Língua huna

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Huno
Falado em: da China até Europa
Total de falantes: extinta ~ 453 d.C.
Família: possivelmente Línguas altaicas
 Huno
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: ---
ISO 639-3: xhc

O huno é um idioma extinto, falado historicamente pelos hunos.[1] [2] [3] Seus registros literários são extremamente escassos, consistindo apenas de alguns poucos nomes e palavras.

Classificação[editar | editar código-fonte]

O huno vem sendo considerado como um idioma próximo ao protobúlgaro, também extinto, e o atual tchuvache, em diversos sistemas de classificação genética. Atualmente estes idiomas costumam ser classificados, juntamente com o cazar e o ávaro turcomano, como membros do ramo ogúrico da família de línguas turcomanas.[4]

O indício de que o huno seria uma língua turcomana surgiu da identificação de alguns nomes hunos, atestados nos registros literários que sobreviveram até os dias de hoje, como turcomanos.[5] Outros nomes foram classificados como germânicos e iranianos. As palavras registradas (medos, kamos, strava e, possivelmente, cucurun) não parecem ser turcomanas.[6]

Estes registros existentes vem sendo estudado por mais de um século e meio, e nenhuma tentativa de associar estes nomes com qualquer grupo linguístico conhecido conseguiu atingir alguma espécie de consenso acadêmico.

A inscrição da placa de Khan Diggiz foi interpretada como sendo o nome de um rei huno conhecido, Dengizico, filho de Átila, numa forma de turcomano.[7]

As línguas de tipo l- e r- (lir-turcomanas) são documentadas atualmente apenas pelo tchuvache, único membro em existência do ramo ogúrico do turcomano. O resto dos idiomas turcomanos (turcomano comum) pertencem ao tipo š- e z- type (também chamado de "shaz-turcomano). De acordo com uma teoria, os hunos também seriam falantes de um idioma turcomano do tipo l- e r-, e a sua migração teria sido responsável pelo surgimento de um idioma deste tipo no Ocidente.[8]

A questão dos parentescos da língua huna está longe de ter sido resolvida. Um bom sumário do problema foi expresso nas palavras de Otto Maenchen-Helfen:

"Tudo que sabemos da língua dos hunos são nomes. Nossas fontes não nos dão o significado de nenhum deles... Apenas através de um estudo cuidadoso do contexto literário no qual estes nomes surgem é que podemos esperar trazer o problema do idioma huno mais próximo à sua solução. Tentativas de forçar todos os nomes hunos num só grupo linguístico estão fadadas a priori ao fracasso. O número de nomes hunos que são, com algum grau de certeza ou mesmo de probabilidade, turcomanos, é pequeno. Além das dificuldades objetivas, as subjetivas também assombram alguns acadêmicos. Turcólogos tendem a descobrir turcos em todo lugar, convencidos de que todos os protobúlgaros falavam o turco. Németh ofereceu uma atraente etimologia turca para Asparuch; outros turcólogos explicaram o nome de uma maneira diferente, talvez menos convincente. Agora se sugere que Asparuch seria um nome iraniano... Acadêmicos de profunda erudição por vezes são influenciados pelo pan-turquismo..."[9] [10]

Relação com outros grupos linguísticos[editar | editar código-fonte]

Diversas tentativas foram feitas de se identificar o idioma huno com o húngaro. Lendas e histórias medievais húngaras presumem ligações estreitas entre os dois povos. O nome Hunor foi preservador nas lendas locais (juntamente com diversos nomes hunos, como Attila), e é usado como nome próprio na Hungria atual. Alguns húngaros acreditam que os székelys, um grupo étnico húngaro que vive na Romênia, seria formado por descendentes de um grupo de hunos que teria permanecido na Bacia Cárpata após 454; este mito foi registrado na Gesta Hungarorum.[11] .

Já se sugeriu que o idioma huno teria relações com o que era falado pelos Xiongnu, porém não existe qualquer consenso acadêmico sobre o assunto, ou mesmo sobre que idioma este grupo falaria.[12] [13]

Gramática[editar | editar código-fonte]

A exemplo da língua tchuvache e da língua protobúlgara, a língua huna poderia supostamente apresentar oito casos gramaticais: nominativo, genitivo, acusativo/dativo, locativo, ablativo, instrumental, privativo, benefativo.[carece de fontes?]

