Kvens
Kvens ( em kven: kvääni ; em finlandês: kveeni em norueguês: kvener; em sueco: kväner; em lapão setentrional: kveanat ) Os Kvens são um grupo étnico báltico-fínico [1] [2] do norte da Noruega. Em 1996, os Kvens receberam o estatuto de minoria na Noruega e, em 2005, a língua Kven foi declarada língua minoritária.
O termo Kven é às vezes usado de forma a incluir os Tornedalianos, um outro grupo minoritário báltico-finlandês muito próximo dos Kven, localizado no norte da Suécia. [3]
Nome
[editar | editar código]O etnónimo Cwenas é mencionado no Old English Orosius do século IX, e as formas nórdicas antigas kvenir e kvænir figurative nalgumas sagas islandesas, como a Saga dos Orcadianos e a Saga de Egil . [4] A partir do século XVI, um pequeno número de Kvens figura em registos fiscais do norte da Noruega sob os nomes Quæn ou Qvæn . O número de Kvens na Noruega aumentou com a migração de regiões do Norte da Suécia e Finlândia entre os séculos XVII e XIX. [4]
Devido à política de norueguização (que tencionava erradicar o multilinguismo) que entrou em força no final do século XIX, o termo Kven ganhou uma conotação pejorativa, e esse estigma levou muitos a renegar ou ocultar a sua identidade Kven. Com a revitalização da cultura Kven na década de 1970, o termo foi readoptado. Contudo, mesmo na década de 1990, houve um debate sobre se os termos noruegueses finne, finsk, ou finskætted (respectivamente, uma pessoa finlandesa, finlandês e de origem finlandesa) devia ser usado. Hoje, o termo Kven é uma designação oficial e geralmente aceite nessa comunidade. Continuam contudo a haver pessoas de ascendência Kven que preferem ser chamadas como finlandeses-noruegueses ou usam o nome kainulaiset . [5] [4]
Dados demográficos
[editar | editar código]Em 2001 uma investigação parlamentar sobre minorias na Noruega, estimou o número de Kvens entire 10.000 e 15.000. [6] No entanto, estimar o número de Kvens é extremamente difícil porque não existe uma definição oficial de Kven. Organizações Kven calculam a população de 30.000 a 50.000. Alguns apontam o número de Kvens entre 50.000 e 60.000, baseados no critério de que pelo menos um dos avós era falante da língua Kven . Muitos Kvens identificam-se como noruegueses, Sámi ou mistura de ambos, além da sua identidade Kven. [4]
Dependendo dos critérios utilizados, o número de pessoas que falam Kven hoje é estimado entre 2.000 e 8.000. [4]
História
[editar | editar código]Primeiras menções
[editar | editar código]Menções históricas dos Kvens figuram na literatura nórdica e anglo-saxónica dos séculos IX ao XIII. Textos como a Saga de Egil descrevem os Kvens como um povo que residia a leste dos noruegueses, às vezes agindo como aliados e outras como adversários. Essas fontes antigas geralmente localizam Kvenland Algiers a este das montanhas escandinavas, provavelmente ao longo da costa norte da Baía de Bótnia . [7] No entanto, essas referências por si sós, não são evidência de populações permanentes no território norueguês. [8] (19-23)
Séculos XVI a XIX
[editar | editar código]Embora os Kvens possam ter residido na Noruega antes, a primeira evidência concreta da sua presença data de 1520, quando alguns indivíduos descritos como "Quæn" ou "Qvæn" figuraram nos censos fiscais dano-noruegueses. [4] [9] (p79)Além disso, o mapa da Escandinávia em 1539, de Olaus Magnus, mostra uma possível povoação Kven, "Berkara Qvenar", localizada entre Tromsø e Lofoten . [10] Os Kvens dessa época aparecem ligados à organização birkarl no norte da Suécia. Nalguns documentos históricos, os Kvens são agrupados com os Sámi, os povos indígenas da Noruega Central e do Norte.
