Kid A

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Kid A
Álbum de estúdio de Radiohead
Lançamento Reino Unido2 de outubro de 2000
Estados Unidos3 de outubro de 2000
Gravação janeiro de 1999 - abril de 2000
Gênero(s)
Duração 50:01
Gravadora(s) Parlophone
Capitol
Produção Nigel Godrich
Radiohead
Opiniões da crítica

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Cronologia de Radiohead
OK Computer
(1997)
Amnesiac
(2001)

Kid A é o quarto álbum de estúdio da banda Radiohead, lançado a 2 de outubro de 2000.

Considerada uma das obras primas da banda junto de OK Computer, foi a forma que o Radiohead encontrou para inovar com novas propostas musicais e também fugir da grande exposição que vinha tendo com o disco anterior. Aqui as guitarras foram quase que totalmente deixadas de lado, dando lugar para experimentações extremamente detalhadas, com influência de músicos como Autechre e Aphex Twin, ambos artistas da conceituada Warp Records.

Apesar de toda a estratégia anticomercial, o álbum atingiu posições de destaques nas paradas(charts) mundiais, inclusive chegando a ser nº1 na US Billboard 200. Destaque para canções como "Everything in Its Right Place", "Morning Bell", "Kid A" e "The National Anthem". "How to Disappear Completely" foi considerada pelo próprio Yorke a melhor composição do Radiohead.

O disco foi premiado com um Grammy Award, na categoria "Best Alternative Music Album" em 2000.[6] É considerado pela crítica como revolucionário dentro de seu contexto, ao levar ao grande público novas formas de produzir música e ser uma das obras musicais responsáveis pela incorporação da eletrônica como força motriz da música popular no século XXI. De acordo com o site acclaimedmusic.net é o 3º álbum mais aclamado deste século.

O álbum não teve nenhum single oficial, mas teve alguns vídeos (chamados de blips) onde era possível ouvir trechos das músicas com algumas artes animadas de Yorke e Stanley Donwood. Ele era exibido principalmente na MTV, durante os comerciais.

Influências musicais[editar | editar código-fonte]

O álbum usa em suas composições uma série de influências musicais atípicas para uma banda de rock popular.

Atonalismo: O atonalismo foi um movimento musical erudito de vanguarda do século XX, carcterizado pela abolição do uso do sistema tonal na música, resultando em composições que não seguem harmonias ou melodias musicais confortáveis aos ouvintes. A música “The National Anthem”, apesar de usar o tom Ré Maior, flerta com a música atonal em seu uso de instrumentos de sopro. Futuramente o Radiohead viria a usar o atonalismo em outras composições, como em “Faust Arp”. Grande parte das músicas do álbum usam a técnica musical de trocar o centro tonal, fenômeno popularizado na música erudita por Richard Wagner (1813 - 1883), que iniciou o fenômeno chamado de “crise da tonalidade”, o que viria a dar origem à música atonal.

Jazz: O guitarrista Johnny Greenwood refere em diversas entrevistas a influência que o jazz experimental pós-anos 50 teve no Radiohead a partir do álbum Ok Computer, por músicos como Miles Davis, John Coltraine e Charles Mingus, pelo seu uso de instrumentação não-convencional e desconstrução de estrutura da música. Canções como “The National Anthem” e “Life in a Glass House” (presente no álbum seguinte, mas concebida nas mesmas sessões de Kid A) fazem referências explícitas a este gênero musical.

Ambient e música eletrônica experimental: Buscando chegar a composições com tom atmosférico e obscuro em detrimento de conceitos musicais comuns como ritmo e estrutura, Kid A se vale de músicas como “Treefingers” e a faixa-título, altamente influenciadas pelo gênero Ambient de música eletrônica. A banda se valeria do mesmo estilo de composição nos seus próximos álbuns. Kid A ainda conta com composições de outros gêneros experimentais de música eletrônica, como Inteligent Dance Music e Glitch.

Interpretação e conceito[editar | editar código-fonte]

Embora nunca tenha sido prontamente revelado pelos membros da banda, Kid A parece ser uma evolução narrativo-conceitual das ideias socio-filosóficas do álbum anterior da banda, Ok Computer. Os conceitos de pós-modernidade, isolamento social, divergência política e estilo de vida da sociedade industrial de Ok Computer são transpostos e aumentados neste álbum de forma abstrata, expressionista e existencialista. Narrativamente, acredita-se que o termo "Kid A" (que foi criado por Thom Yorke a partir de um dos seus sequenciadores) se refere ao primeiro clone humano, e as músicas do álbum expressariam experiências numa sociedade, de alguma forma, pós-humana.

