Língua catalã

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Catalão (Català)
Falado em: Flag of Spain.svg Espanha
 Andorra
 Itália
Região: Europa
Total de falantes: mais do que 11,5 milhões [1]
Posição: 75[1]
Família: Indo-Europeu
 Itálico
  Românico
   Italo-Ocidental
    Galo-Ibérico
     Catalão
Estatuto oficial
Língua oficial de: Andorra.
Co-oficial em Catalunha, Comunidade Autônoma de Valência e Ilhas Baleares
Regulado por: Instituto de Estudos Catalães
Academia Valenciana da Língua
Códigos de língua
ISO 639-1: ca
ISO 639-2: cat
ISO 639-3: cat
Domínio geolinguístico do catalão
  Territórios catalanofalantes onde o catalão é oficial
  Territórios catalanofalantes onde o catalão não é oficial
  Territórios historicamente não-catalanofalantes onde o catalão é oficial

O catalão (endónimo català pronúncia catalã: /kətəˈla/ ou /kataˈla/) é uma língua românica derivada do latim vulgar. É língua materna de 5,2 milhões de pessoas; 9 milhões são capazes de falá-la e 11,5 milhões conseguem entendê-la bem e compreender.

O catalão é a língua oficial de Andorra. Na Catalunha (comunidade autónoma a nordeste de Espanha, na fronteira com o Rossilhão francês), nas Ilhas Baleares e na Comunidade Valenciana (com o glossónimo de valenciano, valencià) partilha com o castelhano o estatuto de língua oficial. Também é falada na Faixa de Aragão (a leste de Aragão), na cidade de Algueiro (na Sardenha, Itália) e no departamento dos Pirenéus Orientais, região conhecida como Catalunha do Norte (na França). Também existe uma comunidade catalanofalante no Carxe, um território da região espanhola de Múrcia povoada por imigrantes valencianos.

Distribuído por uma superfície de 59 905 km², onde viviam 12 805 197 habitantes em 2006, as regiões de fala catalã incluem 1687 municípios, 9 dos quais têm apenas uma minoria catalanófona. Com os Decretos do Novo Plano, o catalão foi substituído como língua administrativa pelo castelhano, em 1716 na Catalunha, e no País Valenciano em 1707. Na Catalunha do Norte já fora similarmente substituído pelo francês em 1700. A oficialidade foi recuperada finalmente no último quartel do século XX, com a Transição Espanhola, depois da entrada dos diferentes estatutos de autonomia da Catalunha e do País Valenciano.

A norma padrão do catalão é estabelecida pelo Instituto de Estudos Catalães, baseando-se na ortografia, gramática e dicionário de Pompeu Fabra i Poc. Em território valenciano, a Academia Valenciana da Língua regula as variantes específicas dessa região usando as Normas de Castelló, ou seja, a ortografia de Pompeu Fabra mas mais adaptada à fonologia ocidental do catalão e integrando os rasgos distintivos dos dialetos valencianos.

O idioma divide-se em cinco grandes dialetos (valenciano, norte-ocidental, central, balear e rosselhonês), que juntamente com o algueirês se dividem em 21 variantes integradas em dois grandes blocos: o catalão ocidental e o oriental. As propostas de normalização permitem reduzir as diferenças entre estes dialetos no catalão padrão de um ponto de vista gramatical, fonético e lexical.

O catalão é uma língua de transição entre as línguas ibero-românicas e as galo-românicas apesar da sua proximidade, em tempos passados, ao occitano, com o qual partilha origem e grupo — o occitano-romance. Ao longo dos últimos séculos, a maioria dos dialetos catalães receberam uma forte influência do castelhano tanto em território espanhol como andorrano, do francês na Catalunha do Norte e também em Andorra, e do italiano e sardo no Algueiro, que se traduziu no surgimento de novos vocábulos e expressões. O nível de utilização varia bastante segundo o território, desde a nula oficialização em França ao estatuto de oficialidade única em Andorra, passando pelos regimes de cooficialidade em três comunidades autónomas espanholas.

A ordem padrão das frases é sujeito-verbo-objeto, apesar de estar sujeita a mudanças em certos tipos de frases como em orações interrogativas e algumas relativas. A morfologia do catalão é semelhante à do resto de línguas românicas, com relativamente poucas flexões, dois géneros, nenhum caso (exceto nos pronomes pessoais, com vestígios da declinação latina) e distinção entre singular e plural. Os adjetivos também variam segundo género e número. A prosódia apresenta um acento tónico que pode ser marcado através de um acento gráfico. Possui uma variedade vocálica média, com oito sons vocálicos diferentes. Uma característica própria do idioma é a maneira através da qual se forma o passado perifrásico, um tempo verbal singular que combina o verbo anar (ir) com o auxiliar no infinitivo (noutras línguas esta combinação é usada para eventos futuros).

No final do século XIV já se constata a denominação desta língua, entre outros nomes, como valenciano, denominação oficial que recebe na Comunidade Valenciana. Historicamente ocorreram conflitos tanto sobre a denominação de "valenciano" como sobre a catalogação deste como língua ou dialeto dentro da língua catalã;[2] estas discussões são consideradas encerradas em parte por diferentes sentenças do Tribunal Superior de Justiça da Comunidade Valenciana[3][4] assim como da Academia Valenciana da Língua, que reconhecem a unidade da língua.[3] Atualmente, de modo a evitar potenciais conflitos, a Academia Valenciana da Língua refere o seguinte:

É um facto que em Espanha existem duas denominações igualmente legais para designar esta língua: a de valenciano, estabelecida no Estatuto de Autonomia da Comunidade Valenciana, e a de catalão, reconhecida nos Estatutos de Autonomia da Catalunha e Ilhas Baleares.
És un fet que a Espanya hi ha dos denominacions igualment legals per a designar esta llengua: la de valencià, establida en l'Estatut d'Autonomia de la Comunitat Valenciana, i la de català, reconeguda en els Estatuts d'Autonomia de Catalunya i les Illes Balears.

