Laboratório Nacional de Astrofísica

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Cúpula do telescópio de 1,6m do Observatório do Pico dos Dias.

O Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), localizado em Itajubá, Minas Gerais, é um instituto de pesquisas do Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil dedicado à pesquisa em astronomia.

Fundado em 1985, foi o primeiro dos laboratórios nacionais instalados no Brasil (como o LNCC e o LNLS). No início, sua função principal era gerenciar o Observatório do Pico dos Dias (OPD), a serviço da comunidade astronômica brasileira. Com o passar do tempo, foi crescendo sua comunidade própria de astrônomos e o LNA passou a ser uma das principais instituições de pesquisa em astronomia do país.

Hoje, além do OPD, o LNA gerencia também os consórcios internacionais de telescópios dos quais o Brasil participa, nomeadamente o Observatório Gemini, o SOAR e o CHFT.

Histórico[editar | editar código-fonte]

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As pesquisas científicas na área de astrofísica são relativamente recentes no Brasil. Até o início da década de 1980 muito pouco havia sido feito neste campo no País, com exceção de alguns trabalhos isolados de cunho teórico.

Entretanto, os primeiros esforços direcionados a acelerar o desenvolvimento da astrofísica brasileira datam do final dos anos 1930, quando pesquisadores do Observatório Nacional - ON - contataram a empresa alemã Zeiss no intuito de adquirir um telescópio apropriado para estudos astrofísicos. As conversações foram interrompidas com a eclosão da II Guerra Mundial na Europa e a iniciativa foi adiada.

A efetiva implantação da astrofísica no Brasil começou a ser concebida em 1961, quando o astrônomo Muniz Barreto do ON visitou os Observatório de Lick, Monte Wilson e Monte Palomar, todos nos EUA, durante a Assembléia Geral da União Astronômica Internacional - IAU, e quis reproduzir um observatório como aqueles no Brasil. Posteriormente, numa visita a França, Muniz contatou um grupo de pesquisadores que, em conjunto com os brasileiros, faria o levantamento de um sítio apropriado a um observatório astrofísico: era o início do projeto do Observatório Astrofísico Brasileiro - OAB.

Após a visita ao Brasil da equipe francesa, que forneceu os primeiros subsídios, realizou-se a escolha do sítio entre 1965 e 1972 para a instalação de um telescópio de médio porte. Neste trabalho, que foi realizado em conjunto com o ON, o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas - IAG, o Instituto de Tecnológico de Aeronáutica - ITA e a Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, foram examinados 15 locais na região centro-leste do País, entre 20 e 30 graus de latitude sul. Como resultado desse levantamento, foi escolhido o Pico dos Dias (1864 m), localizado entre os municípios de Brazópolis e Piranguçu, no sul de Minas Gerais. Em 5 de setembro de 1972, ocorreu a celebração do convênio entre o ON e a Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP, que garantiu recursos para a compra do telescópio refletor com espelho principal de 1,60 m de diâmtero, da firma Perkin-Elmer - ainda hoje o maior telescópio em território brasileiro - e de um espectrógrafo Coudé.

Passados quase 20 anos do início do projeto, em 22 de abril de 1980, o telescópio coleta sua primeira luz, ou seja, foram feitas suas primeiras observações científicas. Quase um ano depois, em 1 de abril de 1981, o então Conselho Nacional de Pesquisa - CNPq - entrega à comunidade astronômica nacional o Observatório Astrofísico Brasileiro que seria gerenciado como uma Divisão do Departamento de Astronomia do ON. Em 1982, o OAB ganha mais um telescópio que é instalado e colocado em operação. É um telescópio Zeiss com espelho principal de 60 cm de diâmetro que estava até então guardado por falta de um local apropriado para instalação.

Com o advento da Nova República e a conscientização da importância da área de ciência e tecnologia na agenda nacional, decidiu-se caracterizar melhor a vocação do Projeto OAB. Assim, em 13 de março de 1985, o OAB é transformado no primeiro laboratório nacional do País, o Laboratório Nacional de Astrofísica - LNA, ainda uma subunidade do ON, com a finalidade de atender as instituições que pesquisavam em astrofísica. Sua missão ficou focalizada na realização de observações astronômicas e no desenvolvimento de instrumentação para uso pela comunidade científica nacional. Após operar provisoriamente como Unidade Associada ao ON por quatro anos, foi efetivado como unidade de pesquisa do CNPq em 9 de novembro de 1989, o que deu ao LNA a autonomia necessária para seu pleno funcionamento. Sua missão ligeiramente reformulada consistia em administrar o renomeado Observatório do Pico dos Dias - OPD e cuidar da infra-estrutura da astronomia observacional do País.