Uma nova vaga de imigração Kven começou à volta de 1830, encorajada por oportunidades económicas. O estabelecimento da Fábrica de Cobre de Kåfjord em Alta, em 1826, Gerry uma demanda de mão-de-obra, levando ao recrutamento de operários do Vale do Torne e da Lapónia finlandesa . Em 1840, a indústria pesqueira no fiorde de Varanger atraiu ainda mais imigrantes, particularmente em Vadsø e comunidades pesqueiras de Finnmark. Nesse período, os Kvens diversificaram as subs ocupações, tornando-se não só artesãos, trabalhadores e empregados domésticos em cidades e vilas piscatórias, mas igualmente capitães de navios e frotas do Ártico. [4]
Revitalização cultural
[editar | editar código]Apesar das forças assimilatórias, muitos Kvens preservaram a sua identidade. Nos finais do século XX e princípio do século XXI, o interesse pela cultura e língua Kven solidificou a Organização Norueguesa Kven fundada em 1987. A Lei Sámi que garantiu os direitos linguísticos Sámi em 1990, não protegeu simultaneamente o Kven nem outras línguas minoritárias na Noruega. De facto a língua Kven só foi oficialmente reconhecida como língua minoritária na Noruega pela Carta Europeia das Línguas Regionais ou Minoritárias em 2005, após um debate sobre o seu estatuto de ou dialeto, ou língua separada do finlandês. [9] (85-90)
Festival Baaski
[editar | editar código]Baaski é um festival cultural Kven organizado no município de Nordreisa. O primeiro festival ocorreu em junho de 2007, mas a intenção é que seja um evento anual. Os organizadores responsáveis são o município de Nordreisa, e a primeira diretora do festival foi Johanne Gaup. [11]
Ver também
[editar | editar código]- Birkarls
- finlandeses da floresta
- Kvenland
- nomes de lugares Kven
- povo Sámi
- Tornedalianos
Referências
[editar | editar código]- ↑ Hickey, Raymond (2010). The Handbook of Language Contact. [S.l.]: John Wiley & Sons. ISBN 9781405175807
- ↑ Sulkala, Helena; Mantila, Harri (2010). Planning a New Standard Language: Finnic Minority Languages Meet the New Millennium, Issue 1. [S.l.]: Finnish Literature Society. ISBN 9789522222275
- ↑ Hickey, Raymond (2010). The Handbook of Language Contact. [S.l.]: John Wiley & Sons. ISBN 9781405175807
- ↑ a b c d e f g Forsgren, Arne; Minken, Anne (4 de julho de 2025), «kvener», Store norske leksikon (em norueguês), consultado em 13 de julho de 2025
- ↑ Sulkala, Helena; Mantila, Harri (2010). Planning a New Standard Language: Finnic Minority Languages Meet the New Millennium, Issue 1. [S.l.]: Finnish Literature Society. ISBN 9789522222275
- ↑ Hickey, Raymond (2010). The Handbook of Language Contact. [S.l.]: John Wiley & Sons. ISBN 9781405175807
- ↑ Elenius, Lars (2019). The dissolution of ancient Kvenland and the transformation of the Kvens as an ethnic group of people. On changing ethnic categorizations in communicative and collective memories (em inglês). [S.l.: s.n.]
- ↑ Jokipii, Mauno (1982). «Kveenikysymyksen historiallista taustaa / Kvenespørsmålets historiske bakgrunn». Suomalaiset Jäämeren rannoilla: Kveeniseminaari 9.-10.6.1980 Rovaniemellä / Finnene ved Nordishavets strender: Kveneseminaret i Rovaniemi 9.-10.6.1980 (em finlandês e norueguês). Turku, Finland: Siirtolaisuusinstituutti. pp. 19–71. ISBN 951-9266-18-6
- ↑ a b Sannhet og forsoning – grunnlag for et oppgjør med fornorskingspolitikk og urett mot samer, kvener/norskfinner og skogfinner (PDF) (Relatório). Stortinget. 1 de junho de 2023
- ↑ Sulkala, Helena; Mantila, Harri (2010). Planning a New Standard Language: Finnic Minority Languages Meet the New Millennium, Issue 1. [S.l.]: Finnish Literature Society. ISBN 9789522222275
- ↑ Hickey, Raymond (2010). The Handbook of Language Contact. [S.l.]: John Wiley & Sons. ISBN 9781405175807
Links externos
[editar | editar código]- Bibliografia Kven. Base de dados pesquisável de artigos de notícias, livros, mapas, etc.
- Kenneth Hyltenstam e Tommaso Maria Milani: Status Kvenskans: Rapport para Kommunal- e regionaldepartement e Kultur- e Kirkedepartement . 2003 . Tem uma boa introdução à história de Kven (somente em sueco)
- Mapa etnográfico de Finnmark em 1861
- Projeto de DNA Geográfico da FTDNA Finlândia