Khvarvaran

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Khvārvarān, também conhecida como Iraque ou Mesopotâmia, era uma província do Império persa iraniano, que governou a região desde os tempos de Ciro, o Grande. A agricultura de irrigação intensiva do baixo rio Tigre e Eufrates, e dos afluentes como o Diyala e o Karun formavam a principal base de recursos da monarquia sassânida.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O termo árabe 'Iraque' uma forma derivada do persa Ērāk (baixo Irã) não era utilizado neste período; em meados do século VI o Império iraniano sob o domínio da Dinastia Sassânida foi dividido por Cosroes I em quatro partes, um das quais, a ocidental, chamava-se Khvārvarān, incluía a maior parte do atual Iraque, e era subdividida nas províncias de Mishān, Asuristān, Adiabena e Baixa Média. O termo 'Iraque' é amplamente utilizado nas fontes árabes medievais para a região no centro e sul da atual república, como um termo geográfico em vez de um termo político, não implicando limites precisos.

A região do atual Iraque ao norte de Tikrit era conhecida, em tempos muçulmanos, como Al-Jazirah, que significa "A Ilha" e refere-se à "ilha" entre os rios Tigre e Eufrates. Ao sul e ao oeste ficam os desertos da Arábia, habitados por tribos árabes, que ocasionalmente reconheceram o domínio dos imperadores sassânidas.

Até 602 a fronteira do deserto do grande Irã tinham sido guardada pelos reis Lakhmides de Al-Hirah, que eram árabes, mas que governavam um Estado-tampão. Nesse ano o Shahanshah Cosroes II Aparviz precipitadamente aboliu o reino de Lakhmida e deixou a fronteira aberta para as incursões nômades. Mais ao norte, a parte ocidental fazia divisa com o Império Bizantino. A fronteira mais ou menos acompanhava a atual fronteira Síria-Iraque e continuava em direção ao norte através da atual Turquia, deixando Nísibis (atual Nusaybin) como a fortaleza da fronteira sassânida, enquanto que Daraa e as proximidades de Amida (atual Diyarbakır) pertenciam aos bizantinos.

Diversidade étnica e religiosa[editar | editar código-fonte]

Os habitantes Khvārvarān eram muito desiguais. Havia uma classe alta aristocrática e administrativa de falantes do persa, mas a maioria da população era zoroastrianos persas da classe média e o restante camponeses falantes do aramaico. Houve um número de Tāzis (árabes), a maioria dos quais vivia como pastores, ao longo da margem ocidental das terras cultiváveis, mas alguns viviam em cidades, especialmente em Hireh (al-Hirah). Além disso, havia outro grupo de iranianos, curdos, que viviam ao longo do sopé da Cordilheira de Zagros, e surpreendentemente um grande número de gregos, principalmente prisioneiros capturados durante as inúmeras campanhas sassânidas contra a Síria bizantina.

A diversidade étnica foi marcada pelo pluralismo religioso. A religião do Estado sassânida, o Zoroastrismo, ficava restrita aos iranianos. O restante da população, especialmente na parte norte do país, era provavelmente de cristãos. Estes acabaram se dividindo, devido às divergências doutrinárias, em monofisitas, ligados à Igreja Jacobita da Síria, e nestorianos.

Os nestorianos, originalmente convertidos do Zoroastrismo, do Maniqueísmo e do Mazdaquismo, eram os de maior número e eram toleradas pelos Imperadores sassânidas devido à sua oposição aos cristãos do Império Romano, que consideravam os nestorianos como hereges. Muitos desses nestorianos iranianos foram deportados para as províncias do sul, localizadas ao sul do Golfo Pérsico, como Mishmāhig (atual Bahrein nos Emirados Árabes Unidos), Garrhae (atual costa da Arábia Saudita no Golfo Pérsico).

