Lúcia Machado de Almeida
| Lúcia Machado de Almeida | |
|---|---|
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| Nascimento | |
| Morte | 30 de abril de 2005 (94 anos) |
| Nacionalidade | brasileira |
| Cônjuge | Antônio Joaquim de Andrade e Almeida |
| Ocupação | escritora |
| Prémios | Prêmio Jabuti 1968 |
| Gênero literário | ficção |
| Magnum opus | Xisto no espaço (1967) |
Lúcia Machado de Almeida (OAL) (Santa Luzia (hoje São José da Lapa), 09 de maio de 1910 — Indaiatuba, 30 de abril de 2005) foi uma escritora brasileira.[1][2]
Filha de Virgílio Machado e Marieta Monteiro Machado. Aos sete anos, mudou-se com a família para Belo Horizonte e, nessa cidade, foi aluna interna do Colégio Santa Maria, um internato liderado por freiras francesas que se dedicavam à educação intelectual e religiosa de moças da elite mineira. [1][2]
Foi conhecida principalmente por seus livros de literatura juvenil publicados pela Editora Ática entre as décadas de 1970 e 1980. Os seus textos lançados na Série Vaga-Lume são em número de seis: O caso da borboleta Atíria; O escaravelho do Diabo, As aventuras de Xisto, Xisto no espaço, Xisto e o pássaro cósmico e Spharion. De todos eles, o mais famoso é O escaravelho do diabo (adaptado para o cinema em 2016), seguido de O caso da Borboleta Atíria. [3][4]
Biografia
[editar | editar código]Lúcia Machado de Almeida nasceu em 1910, na fazenda Nova Granja, então localizada em Santa Luzia — atual município de São José da Lapa —, em Minas Gerais. Foi a única filha entre os onze filhos de Virgílio Machado e Marieta Monteiro Machado. [2] Era irmã de Cristiano Machado, candidato à Presidência da República nas eleições de 1950 e que dá nome a uma das principais avenidas de Belo Horizonte; de Aníbal Machado (1894–1964), escritor e dramaturgo; e do médico Lucas Machado. Lúcia também era tia da dramaturga Maria Clara Machado (1921–2001) e do professor, entomólogo e escritor Ângelo Machado (1934–2020). Entre seus irmãos, três se destacaram como escritores: Aníbal Machado, Paulo Machado e Carolina Machado de Lima. [5][2]
Lúcia estudou no tradicional Colégio Santa Maria, um internato em Belo Horizonte, onde teve contato com a cultura francesa, que posteriormente foi fundamental para concretizar a vinda da Aliança Francesa para a capital mineira. Por conta dessa influência Lúcia receberia a comenda de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras. Um de seus principais mentores na escrita foi seu irmão, Aníbal.[6][5]
Carreira
[editar | editar código]O começo da carreira de Lúcia na imprensa começou ao escrever a página feminina no jornal Folha da Noite, do qual o sergipano Alberto Deodato era o diretor. Na época, entrevistada sobre questões femininas, ela defendeu os valores e os papéis tradicionais então atribuídos à mulher. Posteriormente, em meio aos recortes de jornais e revistas, Lúcia escreveu Meu Deus, como eu era atrasada no recorte desta entrevista.[6][7]
Casada com Antônio Joaquim de Andrade e Almeida, o apartamento do casal, no Edifício Niemeyer, na praça da Liberdade, era conhecido informalmente como "Embaixada de Minas", devido aos convidados ilustres que por lá transitavam nas reuniões e festas para a elite intelectual mineira, como o pintor Alberto da Veiga Guignard. O casal também viajou com o casal Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir para Ouro Preto na passagem de Simone no Brasil. Reuniões literárias com jovens escritores também aconteciam no apartamento de Lúcia.[7]
Lúcia foi jornalista por 60 anos, escrevendo em jornais e revistas, como ‘O Cruzeiro’, além de ser ativa em várias instituições culturais. Correspondia-se com frequência com vários escritores como Cecília Meireles, Érico Veríssimo e Carlos Drummond de Andrade.[5][7]