O ano de 1992 é uma referência na trajetória do LNA. Foi neste ano que, em terreno doado pela prefeitura de Itajubá - cidade próxima ao OPD, foi finalizada a construção da sede própria do LNA para abrigar sua administração, seus pesquisadores e parte da equipe de apoio ao astrônomo visitante do Observatório. Além disso, um convênio com a Universidade de São Paulo - USP, completou o parque de telescópios do OPD com a instalação de um equipamento Boller&Chivens com espelho principal de 60 cm de diâmetro, antes em operação na cidade de Valinhos, SP.

A década de 1990 é pródiga em acontecimentos para a astronomia nacional. Houve um crescimento robusto da comunidade astronômica brasileira, que incentivou e viabilizou a entrada do Brasil em projetos internacionais como os telescópios Gemini e o SOAR (Southern Astrophysical Research Telescope).

A adesão brasileira ao consórcio Gemini, celebrada em 31 de março de 1993 pelo então Ministro da Ciência e Tecnologia, Israel Vargas, era o primeiro passo nessa direção. O Observatório Gemini, uma parceria entre sete países, conta com dois telescópios de 8,1 m de abertura, o primeiro (Gemini Norte) localizado no Havaí, Estados Unidos, e o segundo (Gemini Sul) no Chile. O conjunto de telescópios Gemini está entre os maiores e mais modernos e competitivos observatórios do mundo. O LNA foi encarregado pelo MCT de gerenciar a participação brasileira no consórcio Gemini, em abril de 1993, quando designou o LNA como a Secretaria Nacional do Gemini.

Durante a primeira participação brasileira no Conselho Diretor do Gemini, em novembro de 1993, iniciou-se as conversações sobre o projeto SOAR para construção e operação de um instrumento moderno com abertura de 4,1m, localizado no Chile. Quase um ano depois, em outubro de 1994, é realizado no LNA o Workshop SOAR, que inicia formalmente as negociações entre EUA e Brasil. Finalmente, no segundo semestre de 1996, o Brasil começa a integrar o projeto SOAR, tendo como parceiros a University of North Carolina, a Michigan State University e o National Optical Astronomy Observatories (NOAO). Desta vez o CNPq atuou como parceiro formal e novamente o LNA foi encarregado do gerenciamento.

Com isso, o LNA oferece à comunidade científica várias opções de observatórios, começando com os telescópios de 60 cm do OPD e terminando com os telescópios Gemini. Estes instrumentos são adequados para todos os tipos de pesquisa astronômica observacional na faixa óptica e em infravermelho.

Em 17 de agosto de 2000, todas as unidades de pesquisa que estavam vinculadas ao CNPq passaram a fazer parte da estrutura regimental do MCT, através do decreto nº 3567, assinado pelo então Ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg. Este momento coincidiu com o início de uma nova fase para o LNA, agora voltada à intensificação das atividades de desenvolvimento de suas capacidades tecnológicas. Assim, o LNA tem ampliado sua participação ativa no desenvolvimento tecnológico dos grandes observatórios internacionais, através da concepção e construção de instrumentos periféricos modernos e competitivos internacionalmente. Recentemente, o LNA tem investido no aumento do seu quadro de pessoal atuando na área tecnológica e na ampliação da infra-estrutura. Destaca-se a criação de um novo laboratório óptico especializado no manuseio de fibras ópticas para uso em instrumentação astronômica, como parte do novo prédio de laboratórios e oficinas do LNA. Outra novidade, ainda em fase de estruturação, é o laboratório para metrologia óptica. Assim, o LNA estará suficientemente apto para participar da construção de instrumentos para os telescópios internacionais, e para competir, em termos de igualdade, com outros centros de desenvolvimento instrumental na área astronômica no mundo inteiro.