Classificação[editar | editar código-fonte]

O catalão é uma língua indoeuropeia e encontra-se entre os grupos galo-românico e ibero-româmico das línguas românicas. No entanto, existe alguma contestação quanto à maneira como é classificada. Em Gramàtica del català contemporani[5], o catalão é classificado dentre as línguas românicas ocidentais, numa posição intermédia entre as famílias galo-romance e ibero-romance. O idioma surge no contexto do grupo galo-romance e aí se manteve aé ao século XV, mas a partir daí sofre uma clara influência do castelhano. Comparando-o com as diferentes línguas românicas, o catalão foi frequentemente considerado como língua-ponte ou de transição entre as línguas iberoromânicas e as galoromânicas. Outros estudos mais recentes classificam o catalão dentro do diassistema das línguas occitano-romances, um conjunto linguístico diferenciado no contexto românico.[6]

Posições minoritárias dentro da linguística catalã, mas maioritárias no contexto da linguística occitana, afirmam que, conforme critérios de inteligibilidade mútua, semelhança linguística e tradição literária comum entre o catalão e o occitano, ambas línguas seriam passíveis de ser classificadas como dialetos de um mesmo idioma. Sobre esta questão os pais da romanística, como Wilhelm Meyer-Lübke ou Friedrich Christian Diez, incluíram o catalão como parte integrante do conjunto occitano.[7][8][9][10][11]

As classificações divergentes apresentam-se a seguir:

  • Românico
    • Italo-ocidental
      • Galo-ibérico
        • Galo-românico
          • Occitano-românico
            • Catalão
  • Românico
    • Italo-ocidental
      • Galo-ibérico
        • Ibero-românico
          • Ibero-ocidental
            • Catalão

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

Mapa cronológico mostrando o desenvolvimento das línguas do sudoeste da Europa entre as quais o catalão.
  • Espanha
    • Catalunha, onde é língua própria e co-oficial juntamente com o castelhano e o occitano (aranês). Existem várias variantes dialetais dentro do território. É a língua habitual de 47% da população.
    • Ilhas Baleares, onde é língua própria e co-oficial juntamente com o castelhano, também onde se falam os dialectos baleares. É a língua habitual de 46% da população.
    • Na maioria da Comunidade Valenciana, onde é língua própria e onde se falam as variedades dialetais denominadas oficialmente e genericamente de valenciano, se bem que não é uniforme em todo o território, já que existem três subdialetos com pequenas diferenças. De fato, a zona setentrional valenciana e a meridional catalã compartilham o mesmo dialecto, dito valenciano de transição. Nesta zona, o catalão é a língua habitual de 40,1% da população. Para o conjunto da Comunidade Valenciana é a língua habitual de 25% da população, aproximadamente.
    • Na zona oriental de Aragão (Faixa Poente ou Franja de Ponent), território formado pelas comarcas da Liteira e do Matarranha, e cerca de metade dos municípios da Ribagorça, Baixo Cinca e Baixo Aragão (Caspe); cerca de 30.000 pessoas têm-na como língua habitual, 70% da população do território. Na comunidade o catalão não é oficial, mas desde 1990 ganhou algum reconhecimento na legislação autonómica. Em 17 de dezembro de 2009 as Cortes de Aragão aprovaram uma lei para promover e fomentar as línguas próprias de Aragão.
    • Uma pequena comarca da Região de Múrcia, conhecida como Carxe, onde o catalão (neste caso valenciano), é falado por cerca de quinhentas pessoas, mas não possui regime de oficialidade.
  • França
    • Os antigos territórios tributários dos condados do Rossilhão e da Cerdanha (território conhecido também como Catalunha do Norte) que fizeram parte da Monarquia Hispânica até o Tratado dos Pirenéus (1659). Atualmente corresponde-se quase totalmente com o departamento dos Pirenéus Orientais. Não é oficial e é a língua habitual de 3,5% da população.
  • A cidade italiana de Algueiro, na ilha da Sardenha, onde é falado habitualmente por 13,9% da população. O Estado italiano, através da "Norma em matéria de tutela das minorias linguísticas históricas" de 1999, prevê o uso de línguas como o catalão na administração pública, no sistema educativo bem como a posta em marcha de transmissões audiovisuais pela RAI desde que o estatuto da língua sujeito à tutela seja solicitado ao conselho provincial por municípios em que quinze porcento da população o apoie.[12] Anteriormente, em 1997, o Conselho Regional da Sardenha reconhecera a igualdade em dignidade da língua sarda com a italiana a toda a ilha, bem como com outras línguas de âmbito mais reduzido, entre as quais o catalão na cidade de Algueiro. A cidade, por sua vez, promulga a sua tutela e normalização nos estatutos de 2000.

Uma denominação que tenta agrupar toda esta área linguística, não exenta de contestação devido ao carácter ideológico que foi adquirindo, é a dos Países Catalães, cunhada no final do século XIX e popularizada por Joan Fuster na sua obra Nosaltres els valencians («Nós os valencianos», 1962).

História[editar | editar código-fonte]

Les Homilies d'Organyà (s. XII), primeiro escrito em catalão.

Os primeiros registos da escrita do catalão datam do século IX, a partir do latim vulgar de ambos os lados dos Pirenéus (condados de Rossilhão, Ampúrias, Besalú, Cerdanha, Urgell, Pallars e Ribagorça), se bem que o primeiro documento considerado literário em catalão sejam as Homilias de Organyà, do século XIII.[1] Até aos séculos XVI e XVII, quando se inicia o declínio da língua frente ao castelhano, o catalão expande-separa sul com a Reconquista em várias fases: Barcelona e Tarragona, Lleida e Tortosa, o antigo reino de Valência, e daí transplantada para as Ilhas Baleares e para a região de Algueiro, na Sardenha; e a sua literatura desenvolve-se através de autores como Ramon Llull (séc. XIII–XIV), Ausiàs March e Joanot Martorell (séc. XV). O uso do catalão foi proibido no Principado da Catalunha na esfera oficial desde a promulgação dos Decretos do Novo Plano (1716),[2] no País Valenciano (1707) e em Maiorca e Ibiza (1715). Na Catalunha do Norte já se havia aplicado uma proibição semelhante em 1700. Menorca passou para soberania britânica em 1713. Estas proibições estiveram em vigor exceto em breves períodos durante a primeira e segunda república espanholas nos territórios catalanófonos de Espanha e até à introdução dos diferentes estatutos de autonomia entre 1978 e 1983, excepto na Faixa.