Seu primeiro livro foi No Fundo do Mar, de 1943. Em 1951, ela publicou O Caso da Borboleta Atíria, então pela Melhoramentos, depois arrendado pela Coleção Vaga-Lume. Dois anos depois, publicaria um de seus livros mais famosos, O Escaravelho do Diabo. Pela Coleção Vaga-Lume Lúcia publicaria os livros: Spharion (1979), Aventuras de Xisto (1982), Xisto no Espaço (1982) e Xisto e o Pássaro Cósmico (1983), a maioria voltada para o público infanto-juvenil.[5][7]
Dos livros direcionados ao público adulto, destacam-se a trilogia sobre cidades mineiras, Ouro Preto, Sabará e Diamantina.[7]
Morte
[editar | editar código]Lúcia morreu em 30 de abril de 2005, aos 95 anos, em Indaiatuba, no estado de São Paulo, devido a uma pneumonia[6], enquanto passava alguns dias com uma de suas filhas. Deixou duas filhas, netos e bisnetos.[7] Ela foi sepultada no Cemitério Gethsêmani, em São Paulo.[8]
Na mídia
[editar | editar código]Em 2016, seu livro O Escaravelho do Diabo foi adaptado para o cinema sob a direção de Carlos Milani e com o ator Jonas Bloch no elenco.[7]
Publicações
[editar | editar código]Infantis[1]
[editar | editar código]No fundo do Mar (1943)
O Mistério de Pólo (1943)
Na Região dos Peixes Fosforescentes (1945)
Viagens Maravilhosas de Marco Polo (1948)
Lendas da Terra do Ouro (1948)
Atíria, a borboleta (1951)
O escaravelho do Diabo (1955)
Aventura de Xisto (1957)
Xisto no espaço (1967)
Estórias do fundo do mar (1971)
Xisto e o saca – rolha (1974)
Xisto e o pássaro cósmico (1983)
A vida é fantástica (1977)
Spharion: Aventuras de Dico Saburó (1979)
Meninos no corredor cultural (1981)
Menina, Menina (1985)
O falcão de penas salpicadas (1986)
O mistério de Douradinha (1989)
Atíria na Amazônia (1992)
O asteróide (1995)
Prêmios
[editar | editar código]- Medalha de ouro na Bienal do Livro de São Paulo;
- Prêmio Othon Bezerra de Mello, da Academia Mineira de Letras;
- Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro;
- Prêmio da Fundação Cultural de Brasília;
- Condecoração Stella dela Solidarietá (medalha de mérito cultural do Governo Italiano);
- Diplôme d'Honneur, da Aliança Francesa;
- Medalha de Chevalier des Arts des Lettres, do Governo Francês;
- Medalha Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores.
(Apud: Spharion, Aventuras de Dico Saburó, São Paulo, Ed. Ática, 4ª ed.)
Referências
- ↑ a b c Fonteles, Mariana Delpech [UNIFESP (5 de dezembro de 2024). «Instruir e divertir: a estética literária das primeiras obras destinadas ao público infantil e juvenil de Lúcia Machado de Almeida (1910-2005)». Consultado em 8 de novembro de 2025
- ↑ a b c d GONÇALVES, Regis (2020). Lúcia Machado de Almeida: uma vida quase perfeita. Belo Horizonte: Conceito Editorial
- ↑ Tieppo, Luisa de Mello (20 de março de 2024). «Da revista O Cruzeiro à coleção Vaga-Lume: literatura e mediação editorial em O Escaravelho do Diabo, de Lúcia Machado de Almeida». Consultado em 8 de novembro de 2025
- ↑ Mendonça, Catia Toledo (2006). «A sombra da vaga-lume : análise e recepção da série vaga-lume». Consultado em 8 de novembro de 2025
- ↑ a b c d Patrícia Cassese, ed. (30 de março de 2021). «Biografia repassa a vida da escritora e mecenas Lúcia Machado de Almeida». O Tempo. Consultado em 27 de dezembro de 2021
- ↑ a b c Sérgio de Sá (ed.). «Livro resgata história da escritora Lúcia Machado de Almeida». Estados de Minas. Consultado em 27 de dezembro de 2021
- ↑ a b c d e f g Gonçalves, Régis (1994). Lúcia Machado de Almeida, uma vida quase perfeita. Belo Horizonte: Conceito Editorial. 242 páginas. ISBN 9786588300008
- ↑ «Morre a escritora Lucia machado de Almeida». O Estado de S. Paulo. Consultado em 20 de agosto de 2018
