Lúcia de Siracusa

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Santa Lúcia de Siracusa
Santa Luzia de Siracusa
Imagem devocional popular de Santa Lúcia
Virgem e Mártir
Nascimento 15 de março de 283 em Siracusa, Sicília
Morte 13 de dezembro de 304 (21 anos) em Siracusa, Sicília
Veneração por Igreja Católica
Igreja Ortodoxa
e Igreja Anglicana
Festa litúrgica 13 de dezembro
Atribuições Olhos sobre um prato[1]
Padroeira dos oftamologistas e daqueles que têm problemas de visão, Arquidiocese de Siracusa, Arquidiocese de Messina-Lipari-Santa Lucia del Mela, Diocese de Mossoró, Santa Lúcia, Santa Luzia (MG), Santa Luzia (PB), Santa Luzia (BA), Santa Luzia (MA), Santa Lúcia (PR), Santa Luzia do Norte, Luzilândia (PI), Luziânia (GO), Santarém (PA), Siracusa, Belpasso, Santa Lucía Cotzumalguapa, Mucuchies, Santa Lucía (Venezuela)
Gloriole.svg Portal dos Santos

Lúcia de Siracusa (Siracusa, 15 de março de 283 — Siracusa, 13 de dezembro de 304) foi uma mártir cristã do início do século IV, morta no contexto das perseguições de Diocleciano aos cristãos. É venerada como santa pela Igreja católica e pela Igreja Ortodoxa, que honram sua memória no dia 13 de dezembro. É uma das sete virgens mencionadas no Cânon romano e por tradição é invocada come protetora da vista (olhos) em razão da etimologia latina do seu prenome (Lux, luz). Os seus restos mortais são mantidos no Santuário de Santa Lúcia em Veneza. Seu principal local de culto é a igreja de Santa Lúcia ao Sepulcro em Siracusa, no sul da Sicília[2]. Em português também é conhecida pela forma popular de seu prenome, santa Luzia.

Na antiguidade cristã, juntamente com Santa Cecília, Santa Águeda e Santa Inês, a veneração a Santa Lúcia foi das mais populares e, como as primeiras, tinha ofício próprio. Chegou a ter vinte templos em Roma nomeados em sua memória.

O episódio da cegueira, ao qual a iconografia a representa, deverá estar ligado ao seu nome Lúcia (Luzia) derivado de lux (= luz), elemento indissolúvel ao sentido da vista, mas também à faculdade espiritual de captar a realidade sobrenatural. Por este motivo Dante Alighieri, na Divina Comédia, atribui-lhe a função de graça iluminadora.[2]

É assim a padroeira dos oftalmologistas e daqueles que têm problemas de visão.

A sua festa é celebrada simbolicamente em 13 de dezembro, possivelmente doze dias antes do Natal para indicar ao cristão a necessidade de preparação espiritual e sua iluminação correspondente para essa importante data que se avizinha.

História[editar | editar código-fonte]

Lúcia nasceu na cidade italiana de Siracusa e era de uma família rica e cristã. Era considerada como uma das jovens mais belas de sua cidade. O seu pai morrera quando ela tinha 5 anos e sua mãe, Eutíquia, sofria de graves hemorragias internas. Lúcia tinha uma grande convicção cristã, que a fez consagrar-se, secretamente, ao Senhor Jesus, e oferecer perpetuamente a sua virgindade.

Um dia ela e sua mãe foram peregrinar à cidade de Catânia onde se encontrava o corpo da grande Santa Águeda, que morrera por não se converter aos deuses Romanos.

Procissão de Santa Lúcia em Siracusa.

O Evangelho pregado na Santa Missa desse dia foi o da mulher que sofria com hemorragias internas, iguais às da mãe de Lúcia, que então pensou: "Se aquela mulher ao tocar nas vestes do Senhor ficou curada, será que Santa Águeda não pedirá ao Senhor que cure minha mãe da mesma forma que curou aquela mulher?"

Luzia pedia então a sua mãe para que esperassem todos e saíssem da Igreja, para que elas pudesse ir rezar junto ao corpo de Santa Águeda. Durante esse tempo de oração Luzia dormiu, e em êxtase sonhou que anjos rodeavam Santa Águeda, e que a mesma lhe disse: "Lúcia minha irmã, por que pedes a mim uma coisa que tu mesma podes conceder?"

