Katia Bronstein
| Kátia Bronstein | |
|---|---|
| Nascimento | 23 de junho de 1965 (60 anos) Rio de Janeiro, RJ |
| Nacionalidade | brasileira |
| Gênero(s) | indie, rock, pop, MPB, world music, bossa nova, samba, trip hop, jazz, tech house |
| Ocupação | Cantora e atriz |
| Cônjuge | João Barone (c. 1995; div. 2009) |
| Filho(a)(s) | Branca Bronstein Vicente Barone |
| Instrumento(s) | vocal, violão brasileiro, viola brasileira, guitarra elétrica, piano, ukulele |
| Período em atividade | 1980–presente |
| Outras ocupações | compositora produtora musical atriz bailarina professora preparadora cênica de cantores |
| Gravadora(s) | Net MCD Tumi Streetbeat Vulkana Tratore |
| Afiliação(ões) | Circo Voador, Asdrúbal Trouxe o Trombone, Blitz, Básico Instinto, Barão Vermelho, Bebel Gilberto, Cazuza, Fausto Fawcett, Herbert Vianna, Mitar Subotić, Vitor Ramil, Marcos Suzano, Pedro Luís e a Parede, Teresa Cristina, Charles Gavin, Dé Palmeira, Alexandre Kassin, Stella Miranda, Claudia Raia, Raul Gazolla, Totia Meirelles |
Katia Bronstein (Rio de Janeiro, 23 de junho de 1965) é uma cantora, compositora, atriz e bailarina brasileira. Graduada em Teatro pela Casa das Artes de Laranjeiras e formação no Teatro O Tablado.[1][2] Seguiu carreira no teatro, cinema e como cantora de bossa nova e MPB eletrônica. Com o nome artístico Katia B,[3] lançou cinco álbuns apostando em um estilo eclético que une bossa nova, MPB, indie, trip hop britânico, influências étnicas e orientais e música eletrônica: Katia B, em 2000, Só deixo meu coração na mão de quem pode, em 2004, Espacial, em 2007, Para mim você é lindo, em 2012, e Canções de outro mundo, em 2022.[4] Katia é judia de origem russo-asquenazita.[5]
A artista já trabalhou como cantora e compositora com instrumentistas e cantores brasileiros renomados do jazz, da bossa nova e da tropicália. Faz parte do movimento de renovação da música popular brasileira, a nova MPB, ao lado de Bebel Gilberto, Tulipa Ruiz, Daúde, Céu, Tiê, Verônica Ferriani, Jussara Silveira, Nina Becker, Alice Caymmi e Vanessa da Mata.[6][7]
No teatro, trabalhou com grandes nomes, como Luís Antonio Martinez Corrêa, Walter Clark, Monique Gardenberg, Aderbal Freire Filho e Maria Clara Machado.
Biografia
[editar | editar código]Katia Bronstein começou na música cantando nos saraus do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A artista é conhecida como uma das fundadoras do Circo Voador, palco artístico alternativo criado no Arpoador, Rio de Janeiro, em 1981.[8] Fez parte do curso de Perfeito Fortuna com integrantes do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, ao lado de Bebel Gilberto, Cazuza e Deborah Colker.[9][10][11][12] No mesmo ano, Cazuza, Katia Bronstein, Bebel Gilberto, Alice de Andrade e Perfeito Fortuna criaram o grupo de teatro amador Paraquedas do Coração.[13][14]
A artista estreou como atriz e bailarina na versão brasileira do musical A Chorus Line, aos 17 anos, em 1982. No espetáculo, explorou sua veia cômica no papel de Bebe Benzenheimer.[15] Na mesma época, fez parte da primeira formação da banda de pop rock Blitz ao lado de Lobão e Evandro Mesquita.[16]
