Konrad Adenauer

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Konrad Adenauer
Konrad Adenauer
Chanceler da Alemanha
Período 15 de Setembro de 1949
até 16 de Outubro de 1963
Presidente Theodor Heuss
Heinrich Lübke
Antecessor(a) Lutz Schwerin von Krosigk (como Ministro-líder)
Sucessor(a) Ludwig Erhard
Ministro das Relações Exteriores da Alemanha Ocidental
Período 15 de março de 1951
até 6 de junho de 1955
Chanceler ele mesmo
Antecessor(a) Lutz Schwerin von Krosigk
Sucessor(a) Heinrich von Brentano
Prefeito de Colônia
Período 1º 1917-1933
2º 1945
Antecessor(a) Ludwig Theodor Ferdinand Max Wallraf
Robert Brandes
Sucessor(a) 1º Günter Riesen
Willi Suth
Dados pessoais
Nome completo Konrad Hermann Joseph Adenauer
Nascimento 5 de janeiro de 1876
Colônia, Império Alemão
Morte 19 de abril de 1967 (91 anos)
Bad Honnef, Alemanha Ocidental
Alma mater Universidade de Freiburg
Universidade de Munique
Universidade de Bonn
Prêmio(s) Pessoa do Ano (1953)
Cônjuge Emma Weyer (1904–1916)
Auguste Zinsser (1919–1948)
Filhos 8
Partido Zentrum (1906-1945)
CDU (1945-1967)
Religião Católico
Profissão Advogado
Assinatura Assinatura de Konrad Adenauer
Serviço militar
Condecorações GER Bundesverdienstkreuz 8 Grosskreuz bes Ausf.svg

Konrad Hermann Joseph Adenauer GCTEGCC (Colônia, 5 de janeiro de 1876Bad Honnef, 19 de abril de 1967) foi um político alemão cristão-democrata, advogado, prefeito de Colônia e também um dos arquitetos da economia social de mercado. Foi ainda chanceler da República Federal da Alemanha (1949–1963) e presidente da União Democrata-Cristã (CDU).[1]

Como Chanceler da Alemanha Ocidental, Adenauer focou em reconstruir a Alemanha como uma potência europeia pós-Segunda Guerra Mundial. Ele presidiu sobre um período de forte crescimento econômico (o "Milagre do Reno"), liderado pelo ministro Ludwig Erhard, misturando uma política de estado de bem-estar social com uma economia de livre mercado, com uma democracia liberal e anticomunismo como base política interna. Ele também restabeleceu o exército alemão (a Bundeswehr) e o Serviço Federal de Inteligência. Sua política externa foi voltada com os Estados Unidos no contexto da Guerra Fria, não reconhecendo a Alemanha Oriental ou a Linha Oder-Neisse. Konrad Adenauer lutou para transformar a Alemanha Ocidental novamente numa potência na Europa, pregando a unidade no continente, embora adotasse uma política conhecida como "Atlantismo".[2][3][4]

No período que esteve no poder e nos anos posteriores, foi uma figura dominante na política alemã e ainda é lembrado como um dos mais influentes políticos na história moderna do país.[5]

História[editar | editar código-fonte]

Nascido em 5 de Janeiro de 1876 em Colônia, Adenauer estudou em várias universidades até se graduar em Direito, foi prefeito de Colônia entre 1917 e 1933 e membro do poder legislativo. Como católico da época, fez oposição ao nazismo e, com o advento de Adolf Hitler ao poder, foi expulso de seu cargo político e obrigado a se aposentar.[6]

Face de Konrad Adenauer num Marco alemão de 1969.

Foi preso duas vezes pela Gestapo, a primeira em 1934 e novamente em 1944, sendo Adenauer enviado para a prisão de Brauweiler, de onde foi libertado quando as tropas aliadas invadiram a Alemanha.[6]

Em 1945 participou na fundação da União Democrata-Cristã (CDU) e assumiu a presidência da liga na zona de ocupação britânica. Com o estabelecimento da Alemanha ocidental (República Federal da Alemanha), em 1949, Adenauer, então com 73 anos, assumiu o cargo de primeiro chanceler, renunciando ao cargo em 1963, aos 87 anos de idade. Por 14 anos (foi reeleito em 1953, 1957 e 1961), liderou a coligação entre a União Democrata-Cristã (CDU), o seu partido-irmão da Baviera, União Social Cristã (CSU), e o Democratas Livres (FDP). Entre 1951 e 1955 também serviu como ministro para assuntos exteriores da Alemanha Ocidental.[6]

No exercício de sua função de chanceler da Alemanha, Konrad Adenauer visou a três objetivos essenciais: conduzir o povo alemão para uma situação autêntica de liberdade, inserir o país numa comunidade pacifista de Estados livres, e incentivar junto com os líderes da França e da Itália a integração europeia. Durante o seu governo, a Alemanha adotou o regime democrático e teve início um desenvolvimento econômico com bem-estar e equilíbrio social.