Telescópios administrados pelo LNA[editar | editar código-fonte]

O LNA é responsável por gerenciar os principais instrumentos de observação usados pelos astrônomos brasileiros. Isso inclui o Observatório do Pico dos Dias e os consórcios internacionais do qual o Brasil participa.

Observatório do Pico dos Dias[editar | editar código-fonte]

O Observatório do Pico dos Dias (OPD) localiza-se no Pico dos Dias, a 1864 m de altitude, entre os municípios brasileiros de Brasópolis e Piranguçu e a 37 km da sede do LNA, em Itajubá.[1] O observatório possui três telescópios[2]:

  • Telescópio de 1,6 m, fabricado por Perkin-Elmer, com óptica do tipo Ritchey-Chrétien. O maior telescópio instalado em território brasileiro, funciona desde 1981;
    Telescópio de 1,6 m.
  • Telescópio de 0,6 m, fabricado por Boller & Chivens, com óptica do tipo Ritchey-Chrétien, transferido do IAG-USP para o Pico dos Dias em 1992;
  • Telescópio de 0,6 m, fabricado pela Carl Zeiss AG, com óptica do tipo Cassegrain. Trocado por café com a Alemanha Oriental na década de 60, permaneceu desmontado em Brasópolis até 1983, quando foi montado no pico.

Consórcios internacionais[editar | editar código-fonte]

O Brasil participa, por intermédio do LNA, dos seguintes consórcios internacionais de telescópios:

Observatório no telhado[editar | editar código-fonte]

O LNA administra também o Observatório no Telhado, um observatório dedicado ao ensino informal e à divulgação da astronomia. Inaugurado em 2011, está instalado na sede do LNA em Itajubá e conta com um telescópio refletor de 30 cm de diâmetro.[6]

Sistema Solar Itajubá[editar | editar código-fonte]

Como parte da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2013, o LNA produziu um modelo em escala do Sistema Solar, que foi colocado na cidade de Itajubá. Cada planeta ganhou um totem com informações sobre o astro e sobre o projeto. O modelo de Sol teve 1,5 metros de diâmetro, foi colocado no campus da UNIFEI. Os quatro primeiros planetas também ficaram dentro da UNIFEI, e os demais ficaram espalhados pela cidade: Júpiter ficou na pracinha do BPS, Saturno na praça do Carneiro Júnior e Urano na Faculdade de Medicina. Netuno ficou a 5 quilômetros do Sol, na portaria do LNA. A intenção do modelo era facilitar o entendimento das dimensões do sistema solar. Segundo o responsável pelo projeto, apenas com imagens de internet e de livros didáticos, isso não seria possível. [7][8][9]

Referências

  1. Laboratório Nacional de Astrofísica - Observatório do Pico dos Dias. «Localização». Consultado em 23 de Dezembro de 2011 
  2. Laboratório Nacional de Astrofísica - Observatório do Pico dos Dias. «Telescópios». Consultado em 23 de Dezembro de 2011 
  3. Laboratório Nacional de Astrofísica - Telescópio Gemini. «Observando com o Gemini». Consultado em 23 de Dezembro de 2011 
  4. Laboratório Nacional de Astrofísica - Telescópio SOAR. «Informações para os usuários do SOAR». Consultado em 23 de Dezembro de 2011 
  5. Escritório Brasileiro do Telescópio Canadá-França-Havaí. «Perguntas Frequentes». Consultado em 23 de Dezembro de 2011 
  6. CAPISTRANO, Giuliana; DE OLIVEIRA-ABANS, Mariângela. (3 de maio de 2012). "Observatório no telhado é aberto à visitação pública" (PDF). LNA em Dia 24: 1-2. ISSN 2179-4324. Visitado em 4 de maio de 2012.
  7. Gustavo Cortez. (1 de fevereiro de 2014). "Laboratório Nacional de Astrofísica recria Sistema Solar em Itajubá". O Sul de Minas (3585): p. 12.
  8. «Sistema Solar é exposto com réplicas em ruas e praças de Itajubá». G1 Sul de Minas. 22 de outubro de 2013. Consultado em 5 de fevereiro de 2014 
  9. «Sistema Solar Itajubá». Laboratório Nacional de Astrofísica. Consultado em 5 de fevereiro de 2014 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]