Katia Bronstein integrou o elenco da minissérie policial de 25 capítulos Tudo em Cima, da Rede Manchete em 1986.[17] O programa foi exibido de março a abril de 1986, escrito por Bráulio Pedroso e Geraldo Carneiro e dirigido por Ary Coslov. Em 1989, atuou no programa de TV de sátira política Cabaré do Barata, de Agildo Ribeiro. A atriz participava de quadros de paródias musicais e esquetes com Agildo Ribeiro, no humorístico apresentado às quartas-feiras, às 22h. Em um dos quadros do programa, interpretou uma das presidências, a idealizada e almejada, e antagonizava com a atriz Sheila Aragão, que fazia o papel da presidência decadente.[18][19][20]
Já na TV Globo, fez uma participação na novela Rainha da Sucata, como a colega na aula de dança que implica com a bailarina Adriana Ross, papel da atriz Claudia Raia, em 1990.[21] No mesmo ano, Katia interpretou Roseta na minissérie de comédia de época La Mamma. Roseta trabalhava como empregada doméstica na casa da Mamma, personagem de Dercy Gonçalves.[22] Em 1996, Katia fez parte do elenco da segunda temporada da novela Malhação, como a vilã Lila Shue, uma cantora famosa e mãe de Jade, interpretada pela atriz Luiza Curvo.[23] Lila Shue fazia diversas armações para separar a filha do namorado, Bróduei.[24] A atriz interpretou Dora, uma trapezista que sofre um acidente e precisa fazer uma cirurgia no seriado Mulher, episódio "De braços abertos", em 1998.[25][26] Katia entrou na novela Passione em 2010, interpretando Françoise Caron, uma decoradora francesa que participou do núcleo de comédia da trama ligado ao "Rei do Lixo", Olavo, personagem de Francisco Cuoco. [27][28][29][30][31][32] Em 2021, participou de dois episódios da minissérie Passaporte para liberdade como Sidonie Moebius, mãe da protagonista Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, o Anjo de Hamburgo, interpretada por Sophie Charlotte. Foi a primeira produção da TV Globo em inglês, uma parceria com a Sony Pictures Television.[33][34]
Cinema brasileiro e internacional
[editar | editar código]A estreia de Katia Bronstein no cinema foi no filme Bar Esperança, dirigido por Hugo Carvana, em 1983. Logo no início do longa, Katia contracena com a atriz Maria Gladys e a protagonista, Marília Pêra. A personagem da atriz, Tininha, faz parte do grupo de amigas que frequentam o Bar Esperança.[35] Cabe destacar a presença de Katia no papel de Mimi Bibelô, na versão de Ruy Guerra do filme Ópera do Malandro, em 1987.[36][37] A atriz participou do filme internacional O Quinto Macaco, em 1990, no papel de Mrs. Tramp.[38]
Em 1991, Katia atuou no longa policial noir A Grande Arte como uma modelo assassinada em um hotel.[39] O primeiro filme dirigido por Walter Salles é uma adaptação do romance de Rubem Fonseca. O espectador acompanha o fotógrafo norte-americano Peter Mandrake, interpretado por Peter Coyote, e sua vingança pela morte de Gisele, a atriz Giulia Gam, e de sua namorada, Maria, a atriz Amanda Pays. Mandrake decide aprender a arte de manusear facas com o assassino profissional Hermés, o ator Tchéky Karyo, para seguir as pistas deixadas pelo serial killer. O roteiro de Rubem Fonseca e Matthew Chapman remete a um grande sucesso na época, a série Twin Peaks, de 1990. No ano seguinte, a atriz participou do curta-metragem Biu, ou a Vida Real não tem Retake, como Aída de Verdi. O filme do roteirista e diretor Paulo Halm teve ainda no elenco os atores Paulo Betti e Fábio Assunção.