Decreto oficial de 2 de abril de 1700 que proibiu o uso da língua catalã na França.

Durante os séculos XIII a XV, a língua catalã foi importante na região do Mediterrâneo. Barcelona era a cidade de destaque, e porto do então chamado império aragonês, uma confederação nominalmente regida pelo rei de Aragão (Aragão, Catalunha, Rossilhão, Valência, Ilhas Baleares, Sicília e Nápoles). Todos os escritores de prosas desta época usavam o nome 'catalão' para sua língua comum (ex.: o escritor catalão Ramon Muntaner, o maiorquino Ramon Llull, etc). A questão é mais complicada entre os poetas, pois estes escreviam numa espécie de língua artificial (do Languedoc) na tradição dos trovadores.

Durante os séculos XV e XVI a cidade de Valência ganhou proeminência na confederação, graças a vários fatores, incluindo mudanças demográficas e pelo facto de a corte real ter-se mudado para lá. Presume-se que como resultado desta mudança na balança de poder dentro da confederação, no século XV o nome 'valenciano' começou a ser usado por escritores de Valência para se referirem a esta língua.

No século XVI o nome 'Llemosí' (que significa "o dialeto occitano de Limoges") é registrado pela primeira vez como sendo usado para referir-se a esta língua. Esta atribuição não tem base filológica, mas é explicável pelo complexo quadro sócio-linguístico da poesia catalã desta época (o catalão versus o occitano trovadoresco). O próprio escritor Ausiàs March não tinha certeza sobre como chamar a língua na qual escrevia (é claramente mais próxima do catalão ou do valenciano contemporâneos, que do occitano arcaico).

Então, durante o século XVI, a maior parte da elite valenciana mudou de língua para o castelhano, como pode ser visto pela quantidade de livros impressos na cidade de Valência: no início do século, o latim e o catalão (ou valenciano) eram as principais línguas da imprensa, mas no final do século a língua de Castela era o principal idioma da imprensa. As regiões rurais e a classe trabalhadora urbana, no entanto, ainda continuaram a falar sua língua vernacular.

Durante a primeira metade do século XIX o catalão e o valenciano experimentaram um importante renascimento entre as elites graças à "Renaixença", um movimento cultural romântico. Os efeitos deste renascimento persistem ainda hoje.

Durante o regime de Franco (1939-1975), o uso do catalão foi banido, da mesma forma que as outras línguas regionais na Espanha, como o basco e o galego. Após a morte de Franco em 1975 e a restauração da democracia, recuperou o seu estatuto e a língua catalã é hoje usada na política, educação e nos meios de comunicação social, incluindo o jornal Avui ("Hoje") e o canal de televisão TV3 da Televisió de Catalunya (TVC).

Características[editar | editar código-fonte]

Vocalismo[editar | editar código-fonte]

Rasgos em relação ao grupo galo-românico[editar | editar código-fonte]

  • Relação: Queda das vogais átonas finais exceto -A (MURU-, FLORE-mur, flor) em oposição ao grupo ibero-românico, que as conserva, exceto -E (muro mas flor/chor), ou em italo-românico que preserva todas estas características (muro, fiore).
  • Oposição: Conservação quase geral do som do -u- latim (catalão oriental lluna [ˈʎunə], catalão ocidental lluna [ˈʎuna/ɛ], occitano luna [ˈlynɔ], francês lune [lyn]). Apenas o dialeto capcinês adotou o -u- galo-românico.

Rasgos em relação ao occitano[editar | editar código-fonte]

  • Relação: O catalão apresenta uma grande variedade de ditongos e termos monossilábicos: ([aj] rai, [ej] rei, [aw] cau, [ew] beu, [ow] pou, etc.)
  • Oposição: Redução do ditongo AU para "o aberto" [ɔ] (CAULIS, PAUCU- → col, poc)

Rasgos em relação ao castelhano[editar | editar código-fonte]

  • Oposição: Preservação de [ɛ] e [ɔ].

Morfologia[editar | editar código-fonte]

  • O catalão balear conserva o article salat (< latim IPSE), provavelmente anteior à forma derivada, ILLE. Este artigo conservou-se apenas de maneira predominante no sardo e está em perigo de extinção, caso não tenha já desaparecido, nalgumas áreas da Provença e Sicília.
  • Os artigos mais comuns (e regulados) são el, la, els, les (nos dialetos norte-ocidental e algueirês ainda persistem as formas masculinas lo, los)
  • Contrariamente às variedades ibero-romances, o catalão practica algumas elisões fonéticas. Algumas são grafadas, como el + home > l'home enquanto que outras não, como em quinze anys [ˈkinz ˈaɲs].
  • Os possessivos gerais (ex: el meu gos) como em italiano (il mio cane), português (o meu cão), alguns dialetos occitanos (roerguês, linguadociano, gascão pirenaico e niçardo). Existe também uma outra forma de possessivo (com presença variada de acordo com os dialetos) usada essencialmente para certos membres da família i/o para expressar um grau de afinidade elevado (ex: mon pare; em valenciano ma casa, ma vida).
  • O feminino plural forma-se, à semelhança do asturiano, com "-es" (casa > cases).
  • Possui plurais sensíveis (ao contrário do francês; Ex: un pas > des pas) que se formam com -os. Ex: gos > gossos, peix > peixos. Opõe-se assim ao castelhano e occitano linguadociano, que usam -es (ex: mes > meses).
  • Ausência quase completa do partitivo à semelhança das línguas ibero-românicas e em contraste com as línguas galo-românicas (ex: vull pa, port. quero pão, mas fr. je veux du pain).
  • Formação do pretérito através de perífrase com uma conjugação especial do presente do verbo anar (ir). Ex: jo vaig dir (que geralmente substitui jo diguí).

