Lúcio Júnio Bruto

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Lúcio Júnio Bruto
Busto nos Museus Capitolinos tradicionalmente identificado como Brutus
Cônsul do Império Romano
Período 509 a.C.

Lúcio Júnio Bruto (em latim Lucius Iunius Brutus) foi um personagem legendário, considerado o fundador da República Romana pelo povo romano. Seu pai era Marco Júnio (Marcus Iunius), descendente de um dos colonos que vieram com Eneias, e sua mãe era Tarquínia, filha de Tarquínio Prisco[1] .

Segundo a tradição romana (talvez lendária), Lúcio Bruto foi o principal articulador da queda de Tarquínio, o Soberbo e do regime monárquico. A história da morte de Lucrécia parece ter sido incorporada, posteriormente, à sua biografia, provavelmente por volta do século II a.C.

Na condição de cônsul da recém fundada República Romana, diz-se que fez executar os próprios filhos por traição e concluiu o primeiro acordo comercial com os cartagineses, mas isso também pode não ser verídico.

Não menos duvidosa era a alegação de Marco Bruto, um dos assassinos de Júlio César, de ser seu descendente.

Contexto histórico[editar | editar código-fonte]

O sétimo e último rei romano, Lúcio Tarquínio, governava Roma durante os tempos de Bruto. Este rei era descendente de Lúcio Tarquínio Prisco, um usurpador etrusco. Durante o tempo dos Tarquínios, o reino estendera-se até atingir cerca de 800 km², e a cidade tinha uns 35 mil habitantes. As cidades latinas reconheciam a força do rei romano e eram-lhe servis.

Contudo, o ambiente em Roma não era amigável para estes reis etruscos. Em anos anteriores os reis convidaram as famílias nobres da cidade para que o aconselhassem, numa reunião chamada senado. Quando faleceu Sérvio Túlio, o novo rei Tarquínio recusou convocar estes nobres, e estes ofenderam-se. Nesta época foi-lhe dado o apelido de Soberbo (Superbus).

Infância e juventude de Bruto[editar | editar código-fonte]

Depois de matar Sérvio Túlio, o rei Tarquínio teria assassinado vários outros nobres, inclusive o pai de Bruto, para roubar suas fortunas[2] . Além de matar o pai, ele também matou seu irmão mais velho; Bruto escapou de ser morto porque fingiu ser idiota - e continuou fingindo ser tolo por sua vida, daí que deriva seu apelido de bruto[2] .

Ainda segundo Dionísio, Tarquínio, desprezando a idiotice de Bruto, criou o órfão junto com seus filhos, apenas como diversão para eles, porque Bruto falava muitas coisas idiotas[3] . Quando uma praga se abateu sobre Roma, Tarquínio mandou seus filhos Arruns e Tito para o oráculo de Delfo, e mandou Bruto com eles, para que ele os divertisse durante a viagem[4] . De fato, eles tiveram motivo para rir, porque, na hora das ofertas, Bruto entregou a Apolo um cajado de madeira; só que, dentro do cajado, havia uma vara de ouro[5] . Os irmãos perguntaram ao Oráculo quem seria o próximo governante de Roma, e o oráculo respondeu que seria quem primeiro beijasse a sua mãe[5] ; eles então combinaram que beijariam a mãe ao mesmo tempo, um de cada lado[6] . Bruto, porém, interpretou o oráculo de forma diferente, e, ao chegar na Itália, beijou o solo italiano[6] .

Queda de Tarquínio[editar | editar código-fonte]

A queda do rei foi desencadeada pela conduta do seu filho Sexto Tarquínio. Segundo a tradição romana, Sexto violou uma mulher nobre casada chamada Lucrécia, a qual se suicidou depois. Isto ocasionou que Bruto, que era primo do rei, levantasse a população e expulsasse os Tarquínios, para depois estabelecer a república. Acredita-se que isto ocorreu em 509 a.C. ou 505 a.C.

Instituição da república[editar | editar código-fonte]

Lúcio Júnio Bruto

Imediatamente foi criado um senado permanente, e designados dois magistrados que executariam as decisões dos primeiros, estes foram designados pretores e depois cônsules. Os primeiros cônsules da república foram Bruto e Lúcio Tarquínio Colatino, o esposo da finada Lucrécia.

O primeiro ato de Bruto como cônsul foi obrigar Colatino a renunciar sob o pretexto de ele ser um Tarquínio e Roma não seria livre até marcharem todos os Tarquínios. Colatino viu-se pressionado e mudou-se para a povoação latina de Lanúvio. Depois o senado decretou que todos os Tarquínios deviam exilar-se, e o povo escolheu Públio Valério, amigo de Bruto, como novo cônsul. Aparentemente, ninguém reparou no fato de Bruto ser um parente mais próximo dos reis que o exilado Colatino (embora Bruto não portasse o nome Tarquínio).

Tempo depois, vários familiares seus planejaram o derrocamento de Bruto, mas a conspiração fracassou e muitos familiares seus foram executados, incluindo os seus dois filhos Tito e Tibério. Pouco tempo depois, Tarquínio, o Soberbo tentou recuperar o trono, mas fracassou, porém Bruto faleceu no combate.

Apesar de os romanos o considerarem como fundador da república, as suas ações levaram os historiadores a considerar que Bruto visava instalar-se como rei, mas a morte impediu os seus planos.

Referências

  1. Dionísio de Halicarnasso, Das antiguidades romanas, Livro IV, 68.1
  2. a b Dionísio de Halicarnasso, Das antiguidades romanas, Livro IV, 68.2
  3. Dionísio de Halicarnasso, Das antiguidades romanas, Livro IV, 69.1
  4. Dionísio de Halicarnasso, Das antiguidades romanas, Livro IV, 69.2
  5. a b Dionísio de Halicarnasso, Das antiguidades romanas, Livro IV, 69.3
  6. a b Dionísio de Halicarnasso, Das antiguidades romanas, Livro IV, 69.4

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bowder, Diana - "Quem foi quem na Roma Antiga", São Paulo, Art Editora/Círculo do Livro S/A,s/d

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
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Precedido por:
(Não existia o título)
Cônsul da República Romana com Lúcio Tarquínio Colatino
509 a.C.
Sucedido por:
Públio Valério Publícola e Marco Horácio Pulvilo