No filme Buena Sorte, a artista interpretou a cantora Cilene, e participou da trilha sonora com canções originais, em 1997.[40][41] Katia foi Hannah no longa Lost Zweig, que conta a história do escritor austríaco judeu Stefan Zweig, da chegada ao Brasil com sua esposa, Lotte Zweig, a publicação do livro "Brasil, o país do futuro" até a morte do casal, em 1942.[42] Foi uma adaptação do livro "Morte no paraíso, a tragédia de Stefan Zweig", de Alberto Dines. O filme foi lançado em 2002.[43]
Documentário
[editar | editar código]Katia participou do documentário Herbert de Perto, de 2009, que mostrou o processo de recuperação do cantor e guitarrista Herbert Vianna, d'Os Paralamas do Sucesso, após o acidente de 2001.[44] Herbert Vianna também contribuiu com composições para os álbuns Xicotinho e Salto Alto e Katia B. A artista era casada com o baterista da banda, João Barone. Em 2020, Katia aparece no documentário Blitz, já que fez parte da história da primeira formação da banda.[45] Dois anos depois, a artista esteve no documentário Fausto Fawcett na cabeça, a história de vida de seu companheiro de composições, Fausto Fawcett.[46]
Teatro
[editar | editar código]Após a turnê de A Chorus Line, Katia atuou, em 1984, no musical A Lenda da Pérola, montagem do Teatro de Arena do Rio de Janeiro com direção de Marcio Augusto. Em 1986, a artista esteve no musical Mahagonny, adaptação de Luís Antonio Martinez Corrêa de "Ascensão e queda da cidade de Mahagonny (1928-1929)", de autoria do dramaturgo alemão Bertolt Brecht e músicas de Kurt Weill, em 1986. [47][48] No ano seguinte, Katia foi escalada para a montagem musical Gardel, uma lembrança, do escritor argentino Manuel Puig e direção de Aderbal Freire-Filho, e dividiu o palco com Thales Pan Chacon e Inez Viana.[49] A atriz participou da peça infantil Tribobó City, com direção de Maria Clara Machado, no curso do Teatro O Tablado, em 1988.[50]
A artista fez parte do elenco de 2002 de Os sete afluentes do rio Ota, adaptação do livro do diretor de teatro canadense Robert Lepage, com direção da dramaturga Monique Gardenberg. O épico teatral é dividido em sete atos ou capítulos e tem, aproximadamente, cinco horas de duração. A história tem início em Hiroshima, em 1945, após o fim da Segunda Guerra Mundial, e se passa por diversos países como Estados Unidos e Holanda. O espetáculo toca em temas importantes, como as bombas de Hiroshima e Nagasaki e o Holocausto.[51][52][53][54]
Katia atuou na peça de teatro online Aquele que caminha ao lado, com texto de Daniela Smith e direção de Francisco Taunay, Bernardo Vilhena e Thiago Sacramento, exibida pela plataforma Zoom durante a pandemia de COVID-19, de 14 de dezembro de 2020 a 25 de janeiro de 2021.[55][56][57] A artista participou da montagem de Despertar, com direção de César Augusto, no Espaço Sérgio Brito, no Rio de Janeiro. A peça, baseada em O Despertar da Primavera, de Frank Wedekind, fez parte da formatura do Bacharelado em Teatro na Casa das Artes de Laranjeiras, e ficou em cartaz de 7 a 9 de julho de 2022. [58] Em 2025, Katia Bronstein fez parte da estreia da nova montagem do musical A Chorus Line, no Teatro Villas-Lobos, São Paulo. Os bailarinos da versão de 1982 participaram do último número, a canção "One". [59][60]
Publicidade
[editar | editar código]Em 1987, participou de uma das mais famosas aberturas do Fantástico junto com Isadora Ribeiro e Ciro Barcelos. Os bailarinos representavam os quatro elementos: ar, fogo, terra e ar. A abertura do programa se destacou pelos efeitos especiais em estúdio. Os artistas saíam lentamente de dentro de um cenário que reproduzia as águas do lago Mono, na Califórnia.[61][62]
Ao lado do ator Felipe Pinheiro, protagonizou o anúncio do primeiro casal Unibanco, criado por Washington Olivetto e dirigido por Walter Salles, em 1994.[63][64]
De Xicotinho e Salto Alto a Katia Talismã