Consonantismo[editar | editar código-fonte]

  • Rasgos da Romãnia ocidental:
    • Sonorização de -P-, -T-, -C- intervoccálicas para -b-, -d-, -g- (CAPRA, CATENA, SECURU- → cabracadenasegur)
  • Rasgos partilhados com o galo-romance:
    • Conservação dos grupos iniciais PL, CL, FL- (PLICARE, CLAVE-, FLORE- → plegarclauflor). Este rasgo, partilhado com as línguas galo-românicas, contrasta-se geralmente com as línguas ibero-românicas, que os perderam (castelhano llegarllave, português chegarchave).
    • De forma semelhante ao francês, português e occitano, sonorizam-se as consoantes surdas obstruentes quando o primeiro fonema da palavra seguinte é uma vogal ou consoante surda, como por exemplo na pronúncia valenciana: els homes [eɫs] e [ˈɔmes] → [eɫˈzɔmes]; peix bo [ˈpe(j)ʃ] i [ˈbɔ] → [ˈpe(j)ʒˈβɔ]; blat bord [ˈblat] e [ˈboɾt] → [ˈbladˈboɾt].
  • Rasgos partilhados com o occitano (linguadociano)
    • Queda do -N- intervocálico transformada em final no léxico (PANE-, VINU- → pavi). Em oposição ao linguadociano, o plural conserva [n] (ex: pansvins) fora do dialeto setentrional, o rosselhonês.
    • Ensurdecimento das consoantes finais: verd [t], àrab [p].
  • Rasgos específicos e exclusivos à língua catalã:
    • -D- intervocálico final transforma-se em -u (PEDE-, CREDIT →peu, (ell) creu)
    • -C + e, i, final →-u (CRUCE- → crou > creu)
    • As terminações -TIS na flexão verbal (2.ª pessoa do plural) derivam em -u (MIRATIS → miratz → mirau → mirau/mireu.
  • Palatalizações consonânticas (dispersadas pelo resto da România):
    • Palatalização de L- inicial (LUNA, LEGE → llunallei). Também presente no dialeto foixenco (occitano) e no âmbito asturo-leonês.
    • Palatalização de -is- [jʃ]/[ʃ] precedida de -X-, SC- (COXA, PISCE- → cuixapeix)
    • /k/ + [e], [i], [j] → *[ts] → [s]; CAELU- → cel [ˈsɛɫ].
    • /ɡ/ + [e], [i], [j] → *[dʒ] → [ʒ]/[dʒ]; GELU- → gel [ˈʒɛɫ].
    • /j/ → *[dʒ] → [ʒ]/[dʒ]; IACTARE → gitar [ʒiˈta]
    • -ly-, -ll-, -c'l-, -t'l- → ll [ʎ]; MULIERE- → muller; CABALLU- → cavall, também existem outros casos como villa → vila, onde se simplificou a geminació; AURICULA → *oric'la → orella; UETULU- → *vet'lu → vell.
    • -ni-, -gn-, -nn- → ny [ɲ]; LIGNA → llenya; ANNU- → any rasgo partilhado com o castelhano.
  • Os outros rasgos, também originais, possuem uma abrangência superior às línguas românicas.
    • Redução dos grupos consonânticos -MB-, -ND→ -m--n- (CAMBA, CUMBA, MANDARE, BINDA > camacomamanarbena), rasgo partilhado com o occitano gascão e linguadociano meridional.
    • Presença de geminadas: setmana [mm], cotna [nn], bitllet [ʎʎ], guatla [ɫɫ], intel·ligent [ɫɫ]. Rasgos quase extintos no dialeto valenciano. Apenas partilhados com o occitano e variedades itálicas.

Léxico[editar | editar código-fonte]

O léxico básico catalão parece demonstrar mais afiniades com o grupo galo-romântico do que com o ibero-româmico. Estas semelhanças são ainda mais pálidas quando comparadas com o occitano (exemplificado está o dialeto linguadociano).

  • FENESTRA > finestra (oc. fenèstra/finèstra, fr. fenêtre, it. finestra) e VENTU- > ventana (cast.), JANUELLA > janela (port.)
  • MANDUCARE > menjar (oc. manjar, fr. manger, it. mangiare) e COMEDERE > comer (cast. e port.)
  • MATUTINU- > matí (oc. matin, fr. matin/matinée, it. mattino/mattina) e HORA MANEANA > mañana (cast.), amanhã (port.)
  • PARABOLARE > parlar (oc. parlar, fr. parler, it. parlare) e FABULARE > hablar (cast.), falar (port.)
  • TABULA > taula (oc. taula, fr. table, it. tavola) e MENSA > mesa (cast. e port.).

Exemplos[editar | editar código-fonte]

  • Bon dia – Bom dia
  • Bona tarda – Boa tarde
  • Bona nit – Boa noite
  • Moltes gràcies – Muito obrigado
  • Adéu – Adeus
  • Fins després – Até logo
  • Fins demà – Até amanhã
  • A reveure – Até a próxima
  • Si us plau ou Sisplau – Por favor
  • Benvingut – Bem-vindo
  • Com et dius? – Como te chamas?
  • No l'entenc – Não o entendo
  • Dilluns – Segunda-feira
  • Dimarts – Terça-feira
  • Dimecres – Quarta-feira
  • Dijous – Quinta-feira
  • Divendres – Sexta-feira
  • Dissabte – Sábado
  • Diumenge – Domingo
  • Avui – Hoje
  • Ahir – Ontem
  • Demà – Amanhã
  • Gener – Janeiro
  • Febrer – Fevereiro
  • Març – Março
  • Abril – Abril
  • Maig – Maio
  • Juny – Junho
  • Juliol – Julho
  • Agost – Agosto
  • Setembre – Setembro
  • Octubre – Outubro
  • Novembre – Novembro
  • Desembre – Dezembro
  • Jo – Eu
  • Tu – Tu
  • Ell – Ele
  • Ella – Ela
  • Vostè – Você
  • Nosaltres – Nós
  • Vosaltres – Vós
  • Ells – Eles
  • Elles – Elas
  • Vostès – Vocês
  • 1: u / un (masc.) - una (fem.)
  • 2: dos (masc.) - dues (fem.)
  • 3: tres
  • 4: quatre
  • 5: cinc
  • 6: sis
  • 7: set
  • 8: vuit /huit (na maior parte do País Valenciano)
  • 9: nou
  • 10: deu

Alfabeto e caracteres[editar | editar código-fonte]

O alfabeto utilizado é o alfabeto catalão. Apesar disto, existem alguns livros da época medieval e textos em catalão algemiado (escrito com caracteres árabes ou hebreus). Exemplo disto são algumas das lápides do Centro Bonastruc Saporta de Girona, escritas com caracteres hebreus.

