Língua baníua

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Baníua
Falado em: Brasil, Venezuela e Colômbia
Região: Rio Içana
Total de falantes: 6 070 (1983 SIL)
Família: Aruaque
 Baníua
Estatuto oficial
Língua oficial de: São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: ---
ISO 639-3: bwi

A língua baníua[1] , também conhecida como baniba, baniva[2] Baníwa[3] , baníua do içana, dakenei, issana, kohoroxitari ou maniba é uma língua aruaque falada pelo povo Baniwa, constituído de aproximadamente 4 700 indígenas localizados às margens do rio Içana, na fronteira entre Brasil, Colômbia e Venezuela.

É um dos idiomas oficiais do município de São Gabriel da Cachoeira desde 2003, ao lado do nheengatu, do tucano e do português. Tem diversos dialetos, como o carútana (já extinto), hohodené (hoódene, hohodena, kadaupuritana, cadaupuritana), siusy-tapuya (seuci, siuci, siusi).

Falantes[editar | editar código-fonte]

Escola baníua no rio Içana, no Brasil

Os baníuas ou Baníwa vivem na fronteira do Brasil com a Colômbia e Venezuela, em aldeias localizadas às margens do rio Içana (um dos principais afluentes do Rio Negro) e seus tributários (Cuiari, Aiairi e Cubate). Há também comunidades no Alto Rio Negro/ Guainía (denominação do rio Negro acima da confluência com o canal de Cassiquiari[4] ) e nos centros urbanos de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos. Já os Curripacos ou Kuripako, que falam um dialeto da língua baníua, vivem na Colômbia e no Alto Içana (Brasil).

As etnias aparentadas são exímias na confecção de cestaria de arumã (Ischnosiphon arouma), cuja arte milenar lhes foi ensinada pelos heróis criadores e que, hoje, vem sendo comercializada no mercado brasileiro.

Recentemente, os Baníwa têm se destacado pela participação ativa no movimento indígena da região. Trata-se de um complexo cultural de 22 etnias diferentes, mas articuladas em uma rede de trocas e em grande medida identificadas no que diz respeito a organização social, cultura material e visão de mundo. [5]

Havia cerca de 5 460 falantes de baníua no Brasil em 1983 (Conf. SIL), sendo 4 047 da tribo do mesmo nome, mil Hohodené e 403 Seuci. Na Venezuela, eram 610 de um total étnico baníua de 2 048 pessoas. [6] No Brasil, vivemàs margens do rio Içana e, na Venezuela, estão nas proximidades dos rios Curipaco e Guarequena, junto à fronteira com a Colômbia.

A língua baniwa do Içana compreende uma série de dialetos correspondentes aos vários pequenos grupos em que se divide essa etnia. Esses grupos se distribuem ao longo do rio Içana, seus afluentes e subafluentes, no extremo norte do estado do Amazonas, e são às vezes referidos como Karútana (os que habitam a região do Baixo Içana) e Koripaka, Koripako ou Kuripako ( os que habitam o Alto Içana). São mais de 20 grupos denominados individualmente por etnônimos em língua baniwa do Içana e na língua geral amazônica (nhangatu). Assim, entre os Karútana, incluem-se, entre outros, os Adáru-minanei (Arára-tapúya: ‘gente da arara’), os Dzawi-minanei (Yawareté-tapúya: ‘gente da onça’). Entre os Kuripako, estão os Adzáneni (Tatu-tapúya: ‘gente do tatu’) e os Kapité-mnanei (Kuatí-tapúya: ‘gente do quati’), entre outros.

Os grupos nas áreas dos rios Içana e Ayarí que falam a língua baniua são: Hohodené, Kadaupuritana, Sucuriyu-Tapuya, Siusy-Tapuya, Irá-Tapuya, Kawá-Tapuya, Walipere-dakenai.

São nômades e se deslocam entre o Brasil, a Venezuela e a Colômbia. Muitos falam o espanhol ou o português e alguns usam o alfabeto latino para escrever em língua baníua.

Escrita[editar | editar código-fonte]

Como todas as línguas nativas da Amazônia, o baníua usa o alfabeto latino, que, para o idioma, tem a forma como segue:

  • vogais - são A, E, I, U nas formas curta e longa (dupla).
  • consoantes - a língua é pobre em consoantes, não tem C, F, G, L, Q, V, X, Z; o S não aparece isolado; tem os conjuntos Dz, Kh, Ph, Rr, Th, Ts, o Ñ e o apóstrofo (').


Referências

  1. VOLP: "baníua"
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 229.
  3. Dicionário Houaiss: Baníwa
  4. Melatti, Julio Cezar. Áreas Etnográficas da América Indígena. Capítulo 13 - Noroeste da Amazônia.
  5. MELATTI, Julio. Áreas etnográficas da América indígena. Capítulo 13 Noroeste da Amazônia
  6. Indígenas do Brasil . Baniwa

Ligações externas[editar | editar código-fonte]