Língua arberesca

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Arberesco (Arbërisht)
Falado em: Itália
Região: Sul
Total de falantes: 80 000 (1963)[1]
Família: Indo-europeia
 Albanesa
  Albanesa tosca
   Arberesco
Escrita: Alfabeto latino
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: ---
ISO 639-3: aae

A arberesco, língua arberesca,[2][3][4][5] língua arbëreshë (ISO 639), Arbëresh, Arbërisht, ou Arbërishte (em albanês: gjuha arbërishte), é um subtipo pertencente à língua albanesa, sendo uma variante da língua albanesa tosca, um dialeto falado no sul da Albânia pelos arberescos.[6][7][8]

É a língua materna da etnia minoritária arbëreshë, uma ilha linguística, sendo chamada também "albanês da Italia", língua "arberesca" ou dos "albereses".[9] A minoria albanesa na Itália se formou por meio de diversas imigrações para a Itália Meridional a partir da segunda metade do século oriundas da Albânia e da Grécia.

É tutelata pela República Italiana com base da Lei-quadro n. 482 de 15 dezembro 1999.[10]

Falsos cognatos[editar | editar código-fonte]

Embora a relação entre Arbëresh e o albanês padrão seja bem próxima, as duass não são 100% mutuamente inteligíveis, havendo alguns falsos cognatos:

Arbëresh Significado Albanian Significado
shërbenj trabalhar shërbej servir
punonj trabalhar no campo punoj trabalhar
u nëng/ngë jam Eu não sou unë nuk jam Eu não sou
kopíl rapaz kopil bastardo
brekë calças brekë cuecas
brumë pasta italiana brumë massa
zienj cozinhar ziej ferver

Dialetos[editar | editar código-fonte]

Vaccarizzo[editar | editar código-fonte]

O albanês Vaccarizzo Albanian é uma variante do Arbëresh. É falado em locais como Vaccarizzo Albanese and San Giorgio Albanese na Calábria por cerca de 3 mil pessoas. Ess dialeto reteve algumas características arcaicas dos dialetos “Tosk” e “Gheg”.

Fonologia[editar | editar código-fonte]

Vogais[editar | editar código-fonte]

Ë

A letra ‹Ë› é pronunciada tanto como schwa [ə] ou como uma quase fechada - quase posterior [ʊ̜]. Assim, a palavra Arbëresh é pronunciada tanto [ɑɾbəˈɾɛʃ] como [ɑɾbʊ̜ˈɾɛʃ] dependendendo do dialeto..

Y to I

O Arbëresh não tem a fechada arredondada [y] do Albanês, sendo substituída pela vogal fechada frontal não-arredondada [i]. Ex.: ty ('tu') se torna ti, hyni ('entrar') se torna hini.

Consoantes[editar | editar código-fonte]

GJ, Q

As letras ‹GJ› e ‹Q› são pronunciadas de forma palatal-plosiva velar sonora [ɡʲ] e palatal-plosiva velar surda, em lugar de uma plosiva palatal sonora [ɟ] e plosiva palatal surda [c] como no albanês padrão. Ex.: a palavra ('tudo') é pronunciada [ɡʲiθ] e não [ɟiθ], qiell ('paraíso') é pronunciada [kʲiɛx] e não [ciɛɫ], e shqip ('albaniês') é pronunciada [ʃkʲɪp].

GL, KL

Em algumas palavras o Arbëresh preservou os “clusters” /gl/ e /kl/. Em albanês padrão esses clusters se tornaram mpalatais oclusivas gj e q. Ex.:. glet não gjet ('ele/ela se parece com...'), klumësht não qumësht ('leite'), e klisha não kisha ('igreja').

H, HJ

A letra ‹H› é pronunciada como uma velar fricativa surda [x] (som também encontrado na língua grega em "χαρά" [xaˈra], 'alegria'). Desse modo, a palavra albanesa 'ha ('comer') é pronunciada [xɑ], não [hɑ]. O Arbëresh tem ainda a contraparte palatizada [xʲ]. Desse modo, a palavra hjedh ('lançar') é pronunciada [xʲɛθ]. A combinação das letras HJ está presente em poucas palavras do albanês (sem ser uma fricativa velar surda), mas não é tratada como uma letra separada do alfabeto como é em Arbëresh..

LL, G

A letra ‹LL› e em geral a ‹G› são pronunciadas como uma fricativa velar sonora [ɣ] (som também encontrado grego em "γάλα" [ˈɣala], 'leite'). Frequentemente o ‹G› é pronunciado ‹GH› na escrita Arbëresh orthography. Ex.: a palavra llah ('comer até estufar) é pronunciada [ɣɑx], não [ɫɑh] como em albanês; ghajdhur ou gajdhur ('muar') é pronunciada [ɣajður]; e grish ('convidar') é pronunciada [ɣriʃ].

Suavização de consoantes[editar | editar código-fonte]

Em contraste com o albanês padrão, o Arbëresh manteve osistema arcaico de suavização de consoantes no fical de palavras. As consoantes que mudam quando em posição final ou antes de outra consoante são as oclusivas sonoras b, d, g, gj; as africadas sonoras x, xh; e as fricativas sonoras dh, ll, v, z, zh.

