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Karl Böhm (1955)

Karl August Leopold Böhm (Graz, 28 de agosto de 1894Salzburgo, 14 de agosto de 1981) foi um maestro austríaco, considerado um dos principais da música clássica do pós-guerra. Foi um especialista das obras de Strauss, Wagner e Mozart.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Karl Böhm nasceu em Graz, na Áustria, em 28 de Agosto de 1894, filho de pai alemão, da zona da Boémia, e de mãe francesa, da região da Alsácia. O seu pai, Leopold Böhm, era advogado.

Em 1913, Böhm estuda música com Eusebius Mandyczewski, arquivista da Gesellschaft der Musikfreunde (Sociedade dos Amigos da Música), e amigo de Johannes Brahms.

Durante a Primeira Guerra Mundial, serve no exército austríaco, ao mesmo tempo que estudava música. Em 18 de Março de 1917, Böhm actua, pela primeira vez, como maestro, em Graz, conduzindo a obra Er und seine Schwester, de Bernhard Buchbinder. Após a guerra, tira o doutoramento em Direito, em 1919.

Por recomendação do maestro Karl Muck, Bruno Walter contrata Böhm como assistente, para a Bavarian State Opera, de Munique, em 1921. Dois anos depois, em 1923, Böhm conduz a sua primeira ópera de Richard Strauss, Ariadne auf Naxos. Trabalharía com Walter durante seis anos, durante os quais conduziu cerca de 528 concertos de 73 óperas distintas.

Em 1927, torna-se Director Musical , em Darmstadt. Esta nova experiência deu-lhe a conhecer as óperas modernas de Alban Berg, como Wozzeck. Nas comemorações dos 150 anos do nascimento de Beethoven, em 1930, Böhm conduziu a Sinfonia nº 9, tendo recebido as melhores críticas pela sua performance.

Em 1931, é o director de Ópera de Hamburgo. Conhece Strauss em 1933, tendo criado uma amizade que duraria 16 anos. Strauss dá a conhecer as obras de Mozart. Em 1 de Janeiro de 1934, Böhm é nomeado director da Dresden State Opera, sucedendo a Fritz Busch no cargo. Em 1941, é designado para o cargo de director da Vienna State Opera, que teria início em 1 de Janeiro de 1943; anos mais tarde, em 1 de Setembro de 1954, é nomeado director pela segunda vez.

Período de regime nazi[editar | editar código-fonte]

Como maestro, Böhm faz a sua primeira actuação em Londres, no ano de 1936, com a obra Der Rosenkavalier. Dois anos depois, conduz a ópera Don Giovanni, de Mozart, pela primeira vez, em Salzburgo. Conduziria esta mesma ópera, em 1948, no Teatro La Scala, de Milão, na sua estreia nesta cidade; esta obra seria a sua estreia em Nova Iorque, no Metropolitan Opera, em 1957.

Em 1944, grava a sua primeira ópera completa -Ariadne auf Naxos-, tocando na gala de homenagem a Richard Strauss, que completava 80 anos, na Vienna State Opera. Böhm dedicará grande parte da sua carreira dirigindo as composições de Strauss, que tinha sido colocado de parte durante o regime nazi. O próprio Böhm foi proibido de actuar no período do pós-guerra, até 1947, durante as investigações efectuadas a cidadãos austro-alemães, com suspeita de terem participado no regime nazi.

Década de 1950[editar | editar código-fonte]

Entre 1950 e 1953, Karl Böhm é director das temporadas alemãs no Teatro Colón, em Buenos Aires. Numa dessas apresentações, Böhm dirige a peça Wozzeck, de Alban Berg, indicada pela crítica jornalística, como um marco na história musical da Argentina; esta actuação levou a que as obras de Büchner fossem traduzidas para espanhol.

Em 10 de Março de 1953, Karl Böhm é contratado pela Deutsche Grammophon. O primeiro trabalho discográfico gravado é a Sinfonia nº 5 de Beethoven, com a orquestra filarmónica de Berlim.