Sistema de escrita[editar | editar código-fonte]

O sistema de escrita também apresenta certas peculiaridades. O catalão apresenta uma característica única, a escrita do dígrafo denomidado ele germinado — ela geminada: ‹l·l› (como em intel·ligent). Outra característica especial é o ‹ny› [ɲ] que também se encontra no húngaro, línguas filipinas, malaio, indonésio e em diversas línguas africanas. Também é de notar a grafia ‹-ig›, pronunciada [t͡ʃ] depois de uma vogal e [it͡ʃ] depois de uma consoante, representada em poucas palavras (como faig, maig, mig ([mit͡ʃ]), desig ([deˈzit͡ʃ]) puig, raig, Reig, roig, vaig, veig) ou a representação com ‹t› + "consoante" das consonantes duplas em: ‹tm›, ‹tn›, ‹tl› i ‹tll› e o africamento em: ‹ts›, ‹tz›, ‹tx›, ‹tg› i ‹tj› (setmana, cotna, Betlem, bitllet, potser, dotze, jutge, platja).

Gramática[editar | editar código-fonte]

Os substantivos e adjectivos catalãos declinam-se em género e número. Os substantivos pertencem a um de dois géneros — masculino, através da forma um/uma, e feminino através de uma/umas.[13] À semelhança dos determinantes, os adjectivos têm de concordar em género e número com o nome que acompanham. Por exemplo, o sintagma "el noi senzill" ("o rapaz singelo") pode ser flexionado da seguinte maneira:

Singular Plural
Masculino el noi senzill els nois senzills
Femenino la noia senzilla les noies senzilles

No caso dos nomes que podem ser tanto masculinos como femininos, prefere-se a forma feminina e adiciona-se habitualmente o sufixo -a; por exemplo em gat/gata o nen/nena. Da mesma maneira, existem também numerosos adjetivos que apresentam formas diferenciadas consoante o género (home/dona, bou/vaca), que formam o feminino de forma especial (emperador/emperadriu, metge/metgessa) ou que possuem a mesma forma para os dois géneros (estudiant, portaveu). Em casos específicos, um nome pode mudar de género se mudar de número. Assim, diz-se "l'art paleocristià" (arte paleocristã) mas "les belles arts" (as belas artes).[14]

As frases seguem o esquema SVO, apesar de se permitir a variação na ordem dos elementos por questões estilísticas ou para dotar de maior relevância uma determinada informação. A palavra mais importante da frase é o verbo, sem a qual não existe uma oração gramatical.

Relação entre línguas românicas[editar | editar código-fonte]

Comparação lexical de 24 palavras entre línguas ibero-ocidentais:17 cognatos com o galo-românico, 5 isoglossas com o ibero-românico, 3 isoglossas com o occitano e 1 palavra única.[15][16]
Glossa Catalão Occitano Sardo (Campidanês) Italiano Francês Castelhano Romeno
primo cosí cosin fradili cugino cousin primo văr
irmão germà fraire fradi fratello frère hermano frate
sobrinho nebot nebot nabodi nipote neveu sobrino nepot
verão, estio[17] estiu estiu beranu estate été verano, estío[17] vară
tarde, serão[18] vespre ser, vèspre sera sera soir tarde-noche[18] seară
manhã, matina matí matin menjanu mattina matin mañana dimineață
frigideira, fritadeira paella padena paella padella poêle sartén tigaie
cama, leito llit lièch, lèit letu letto lit cama, lecho pat
ave, pássaro ocell aucèl pilloni uccello oiseau ave, pájaro pasăre
cão, cachorro gos, ca gos, canh cani cane chien perro, can câine
ameixa pruna pruna pruna prugna prune ciruela prună
manteiga mantega bodre burru, butiru burro beurre mantequilla, manteca unt
Glossa Catalão Occitano Sardo (Campidanês) Italiano Francês Castelhano Romeno
pedaço, bocado tros tròç, petaç arrogu pezzo morceau, pièce pedazo, trozo[19] bucată
cinza, gris gris gris grisu grigio gris gris, pardo[20] gri
quente calent caud callenti caldo chaud caliente cald
demais, demasiado massa tròp tropu troppo trop demasiado prea
querer voler vòler bolli volere vouloir querer a voi
tomar, levar prendre prene, prendre pigai prendere prendre tomar, prender a prinde, a lua
rezar, orar, pregar pregar pregar pregai pregare prier rezar/rogar a se ruga
pedir, perguntar demanar/preguntar demandar dimandai, preguntai domandare demander pedir, preguntar a cere, a întreba
procurar, buscar cercar/buscar cercar ciccai cercare chercher buscar a cerceta, a căuta
chegar arribar arribar arribai arrivare arriver llegar, arribar a ajunge
falar, palrear parlar parlar chistionnai, fueddai parlare parler hablar, parlar a vorbi
comer (calão papar) menjar manjar pappai mangiare manger comer. manyar em lunfardo (calão papear) a mânca
Cognatos catalães e castelhanos com significados diferentes com significados diferentes[21]
Latim Catalão Castelhano
accostare acostar "aproximar" acostar "deitar (na cama)"
levare llevar "remover,

acordar"

llevar "levar"
trahere traure "remover" traer "trazer"
circare cercar "procurar" cercar "cercar"
collocare colgar "enterrar" colgar "pendurar"
mulier muller "mulher" mujer "mulher ou esposa"

Amostras de texto[editar | editar código-fonte]

Texto selecionado da novela de 1970 de Manuel de Pedrolo, Un amor fora ciutat.

