Cossara

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Cossara
Desenho do século XIX representando Cossara e João Vladimir
Nacionalidade Búlgara
Progenitores Mãe: ?
Pai: Teodoreto
Cônjuge João Vladimir

Cossara ou Kosara (em búlgaro: Косара)[1] foi uma nobre búlgara do século X, parente do imperador Samuel da Bulgária (r. 997–1014), que casou-se com o príncipe João Vladimir de Dóclea, à época um prisioneiro búlgaro. Ela era filha de Teodoreto, um possível filho de João Crisélio, o magnata de Dirráquio e sogro do imperador Samuel. Seu casamento provavelmente ocorreu cerca de 1000.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Origem e identidade[editar | editar código-fonte]

O historiador bizantino do século XI João Escilitzes considera-a como uma filha do imperador Samuel da Bulgária (r. 997–1014), mas as anotações feitas por Miguel de Dóclea na obra de Escilitzes corrigem isso ao interpolarem que seu pai chama-se Teodoreto; sugere-se que ele seja filho de João Crisélio, magnata de Dirráquio e sogro de Samuel. B. Prokić, o primeiro editor do manuscrito (Codex Vindobonensis hist. gr. 74) que contêm as anotações, mal-traduziu a nota e emendou o nome de seu pai como Teodora, assim dando a Cossara o nome Teodora Cossara, que é como ela é frequentemente conhecida na literatura acadêmica moderna.[2]

Casamento[editar | editar código-fonte]

Busto reconstruído de Samuel da Bulgária (r. 997–1014)

Cossara casou-se ca. 1000 com o príncipe de Dóclea João Vladimir, que tinha sido derrotado e levado cativo pelo imperador Samuel. Uma tradição oral da história foi preservada no século XII na Crônica do Padre de Dóclea,[2] que descreve o encontro dos dois assim:

E aconteceu que a filha de Samuel, Cossara, se animou e se inspirou por uma alma beatificada. Ela foi até seu pai e implorou para que ele permitisse que ela descesse com suas servas para lavar a cabeça e os pés dos prisioneiros acorrentados. Seu pai concedeu-lhe o pedido, ela desceu e realizou a boa ação. Notando Vladimir entre os prisioneiros, ela foi cativada por sua bela aparência, sua humildade, gentileza e modéstia; e pelo fato de ele ser sábio e conhecedor do Senhor. Ela parou para conversar com ele e para ela sua voz parecia mais doce que um favo de mel.
 

Cossara se apaixonou profundamente pelo prisioneiro e implorou novamente para seu pai, desta vez para que ele permitisse que eles se casassem. Samuel, tendo conquistado muitas terras, buscava na época uma maneira de ligar seus súditos a ele de forma mais cordial e, por isso, permitiu o casamento. Ele devolveu Dóclea a João Vladimir, agora seu genro, e deu-lhe também a região de Dirráquio para que governasse como seu vassalo.

O imperador Samuel morreu em 1014 e foi sucedido pelo filho, Gabriel Radomir (r. 1014–1015), cujo reinado foi curto. Ele acabou assassinado pelo primo, João Vladislau (r. 1015–1018), que tomou-lhe o trono em 1015.[4] Vladislau estava convencido que sua posição estaria ameaçado enquanto vivessem outros membros da família de Samuel e, por isso, armou para matar João Vladimir.[5] Ele enviou mensageiros e exigiu que João se apresentasse na corte em Prespa, mas Vladimir, desconfiado, se recusou a ir; mesmo depois de muitas promessas e juramentos de que ele estaria seguro. Finalmente, Vladislau enviou-lhe uma cruz de ouro com uma nova promessa gravada, ao que Vladimir respondeu:

Desenho do século XIX representando a decapitação de João Vladimir
Acreditamos que nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós, foi pregado não numa cruz de ouro, mas numa de madeira. Assim, se sua fé e suas palavras forem verdadeiras, envia-me uma cruz de madeira pelas mãos de religiosos. Aí então, pela fé e pela convicção do Senhor Jesus Cristo, eu acreditarei na cruz da vida e no santo lenho. Eu irei.
 

Dois bispos e um eremita foram enviados portando uma cruz de madeira e confirmaram que o imperador havia jurado sua segurança. Vladimir beijou a cruz, juntou alguns seguidores e partiu para Prespa. Logo que chegou, ele foi até a igreja para rezar. Quando ele saiu, foi atacado pelos soldados de Vladislau e decapitado, ainda com a cruz nas mãos; era dia 22 de maio de 1016.[3] [6] João Vladimir foi enterrado em Prespa, na igreja que acabara de deixar. Logo depois, ele foi reconhecido como santo e mártir.[7] Dois ou três anos depois de seu enterro, Cossara transladou suas relíquias para Dóclea e o enterrou perto da corte em Crajina, na igreja do Mosteiro da Santíssima Theotokos. Ela não se casou novamente e, quando morreu, foi enterrada na mesma igreja, aos pés do marido.[6]

Referências

  1. Adontz 1965, p. 396
  2. a b Lilie 2013, Kosara (#24095)
  3. a b c Paul Stephenson. Partial Translation of Chronicle of the Priest of Duklja (em inglês). Visitado em 22-06-2015.
  4. Ostrogorsky 1956, p. 273-275
  5. Ćorović 2005
  6. a b Milović 2001, p. 53-57
  7. St John-Vladimir the Prince of Bulgaria, the Greatmartyr and Miracle-worker (em inglês) Orthodox Church in America.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Adontz, Nicholas. Études Arméno-Byzantines. Samuel l'Arménien roi des Bulgares. Lisboa: Livraria Bertrand, 1965.
  • Lilie, Ralph-Johannes; Ludwig, Claudia; Zielke, Beate et al.. Prosopographie der mittelbyzantinischen Zeit Online. Berlim-Brandenburgische Akademie der Wissenschaften: Nach Vorarbeiten F. Winkelmanns erstellt, 2013.
  • Milović, Željko; Mustafić, Suljo. Knjiga o Baru (em sérvio). Bar, Montenegro: Informativni centar Bar, 2001. Capítulo: Kult Svetoga Vladimira. ,