Vocabulário[editar | editar código-fonte]

Há semelhanças entre os vocabulários do huno e do turco, como se vê no breve quadro comparativo de palavras hunas e turcas:

Huno Turco Português
Tengri Tanrı Deus
Kut Kut Poder político
Kız Kız Menina
Katun Kadın/Hatun Mulher
Tug Tuğ Cauda cavalo
Büyü Büyü Mágica
Orda Ordu Exército
Bar var(mak) Chegar
Böri Kurt(Börü) Lobo
Tat Tat, (yabancı) Estranho
Tok Acem/Fars Persa
El El País
Kılıç Kılıç Espada

Referências

  1. Wang Shiping, Where Did the Huns Go?
  2. Wang Zu, Scourge of God
  3. Lin Gan, A Study of Northern Nationalities in Ancient China
  4. Pritsak, Omeljan. 1982 "The Hunnic Language of the Attila Clan." Harvard Ukrainian Studies, vol. 6, pp. 428–476.[1]
  5. Especialmente como documentados nas obras de Maenchen-Helfen (1973), Pritsak (1982), Kemal (2002).
  6. Otto Maenchen-Helfen, Language of Huns, Ch. 9.
  7. Azgar Mukhamadiev. "The Khan Diggiz Dish Inscription". Trechos do artigo "Turanian Writing", in: Problems Of Linguoethnohistory Of The Tatar Peopl, Kazan, 1995, páginas 36–83 [2]
  8. Johanson (1998); cf. Johanson (2000, 2007) e artigos relativos ao tema em Johanson & Csató (ed., 1998).
  9. Otto J. Maenchen-Helfen. The World of the Huns: Studies in Their History and Culture. University of California Press, 1973
  10. Otto Maenchen-Helfen, Language of Huns
  11. Kordé Zoltán: A székelykérdés története
  12. Étienne de la Vaissière, "Xiongnu". Encyclopedia Iranica online, 2006
  13. Dr. Obrusánszky, Borbála: The History and Civilization of the Huns. Universidade de Amsterdã, 8 de outubro de 2007. página 60. [3]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Clark, Larry. 1998. "Chuvash." In: Johanson & Csató, pp. 434-452.
  • Gmyrya, L. 1995. Hun country at the Caspian Gate: Caspian Dagestan during the epoch of the Great Movement of Peoples. Makhachkala: Dagestan Publishing.
  • Golden, Peter B. 1998. "The Turkic peoples: A historical sketch." In: Johanson & Csató, pp. 16-29.
  • Heather, Peter. 1995. "The Huns and the End of the Roman Empire in Western Europe." English Historical Review 110.4-41.
  • Johanson, Lars & Éva Agnes Csató (ed.). 1998. The Turkic languages. Londres: Routledge.
  • Johanson, Lars. 1998. "The history of Turkic." In: Johanson & Csató, pp. 81-125.[4]
  • Johanson, Lars. 1998. "Turkic languages." In: Encyclopaedia Britannica. CD 98. Encyclopaedia Britannica Online, 5 de setembro de 2007. [5]
  • Johanson, Lars. 2000. "Linguistic convergence in the Volga area." In: Gilbers, Dicky, Nerbonne, John & Jos Schaeken (ed.). Languages in contact. Amsterdam & Atlanta: Rodopi. (Studies in Slavic and General linguistics 28.), pp. 165-178.[6]
  • Johanson, Lars. 2007. Chuvash. Encyclopedia of Language and Linguistics. Oxford: Elsevier.
  • Kemal, Cemal. 2002. "The Origins of the Huns: A new view on the eastern heritage of the Hun tribes." (Texto editado a partir de entrevistas com Kemal Cemal, Turquia, 1 de novembro de 2002.) In: Features for Europe: Barbarian Europe. Kessler Associates. The History Files.[7]
  • Krueger, John. 1961. Chuvash Manual. Bloomington: Indiana University Publications.
  • Maenchen-Helfen, Otto J. 1973. The world of the Huns: Studies in their history and culture. Berkeley: University of California Press.[8]
  • Mukhamadiev, Azgar G. 1995. "The inscription on the plate of Khan Diggiz." In: Problems of the lingo-ethno-history of the Tatar people. Kazan: Tatarskoe knizhnoe izd-vo, pp. 36-83. (ISBN 5-201-08300, em russo). Traduzido do russo para o inglês em www.turkicworld.org.[9]
  • Pritsak, Omeljan. 1982. "The Hunnic Language of the Attila Clan." Havard Ukrainian Studies, vol. 6, pp. 428-476.
  • Róna-Tas, András. 1998. "The reconstruction of Proto-Turkic and the genetic question." In: Johanson & Csató, pp. 67-80.
  • Schönig, Claus. 1997-1998. "A new attempt to classify the Turkic languages I-III." Turkic Languages 1:1.117–133, 1:2.262–277, 2:1.130–151.
  • Samoilovich, A. N. 1922. Some additions to the classification of the Turkic languages. Petrogrado. [10]
  • Thompson, E.A. 1948. A History of Attila and the Huns. London: Oxford University Press. Reedited by Peter Heather. 1996. The Huns. Oxford: Blackwell.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]