Original Tradução livre
Tenia prop de divuit anys quan vaig conèxier Tinha cerca de dezoito anos quando conheci
en Raül, a l'estació de Manresa. o Raül, na estação de Manresa.
El meu pare havia mort, inesperadament i encara jove, O meu pai havia morto, inesperadamente e ainda jovem,
un parell d'anys abans, i d'aquells temps um par de anos antes; e daquela época
conservo un record de punyent solitud. conservo uma memória de pungente solidão.
Les meves relacions amb la mare A relação com a minha mãe
no havien pas millorat, tot el contrari, não melhorou; pelo contrário,
potser fins i tot empitjoraven talvez até tenha piorado
a mesura que em feia gran. à medida que ia crescendo.
No existia, no existí mai entre nosaltres, Não existia, não existiu nunca entre nós
una comunitat d'interessos, d'afeccions. interesses comuns, afeção.
Cal creure que cercava… una persona Acho que procurava… uma pessoa
en qui centrar la meva vida afectiva. sob a qual centrar a minha vida afetiva.

Número de falantes no mundo e conhecimentos da língua[editar | editar código-fonte]

Regiões onde a língua tem estatuto oficial
ou co-oficial
[editar | editar código-fonte]

Região Entendem Sabem falar
Catalunha'"`UNIQ--nowiki-0000004C-QINU`"'22'"`UNIQ--nowiki-0000004D-QINU`"'[22][22][22][22][22][15] 5.899.400 5.027.200
Comunidade Valenciana 3.448.368 2.407.951
Ilhas Baleares 852.780 706.065
Andorra 62.013 57.395
Algueiro (Itália) 34.525 26.000
Total 10.900.566 8.895.811

Regiões onde a língua não tem estatuto oficial[editar | editar código-fonte]

Região Entendem Sabem falar
Catalunha Norte (França) 256.583 145.777
Faixa de Aragão 50.406 49.398
Carxe (Múrcia) Sem dados Sem dados
Resto do mundo 350.000 350.000
Total 656.989 545.175

Total de falantes[editar | editar código-fonte]

Região Entendem Sabem falar
Países Catalães 11.207.555 9.090.986
Resto do mundo 350.000 350.000
Total 11.557.555 9.440.986

Conhecimentos da língua (2003-2004)[editar | editar código-fonte]

Região Falam Entendem Leem Escrevem
Catalunha 84,7 97,4 90,5 62,3
Comunidade Valenciana 57,5 78,1 54,9 32,5
Ilhas Baleares 74,6 93,1 79,6 46,9
Catalunha Norte (França) 37,1 65,3 31,4 10,6
Andorra 78,9 96,0 89,7 61,1
Faixa de Aragão 88,8 98,5 72,9 30,3
Algueiro (Itália) 67,6 89,9 50,9 28,4

(% da população com 15 e mais anos).

Uso social do catalão[editar | editar código-fonte]

Regiões Em casa Na rua
Catalunha 45 51
Comunidade Valenciana 37 32
Ilhas Baleares 44 41
Catalunha Norte (França) 1 1
Andorra 38 51
Faixa de Aragão 70 61
Algueiro (Itália) 8 4

(% da população com 15 e mais anos).

Um estudo da UNESCO aponta o catalão como a vigésima segunda língua mais traduzida para outras línguas do mundo na atualidade.[23] Segundo Jordi Mas, da Softcatalà, o catalão é a vigésima terceira língua mais utilizada na Internet.[24]

Dialetos[editar | editar código-fonte]

Em 1861, Manuel Milà i Fontanals propôs a divisão da língua em dois grandes blocos: Catalão oriental e Catalão ocidental.

Não existe uma linha precisa que divida os dois blocos, por existir sempre uma zona de transição bastante ampla entre cada par de dialetos, exceto nas Ilhas Baleares. As diferenças mais destacáveis entre os dois blocos são:

  • Catalão ocidental:
    • As vogais átonas são: [a] [e] [i] [o] [u]. Existe uma diferenciação entre e e a e entre o e u.
    • O x inicial ou pós-consonântica é africada /tʃ/. Entre vogais ou quando precedida de um i, é /jʃ/.
    • Pronúncia de Ē ("e" largo) e Ǐ ("i" breve) tónicas do latim [e].
    • A 1.ª pessoa do presente do indicativo termina em -e (valenciano) ou -o (norte-occidental e de transição).
    • Os verbos incoativos da 3.ª conjugação formam-se com -ix, -ixen, -isca.
    • Conservação da nasal plural medieval em palavras proparoxítonas: hòmens, jóvens.
    • Existência de vocabulário específico: espillxiquet...
  • Catalão oriental:
    • As vogais átonas são: [ə] [i] [u]. As vogais e e a em posição átona convertem-se em /ə/ e o o e u transformam-se /u/ (da mesma forma, conserva-se /o/ em Maiorca).
    • x em posição inicial, após consoante ou antecedido de i é fricativo /ʃ/.
    • Os Ē ("e" largos) e Ǐ ("i" breves) tónicos do latim pronunciam-se [ɛ] (na maioria das Baleares pronunciam-se [ə] e, em algueirês como [e]).
    • Antiga tendência para o ieísmo de certas palavras históricas (rasgo estigmatizado e em forte retrocesso na Catalunha, com frases como "la paia a l'ui").
    • A 1.ª pessoa do presente do indicativo é -o (central), -i (setentrional) e zero (Baleares i algueirês).
    • Os verbos incoativos da 3.ª conjugação formam-se com -eix, -eixen, -eixi.
    • O -n- do plural nasal medieval das palavras proparoxítonas cai: homesjoves.
    • Existência de vocabulário específico: mirallnoi/al·lot...