Os monofisitas eram vistos com mais desconfiança e ocasionalmente eram perseguidos, mas ambos os grupos foram capazes de manter uma hierarquia eclesiástica, e os nestorianos tiveram um importante centro intelectual em Nísibis. A área ao redor da antiga cidade da Babilônia, naquele tempo, possuía uma grande população de judeus, descendentes de exilados do tempo do Antigo Testamento e convertidos locais. Além disso, na metade sul do país, havia numerosos seguidores do antigo paganismo babilônico, assim como mandeístas e gnósticos.

No início do século VII a estabilidade e a prosperidade desta sociedade multicultural foram ameaçadas por invasões. Em 602 Cosroes II Aparviz deu início a última grande invasão iraniana do Império Bizantino. No começo ele foi espetacularmente bem sucedido; a Síria e o Egito foram conquistados, e até Constantinopla foi ameaçada. Porém, mais tarde a maré começou a virar, e em 627-628 os bizantinos, sob a liderança do Heráclio, invadiram a província de Khvārvarān e saquearam a capital imperial de Tyspawn (Ctesifonte). Os invasores não permanecem na região, mas Cosroes II ficou desacreditado, foi deposto e executado.

Seguiu-se então um período de disputas internas entre os generais e os membros da família imperial, que deixou o país sem uma liderança clara. O caos também havia danificado os sistemas de irrigação, e foi provavelmente neste período que as grandes áreas ao sul do país voltaram a ser pantanosas, e têm permanecido assim desde então. Foi com estas terras devastadas que os primeiros invasores muçulmanos entraram em contato.

A conquista árabe e o período pré-islâmico[editar | editar código-fonte]

O primeiro conflito entre as tribos de beduínos árabes locais e as forças iranianas parece ter sido em 634, quando os árabes foram derrotados na batalha da Ponte. Houve uma força de cerca de 5.000 muçulmanos, sob o comando de Abu 'Ubayd ath-Thaqafi, foi derrotada pelos iranianos. Em 637 uma força árabe muito maior, sob o comando de Sa`d ibn Abi Waqqas, derrotou o principal exército iraniano na batalha de al-Qādisiyyah e dirigiu-se para saquear a capital do Império iraniano, a cidade de Ctesifonte. No final do ano seguinte (638), os muçulmanos tinham conquistado quase todas as províncias iranianas ocidentais (atual Iraque), e o último imperador sassânida, Izdegerdes III, havia fugido para o centro e, depois, norte do Irã, onde foi morto em 651.

A conquista islâmica foi seguida pela imigração maciça de árabes da Arábia Oriental e Mazun (Omã) para Khvarvaran. Estes recém-chegados não se dispersaram por todo o país; em vez disso, fundaram duas novas cidades-fortalezas, Kufa, perto da antiga Babilônia, e Basra no sul.

A intenção era a de que os muçulmanos deveriam ser uma comunidade de guerreiros separados de suas famílias e mantidos por taxas pagas pelos habitantes locais. Na parte norte do nordeste do Irã, Mossul começou a se tornar a cidade mais importante, centro militar e base do governo muçulmano. As pessoas da elite iraniana e os sacerdotes zoroastristas, que não se convertessem ao Islamismo, perdiam a vida e os seus bens foram confiscados, a maior parte dos iranianos se tornou muçulmana e foram autorizados a manter as suas propriedades.

Khvarvaran, agora se tornou uma província do Califado muçulmano com o novo nome de Iraque.

No princípio a capital do Califado foi Medina (al-Medina), mas, após o assassinato do terceiro califa, Otman, em 656, seu sucessor, o primo do profeta islâmico Maomé e seu genro, Ali ibn Abi Talib, fez sua base no Iraque. Em 661, no entanto, Ali foi assassinado em Kufa, e o califado passou para a família rival, os Omíadas da Síria. Esta antiga província iraniana passou a ser uma província subordinada, apesar de ter sido a região mais rica e aquela com a maior população do mundo muçulmano.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  • S., Suren-Pahlav, Província de Khvārvarān (atual Iraque), (1999).