[editar | editar código]Katia formou uma dupla sertaneja com Stella Miranda, Xicotinho e Salto Alto. A estreia foi no Teatro Hilton cantando em um cenário que lembrava uma borracharia, em 1992.[65] A dupla lançou um álbum de mesmo nome no mesmo ano.[66] As músicas, compostas por grandes nomes da MPB e do rock, como Herbert Vianna, Marisa Monte e Titãs, tinham uma pegada folk e country que exploravam a veia humorística das cantoras-atrizes.[67] Stella Miranda também traduziu músicas para o português do filme Nashville especialmente para o álbum.[68] Ainda no ano de 1992, a dupla lançou o clipe da música "Você é doida demais", letra de Lindomar Castilho e Ronaldo Adriano, com adaptação de Stella Miranda.[69] A dupla Xicotinho e Salto Alto se apresentou em programas de TV e fez shows pelo Brasil em feiras agropecuárias e grandes eventos, como a Festa do Peão de Barretos.[70]
Tempos depois, encarnou a personagem "Katia Talismã" no show Básico Instinto, de rock experimental, funk e rap, do cantor e compositor Fausto Fawcett,[71] em 1993. Ao lado da banda Falange Moulin Rouge, composta por Dado Villa-Lobos na guitarra, Dé Palmeira no baixo, Ary Dias na percussão e João Barone e Charles Gavin na bateria, Katia cantou, produziu e compôs músicas com Fawcett para o álbum Básico Instinto.[72][73][74]
Katia B
[editar | editar código]Katia é conhecida como uma das precursoras da mistura de batidas eletrônicas com a música brasileira. A cantora lançou cinco álbuns: Katia B, em 2000, Só deixo meu coração na mão de quem pode, em 2004, Espacial, em 2007, Para mim você é lindo, em 2012, e Canções de outro mundo, em 2022.[4] Para esta fase, Katia deixou o sobrenome Bronstein e assinou apenas como Katia B.[75] Katia explicou, em entrevista de 2013, que a sua família judia foi a inspiração para os ritmos orientais em todos os álbuns. "Minha família sempre participa das comemorações judaicas e sinto um grande prazer em celebrar as datas e ouvir as músicas. Essas melodias sempre ficam na minha cabeça", disse a artista. "Meus discos sempre têm uma certa escala oriental, seja nas letras ou na instrumentação. Isso me remete muito a uma coisa feminina e misteriosa".[76]
Primeiro álbum: Katia B
[editar | editar código]O primeiro álbum, Katia B, em 2000, apresentou uma mistura de bossa nova, trip hop e música oriental com mixagem feita pelo produtor Mitar Subotic, o Suba, iugoslavo radicado no Brasil. Participaram do álbum o guitarrista Gustavo Corsi, o violonista Tom Capone, o baterista João Barone, o baixista Plínio Gomes, o percussionista João Parahyba, o tecladista Marcos Cunha, o guitarrista e vocalista Herbert Vianna, acordeão de Marcos Nimrichter, aliado aos violoncelistas Lui Coimbra e Hugo Pilger. Entre os compositores estão Katia B em "Diva" e acompanhada de Fausto Fawcett e Laufer em "Beijos de Beco", de Suely Mesquita e Marcos Cunha em "Risos e Chá", de Arícia Mess em "Nem aí" e de Mathilda Kóvac em "Pólos". As outras composições foram "Copo Vazio", de Dé Palmeira e João Barone, "Que horas não são", de Vitor Ramil, "Noites de sol, Dias de lua", de Herbert Vianna, "Polos", de Mathilda Kóvac, Alvin L. em "Framboesas", e Lucio K, em "Na Lagoa Dub".[77]
Só deixo meu coração na mão de quem pode
[editar | editar código]Já o segundo álbum, Só deixo meu coração na mão de quem pode, de 2004, veio com groove e vocais repletos de influências da bossa nova, samba, trip hop e música judaica tradicional.[78] "Estou falando basicamente de amor, de ciúme, de mulher, de uma mulher feminina, pronta para a vida, inteira. Ouço muito Morcheeba, Beth Gibbons, Massive Attack, e samba e bossa nova desde que nasci", afirmou em entrevista de 2005.[79] Neste trabalho, Katia B cantou acompanhada da banda formada pelos multi-instrumentistas Marcos Cunha e Marcos Suzano, do baixista Plínio Profeta, do guitarrista Gustavo Corsi e do percussionista Tom Rocha. A produção foi dividida entre Plínio Profeta, Marcos Cunha, Sacha Amback, Marcos Suzano, Eduardo Bidlovski, o Bid, e Antoine Midani.
