Reino de Cindá

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Kindá)
Ir para: navegação, pesquisa
Reino de Cindá
século II/III — 529 
Arabian Peninsula-565-pt.svg
Arábia em 565
Coordenadas 19° 47' N 45° 09' E
Região Arábia
Capital Cariate Date Cail
Países atuais Arábia Saudita

Língua oficial árabe
Religião Politeísmo (até século VI)
Judaísmo (século VI) (?)

Forma de governo monarquia
rei
•      Hujir Aquil Almurar (primeiro)
•      Aretas (último)

História  
•  século II/III   Fundação da dinastia por Hujir Aquil Almurar
•  529   Morte de Aretas

Cindá (em árabe: كندة; transl.: Kindah) foi um reino tribal beduíno fundado pelos cinditas,[nt 1] uma tribo oriunda do Hadramaute[1] que, de acordo as com evidências existentes, poderia ter existido desde o século II a.C..[2] Sua área de influência foi o centro-sul da Arábia, da fronteira com o Iêmem até Meca, e era muito diferente dos Estados organizados no Iêmem; seus reis exerceram influência sobre certo número de tribos associadas mais pelo prestígio pessoal do que pela autoridade coercitiva. A descoberta da tumba de um rei de Cindá, datado talvez do século III em Cariate Date Cail (atual Cariate Alfau), na rota comercial que liga Négede com a costa leste, sugere que o sítio teria sido a capital.[3]

Textos sabeus dos séculos II-III apresentam referências à Cindá, atestando relações hostis (diz-se de um assalto à Cariate Date Cail) e amistosas (auxílio de tropas cinditas aos governantes iemenitas). No fim do século V, sob Hujir Aquil Almurar, fundador tradicional da dinastia cindita, os cinditas migraram do sul para o norte da Arábia. Lá, uniram-se com algumas tribos e formaram uma confederação. Sob Aretas (Harite ibne Amir em árabe), o neto de Ḥujir Aquil e o mais proeminente rei da confederação, os cinditas invadiram a região do atual Iraque e capturaram Al-Hira, a capital do rei lacmida Alamúndaro III (Alamundir III ibne al-Numane em árabe). Em 529, Alamúndaro III reconquistou a cidade e matou Aretas, junto com outros 50 membros da casa real, o que fragilizou o poder dos cinditas.[1]

Com a morte de Aretas, e talvez após a emergência dos coraixitas de Meca,[3] Cindá dividiu-se em quatro tribos (Asade, Taglibe, Cais, e Cinaná), cada qual liderada por um senhor cindita. Porém, estas tribos constantemente competiram entre si, provocando, em meados do século VI, a expulsão dos senhores cinditas novamente ao sul da Arábia. No período muçulmano, descendentes da casa de Cindá continuaram a ocupar proeminentes posições cortesãs e um dos ramos da família adquiriu proeminência em al-Andalus. O proeminente poeta Imru Alcais pertenceu à tribo dos cinditas.[1]

Os cinditas foram politeístas até o século VI, com evidências de rituais dedicados aos deuses Astar e Cail encontradas na capital deles. Não é certo se converteram-se ao judaísmo ou permaneceram pagãos, mas há fortes evidências arqueológicas que eles estiverem entre as tribos que fizeram parte das forças de Danaã (r. 517–525/527) durante a tentativa do rei judeu de suprimir o cristianismo no Iêmem.[4]

Fragmentos de uma pintura mural mostrando um rei cindita, século I

Notas

  1. Também referida como cindaítas. Em árabe é referida como Cindate al-Maluque (Kindat al-Mulūk), o "Cindá real"[1]

Referências

  1. a b c d «Kindah (people)» (em inglês). Consultado em 7 de maio de 2014 
  2. Müller 1954, p. 318.
  3. a b «KINDAH» (em inglês). Consultado em 7 de maio de 2014 
  4. Ryckmans 1954, p. 296.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Müller, D. H.; Al-Hamdani (1954). Entdeckungen In Arabien. Colônia: S. 9. Mahram 
  • Ryckmans, Gonzague (1954). «Bulletin Of The School Of Oriental And African Studies». Cambridge University Press. XVI