Thom Yorke escreveu muitas das letras do álbum seguindo o método da escola de arte dadaísta, de recortar palavras e frases e reuní-las aleatoriamente. Yorke refere que gosta do "não-significado" do álbum, dizendo: "Se você chamar [um álbum] de algo específico, ele dirige o disco de uma certa maneira." O músico buscava a forma mais abstrata de expressar sentimentos complexos e angustiantes, e encontrou na música eletrônica um meio que coube a este fim.

Influência na cultura[editar | editar código-fonte]

Pôster de "Kid Dracula" nas ruas de Toronto, Canadá

Kid A causou importante influência na cultura do século XXI, principalmente (mas não unicamente) no meio musical. O álbum é considerado por parte da crítica especializada como um dos grandes responsáveis pelo início transição do rock como gênero mais popular nas paradas musicais para a música eletrônica, que foi incorporada a praticamente todos os estilos de música popular do século XXI. Kid A realizou ainda o feito de, semelhante a artistas antecessores como Os Beatles e David Bowie, levar música experimental para o grande público, tendo atingido o topo da Billboard 200; Por isto, o álbum é considerado um dos principais a serem consumidos por ouvintes que estão se iniciando em música de vanguarda popular.

O filme de drama e ficção-científica Vanilla Sky utiliza em sua cena inicial a música de abertura do álbum, "Everything in its Right Place", como forma de comunicar a sensação de onirismo e desajuste que o protagonista tem ao despertar naquele mundo. Recentemente na internet tem se popularizado ainda uma associação do filme expressionista Nosferatu com a sua trilha sonora substituída pelos álbuns do Radiohead, Kid A e Amnesiac. Os fãs acreditam que há certa sincronia entre determinadas cenas do filme e as músicas dos álbuns, num fenômeno semelhante ao "Dark Side of the Rainbow". A obra, apelidada de "Kid Dracula", tem sido eventualmente exibida para o público em eventos culturais ao redor do mundo, em cidades como São Paulo e Toronto.

O cineasta Paul Thomas Anderson ao dirigir o clipe musical de "Daydreaming", música do álbum A Moon Shaped Pool do Radiohead, faz referência à arte gráfica de Kid A, numa cena em que Thom Yorke observa uma montanha nevada muito semelhante a capa do álbum em questão.

Muitos músicos declaram abertamente a influência que Kid A teve em suas carreiras, como a banda Brockhampton ao divulgar o álbum Iridescence, e a banda Yo La Tengo no clipe músical de "Ohm". O álbum também é considerado um presságio musical de obras posteriores, como dos artistas The National (no álbum Sleep Well Beast), Bjork (no estilo semelhante de produção do álbum Vespertine), Daft Punk (nos vocais robóticos do álbum Discovery) e Muse (no tom obscuro do álbum Absolution). Músicas do álbum foram regravados por artistas populares, como as versões de John Mayer ("Kid A"), Robert Glasper ("Everything In Its Right Place") e da Orquestra de Câmara Australiana ("How to Disappear Completely").

Faixas[editar | editar código-fonte]

N.º Título Duração
1. "Everything in Its Right Place"   4:11
2. "Kid A"   4:44
3. "The National Anthem"   5:50
4. "How to Disappear Completely"   5:55
5. "Treefingers"   3:42
6. "Optimistic"   5:16
7. "In Limbo"   3:31
8. "Idioteque"   5:09
9. "Morning Bell"   4:29
10. "Motion Picture Soundtrack"   7:00
Duração total:
50:02

Aclamações[editar | editar código-fonte]

Publicação País Nomeação Ano Posição
Hot Press República da Irlanda The 100 Best Albums Ever[7] 2006 47
Mojo Reino Unido The 100 Greatest Albums of Our Lifetime 1993-2006[8] 2006 7
NME Reino Unido The 100 Greatest British Albums Ever[9] 2006 65
Pitchfork Media Estados Unidos Top 200 Albums of the 2000s[10] 2009 1
Rolling Stone Estados Unidos The 500 Greatest Albums of All Time[11] 2004 428
The 100 best albums of the decade[12] 2009 1
Spin Estados Unidos Top 100 Albums of the Last 20 Years[13] 2005 48
Stylus Estados Unidos The 50 Best Albums of 2000-2004[14] 2005 1
Time Estados Unidos The All-Time 100 Albums[15] 2006 *
The Times Reino Unido The 100 best pop albums of the Noughties[16] 2009 1
Rolling Stone Argentina Argentina Los mejores 50 discos internacionales[17] 2010 1