Foram diversas parcerias neste segundo trabalho. Katia B compôs "Parece mentira" e trabalhou com Fausto Fawcett, Plínio Profeta e Marcos Cunha na música título, "Só deixo meu coração na mão de quem pode". A parceria nas composições se estendeu a "Descontrole", com JR Tostoi e Marcelo H., "Outra Estação", com Pedro Luís e Marcos Cunha, "Are you sleeping?" com Bid, e Mitar Subotic, o Suba, "Segredo", com Suba, "Último a saber", com Suely Mesquita e JR Tostoi, e "One more shot", com Dé Palmeira. Entre as participações, estão a do maestro Egberto Gismonti, dos bateristas João Barone e Jongui, do baixista Dé Palmeira, do cantor Supla, em "One more shot", da cantora Cecília Spyer, em "Outra estação" e do guitarrista Lucas Santtana. O trabalho alcançou o público de diversos países, como Japão, Alemanha, Inglaterra, França e Estados Unidos. [80][81][82] O álbum ganhou edições limitadas com os títulos My brazilian heart e Mais uma One more shot, distribuído na Europa e no Japão.[83]
Projeto Toca Brasil
[editar | editar código]Katia participou do Projeto Toca Brasil, destinado a novos talentos da música brasileira, promovido na sede do Instituto Itaú Cultural, em São Paulo, em 2004. [84]
Projeto Pixinguinha
[editar | editar código]Ao lado de seu parceiro musical de longa data, o cantor e compositor gaúcho Vitor Ramil,[85] e o ex-integrante da banda De Falla, o também gaúcho Flu, Katia se apresentou no famoso Projeto Pixinguinha, em cidades do Nordeste do Brasil, em 2006. Na ocasião, apresentou músicas de seus álbuns Katia B e Só deixo meu coração na mão de quem pode.[86] Criado em 1977, o Projeto Pixinguinha é um dos mais tradicionais do Brasil e contou com a participação de Cartola, Jackson do Pandeiro, Marlene, Edu Lobo, João Bosco, Nara Leão, Paulinho da Viola, Alceu Valença, Gonzaguinha e muitos outros. O projeto foi importante para divulgação dos talentos da MPB Marina Lima, Djavan e Zizi Possi.[87] “Participar do Pixinguinha foi muito importante para o desenvolvimento do meu trabalho, até porque naquele momento eu tinha viajado mais para fora do Brasil, em turnês por países da Europa, do que para cidades do Nordeste. Houve uma química muito grande entre nós e pudemos perceber o amadurecimento do espetáculo ao longo da turnê. No quinto show já estávamos delirando com o resultado”, afirmou Katia B em entrevista. [88]
Espacial
[editar | editar código]O terceiro álbum da carreira da artista foi Espacial, em 2007. Katia B apostou na mistura de MPB, samba, bossa nova, jazz e músicas oriental e árabe nas composições "Dança do ventre da guerra", em parceria com Fausto Fawcett, "Espacial", com Lucas Santtana, "Destiny (be my friend)" com Vitor Ramil e "Mundo grande" com Suely Mesquita. A artista regravou "Cais", de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, "O amor em paz", de Tom Jobim e Vinícius de Moraes e "Viajei", de Vitor Ramil. Cabe destacar a parceria com a cantora Cecília Spyer, em "Entardecer". A canção homenageia a avó de Katia, Bertha Bronstein. Participações especiais do baterista João Barone, em "Espacial", do guitarrista Rodrigo Campelo, em "O amor em paz", da clarinetista Lucia Morelenbaum e do multi-instrumentista Marcos Suzano, em "Dança do ventre da guerra" e do guitarrista Pablo Villaça, em "Canto de alegria", uma homenagem ao filho Vicente. A banda que a acompanha foi composta do multi-instrumentista Marcos Cunha, do guitarrista Gustavo Corsi, do baixista Plínio Profeta e do baterista Jam da Silva. O álbum foi viabilizado pelo edital de 2006 da Petrobras.[89]
O trabalho sofisticado de Katia B rendeu o convite para a apresentação no TIM Festival, no mesmo dia de Cat Power, em 2007.[90]
Intérprete de grandes canções
[editar | editar código]Mesmo com álbuns próprios, a cantora não abandonou o trabalho de intérprete de grandes sucessos da MPB. Em 2007, a artista apresentou uma versão de "Samurai" no Som Brasil em homenagem a Djavan.[91] Katia apresentou um pocket show com músicas de Madonna, de quem é fã, em 2008.[92] Em 2009, Katia B se apresentou ao lado de Vitor Ramil e Marcos Suzano em Portugal, Inglaterra, França, Alemanha, Sérvia, México e Japão.[93][94]
Para mim você é lindo
