Khalil Gibran

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Khalil Gibran
Autorretrato pintado em 1911.
Nome completo Gibran Khalil Gibran
Data de nascimento 6 de janeiro de 1883
Local de nascimento Bicharre
Nacionalidade Líbano libanês
Data de morte 10 de abril de 1931 (48 anos)
Local de morte Nova Iorque, Estados Unidos
Ocupação ensaísta, filósofo, prosador e poeta
Magnum opus O Profeta

Gibran Khalil Gibran (جبران خليل جبران بن ميکائيل بن سعد; em siríaco: ܓ̰ܒܪܢ ܚܠܝܠ ܓ̰ܒܪܢ; Bicharre, 6 de janeiro de 1883Nova Iorque, 10 de abril de 1931, também conhecido como Khalil Gibran), foi um ensaísta, filósofo, prosador, poeta, conferencista e pintor de origem libanesa. Seus livros e escritos, de simples beleza e espiritualidade, são reconhecidos e admirados para além do mundo árabe.[1]

Seu nome completo, transliterado para línguas ocidentais (de base alfabética predominantemente neo-latina), é Gibran Khalil Gibran, assim assinando em árabe. No colégio dos Estados Unidos, onde viveu e trabalhou a maior parte de sua vida, um erro de registro reduziu o seu nome para Khalil Gibran.[2]

Em sua relativamente curta, porém prolífica existência (viveu apenas 48 anos), Khalil Gibran produziu obra literária acentuada e artisticamente marcada pelo misticismo oriental. Sua obra, acentuadamente romântica e influenciada por fontes de aparente contraste como a Bíblia, Nietzsche e William Blake, trata de temas como o amor, a amizade, a morte e a natureza, entre outros. Escrita em inglês e árabe, expressa as inclinações religiosas e mística do autor. Sua obra mais conhecida é o livro O Profeta, originalmente publicado em inglês e traduzido para cerca de vinte idiomas. Outro livro de destaque é o Asas Partidas, em que o autor fala de sua primeira história de amor.[3]

Gibran Khalil Gibran faleceu em 10 de abril de 1931 (Nova Iorque, Estados Unidos), causa mortis dita ser cirrose e tuberculose.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Gibran Kahlil Gibran era filho de Khalil ben Gibran, fazendeiro, e de Kamilah Rahmeh, filha do pároco do povoado de Bsherri, onde nasceu.[4] Os pais de Gibran eram maronitas – cristãos de uma seita oriental que, embora devendo obediência ao Papa, difere da Igreja Romana, pela liturgia síria e pelo não celibato do clero.[3]

Aos sete anos de idade, Gibran gostava de isolar-se na gruta do Mosteiro de Mar Sarkis, mais tarde transformado em seu museu[5] , para dedicar-se aos desenhos a fusain, ou à lápis. Seu pai, homem enérgico e de pouca instrução, o surrava por isso. Em 1894, quando Gibran completava 11 anos, sua mãe, decidida a tentar uma vida melhor para os filhos, mudou-se para Nova York. Na ocasião, o pai de Gibran cumpria prisão por acusação de fraude no recolhimento de impostos. Três anos depois, foi condenado e teve os bens da família confiscados.[4]

De Nova York, com a mãe e seus três irmãos, Gibran foi para Boston e fixou residência em uma comunidade libanesa, próximo a um bairro chinês. Pouco tempo depois, aos 15 anos de idade, voltou para o Líbano e ingressou na escola Al-Hikmat, em Beirute, instituição dirigida pelo clero maronita. Na ocasião, Gibran dedicou-se aos idiomas árabe e francês.[6]

Gibran decide ficar com o pai em Bsherri, durante o verão de 1899. No outono, ao retornar para Boston, onde sua mãe e suas duas irmãs trabalhavam como costureiras, e seu irmão como empregado em uma loja, Gibran não retomou a escola, nem procurou emprego, decidiu concentrar-se na pintura e na literatura.[4]

