Língua lakota
| Lakota Lakȟótiyapi | ||
|---|---|---|
| Pronúncia: | [la'kᵡotijapi] | |
| Outros nomes: | Lakhota Teton Teton Sioux | |
| Falado(a) em: | Estados Unidos Canadá | |
| Região: | Grandes Planícies | |
| Total de falantes: | c. 2100[1] | |
| Família: | Siouano-catawbano Siouano do vale do Mississippi Dakotano Sioux Lakota | |
| Escrita: | Ortografia lakota padrão | |
| Estatuto oficial | ||
| Língua oficial de: | Dakota do Sul | |
| Códigos de língua | ||
| ISO 639-1: | -- | |
| ISO 639-2: | sio | |
| ISO 639-3: | lkt
| |
A língua lakota, (em lakota: lakȟótiyapi, AFI: [laˈko.ti.ya.pi]) também conhecido como lakhota, teton ou teton sioux[1][2][3], é uma língua indígena americana dos Estados Unidos e Canadá falada pelo povo lakota ou teton. Pertence ao contínuo dialético dakotano da família siouana, que é composto pelas línguas dos grupos nakoda e sioux, sendo lakota parte do grupo sioux.[4][5][6]
É falada principalmente na Dakota do Sul, onde é reconhecida como língua indígena oficial. Conta com cerca de 2100 usuários, um número o qual está em decadência e representa apenas 1% do povo lakota. O Atlas Mundial das Línguas em Perigo da UNESCO classifica sioux como uma língua vulnerável; porém, o Ethnologue classifica a língua lakota como "em perigo". Ainda sim, a revitalização é ativa, com muitos jovens aprendendo a língua.
Como a maioria das línguas indígenas americanas, lakota não era tradicionalmente escrita. As análises linguísticas de lakota, além da tentativa de criação de uma ortografia, começaram com missionários cristãos no século XVIII.
A língua possui uma marcação de núcleo e morfologia parcialmente sintética, com afixos pronominais indicando os sujeito e objetos da oração. Ela possui um alinhamento ativo-estativo, que está presente tanto nos verbos, quanto nos pronomes.
Etimologia
[editar | editar código]O termo lakota é um endônimo usado pelos falantes da língua, cujo significado original é "amigo" ou "aliado", sendo derivado da palavra lakota kȟolá, de mesmo significado.[7][8][9] Há outras teorias para a origem do termo, como a proposta por linguista e especialista em línguas siuanas John E. Koontz. Ele diz que la- é um pré-verbo que significa "por calor", sendo então lakota "ser amigo por meio do calor". Essa expressão provavelmente é uma referencia à aliança histórica de tribos Očhéthi Šakówiŋ, ou "Sete Fogueiras do Conselho".[10][11][12] As palavras dakota e nakoda são variações de lakota e tem o mesmo significado, porém a pronúncia das consoantes muda entre as línguas.[4]
A primeira aparição do termo em escritas europeias foi no livro Scenes in the Rocky Mountains...[nota 1], escrito por jornalista estadunidense Rufus Sage em 1846.[13] Na obra, o escritor erroneamente[10] diz que o significado de lakota é "degoladores".[14] A palavra dakota, todavia, foi registrada antes, sendo sua primeira aparição nos Diários de Lewis e Clark em 1804.[11][15][16]
Historicamente, os lakota eram chamados pelo exônimo sioux, termo atualmente usado para o grupo linguístico à qual sua língua pertence. Sioux é uma truncação da palavra francesa nadouessioux, a qual é uma adaptação da palavra ojíbua naadwesi, que já era usada para se referir ao povo. Naadwesi é uma forma diminutiva-pejorativa de naadwe, significando "falante de uma língua estrangeira" ou "pequeno bárbaro".[10][11][17] Por causa de sua etimologia, a palavra sioux encontra-se em desuso.[18]
Outro termo usado para se referir à língua é o endônimo teton. Ele é derivado da palavra lakota thítȟuŋwaŋ, que significa "habitantes da pradaria" e originou-se da junção das palavras thíŋta (pradaria) e tȟuŋwaŋ (vila/habitantes).[5][10][19] Ambos os termos sioux e teton tiveram aparições em escritas europeias antes de lakota, sendo o anterior registrado primordialmente por Jean Nicolet em 1640 e, o segundo, por Louis Hennepin em 1697, em seu livro A New Discovery of a Vast Country in America.[20][21][22] A expressão "teton sioux" e também é usada para se referir a língua.[2]
Distribuição