[editar | editar código]Após um hiato na música em que se dedicou ao trabalho com a preparação cênica de cantores, a divulgação do álbum Espacial e a criação do filho Vicente, Katia lançou, em 2012, o álbum Para mim você é lindo. As canções falam de amor, sofrimento e redenção entremeadas de ritmos variados como bossa nova, jazz, MPB eletrônica e pop. "Quis agregar intensidade aos arranjos, às texturas e camadas de som. Tenho uma grande preocupação com o som, de não parecer uma cantora acompanhada. Passei por uma procura por um som em que a minha voz esteja mais diluída em todo contexto. Sinto que aqui estou mais corajosa e livre", disse Katia B em entrevista.[95][96][97]
O álbum conta com uma versão de "Bei Mir Bist du Schon", música tradicional judaica em iídiche de 1932, uma canção em inglês de própria autoria, "Where is your heart?", e outra em francês, "Le Temps de L' Amour". Katia B apostou em versões de "Sete mil vezes", de Caetano Veloso, e "A tua vida é um segredo", de Lamartine Babo, e na inédita "Sem história", do multi-instrumentista Antonio Saraiva. A composição foi dividida com o vocalista, poeta e instrumentista Rubinho Jacobina, em "Aprendendo a viver", a cantora Teresa Cristina e o baixista Dé Palmeira, em "Armadilha", o baterista e percussionista Jam da Silva, em "O Baile", o baterista Charles Gavin e Bernardo Bosísio, em "Seis vidas" e Vik Barone, na vinheta "Depois do bloco". O trabalho durou um ano e a produção foi dividida entre Bernardo Bosísio, Lucas Vasconcellos e Duda Mello.[98][99][100]
Serenata e Coletivo Samba Noir
[editar | editar código]Em 2018, Katia B estrelou o espetáculo "Serenata", ao lado de Antônio Saraiva e Vitor Ramil, com músicas de sua autoria e interpretações de outros artistas.[101] A cantora e compositora lançou o single "Samsara" em 2020, música de autoria de Antônio Saraiva, que toca diversos instrumentos - piano, baixo, guitarra, violão de 12 cordas e flauta - na gravação.[102]
Durante a pandemia de COVID-19, Katia B apresentou a sua live nas redes sociais, a Alive, todos os domingos, às 17h, no seu perfil na rede social Instagram. Na produção da live, contou com o seu filho Vicente.[103] A cantora participou do programa Zoombido, de Paulinho Moska, no Canal Brasil, em 2020.[104]
A artista fez parte do Coletivo Samba Noir, ao lado de Marcos Suzano na percussão e voz, Luis Felipe de Lima, no violão de sete cordas e Guilherme Gê nos teclados, baixo synth e voz, em 2021. No projeto, o quarteto deu cara nova a sambas clássicos que falam de amores impossíveis, solidão, angústia e inquietação.[105][106]
Canções de outro mundo
[editar | editar código]Já em 2022, apresentou ao público o álbum Canções de outro mundo, de MPB eletrônica e influências do trip hop britânico, trabalhando o single "Âmbar", com letra de Antônio Saraiva.[107] O trabalho foi produzido durante a pandemia de COVID-19 por Katia B, Antônio Saraiva e David Brinkworth, com as participações de Marcos Suzano na percussão, Pedro Luís no vocal e Luís Filipe de Lima no violão de 7 cordas.[108][109] A composição das faixas foi iniciada com um jogo de palavras entre Katia e Antônio Saraiva a partir dos títulos das canções. Do trabalho sofisticado que une arte e música surgiram "Âmbar", "Vale", "De longe", "Dois" e "Seco", com a participação de Pedro Luís.[110] De acordo com a cantora, a ideia foi convidar o ouvinte a visitar outros mundos mágicos durante o período de isolamento. "Fomos fundo na construção de uma sonoridade que é a minha cara desde sempre, que tem esse diálogo do acústico com o eletrônico e levadas com um quê de mantra. De certa forma, Canções de outro mundo é uma continuação do que venho fazendo desde o meu primeiro disco, Katia B., de 1999", explicou a artista em entrevista. [111] O trabalho celebrou os 40 anos de carreira.
Próximos passos
[editar | editar código]Katia enveredou na nova música eletrônica com uma versão em tech house do single "Destiny" - composição de Vitor Ramil para o álbum Espacial, de 2007 -, em parceria com o seu filho, o produtor musical, DJ e baterista Vicente, conhecido pelo seu nome artístico Cent, em 2024.[112]
A atriz e cantora se divide, em 2025, entre a atuação nos shows de Xicotinho e Salto Alto e o projeto "Só deixo meu coração na mão de quem pode" e outras coisas, que homenageia os 15 anos do álbum consagrado no Brasil e no exterior.[113].
O retorno de Xicotinho e Salto Alto
[editar | editar código]Em 2025, Katia voltou aos palcos ao lado de Stella Miranda com a dupla de música sertaneja e country que foi sucesso nos anos 1990, Xicotinho e Salto Alto.[114] As artistas são acompanhadas pela banda formada por Kassin no contrabaixo, Charles Gavin na bateria, Rick Ferreira na guitarra e Fabrizio Iório nos teclados. A direção é de Gringo Cardia.[115] Em nova fase, adotou o nome Katia Bronstein.