Década de 1960[editar | editar código-fonte]

Na década de 1960, Karl Böhm conduz em Beirute (1962), a ópera de Richard Wagner, Tristão e Isolda; dirige a ópera de Beethoven, Fidelio (1963), no Teatro Nissei, em Tóquio.

Em 1964, conduz o Hino Olímpico, de Richard Strauss, na abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Innsbruck.

Década de 1970[editar | editar código-fonte]

No início da década seguinte, Böhm trabalha numa nova produção da obra Salomè, de Strauss, e, em 1971, actua pela primeira vez em Moscovo, dirigindo a Orquestra Filarmónica de Viena, na Sinfonia nº 9, de Beethoven. Em 1974, grava a primeira produção de uma ópera, em Salzburgo, com Così fan tutte.

Sempre dedicado a Richard Strauss, Böhm doa à Filarmônica de Viena os rascunhos das composições Ariadne auf Naxos e Die Frau ohne Schatten, daquele compositor.

No primeiro dia de Janeiro de 1977, Karl Böhm assina um contrato de exclusividade com a Polydor International. No mesmo ano, o maestro faz a sua primeira actuação, com a Royal Opera, em Convent Garden, com a ópera Le Nozze di Figaro.

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Em 1978, Karl Böhm completa 40 anos, como maestro, do Festival de Salzburgo. Da sua extensa carreira, dirigiu 52 concertos para orquestra e 270 óperas, das quais 168 de Mozart. No ano seguinte, em 28 de Agosto de 1979, no seu 85º aniversário, o maestro dirige a gala com a nova produção de Ariadne auf Naxos, na cidade de Salzburgo.

Karl Böhm faz a sua última gravação, para a Deutsche Grammophon, em Novembro de 1980, com a Sinfonia nº 9, de Beethoven. Morre em 1981, a 14 de Agosto, em Salzburgo.

Vida familiar[editar | editar código-fonte]

Karl Böhm casa-se em 1927 com a cantora Thea Linhard, de quem teve um filho em 1928, de nome Karlheinz Böhm.

Prémios e reconhecimentos[editar | editar código-fonte]

  • Medalha de Ouro da cidade de Salzburgo – 1959
  • Director Musical Geral da Áustria (Österreichischen Generalmusikdirector) – 1964. Nomeação feita pelo Presidente da Áustria
  • Cidadão Honorário de Salzburgo – 1964
  • Gramofone de Ouro da Deutsche Grammophon Gesellschaft – 1970
  • Maestro Honorário da Orquestra Filarmónica de Hamburgo – 1974
  • Presidente Honorário da Orquestra Sinfónica de Londres – 1977
  • Maestro Honorário da Bavarian State Opera – 1978
  • Cidadão Honorário de Viena - 1978
  • Membro Honorário da Bavarian State Opera – 1979
  • Membro Honorário do Staatstheater, de Darmstadt – 1980

Em 1974, o Ministro da Educação e Arte da Áustria, cria o Prémio Karl Böhm para jovens maestros.

No total, Karl Böhm recebeu 64 prémios devidos pelos seus trabalhos para a Deutsche Grammophon. De entre eles, destacam-se:

  • Prix Mondial du Disque
  • Grammy (EUA)
  • Edison Prize
  • Record Academy Prize (Tóquio)
  • Grand Prix International du Disque, Academie Chrles Cros
  • Grand prix national du Disque, Académie du Disque français
  • Grand Prix des Discophiles
  • Deutscher Schallplattenpreis
  • Wiener Flötenuhr

Ordens recebidas:

  • Ordem de Honra da província de Salzburgo – 1959
  • Grã-Cruz de Mérito da República Federal da Alemanha1964
  • Medalha de Prata de Brahms, da cidade de Hamburgo
  • Diploma de Honra pelas gravações efectuadas de música clássica - 1974

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Dados biográficos incluídos na obra Sinfonia nº 9, de Beethoven, editado pela Deutsche Grammophon.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]