Límicos

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Question book-4.svg
Esta página cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde junho de 2019). Ajude a inserir referências. Conteúdo não verificável poderá ser removido.—Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)

Os límicos (em latim limici) foram um povo galaico castrejo que habitou a região pantanosa da nascente do rio Lima, na Galécia. O termo lim é de origem indo-europeia, e significa "terreno alagadiço" ou "lodo".

Os romanos chegaram às terras dos límicos no século I, e ergueram o Fórum dos Límicos, na actual vila de Ponte de Lima.

Fontes históricas[editar | editar código-fonte]

Os límicos foram citados por Plínio, o Velho, em sua História Natural,[1][2] que os menciona entre os equésios e os quaquernos. Ptolemeu, em sua Geographia,,[3] coloca-os entre os galaicos brácaros, citándoos entre os bibalos e os gróvios, e indica como sua capital o Fórum Limicoro. Assim mesmo, os límicos estão entre os grupos dedicantes indicados no Padrão dos Povos.[4]

São numerosas as epígrafes em que se citam indivíduos límicos. Em duas lápides honoríficas, conservadas no Museu Arqueológico de Ourense, datadas do início do século II d.C., cita-se a Civitas Limicorum.[5] Esta mesma civitas vem sendo identificada con a Lemica Civitate do Cronicão de Idácio de Chaves.

Localização geográfica[editar | editar código-fonte]

Ainda que, pelo seu nome, os límicos tenham estado há tempos adscritos ao curso do rio Lima (em galego Limia), as duas lápides honoríficas citadas cima permitiram a identificação, no final do século XIX, da "Cividade dos Límicos" (Civitas Limicorum), que iguala o Fórum dos Límicos com o castro da Cidá (ou Cibdá), situado no monte do Viso, próximo a Nocelo da Pena, no concelho de Sarreaus, Ourense.[6] Esta relação vem sendo questionada a partir dos achados de duas estátuas em Xinzo de Limia, documentadas por Ferro Couselo no ano de 1972.

Na atualidade a maioria dos estudiosos concordam que o Fórum dos Límicos estaria na zona que ocupa o Barrio de Abaixo do actual Xinzo de Limia, como ficou evidente no curso de extensão universitária de Xinzo de Limia, "A Limia na época galaico-romana", que deu o pontapé inicial ao projecto Arqueogenitio.[7] Deve-se ressaltar que Xinzo de Limia ou Fórum dos Límicos se situa ao pé do rio Lima, num epicentro de estradas da época romana.[8]

O castro romanizado de Nocelo da Pena, afastado das vias de comunicação romanas conhecidas no território límico, teve una existência simultânea às explorações mineiras do lugar. O castro ocupa uma superfície de 3 hectares; o lugar remontaria à Idade do Bronze, com contínua actividade mineira (exploração de estanho), até a época romana, segundo se deduz de achados da década de 1940.[9]

Conforme assinalado, os límicos se situavam no curso superior do rio Lima e nos arredores da lagoa de Antela, já seca, numa ampla planície - na realidade uma depressão tectónica - conhecida popularmente como A Limia, e pelos nativos denominada simplesmente de a Veiga, embora alguns autores coloquem a Civitas Limicorum em Nocelo da Pena.[6]

Seguindo o percurso do rio epónimo, na direcção sudoeste, encontrariam-se com os quaquernos; para o Leste os bibalos e os tamaganos.

Um aspecto diferente apresenta a mansão viária nomeada Limia. Com efeito, no Itinerário de Antonino se assinalam, em ordem e marcando as distâncias entre elas, as estações da Via XIX, dita também per loca marítima, isto é, "pelo litoral", entre Bracara Augusta (Braga) e Astúrica Augusta (Astorga). As quatro primeiras são as seguintes:

  • Limia........milia passum XVIII
  • Tude.........milia passum XXIII
  • Burbida......milia passum XVI
  • Turoqua......milia passum XVI

Tanto Tude como Turoqua estão bem identificadas, correspondendo, respectivamente, hoje, às cidades de Tui e Pontevedra; Burbida corresponde, com certas dúvidas, a Borbén (estas três localidades na província de Pontevedra), e Límia costuma identificar-se com a actual Ponte de Lima, no Norte português - embora deva-se ressaltar que nada tem a ver com a Cidade dos Límicos (Civitas Limicorum), como alguns autores ainda pretendem, sendo simplesmente o nome duma mansão situada num passo do rio Lima, identificando-a, e pertenceria possivelmente ao povo dos seurbos ou dos leunos, conforme a descrição da costa da Galécia feita por Plínio, o Velho,[10] de Norte a Sul.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Pelas fontes epigráficas se conhecem duas centúrias ou castella: Arcuce e Talabrica.

Referências

  1. http://terra.antiqua.free.fr/PLine_Ancien3.html (em francês)
  2. http://books.google.fr/books?id=J1sQAAAAIAAJ&pg=PA50&lpg=PA50&dq=Limici&source=web&ots=ENrCIhf_XQ&sig=_vjzD8TFZxsRVbwlYYHczJnr838&hl=fr (em francês)
  3. 6, 38 e 43, (em francês)
  4. CIL, II, 2477
  5. CIL, II, 2516 e 2517
  6. a b Marcelo Macías, Civitas Limicorum, in Boletín de la Comisión de Monumentos de Orense (1898) t. I, nº 5.
  7. «ArqueoGenitio». Consultado em 2 de maio de 2019. Arquivado do original em 1 de setembro de 2007 
  8. X.C. Rivas Fernandez
  9. Antonio Colmenero, Galicia meridional romana. Universidad de Deusto. 1977.
  10. IV, 111-112

Bibliografía[editar | editar código-fonte]

  • Fariña Busto, F. e Xusto Rodriguez, M.(1995) "O ara de Xinzo de Limia e a sua contextualización arqueoloxica". Boletín Auriense,XXV,pp. 61–80. Ourense
  • Ferro Couselo, X. "Estatuas sedentes y una columna miliaria de Xinzo de Limia".Boletín Auriense,II, pp. 329–335. Ourense
  • Macías, Marcelo, Civitas Limicorum, in Boletín de la Comisión de Monumentos de Orense (1898) t. I, nº 5.
  • Perez Losada, F.(2002) "Xinzo de Limia: Entre a cidade e a aldea. Estudio arqueohistorico dos aglomerados secundarios romanos en Galicia. Brigantium, XIII, pp. 214-227. A Coruña
  • Rivas Fernandez, J.C.(2000) "O foro dos límicos,Xinzo,epicentro de camiños en época romana". Lethes, II. Centro de Cultura popular da Limia. pp. 62–73. Xinzo
  • Rodríguez Colmenero, Antonio, Galicia meridional romana. Universidad de Deusto. 1977.
  • Xusto Rodriguez, M.(1996) "O núcleo urbano de Xinzo de Limia" en RODRIGUEZ COLMENERO,A.coord.(1996) Los orígenes de la ciudad en el Noroeste Hispano. pp. 1291–1304. Lugo
  • Xusto Rodriguez, M. "A igrexa vella de Xinzo de Limia.Da lenda ó patrimonio histórico". Auria, VII. La Region, pp. 25–27. Ourense
  • Xusto Rodriguez, M.(1999) "Sta. mariña;un fito patrimonial no centro histórico de Xinzo". Lethes, II. Centro de Cultura Popular da Limia. pp. 74–93. Xinzo
  • Xusto Rodriguez, M.(2000) "La iglesia vieja de Xinzo de Limia.intervención arqueológica y lectura histórica"Restauración, Rehabilitación. pp 26–33. Madrid

Outros artigos[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre História de Portugal é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.