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A língua lakota é falada majoritariamente nos Estados Unidos e Canadá pelo povo lakota no oeste do rio Missouri, principalmente nas Dakota do Sul e Dakota do Norte.[4][23] Nesses estados, a língua tem usuários nas reservas indígenas Cheyenne River, Lower Brule, Pine Ridge, Rosebud, Sisseton e Standing Rock. Além disso, há falantes nos estados de Montana (reserva Fort Peck) e Nebraska, bem como na província de Sascachevão (reserva Wood Mountain).[24][25] A língua também tem comunidades de usuários em centros urbanos, como Denver, Minneapolis, Chicago, Los Angeles e Seattle.[1][26]
Desde 2019, "a língua da (...) Grande Nação Sioux, composta de três dialetos, Lakota, Dakota, e Nakota" é a língua indígena oficial dda Dakota do Sul.[6] Lakota também é a reconhecida como a língua das tribos sioux Cheyenne River, Lower Brule, Rosebud, Standing Rock, Wood Mountain e Oglala, assim como das tribos sioux e assiniboine da reserva Fort Peck.[1]
Em 2016, a língua foi classificada como "em perigo" pelo Ethnologue, tendo cerca de 2.200 falantes nativos de lakota, dos quais, aproximadamente, 2.100 eram dos EUA e 100 eram do Canadá. O número absoluto de usuários da língua está diminuindo, tanto que havia por volta de 6.390 falantes nativos em 2009, e estima-se que esse número está mais próximo de 1000.[27] Além disso, apenas em torno de 1% dos 170.000 lakota falam a língua, visto que a maioria fala inglês, e acredita-se que não há mais falantes monolíngues.[24][26][28] A maior parte dos usuários da língua lakota são adultos mais velhos. Ademais, idade média do falante da língua sendo 50 anos em 1993, 65 anos em 2009 e 70 anos em 2021.[29][30] Ainda sim, a revitalização é ativa, e há um aumento de jovens que aprendem lakota como uma segunda língua.[1]
Línguas relacionadas
[editar | editar código]A língua lakota faz parte da família linguística siouana-catawbana, especificamente do ramo do vale do Mississippi.[5] Ela é um membro de um contínuo dialetal falado na parte norte das Grandes Planices dos Estados Unidos e Canadá. Esse contínuo é correspondente ao grupo dakotano, composto pelas línguas lakota, dakota — a qual tem dois dialetos, dakota ocidental (yanktonai-yankton) e dakota oriental (santee-sisseton) —, assiniboine e stoney, as quais são fortemente relacionadas.[25][31][32] Assim, há documentos que referem a lakota tanto como uma língua[5][31], quanto como um dialeto.[4][25] Lakota é mutuamente inteligível com dakota — tanto que esses constituem o subgrupo sioux —, mas não com assiniboine e stoney.[33][34]
| Siouano‑catawbano |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Tradicionalmente, as línguas do grupo dakotano eram classificadas pelo uso das consoantes /d/, /n/ e /l/, que variam consistentemente entre elas em certas palavras.[25] Haveria então, de acordo com essa classificação, três línguas que comporiam o grupo: lakota, dakota e nakoda.[35][9] Entretanto, esse sistema foi considerado inadequado, visto que havia bastantes exceções à regra e inconsistências na classificação do dialeto yanktonai-yankton.[36] Assim, em 1992, antropólogos Douglas R. Parks e Raymond J. DeMallie desenvolveram uma nova classificação, que manteve lakota, porém distinguiu dakota ocidental de oriental, bem como assiniboine de stoney, que antes formavam a língua nakoda.[9]
| Português | Lakota | Santee-Sisseton | Yanktonai-Yankton | Assiniboine | Stoney |
|---|---|---|---|---|---|
| amigo | kȟolá | khodá | khodá | khoná | — |
| isto (demonstrativo proximal) | le | de | de | ne | ne |
| gorduroso | sla | sda | sda | sna | sna |
| oito | šaglóǧaŋ | šahdóǧaŋ | šahdóǧaŋ | šaknóǧaŋ | šaħnóʕaŋ |
| muito | líla | nína | nína, dína | nína | nína |
| -inho/a (sufixo diminutivo) | -la | -da, -daŋ, -na | -na | -na | -n, -naŋ |
| pequeno | císcila | cístina | císcina | cúsina | cúsin |
História
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Todas as línguas da família siouano-catawbano originaram do proto-siouano-catawbano, a qual provavelmente era falada a 5000 anos atrás, no vale do rio Ohio. Aproximadamente mil anos depois, o ramo catawbano diferenciou-se, enquanto os outros divergiram por volta de 3000 anos atrás.[37][38] O grupo sioux, ao qual pertence a língua lakota, separou-se do nakoda em torno de 1235 EC.[39]