Nenhum dos dialetos é completamente homogéneo e todos eles se dividem em diversos subdialetos:

Divisão dialetal
Bloco ocidental

a) Norte-ocidental

   1. Ribagorçano

      i. Benasquês (CA < > AN)

   2. Palharês

b) Ocidental de transição

   1. Valenciano de transição ou tortosino

   2. Matarranhês

c) Valenciano

   1. Castelhonês

   2. Apitxat

   3. Valenciano meridional

   4. Alicantino

   5. Valenciano murciano. Extinto, rasgos lexicais e gramaticais transferidos para o panotxo ou murciano


Dialetos de transição entre blocos

a) Xipella* (oriental < > ocidental)

   1. Solsonês

b) Salat da Marina* (maiorquino > valenciano)

Bloco oriental

a) Setentrional (rosselhonês)

   1.Capcinês

   2.Setentrional de transição

b) Central

   1. Salat da Costa Brava*

   2. Barcelonês

   3. Tarragonês

c) Baleárico

   1. Maiorquino

        i. Solherico

        ii. Polhencino

   2. Menorquino

        i. Menorquino oriental

        ii. Menorquino ocidental

   3. Ibizenco

        i. Ibizenco oriental

        ii. Ibizenco ocidental

        iii. Vilatano

d) Algueirês

Dialectes català 2.svg
Outros

a) Patuet da Algéria (extinto)

b) Judeocatalão (extinto)

c) Catanhol

Sociolinguística[editar | editar código-fonte]

Âmbito educativo[editar | editar código-fonte]

Com a democracia recuperou-se a língua no âmbito educativo. No entanto, a introdução do catalão nas escolas foi díspar segundo o território. Assim, enquanto que na Catalunha e Baleares se adotou um modelo linguístico segundo o qual o catalão é a língua veicular principal, o País Valenciano seguiu um modelo radicalmente diferente no qual os pais podem escolher, em teoria, a língua de escolarização dos filhos.[25]

Meios de comunicação[editar | editar código-fonte]

Por todo o espaço da catalanofonia existem diferentes meios de comunicação em catalão. No âmbito da imprensa escrita, destacam-se as edições em catalão dos jornais La Vanguardia e El Periódico de Catalunya, os jornais diários exclusivamente em catalão El Punt Avui, Ara e L'Esportiu, a imprensa a nível comarcal (Segre, Regió 7, Diari de Girona ou El 9 Nou), as revistas El Temps ou Sàpiens e os diferentes jornais digitais (VilaWeb, Racó Català, Nació Digital, Ara.cat ou 324.cat).

As entidades autonómicas de rádio e televisão públicas conformam a maioria das transmissões audiovisuais em catalão, compondo-se pela CCMA (canais da TV3 e Catalunya Ràdio) e EPRTVIB (IB3 Televisió e IB3 Ràdio). A nível privado, as rádios RAC 1, Ràdio Flaixbac, Flaix FM e RAC 105 são de iniciativa privada; juntamente com as televisões 8tv, Estil 9 (Catalunha) e Canal 4 (Ilhas Baleares). A Comunidade Valenciana, através da Radiotelevisió Valenciana, dispôs entre 1989 e 2013 do único meio de comunicação em valenciano na comunidade, às quais se juntaram até 2011 as transmissões da TV3 e Catalunya Ràdio naquele território. Atualmente, dispõe de diários digitais em valenciano, entre os quais Levante-EMV ou La Veu del País Valencià.

No Rossilhão, a Ràdio Arrels é a única rádio local em língua catalã. O canal público France 3 transmite um noticiário cultural de 7 minutos cada sábado[26], ao qual se juntam as transmissões do magazine cultural Viure al País.[27] No entanto, as transmissões dos canais de televisão e rádio da CCMA estão também disponíveis.[28]

Influências linguísticas[editar | editar código-fonte]

O catalão é considerado uma língua galo-românica, isto porque, o catalão e o occitano estiveram em contacto durante muitos anos por razões geopolíticas. O século XIX começa com uma invasão francesa que anexa, temporariamente, a Catalunha ao Império francês o que vem acentuar ainda mais as semelhanças entre o catalão e o occitano, que por sua vez tem também semelhanças com o francês. A língua occitana pode ser classificada como língua de adstrato, isto é, influenciam-se mutuamente, o catalão e o occitano. Quanto ás línguas de substrato em relação ao Latim, na época da romanização da Península Ibérica, temos as línguas dos povos gregos e cartagineses que habitavam na zona da actual Catalunha que, embora seja débil, é evidente na toponímia e algum léxico. Depois da romanização da Península Ibérica, o catalão foi evoluindo, tal como as outras variedades ibéricas, chegando a uma certa altura em que os falantes começaram a consciencializar-se que o que falavam não era mais o latim vulgar, trazido por soldados e "plebeu", mas sim um dialecto que com o tempo havia-se distanciado da sua origem, latina. Isto pode ser observado através de textos da altura escritos por pessoas pouco letradas que escreviam no seu "dialecto" (catalão na actualidade) e que através dos seus testemunhos deixavam escapar algumas "catalanices", desrespeitando a norma, que na época seria o Latim vulgar. Após a romanização da Península, esta é invadida por povos germânicos, os Visigodos, que expulsos pelos francos instalaram-se na Península, fazendo de Toledo a sua capital. Mas rapidamente, os Visigodos, perceberam o quão romanizada estava a Península e decidiram ao invés de impor a sua língua, adquirir a língua autóctone. Portanto, o superstrato germânico neste caso, reduz-se apenas a antropónimos, topónimos e algum léxico, ainda que pouco, por exemplo: guerra, espia e elmo (tipo de capacete). A maior influência foi, claramente, a influência da língua occitana, devido ao seu contacto permanente com a língua, invasões, etc. Influências posteriores às já referidas, é o castelhano, sendo este o mais flagrante, devido ao seu contacto e pressão sobre o catalão. Em 1137 dá-se a união entre o Reino de Aragão e o Condado de Barcelona, ou seja, a Catalunha aumentou o seu território mantendo a sua corte que continuava a usar o Catalão como língua de comunicação. Mais tarde, em 1479, a Coroa de Aragão (que incluía já a Catalunha) une-se a Castela, o Reino que mais prosperava na época. Isto comportou para o catalães a perda de uma corte catalã o que viria a ter repercussões negativas para o catalão. Quanto mais Castela avançava, mais progredia o castelhano em relação ás outras línguas. Desde a união de Aragão com Castela, isto 1479, sensivelmente, o catalão tem vindo a mostrar um desequilibro em relação ao castelhano, como mostram os últimos estudos da situação actual da língua.