Adenauer tinha um grande objetivo: estabelecer a Alemanha Ocidental como uma proteção para conter a expansão dos soviéticos na Europa. Assim, ele promoveu um estreitamento nas relações com os Estados Unidos e se reconciliou com a França. Foi durante o mandato de Adenauer que a Alemanha Ocidental passou a integrar o Organização do Tratado do Atlântico Norte e passou a ser reconhecida como uma nação independente.

Ao lado de outros políticos, Konrad Adenauer criou na Alemanha uma tradição democrata-cristã. Foi co-fundador do partido da União Democrática Cristã da Alemanha (CDU) e marcou profundamente o recomeço na história dos partidos políticos alemães, influenciando fortemente a orientação política deste novo partido popular, que agrupou homens e mulheres de todas as camadas da sociedade, provindos de todas as tradições democráticas — conservadores, liberais e social-cristãos, católicos e protestantes.

A visão política de Konrad Adenauer era a de uma Alemanha livre e unificada, dentro de uma Europa livre e integrada. A sua meta consistia em chegar a um novo ordenamento europeu, com liberdade e democracia e, para além disso, em aproximar o mundo de uma cooperação de alcance global.

Em 1953 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.[7] A 24 de Janeiro de 1956 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito e a 15 de Outubro de 1963 com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo de Portugal.[8]

Adenauer aposentou-se em 1963, após concluir um tratado — que havia perseguido durante anos — de cooperação com a França e continuou no parlamento. Quando ele deixou esse cargo, em 1963, havia realizado uma obra histórica: a reconstrução da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial, a consolidação da democracia e a inserção de seu país na comunidade dos países livres.

Morreu em 19 de abril de 1967 em Bad Honnef.

Referências

  1. «Konrad Adenauer (1876–1967)». Consultado em 27 de agosto de 2021 
  2. Schwarz, Hans-Peter (1995). Konrad Adenauer: A German Politician and Statesman in a Period of War, Revolution and Reconstruction. Vol. 1: From the German Empire to the Federal Republic, 1876–1952. Oxford: Berghahn Books. ISBN 1-57181-870-7 
  3. Williams, Charles (2001). Konrad Adenauer: The Father of the New Germany. [S.l.]: Wiley. ISBN 978-0471407379 
  4. Granieri, Ronald J. (2004). The Ambivalent Alliance: Konrad Adenauer, the CDU/CSU, and the West, 1949–1966. New York: Berghahn Books. ISBN 978-1-57181-492-0 
  5. Granieri, Ronald J. (2004). The Ambivalent Alliance: Konrad Adenauer, the CDU/CSU, and the West, 1949–1966. New York: Berghahn Books. ISBN 978-1-57181-492-0 
  6. a b c Snyder 1998, p. 2
  7. «Orden und Ehrenzeichen». Fundação Konrad Adenauer. Consultado em 11 de janeiro de 2018  (em alemão).
  8. «Cidadãos Estrangeiros Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Konrad Adenauer". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 16 de abril de 2015 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Snyder, Louis L. (1998). Encyclopedia of the Third Reich (em inglês). Ware, Hertfordshire: Wordsworth Editions. 410 páginas. ISBN 1-85326-684-1 
  • Edgar Alexander, Adenauer and the New Germany, tr. by Thomas E. Goldstein, Farrar, Straus & Cudahy, Inc., New York, 1957.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Precedido por
Lutz Schwerin von Krosigk
(Ministro-líder da Alemanha Nazista)
Chanceler da Alemanha
1949 — 1963
Sucedido por
Ludwig Erhard
Precedido por
Isabel II do Reino Unido
Pessoa do ano
1953
Sucedido por
John Foster Dulles