Antes do contato europeu, é acreditado que os lakota e dakota viviam numa região próxima ao lago Superior, correspondente ao atuais estados de Minnesota e Wisconsin. Eles teriam surgido à partir de alianças entre tribos nos séculos XIII e XIV EC. Nessa época, foram estabelecidas vilas nas margens de rios e lagos, as quais se sustentavam por meio da caça, pesca, coleta e agricultura.[40][41]

A língua não era originalmente escrita, com a maioria de sua história sendo transmitida oralmente por meio de cerimônias e contos. No entanto, os lakota produziam calendários pictográficos que registravam eventos de sua história, chamados waníyetu wówapi, ou contagens de inverno. Nesses registros, cada ano é representado por uma figura simbolizando um acontecimento natural ou evento seu, com um exemplar tendo registros datando de 900 EC.[18][42][43][44]
Conflitos com os ojíbua levaram os lakota e dakota a migrarem para o sul em meados do século XVII. Os lakota também começaram a deslocar-se para o oeste em direção às pradarias norte-americanas, cruzando o rio Vermelho do Norte entre 1700 e 1725, e posteriormente o rio Missouri. Essa migração foi provavelmente influenciada pela caça grossa que havia na área e pelos cavalos, que outros povos de lá já tinham obtido.[41] Assim, após adquirirem a nova montaria, os lakota adotaram um estilo de vida mais nomádico, baseado na caça de bisões. Eles também tomaram controle dos Black Hills, ou Colinas Negras.[40]
Fonologia
[editar | editar código]Consoantes
[editar | editar código]A língua lakota é composta por 33 fonemas consonantais, dos quais a maioria são obstruentes, com alguns soantes e um lateral. Outras classificações[2][45][46] usam diferentes seleções de fonemas. Estas são as consoantes de lakota, de acordo com a classificação de Ullrich de 2011:
| Bilabial | Dental | Alveolar | Pós-alveolar | Velar | Uvular | Glotal | ||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Nasal | m | n | ||||||
| Plosiva | surda | p | t | k | ||||
| aspirada | pʰ | tʰ | kʰ | |||||
| uvularizada | pᵡ | tᵡ | kᵡ | |||||
| ejetiva | pʼ | tʼ | kʼ | |||||
| sonora | b | ɡ | ʔ | |||||
| Africada | surda | tʃ | ||||||
| aspirada | tʃʰ[a] | |||||||
| ejetiva | tʃʼ | |||||||
| Fricativa | surda | s | ʃ | χ[b] | h | |||
| ejetiva | sʼ | ʃʼ | χʼ[b] | |||||
| sonora | z | ʒ | ʁ[b] | |||||
| Aproximante | w[c] | j | ||||||
| Aproximante lateral | l | |||||||
- ↑ A diferença entre /tʃ/ e /tʃʰ/ é sutil, com alguns falantes de lakota dizendo não conseguir distingui-los.[46]
- 1 2 3 Os fricativos uvulares /χ χʼ ʁ/ também podem ser pronúnciados como os velares [x xʼ ɣ], respectivamente, sem alteração de significado.
- ↑ [w] é uma consoante labiovelar, tendo dois pontos de articulação: os lábios (bilabial) e o palato macio (velar). Na fonologia lakota de Ullrich, ele é agrupado com os bilabiais.[47]
Vogais
[editar | editar código]A língua tem um total de 8 fonemas vocálicos, sendo 5 vogais orais e 3 vogais nasais, as quais são as mesmas que eram usadas em proto-siouano. Há discordância acerca desses fonemas, principalmente sobre a pronúncia de /e/ e /o/, que alguns autores[48][46] dizem ser [ɛ] e [ɔ], respectivamente. A pronúncia de /ĩ/ e /ũ/ também é discutida, com certos autores[45] dizendo ser [ɪ̃] e [ʊ̃], na mesma ordem. As vogais são parcialmente desvozeadas em sílabas tônicas e no final das frases.[48]
| Anterior | Quase anterior | Central | Quase posterior | Posterior | ||
|---|---|---|---|---|---|---|
| Fechada | i | u | ||||
| Quase fechada | ɪ̃ | ʊ̃ | ||||
| Média | oral | e | o | |||
| nasal | ə̃ | |||||
| Aberta | a | |||||
Nasalização
[editar | editar código]Em lakota, as vogais /i/, /a/ e /u/ são sempre nasalizadas quando ocorrem após as consoantes nasais /m/ ou /n/. Alguns falantes distinguem as vogais nasais das orais nasalizadas, reservando uma nasalização mais forte para as primeiras, e uma mais fraca para as últimas.[48] De fato, essa distinção existe entre certas palavras, por exemplo, em:
- mãká [mə̃ka] (sento), cuja vogal é nasal, e maká [mə̃ka] (gambá), cuja vogal é oral, mas foi nasalizada pelo /m/.[49]
Em algumas palavras, há vogais que certos usuários da língua pronunciam como nasais, e outros, como orais. Nesses casos, ambas as pronúncias estão corretas, como em:
- naži [naʒi] ou nažĩ [naʒɪ̃] (ficar de pé).[50]
Transformações fonológicas
[editar | editar código]As plosivas /k/, /kʰ/ e /kʼ/, quando precedidas da vogal /i/, sofrem anteriorização velar, passando a serem pronunciadas como /tʃ/, /tʃʰ/ e /tʃʼ/, na devida ordem. Esse processo ocorre em:
- nicʼupi [nitʃʼupi] (eles te dão), no qual o radical kʼu (dar) sofre anteriorização devido ao prefixo ni- (você).[51]
Quando os fonemas /p/ e /k/ aparecem seguidos de /l/, /m/, /n/, /w/ ou /y/, eles são pronunciados como /b/ e /g/, na mesma ordem, como acontece em:
- bló [blo] (batata);
- gló [glo] (grunhir).[52]
Se uma plosiva aspirada /pʰ/, /tʰ/ e /kʰ/ precede uma das vogais /a/, /ã/, /ũ/, /o/ e, as vezes, /e/, a consoante torna-se uvularizada, como em:
Fonotática
[editar | editar código]A estrutura silábica da língua segue o padrão (C)(C)V(C), sendo que a maioria das sílabas é composta por uma ou duas consoantes e uma vogal. Ainda sim, há algumas palavras que começam com uma vogal, bem como outras que terminam com uma consoante, por meio da truncação do radical. As consoantes que resultam da truncação, logo podem aparecer no fim de uma palavra, são /s/, /ʃ/, /χ/, /l/, /b/ e /g/.
Geralmente, a fonotática lakota não permite encontros vocálicos. Entretanto, há uma única exceção, a palavra hau, que funciona como uma saudação para homens adultos e tem o ditongo /au/. Os encontros consonantais só ocorrem no início da sílaba, e os permitidos em lakota são os seguintes:
Prosódia
[editar | editar código]O estresse em lakota é muito regular, normalmente ocorrendo na segunda sílaba, podendo também ocorrer na primeira em certos casos. Além de palavras monossilábicas, bem como as principais situações na qual pode haver estresse na primeira sílaba são:
- radicais dissílabos que começam com africadas ou plosivas desvozeadas, fricativos vozeados ou encontros consonantais e terminam com /a/;
- quando há uma fusão de dois prefixos ou um prefixo e um radical;
- alguns elementos morfológicos, por exemplo, os elementos demonstrativos le- (esse), he- (este) e ka- (aquele) e o prefixo indefinido to-/t-;[53]
- palavras monossilábicas atreladas a alguns sufixos, como -kta/e (futuro) e -šni (negativo);
- certas exceções, como ógle ['o.gle] (camisa).[51]
Gramática
[editar | editar código]Artigos
[editar | editar código]Os substantivos em lakota podem ou não ser marcados por determinantes, e geralmente não são quando tem sentido genérico. Há dois artigos definidos na língua: kiŋ e kʼuŋ, o último tendo um sentido mais enfático. Os artigos indefinidos são mais variados, sendo esses:
| Real | Hipotético | Negativo | |||
|---|---|---|---|---|---|
| Singular | waŋ | waŋží | waŋžíni | ||
| Plural | animado | humano | eyá | etáŋ | tuwéni |
| não humano | eyá | etáŋ | tákuni | ||
| inanimado | eyá | etáŋ | tákuni | ||
| incontável | eyá | etáŋ | etáŋni | ||
Pronomes
[editar | editar código]Pronomes pessoais
[editar | editar código]Em lakota, geralmente os sujeito e objetos do verbo são marcado com afixos, e pronomes independentes são raramente usados. A língua usa um alinhamento ativo-estativo, tendo uma séria ativa e uma série estativa de pronomes. A série ativa funciona como agente de verbos ativos, enquanto a estativa serve como paciente dos verbos ativos e estativos. Os afixos pronominais da série ativa também sofrem alterações a depender da classe do verbo.[57]
| Série ativa | Série estativa | |||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| classe I | classe II | classe III | ||||
| 1ª pessoa | singular | -wa- | -bl- | -m- | -ma- | |
| dual/inclusivo[a] | -uŋ(k)- | -uŋ(k)- | -uŋ(k)- | -uŋ(k)- | ||
| plural/exclusivo[a] | -uŋ(k)-...-pi | -uŋ(k)-...-pi | -uŋ(k)-...-pi | -uŋ(k)-...-pi | ||
| 2ª pessoa | singular | -ya- | -l- | -n- | -ni- | |
| plural | -ya-...-pi | -l-...-pi | -n-...-pi | -ni-...-pi | ||
| 3ª pessoa | singular | -Ø- | -Ø- | -Ø- | -Ø- | |
| plural animado [b] | coletivo [c] | -a/wicha- | -a/wicha- | -a/wicha- | -wicha- | |
| distributivo | -Ø-...-pi | -Ø-...-pi | -Ø-...-pi | -Ø-...-pi | ||
- 1 2 Os afixos duais e plurais de primeira pessoa são -uŋ- caso seguidos por consoante e -uŋk- caso seguidos por vogal.