Lúcia rapidamente saiu do êxtase e despertou do sonho. Foi procurar a sua mãe, à qual disse que tinha sido curada. Lúcia aproveitou esse momento para revelar à mãe que tinha feito um voto de castidade a Jesus, e que iria distribuir todos os seus bens aos pobres.

A sua mãe disse: "Lúcia minha filha, tudo o que é meu e de seu falecido pai é teu, por isso faça o que queres." Ao chegar em casa começaram a distribuir todos os seus bens aos pobres.

Tomando conta do que estava a suceder, um jovem muito rico e pagão, politeísta de nascença, que já era apaixonado por Lúcia, foi perguntar à mãe de Luzia o motivo de tanto esbanjamento de dinheiro, ao que Eutíquia respondeu: "Lúcia é muito providente e é porque achou bens do Paraíso Celeste muito mais valiosos do que esses que estamos fazendo isso".

O jovem não entendeu o significado de "bens" do Paraíso Celeste, por isso entendeu como quis e voltou para casa. Os dias foram-se passando e Lúcia e sua mãe iam dando mais e mais dinheiro aos necessitados assim dilapidando a grande fortuna da família, e por isso o jovem logo teve a certeza que Lúcia era cristã, tendo-a denunciado ao governador (prefeito romano) de Siracusa, Pascasio, o qual ficou furioso com a grande fé cristã de Lúcia, tendo-a mandado ao Imperador Diocleciano, que tentou persuadi-la a se converter aos ídolos. Lúcia mostrou-se cheia do Espírito Santo em frente ao imperador Diocleciano. Vendo que nada a convertia decidiu-se pelo seu martírio.

O martírio[editar | editar código-fonte]

Diocleciano, vendo que nada a convertia, mandou-a para uma casa de prostituição, mas foi em vão: ninguém conseguia tirar Lúcia dali. Nem mesmo uma junta de bois conseguiu. Os soldados saíram envergonhados; seus pés estavam como que fincados no chão, como raízes de plantas. Naquele tempo, as virgens tinham mais medo de perder a virgindade do que enfrentarem uma cova cheia de leões.

Como nada dera certo, tentaram atear-lhe fogo, o que fez com que Lúcia rezasse a seguinte oração: "Senhor Deus, Jesus Cristo meu Rei, não deixeis que estas chamas me façam mal algum." As chamas nada fizeram contra ela, nem mesmo vermelhidão no seu corpo deixaram, por isso retiraram-na do fogo.

Foi-lhe então aplicado o castigo mais cruel depois da degolação. Como Lúcia não se convertia aos deuses romano, um soldado, a mando do imperador, arrancou-lhe os olhos e entregou-lhos num prato, mas, milagrosamente, nasceram-lhe no rosto dois lindos olhos, sãos, perfeitos e mais lindos do que os primeiros.

Vendo que nada a convencia a converter-se ao paganismo, deceparam-lhe a cabeça no momento em que Luzia dizia: "Adoro a um só Deus verdadeiro, a quem prometi amor e fidelidade." No mesmo instante a sua cabeça rolou pelo o chão. Era 13 de dezembro do ano de 304 D.C.

Os cristãos recolheram o seu corpo e sepultaram-no nas catacumbas de Roma. A sua fama de santa se espalhou por toda a Itália e Europa e depois para todo o mundo, sendo hoje venerada e honrada como a "Santa da Visão".

Devoção popular[editar | editar código-fonte]

Sendo santa bastante venerada no interior da Região Nordeste do Brasil, várias pessoas não trabalham nesse dia, sobretudo as que trabalham com atividades que precisam de uma visão apurada, como costureiras. A crença dessas pessoas é que, desse modo, estarão, prestando respeito à santa, conservando a qualidade de sua visão. Também em alguns lugares existe uma tradição de colocar um prato com capim na noite da véspera do dia em homenagem a santa e ganhar doces no dia seguinte. Tradição que aos poucos vai desaparecendo com as novas gerações.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Santa Lúcia». aguas.ics.ul.pt. Consultado em 12 de dezembro de 2015 
  2. a b Santa Luzia, virgem, mártir, +303, evangelhoquotidiano.org
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