(*) Lista não ordenada

Paradas[editar | editar código-fonte]

Parada (2000) Posição
Reino Unido UK Albums Chart[18] 1
Estados Unidos Billboard 200[19] 1
 Austrália[20] 2
 Áustria[21] 5
 Canadá[21] 1
 França[22] 1
 Alemanha[23] 4
 Irlanda[24] 1
 Itália[25] 3
 Países Baixos[26] 4
 Nova Zelândia[27] 1
 Suécia[28] 3
Suíça[29] 8

Notas e referências

  1. Segal, David (6 de junho de 2001). «'Amnesiac': Radiohead To Remember». The Washington Post (em inglês). ISSN 0190-8286. Consultado em 2 de junho de 2019 
  2. Inc, Nielsen Business Media (7 de outubro de 2000). Billboard (em inglês). [S.l.]: Nielsen Business Media, Inc. p. 22 
  3. Welsh, April Clare (2 de outubro de 2015). «Radiohead's 'Kid A' – The Album's Tracks Ranked In Order Of Greatness». NME (em inglês). Consultado em 2 de junho de 2019 
  4. «The 40 Greatest Stoner Albums». Rolling Stone (em inglês). 7 de junho de 2013. Consultado em 2 de junho de 2019 
  5. City, Electric (27 de fevereiro de 2006). «Radiohead - Kid A (album review 28)». Sputnikmusic. Consultado em 2 de junho de 2019 
  6. «Grammy Awards Winners» (em inglês). www2.grammy.com. Consultado em 16 de julho de 2010 [ligação inativa]
  7. «The 100 Best Albums Ever». Hot Press. 2006. Consultado em 14 de maio de 2007 
  8. «The 100 Greatest Albums of Our Lifetime 1993-2006». 2006. Consultado em 25 de abril de 2007 
  9. «The 100 Greatest British Albums Ever». NME. 2006. Consultado em 25 de abril de 2007 
  10. «The Top 200 Albums of the 2000s». Pithcfork Media. 2009. Consultado em 19 de outubro de 2009 
  11. «The 500 Greatest Albums of All Time». Rolling Stone. 2004. Consultado em 6 de setembro de 2009 
  12. "#1 Radiohdead-Kid A" Rolling Stone's 100 Best Albums of the Decade. Página visitada em 10 Dezembro 2009.
  13. «100 Greatest Albums, 1985-2005». Spin Magazine. 2005. Consultado em 14 de maio de 2007 
  14. «The 50 Best Albums of 2000-2004». Stylus Magazine. 2005. Consultado em 25 de abril de 2007 
  15. Tyrangiel, Josh; Light, Alan. «The All-Time 100 albums». Time. Consultado em 13 de novembro de 2006 
  16. «The 100 best pop albums of the Noughties». The Times. 21 de Novembro de 2009. Consultado em 26 de Dezembro de 2009 
  17. «Los mejores 50 discos internacionales». 8 de abril de 2010 
  18. «'Difficult' Radiohead album is a hit». BBC News. 4 de outubro de 2000. Consultado em 22 de março de 2007 
  19. «US adopts Kid A». BBC News. 12 de outubro de 2000. Consultado em 22 de março de 2007 
  20. «Radiohead - Kid A (Album)». Australian-charts.com. Consultado em 29 de outubro de 2008 
  21. a b «Radiohead, new album 2000». indierock.es. Consultado em 17 de março de 2007 
  22. «Radiohead - Kid A (Album)» (em francês). Lescharts.com. Consultado em 29 de outubro de 2008 
  23. «Charts-Surfer». Consultado em 27 de abril de 2007 
  24. «Top 75 Artist Album, Week Ending 5 October 2000». Chart Track. Consultado em 29 de outubro de 2008 
  25. «Radiohead - Kid A (Album)». Italiancharts.com. Consultado em 29 de outubro de 2008 
  26. «Radiohead - Kid A (Album)». Dutchcharts.nl (em holandês). Consultado em 29 de outubro de 2008 
  27. «Radiohead - Kid A (Album)». Charts.org.nz. Consultado em 29 de outubro de 2008 
  28. «Radiohead - Kid A (Album)». Swedishcharts.com. Consultado em 29 de outubro de 2008 
  29. «Radiohead - Kid A (Album)». Swisscharts.com. Consultado em 29 de outubro de 2008 
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