Xicotinho e Salto Alto fazem uma série de apresentações no Clube Manouche, no Rio de Janeiro, em 2025. A dupla lançou um novo álbum no dia 15 de agosto de 2025.[116]
Parcerias
[editar | editar código]Katia B formou parcerias com outros artistas, como:
- Alceu Valença: faixa "O ovo e a galinha" no álbum Andar, andar (1990);[117]
- Suba: faixa "Segredo" no álbum São Paulo Confessions (2000);[118]
- Trash pour 4: faixa "Is this love" no álbum Super Duper (2006);[119]
- The Juju Orquestra: faixa "Não posso demorar", no álbum Bossa nova is not a crime (2007);[120]
- Vitor Ramil: faixa "Que horas não são?" no álbum Satolep Sambatown (2007),[121] faixa "Joquim" no álbum Foi no mês que vem (2013);[122]
- Charles Gavin: single "Seis vidas", no 11o Encontro Compacto Petrobras (2010);[123]
- Plinio Profeta: faixa "Alegria", no álbum Plinio Profeta vol. 1 (2013);[124]
- Paulinho Moska: faixa "Canto de alegria" no álbum Moska Duetos Zoombido: nova MPB vol.1 (2019);[125]
- Antônio Saraiva: single "Samsara" (2020); [126]
- Erica: single "Vale (Erica remix)" (2023);[127]
- Vários intérpretes: faixa "Cá Já" no álbum Elas cantam Caetano Veloso (1994);[128] faixa "Near the ocean" no álbum Ocean Café (2008);[129]; faixa "Yo Lellè" no álbum Tribalóide vol. 12 (2009);[130] faixa "Walking on this ice" no álbum Mrs. Lennon: songs by Yoko Ono (2010);[131] faixa "Mas que nada" no álbum Tokyo Luxury Autumn Covers (2013);[132] faixas "Another star" e "Brazilian Rhyme" no álbum Luxury lounge dance classics (2013);[133]
- Diversas canções de Katia B, como as faixas "Are you sleeping?" e "Só deixo o meu coração na mão de quem pode", foram remixadas e podem ser encontradas em coletâneas de música eletrônica.[134]
Vida Pessoal
[editar | editar código]Katia tem dois filhos de dois relacionamentos, a arquiteta, cenógrafa e diretora de arte Branca[135] e o produtor musical, DJ e baterista Vicente (Cent).[136]
Katia Bronstein foi casada com o baterista d'Os Paralamas do Sucesso, João Barone. Vicente é filho da artista e de João Barone.[137] A artista também teve um longo relacionamento com o multi-instrumentista Antônio Saraiva. [138]
Branca Bronstein fez a direção de arte da capa do álbum Para mim você é lindo e dirigiu Katia nos clipes do single "Samsara" e da faixa "Âmbar", do álbum Canções de outro mundo, em 2012, 2019 e 2022, respectivamente.[139][140] Já Vicente (Cent) produziu uma versão em tech house do single "Destiny (be my friend)" do álbum Espacial, em 2024.[141] Cent estuda produção musical desde 2019 e, como a mãe, segue caminho na MPB e na música eletrônica.[142]
Apoio a causas sociais
[editar | editar código]A artista participa regularmente de causas sociais relacionadas à cultura, como a defesa da permanência do Teatro Casa Grande, em 2020, no Rio de Janeiro.[143] Katia também se posicionou, em 2025, contra a remoção do Teatro de Contêiner, em São Paulo. Durante anos, Katia participou de discussões, atos e protestos para a reabertura do Circo Voador.
Uma das causas defendidas pela artista é a liberdade de expressão das formas de arte e cultura. A atriz costuma prestigiar o avant-garde, teatro experimental, drag queen e drag queer, underground, teatro-cabaré e burlesco. Katia também participa de pré-estreias de novos talentos do teatro, da música, do cinema e das artes plásticas e visuais e divulga os trabalhos dos artistas nas suas redes sociais oficiais.
Como judia, Katia assumiu uma postura pacifista diante dos conflitos entre palestinos e israelenses.