- ↑ O plural inanimado é marcado pela reduplicação da última sílaba dos verbos estativos e geralmente não é marcado nos verbos ativos.
- ↑ O afixo -a- é usado com verbos relacionados a movimento, enquanto o -wicha- é usado com verbos intransitivos.
Ainda sim, pronomes independentes são utilizados em certos casos, e são divididos em quatro grupos: iyé, iyéš[nota 2] íŋš e íŋš iyé. O grupo iyé é usado para ênfase, enquanto os iyéš e íŋš contrastam um elemento em relação a outro já citado no texto, devido ao sufixo adversativo -š.[59] Já os pronomes íŋš iyé acentuam a ênfase no elemento que realiza a ação, podendo também denotar que apenas aquele pode realizá-la. [60]
| iyé | iyéš | íŋš | íŋš iyé | ||
|---|---|---|---|---|---|
| 1ª pessoa | singular | miyé | miyéš | miš | míš miyé |
| dual | uŋkíye | uŋkíyeš | uŋkíš | uŋkíš uŋkiyé | |
| plural | uŋkíyepi | uŋkíyepiš | uŋkíš | uŋkíš uŋkiyé | |
| 2ª pessoa | singular | niyé | niyéš | níš | níš niyé |
| plural | niyépi | niyépiš | níš | níš niyé | |
| 3ª pessoa | singular | iyé/é | iyéš/éš | íŋš/íš/éš | íŋš iyé |
| plural | iyépi/epí | iyépiš/epíš | íŋš/íš/éš | íŋš iyé | |
Verbos
[editar | editar código]A língua tem marcação de núcleo, ou seja, as relações entre os elementos sintáticos e verbo são explicitados com afixos em no núcleo da oração, que geralmente é o próprio verbo.[58] Mesmo assim, os sujeito e objetos de um verbo podem ser expressos por palavras separadas, o que geralmente ocorre com substantivos e sintagmas nominais.[59]
Tempo, aspecto e modo
[editar | editar código]A língua lakota usa elementos léxicos, e não morfológicos, para distinguir os tempos e aspectos dos verbo. Ainda sim, os advérbios de tempo, como podem ser usados para indicar quando uma ação ocorreu, além do modo irrealis para representar o tempo futuro. Os aspectos perfectivo e imperfectivo são evidenciados por meio de advérbios, como tȟaŋníš (já) para o primeiro. Outros advérbios, bem como verbos modais e enclíticos, também podem ser usados para denotar outros aspectos, por exemplo:
Há dois principais modos em lakota: realis, que descreve fatos passados ou presentes, e irrealis, indicado pelo enclítico kta, e que é usado para indicar construções hipotéticas — como tempo futuro, condicional, desiderativo, potencial, jussivo, optativo, entre outros.[65]
Sentença
[editar | editar código]Mesmo podendo variar por razões pragmáticas, a ordem da frase na língua lakota é, na maioria das vezes, SOV, sendo que os sujeito e objeto são, frequentemente, representados pelos afixos pronominais, e não como palavras distintas.[58] Há discordância entre a ordem dos objetos direto e indireto nas orações, com certos falantes dizendo que não há uma ordem obrigatória, e outros dizendo que há, começando ela pelo objeto direto ou indireto. [59]
Quanto ao alinhamento morfossintático, lakota usa o ativo-estativo, de tal forma que os sujeitos de verbos intransitivos são tratados como agentes ou pacientes a depender da semântica do verbo.[58][66]
Notas
Referências
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