Sonoridade original b [b] d [d] g [g]/[ɣ] gj [gʲ] x [dz] xh [dʒ] dh [ð] ll [ɣ] v [v] z [z] zh [ʒ]
Suavizada p [p] t [t] k [k] q [kʲ] c [ts] ch [tʃ] th [θ] h [x] f [f] s [s] sh [ʃ]

Exemplos:

  • b > p: thelb ('cravo da Índia') - thelp
  • d > t: vend ('lugar') - vent
  • dh > th: zgledh ('ler') - zgleth
  • g > k: lig ('mau') - lik
  • gj > q: zogj ('garota') - zoq
  • j > hj: vaj ('óleo') - vahj
  • ll > h: uthull ('vinagre') - uthuh
  • x > c: ndanx ('perto') - ndanc
  • z > s: loz ('dança') - los
  • zh > sh: gozhda ('alfinete') - goshda

Tonicidade[editar | editar código-fonte]

A sílaba tônica em Arbëresh é geralmente a penúltima, como em italiano.

Escrita[editar | editar código-fonte]

O arbëreshë usa o alfabeto latino sem as letras W e Y. Usa para sua fonologia as formas Ch, Dh, Ë, Gj, Gl, Hj, Kl, Ll, Nj, Rr, Sh, Th, Xh, Zh

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

O arbëreshë é tutelado nas seguintes regiões:

  1. Calabria (33 comunidades)
  2. Basilicata (5 comunidades)
  3. Molise (4 comunidades)
  4. Sicilia (4 comunidades)
  5. Puglia (3 comunidades)
  6. Abruzzo (1 comunidade)
  7. Campania (1 comunidade)

Referências

  1. «Albanian, Arbëreshë». Ethnologue 
  2. Giovanni Giudice, Poesie di Giuseppe Gangale, Rubbettino editore, 2003, pp. 29, 30, 93 e ss., 111 e ss., 316.
  3. Enrico Ferraro (2003). «Intervista immaginaria al Prof. Giuseppe Gangale in occasione del centenario della morte di Girolamo De Rada (1903-2003)». Arbitalia. Consultado em 30 de janeiro de 2012 
  4. Enrico Ferraro, Bibliografia arberesca, Parma, 2000-2003
  5. G. T. Gangale, Un progetto per la lingua arberesca, Quaderni Calabresi del Mezzogiorno e delle Isole, anno XVI, n. 45, pp. 35-46
  6. «Statistiche demografiche ISTAT» (em italiano). Dato istat 
  7. «Popolazione residente al 31 dicembre 2010» (em italiano). Dato istat 
  8. «Istituto Nazionale di Statistica» 🔗 (em italiano). Statistiche I.Stat 
  9. «AA.VV Balcani occidentali, Guide EDT/Lonely Planet, edizione II, Editore EDT, Torino 2009, p. 53.» 
  10. «Legge 15 dicembre 1999, n. 482 > "Norme in materia di tutela delle minoranze linguistiche storiche"». www.camera.it 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Emanuele Giordano, Fjalor: Dizionario degli Albanesi d'Italia, Vocabolario italiano-arberesh, 1963
  • Babiniotis, Georgios (1985): Συνοπτική Ιστορία της ελληνικής γλώσσας με εισαγωγή στην ιστορικοσυγκριτική γλωσσολογία. ["A concise history of the Greek language, with an introduction to historical-comparative linguistics] Athens: Ellinika Grammata.
  • Babiniotis, Georgios (1998), Λεξικό της Νέας Ελληνικής Γλώσσας ["Dictionary of Modern Greek"]. Athens: Kentro Lexikologias.
  • Breu, Walter (1990): "Sprachliche Minderheiten in Italien und Griechenland." ["Linguistic minorities in Italy and Greece"]. In: B. Spillner (ed.), Interkulturelle Kommunikation. Frankfurt: Lang. 169-170.
  • GHM (=Greek Helsinki Monitor) (1995): "Report: The Arvanites". Online report
  • Gordon, Raymond G. (ed.) (2005): Ethnologue: Languages of the world. 15th edition. Dallas: SIL International. Online database
  • Hammarström, Harald (2005): Review of Ethnologue: Languages of the World, 15th Edition. LINGUIST List 16.2637 (5 Sept 2005). Online article

Vol. II. Livadia: Exandas, 1999 PDF.

  • Η Καινή Διαθήκη στα Αρβανίτικα: Διάτα ε Ρε ['The New Testament in Arvanitika']. Athens: Ekdoseis Gerou. No date.
  • Kloss, Heinz (1967): "Abstand-languages and Ausbau-languages". Anthropological linguistics 9.
  • Salminen, Tapani (1993-1999): Unesco Red Book on Endangered Languages: Europe. [1].
  • Strauss, Dietrich (1978): "Scots is not alone: Further comparative considerations". Actes du 2e Colloque de Language et de Litterature Ecossaises, Strasbourg 1978. 80-97.
  • Thomason, Sarah G. (2001): Language contact: An introduction. Washington: Georgetown University Press. Online chapter
  • Trudgill, Peter (2004): "Glocalisation [sic] and the Ausbau sociolinguistics of modern Europe". In: A. Duszak, U. Okulska (eds.), Speaking from the margin: Global English from a European perspective. Frankfurt: Peter Lang. Online article

Ligações externas[editar | editar código-fonte]