Discografia
[editar | editar código]Álbuns de estúdio
[editar | editar código]| Ano | Álbum | Nota |
|---|---|---|
| 1992 | Xicotinho e Salto Alto | |
| 1993 | Básico Instinto | |
| 2000 | Katia B | |
| 2004 | Só deixo meu coração na mão de quem pode | |
| 2005 | My brazilian heart | Edição limitada |
| 2005 | Mais uma - One more shot | Edição limitada |
| 2007 | Espacial | |
| 2012 | Para mim você é lindo | |
| 2022 | Canções de outro mundo |
Álbuns de vídeo
[editar | editar código]| Ano | Álbum |
|---|---|
| 2005 | Só deixo meu coração na mão de quem pode |
| 2022 | Canções de outro mundo |
Videografia
[editar | editar código]| Ano | Música | Álbum | Direção |
|---|---|---|---|
| 1992 | Doida demais | Xicotinho e Salto Alto | Gringo Cardia |
| 2000 | A rã | Katia B | Mônica Almeida, Jô Hallack e Zoy Anastassakis |
| 2003 | Segredo | Só deixo meu coração na mão de quem pode | Zoy Anastassakis |
| 2008 | Cais | Espacial | Tiago Vianna |
| 2019 | Samsara | — | Branca Bronstein |
| 2022 | Âmbar | Canções de outro mundo | Branca Bronstein e Lê Pagliaro |
Cinema e Televisão
[editar | editar código]Cinema
[editar | editar código]| Ano | Título | Personagem | Direção | Nota |
|---|---|---|---|---|
| 1983 | Bar Esperança | Tininha | Hugo Carvana | |
| 1987 | Ópera do Malandro | Mimi Bibelô | Ruy Guerra | |
| 1990 | O Quinto Macaco | Mrs. Tramp | Éric Rochat | |
| 1991 | A Grande Arte | Modelo assassinada no hotel | Walter Salles | |
| 1995 | Biu, ou a Vida Real não tem Retake | Aída de Verdi | Paulo Halm | Curta-metragem |
| 1997 | Buena Sorte | Cilene | Tânia Lamarca | |
| 2002 | Lost Zweig | Hannah | Silvio Back |
Cinema Trilha Sonora
[editar | editar código]| Ano | Título | Canção | Direção |
|---|---|---|---|
| 1997 | Buena Sorte | Bom começo; Que será, será (Whatever will be, will be); Buena sorte | Tânia Lamarca |
| 2007 | Não por Acaso | Só deixo meu coração na mão de quem pode | Phillipe Barcinski |
Documentário
[editar | editar código]| Ano | Título | Personagem | Direção |
|---|---|---|---|
| 2009 | Herbert de perto | Ela mesma | Roberto Berliner, Pedro Bronz |
| 2020 | Blitz | Paulo Fontenelle | |
| 2022 | Fausto Fawcett na cabeça | Victor Lopes |
Televisão
[editar | editar código]| Ano | Título | Personagem | Notas |
|---|---|---|---|
| 1986 | Tele Tema | Vera | Episódio: "O Homem Que Salvou Van Gogh do Suicídio" |
| 1986 | Tudo em Cima | Participação especial | |
| 1989 | Cabaré do Barata | vários | |
| 1990 | Rainha da Sucata | bailarina | Participação especial |
| La Mamma | Roseta | ||
| 1996 | Malhação | Lila Shue | Participação especial |
| Você Decide | — | Episódio: "Sinatra do Méier" | |
| 1998 | Mulher | Dora | Episódio: "De Braços Abertos" |
| 2010 | Passione | Françoise Caron | Episódios 60, 61 e 75 |
| 2021 | Passaporte para Liberdade | Sidonie Moebius | Episódios 7 e 8 |
Teatro
[editar | editar código]| Ano | Título | Personagem | Direção |
|---|---|---|---|
| 1982 | A Chorus Line | Bebe Benzenheimer | Walter Clark |
| 1984 | A Lenda da Pérola | Marcio Augusto | |
| 1986 | Mahagonny | Polaca | Luis Antônio Martinez Corrêa |
| 1987 | Gardel, uma Lembrança | Polaca | Aderbal Freire Filho |
| 1988 | Tribobó City | Maria Belezoca | Maria Clara Machado |
| 2002 | Os sete afluentes do Rio Ota | vários | Monique Gardenberg |
| 2021 | Aquele que caminha ao lado | Francisco Taunay, Bernardo Vilhena e Thiago Sacramento | |
| 2022 | Despertar | César Augusto | |
| 2025 | A Chorus Line | Participação especial | Bárbara Guerra |
Referências
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