Em abril de 1902, uma das irmãs de Gibran, Sultana, morreu vítima de tuberculose. Do mesmo modo, perdeu o irmão, Pedro, em março de 1903. Três meses depois, a mãe de Gibran morreu de câncer. Gibran e sua irmã, Mariana, continuam morando em Bostonː ela, sustentando a ambos com a costura; ele, permaneceu escrevendo, desenhando e pintando. Um ano depois, aos 21 anos, Gibran possuía quadros suficientes para realizar uma exposição e, para tanto, contou com a ajuda de um fotógrafo conhecido em Boston, Fred Holland Day, amigo de Mary Haskell.[4]

Cartas para Mary Haskell[editar | editar código-fonte]

Kahlil Gibran e Mary Haskell mantiveram intensa correspondência por mais de vinte anos (1908-1931). Parte das cartas foi publicada pela Editora Alfred A. Knopf, em 1972. No Brasil, o livro foi publicado pela Editora Record com o título "O grande Amor do Profeta: as cartas de Amor de Kahlil Gibran e Mary Haskell e o seu diário particular".[7] Organizado por Virgínia Hilu, com tradução de Valerie Rumjanek, o livro reúne parte da correspondência (325 cartas de Gibran e 290 de Mary Haskell) e 47 páginas do diário de Mary dedicadas aos registros dos seus encontros e conversas sobre arte, literatura, filosofia, religião e outros temas, como amigos, família e a saúde de Gibran.[4]

As cartas registram parte da vida pessoal de Gibran e foram encontradas no seu estúdio por sua biógrafa, Barbara Young, quando ela e Mary Haskell organizavam os papéis e livros do poeta após a sua morte. Mary descobre, então, que, como ela, Gibran também as havia preservado. Gibran conheceu Mary numa exposição de seus quadros, no ano de 1904, em Boston. A partir daí, ela desempenhou importante papel em sua vida. O relacionamento era sabido por poucas pessoas na escola em Cambridge, onde ensinava, e alguns poucos amigos em comum. Gibran não a citava em seus escritos, mas era Mary quem os revisava em grande parte.[4]

Em uma de suas cartas, ele conta para ela como perdeu o pai: "Ele morreu na velha casa onde nasceu há 65 anos. (...) Seus amigos escreveram, contando que me abençoou antes de o fim chegar."[4]

Obras[editar | editar código-fonte]

Obras escritas em árabe[editar | editar código-fonte]

  • Música (al-Musiqah) - 1905
  • Ninfas do Vale (Ara'is al-Muruj) - 1906
  • Asas Quebradas (al.Ajnib al-Mutakassirah) - 1908
  • Espíritos Rebeldes (al-Arwah al-Mutamarridah) - 1908
  • Para Além da Imaginação (1910)
  • Lágrimas e Risos (Dam a wa Ibtisamah) - 1914
  • A Procissão (al Mawakib) - 1919
  • A Tempestade (al-'Awasif) - 1920
  • Em Direcção a Deus (Nawa Allah) - 1920
  • Irão, Cidade de Imponentes Pilares (Iram Dhat al-Imad) - 1921
  • Entre a Noite e a Manhã (al-Badayi' waal-Tara'if) - 1923

Obras originalmente escritas em inglês[editar | editar código-fonte]

  • O Louco (The Madman) - 1918
  • Vinte Desenhos (Twenty Drawings) - 1919
  • O Mensageiro (The Forerunner) - 1920
  • O Profeta (The Prophet) - 1923
  • Areia e Espuma (Sand and Foam) - 1926
  • O Reino da Imaginação (Kingdom of the Imagination) - 1927
  • Jesus, o Filho do Homem (Jesus, the Son of Man) - 1928
  • Os Deuses da Terra (The Earth Gods) - 1931

Algumas obras póstumas[editar | editar código-fonte]

  • O Vagabundo (The Wanderer) - 1932
  • O Jardim do Profeta (The Garden of the Prophet) - 1933
  • O Discípulo de Lázaro (Lazarus and his Beloved) - 1933
  • A Morte do Profeta (The Death of the Prophet) - 1933
  • A Voz do Mestre (The Voice of the Master) - 1963
  • Segredo do Coração (Secrets of the Heart) - 1947

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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