Línguas andamanesas

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Línguas andamanesas
(geográfica)
Etnia Andamaneses
Distribuição
geográfica
Ilhas Andamão, Índia
Classificação linguística Duas famílias linguísticas independentes
Subdivisões
Glottolog Nenhum
Schematic Map of Andamanese Languages & Tribes.png
Mapa etnolinguístico das Ilhas Andamão pré-coloniais

As línguas andamanesas, ou grande-andamanesas, são uma família linguística de línguas faladas pelo povo das Ilhas Andamão, da Índia, no Oceano Índico. O último falante fluente dos idiomas, uma espécie de crioulo baseada em Aka-jeru, faleceu em 2009.[1] No entanto, ainda existem falantes vivos de uma forma koiné das línguas, conhecida como Aka-Jero.

História[editar | editar código-fonte]

No final do século XVIII, quando os Britânicos se estabeleceram nas ilhas Andamão, havia cerca de 5000 pessoas grande-andamanesas vivendo em Grande Andamão e nas ilhas vizinhas; essas pessoas eram parte de dez tribos distintas, com línguas diferentes mas intimamente relacionadas. Da década de 1860 em diante, a criação de uma colônia penal Britânica permanente e a chegada de colonos imigrantes e trabalhadores, vindo principalmente do subcontinente Indiano, reduziu imensamente os números das tribos, chegando a apenas dezenove indivíduos em 1961.[2]

Desde então, o número aumentou um pouco, chegando a 52 em 2010. Entretanto, até o fim de 1994, sete das dez tribos já haviam sido extintas,[3] e divisões entre as tribos sobreviventes (Jeru, Bo e Cari) efetivamente deixam de existir, devido a casamentos mistos e reassentamento em um território muito menor na Ilha do Estreito.[4] Alguns membros das tribos também se casaram com colonos Karens e Indianos. O Hindi é crescentemente usado como língua principal na região, e para por volta de metade da população, é o único idioma utilizado.[5][6] O último falante conhecido do idioma Bo morreu em 2010, aos 85 anos.[7]

Cerca de metade da população agora falam o que pode ser considerado um novo idioma, uma espécie de linguagem koiné ou mista da família das línguas Andamanesas, com base principalmente em Aka-Jeru.[8] Esta versão modificada tem sido chamado de "Grande Andamanês presente" por alguns estudiosos,[9][10] mas também pode ser referido simplesmente como "Jero" ou "Grande Andamanês".

Gramática[editar | editar código-fonte]

As línguas da família andamanesa são aglutinantes, com um sistema extenso de prefixos e sufixos.[11] Eles têm uma sistema de classe de substantivos distintivo, baseado largamente em partes do corpo, no qual cada substantivo e adjetivo pode receber um prefixo de acordo com qual parte do corpo ele está associado (com base em forma, ou associação funcional). Assim, por exemplo, o *aka- no início dos nomes de idiomas é um prefixo para objetos relacionados com a língua

Como as partes do corpo são possessões inalienáveis do indivíduo, exigem um prefixo de adjetivo possessivo para completá-las; assim, não se pode dizer "cabeça", mas apenas "minha, ou sua, ou dele, etc. cabeça".[10]

Conclui-se a partir das observações e fontes disponíveis que as línguas andamanesas contam com apenas dois números cardinais — um e dois — e todo o léxico numérico é um, dois, mais um, mais alguns, e todos.[11]

Classificação[editar | editar código-fonte]

As línguas faladas nas ilhas Andamão se enquadram em duas famílias: a grande andamanesa, e Ongan, além de um idioma cuja família não se sabe, a língua sentinelesa. As semelhanças entre as línguas andamanesas e ongan são de uma natureza tipológica morfológica, com pouco vocabulário comum. Dessa forma, pesquisadores como Joseph Greenberg expressam suas dúvidas sobre a validade da família andamanesa como classificação,[12] e Abbi (2008) considera a língua sobrevivente andamanesa como uma língua isolada. Os idiomas de Grande Andamão são:[13]

  • Grande Andamãoe
    • Sul
      • Aka-Bea ou Bea (†)
      • Akar-Bale ou Bale (†)
    • Central
      • Aka-Kede ou Kede (†)
      • Aka-Kol ou Kol (†)
      • Oko-Juwoi ou Juwoi (†)
      • A-Pucikwar ou Pucikwar (†)
    • Norte
      • Aka-Cari ou Chari (†)
      • Aka-Kora ou Kora (†)
      • Aka-Jeru ou Jeru (†)
      • Aka-Bo ou Bo (†)

Referências

  1. Mixed Great Andamanese at Ethnologue (18th ed., 2015)
  2. Jayanta Sarkar (1990). The Jarawa. [S.l.]: Anthropological Survey of India. ISBN 81-7046-080-8. ... The Great Andamanese population was large till 1858 when it started declining ... In 1901, their number was reduced to only 600 and in 1961 to a mere 19 ... 
  3. A. N. Sharma (2003), «Tribal Development in the Andaman Islands». books.google.com , page 75. Sarup & Sons, New Delhi.
  4. Radcliffe-Brown 1922
  5. «Anosh Malekar, "The case for a linguisitic survey," Infochange Media, August 1, 2011.». infochangeindia.org 
  6. Abbi, Anvita, Bidisha Som and Alok Das. 2007. "Where Have All The Speakers Gone? A Sociolinguistic Study of the Great Andamanese." Indian Linguistics, 68.3-4: 325-343.
  7. (2011) «Lives Remembered.». www.telegraph.co.uk 
  8. Abbi 2009
  9. Abbi 2006
  10. a b Burenhult 1996
  11. a b Temple 1902
  12. Greenberg, Joseph (1971). "The Indo-Pacific hypothesis." Current trends in linguistics vol. 8, ed. by Thomas A. Sebeok, 807.71. The Hague: Mouton.
  13. Manoharan, S. (1983). "Subgrouping Andamanese group of languages." International Journal of Dravidian Linguistics XII(1): 82-95.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]