Quanto à influência catalã noutras línguas, temos o subdialecto dos dialectos meridionais do espanhol Ibérico, o Murciano. Dialecto este falado na comunidade autónoma de Múrcia, que partilha alguns traços fonéticos com o catalão, salientando a conservação esporádica de surdas intervocálicas (acachar, pescatero) e a manutenção do grupo -ns- (ansa e panso (cast.: asa e paso)). Também partilha, o Murciano, algum léxico com o aragonês e o catalão, isto porque, quando Múrcia foi reconquistada pelos cristãos a região foi repovoada com catalãs, valencianos e aragoneses o que influenciou o dialecto que hoje conhecemos como o Murciano.[29]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

Texto inicialmente baseado na tradução do artigo «Català» na Wikipédia em catalão.

Referências

  1. a b http://www.ethnologue.com/ethno_docs/distribution.asp?by=size
  2. Manifesto da entidade El Rat Penat sobre denominação e filiação do Valenciano.
  3. a b Sentença da AVL sobre a unidade da língua.
  4. Sentença do TSJCV em favor da titulação de Filologia Catalana na Comunidade Valenciana
  5. 'Gramàtica del català contemporani. Joan Solà, Maria-Rosa Lloret, Joan Mascaró, Manuel Pérez de Saldanya (directors). Editorial Empúries. Any 2002.
  6. Martínez Arrieta, S.; Sumien, D. (2006). Els lligams entre català i occità. [S.l.]: L'Abadia de Montserrat. 115 páginas. ISBN 8484157938 
  7. LAMUELA, X. Estandardització i establiment de les llengües. Barcelona: Ed. 62, 1994.
  8. Pierre Bec (1995) La langue occitane, coll. Que sais-je? nr. 1059, París: Presses Universitaires de France [1ª ed. 1963]
  9. «Learn Catalan - Valencian». www.101languages.net (em inglês). Consultado em 9 de março de 2017 
  10. «Multext-Cataloc». Arquivado do original em 15 janeiro 2013 
  11. Lluís, Fornés (maio 1998). «Una visió diasistemàtica de la nostra llengua» (PDF). Paraula d'Oc. L’occitanòfila valenciana Euphemia Llorente. Consultado em 9 março 2017 
  12. Legge 15 Dicembre 1999, núm. 482. Normativa in matèria di tutela delle minoranze linguistiche storiche. Gazzetta Ufficiale núm. 297. 20 dicembre 1999
  13. Servei de Política Lingüística d'Andorra (ed.). http://www.catala.ad/index.php?option=com_content&task=view&id=149&Itemid=201. Consultado em 22 de dezembro de 2008  Parâmetro desconhecido |lloc= ignorado (ajuda); Parâmetro desconhecido |títol= ignorado (|titulo=) sugerido (ajuda); Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  14. Institut d'Estudis Catalans (ed.). Diccionari de la Llengua Catalana, 2a edició http://dlc.iec.cat/results.asp?txtEntrada=art&operEntrada=0. Consultado em 22 de dezembro de 2008  Parâmetro desconhecido |lloc= ignorado (ajuda); Parâmetro desconhecido |títol= ignorado (|titulo=) sugerido (ajuda); Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  15. Jud, Jakob (1925). Problèmes de géographie linguistique romane. Paris: Revue de Linguistique Romane. pp. 181–182 
  16. Colón, Germà (1993). El lèxic català dins la Romània. Biblioteca Lingüística Catalana. Valência: Universitat de València. ISBN 84-370-1327-5 
  17. a b Portuguese and Spanish have estiagem and estiaje, respectively, for drought, dry season or low water levels.
  18. a b Portuguese and Spanish have véspera and víspera, respectively, for eve, or the day before.
  19. Spanish also has trozo, and it is actually a borrowing from Catalan tros. Colón 1993, p 39. Portuguese has troço, but aside from also being a loanword, it has a very different meaning: "thing", "gadget", "tool", "paraphernalia".
  20. Modern Spanish also has gris, but it is a modern borrowing from Occitan. The original word was pardo, which stands for "reddish, yellow-orange, medium-dark and of moderate to weak saturation. It also can mean ochre, pale ochre, dark ohre, brownish, tan, greyish, grey, desaturated, dirty, dark, or opaque." Gallego, Rosa; Sanz, Juan Carlos (2001). Diccionario Akal del color (em Spanish). [S.l.]: Akal. ISBN 978-84-460-1083-8 
  21. Moll, Francesc de B. (1958). Gramàtica Històrica Catalana 2006 ed. [S.l.]: Universitat de València. pp. p. 47. ISBN 978-84-370-6412-3 
  22. [[Catalunha|http://www.idescat.cat/pub/?id=eulp#FROM. Consultado em 2013  Parâmetro desconhecido |llengua= ignorado (|lingua=) sugerido (ajuda); Parâmetro desconhecido |títol= ignorado (|titulo=) sugerido (ajuda); Verifique data em: |acessodata= (ajuda); Em falta ou vazio |título= (ajuda)]]
  23. Ranking de traduções
  24. Estudo sobre o uso do catalão na Internet
  25. Culturcat (Generalitat de Catalunya) (ed.). http://www20.gencat.cat/portal/site/culturacatalana/menuitem.be2bc4cc4c5aec88f94a9710b0c0e1a0/?vgnextoid=4a2a5c43da896210VgnVCM1000000b0c1e0aRCRD&vgnextchannel=4a2a5c43da896210VgnVCM1000000b0c1e0aRCRD&vgnextfmt=detall2&contentid=a0e6edfc49ed7210VgnVCM1000008d0c1e0aRCRD. Consultado em 26 de març de 2013  Parâmetro desconhecido |títol= ignorado (|titulo=) sugerido (ajuda); Verifique data em: |acessodata= (ajuda); Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  26. «JT local 19/20 Pais Catala - France 3 Occitanie». France 3 Occitanie 
  27. «Viure al país en catalan - France 3 Occitanie». France 3 Occitanie 
  28. «Les emissions de TV3 a la Catalunya del Nord ja són legals». Ara.cat (em catalão) 
  29. Pilar García Mouton (1994). Lenguas y dialectos de Espanã (em Español) 1994 ed. Madrid: Arco Libros. 36 páginas. ISBN 84-7635-164-X Predefinição:Http://www.ramonllull.net/sw instituto/l br/historiadalingua.htm

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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