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Laccaria laccata

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaLaccaria laccata

Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Fungi
Filo: Basidiomycota
Classe: Agaricomycetes
Ordem: Agaricales
Família: Hydnangiaceae
Género: Laccaria
Espécie: L. laccata
Nome binomial
Laccaria laccata
(Scop.) Cooke
Laccaria laccata
float
float
Características micológicas
Himêmio laminado
  
Píleo é convexo
  ou plano
  
Lamela é adnata
  ou decorrente
Estipe é nua
A cor do esporo é branco
A relação ecológica é micorrízica
  
Comestibilidade: comestível
  mas não recomendado

Laccaria laccata, conhecida comumente como o enganador,[1] é uma espécie de fungo da família Hydnangiaceae. Trata-se de um cogumelo pequeno, porém altamente variável (daí o nome "enganador"), que pode parecer bastante desbotado, incolor e apagado, mas quando jovem frequentemente assume tons vermelhos, marrom-avermelhados e alaranjados. Possui esporos brancos.

Encontrada por toda a América do Norte e Europa, a espécie é frequentemente considerada pelos coletores de cogumelos como uma "erva daninha dos cogumelos" devido à sua abundância e aparência comum. O píleo é comestível.

Taxonomia

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A espécie foi descrita pela primeira vez pelo naturalista tirolês Giovanni Antonio Scopoli em 1772 como Agaricus laccatus,[2] antes de receber seu nome binomial atual por Mordecai Cubitt Cooke em 1884. O epíteto específico deriva do adjetivo em latim laccatus, que significa "vernizado" ou "brilhante".[3] Clitocybe laccata é um nome antigo alternativo. A variedade pallidifolia, descrita por Charles Horton Peck, é a variedade mais comum encontrada na América do Norte.

É a espécie-tipo do gênero de cogumelos cosmopolita Laccaria; embora não se saiba ao certo qual é a sua relação com os cogumelos com lamelas, atualmente eles são classificados na família Hydnangiaceae.[4]

O enganador recebe seu nome comum devido sua aparência variável. É chamada pelos povos zapotecas de Beshia ladhi biinii (também o nome de outros membros de Laccaria).[5]

Descrição

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Laccaria laccata é um cogumelo pequeno com píleo medindo 2–6 cm de diâmetro, convexo quando jovem e depois achatando-se ou até mesmo deprimindo-se no centro. Pode apresentar diversas tonalidades de rosa-salmão, vermelho-tijolo ou tons de laranja ou marrom quando úmido ou jovem, e mais opaco e pálido quando seco. O estipe fibroso mede 2–10 cm de altura por 3–10 mm de largura. As lamelas irregulares estão amplamente espaçadas e são decorrentes ou adnatas, com cor semelhante à do píleo, embora fiquem brancas com os esporos à medida que o cogumelo amadurece. A esporada é branca, e os esporos são redondos e espinhosos; medem de 7 a 10 μm de diâmetro. A carne é fina e tem pouco sabor.[6][7]

Espécies semelhantes

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Anteriormente considerada uma subespécie pelo micólogo francês René Maire, L. proxima é uma parente europeia com píleo finamente escamoso e encontrada em habitats mais úmidos.[8] Microscopicamente, seus esporos são mais estreitos e ovais.

Na Califórnia, EUA, o que se pensava ser L. laccata sob eucaliptos revelou-se a espécie australiana L. fraterna.[9] Outras espécies semelhantes incluem L. amethysteo-occidentalis e L. bicolor.[7]

Distribuição e habitat

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O cogumelo Laccaria laccata é encontrado em grupos dispersos em áreas arborizadas e em charnecas, geralmente em solo pobre em nutrientes. É muito comum em todas as zonas temperadas do norte, mas tende a preferir climas frios. É micorrízico com vários tipos de árvores, incluindo membros das Pinaceae (pinheiros), Fagaceae (faia) e Betulaceae (bétula). É encontrado por toda a Europa e América do Norte,[10] ao sul até o México e Costa Rica. Espécies de Laccaria são consideradas por alguns como espécies pioneiras. As raízes de Corylus avellana (avelã) também são usadas como hospedeiro do fungo na Grã-Bretanha.[11]

Comestibilidade

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Embora pequeno, o cogumelo é comestível e de sabor suave.[12] Os estipes duros geralmente não são consumidos.[7] É um dos muitos cogumelos tradicionalmente consumidos pelos zapotecas de Oaxaca, no México.[5] No entanto, é importante distingui-lo de pequenos cogumelos marrons potencialmente letais.[10]

Ver também

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Referências

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  1. «O Enganador (Laccaria laccata)». iNaturalist. Consultado em 23 de outubro de 2025 
  2. Scopoli, Giovanni Antonio (1772). Flora Carniolica 2 ed. [S.l.]: [Vindobonae] impensis Ioannis Pavli Kravss. p. 444 
  3. Nilson S, Persson O (1977). Fungi of Northern Europe 2: Gill-Fungi. [S.l.]: Penguin. p. 36. ISBN 0-14-063006-6 
  4. «Laccaria laccata (Scop.) Cooke». Mycobank. Consultado em 27 de outubro de 2025 
  5. a b Garibay-Orijel R, Caballero J, Estrada-Torres A, Cifuentes J (2007). «Understanding cultural significance, the edible mushrooms case». Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine. 3 (4). PMC 1779767Acessível livremente. PMID 17217539. doi:10.1186/1746-4269-3-4Acessível livremente 
  6. Roger Phillips (2006). Mushrooms. [S.l.]: Pan MacMillan. p. 102. ISBN 0-330-44237-6 
  7. a b c Davis, R. Michael; Sommer, Robert; Menge, John A. (2012). Field Guide to Mushrooms of Western North America. Berkeley: University of California Press. pp. 136–137. ISBN 978-0-520-95360-4. OCLC 797915861 
  8. Lamaison, Jean-Louis; Polese, Jean-Marie (2005). The Great Encyclopedia of Mushrooms. [S.l.]: Könemann. p. 83. ISBN 3-8331-1239-5 
  9. «California Fungi: Laccaria fraterna» 
  10. a b Arora, David (1986). Mushrooms Demystified: A Comprehensive Guide to the Fleshy Fungi 2nd ed. Berkeley, CA: Ten Speed Press. 172 páginas. ISBN 978-0-89815-170-1 
  11. Harley, J.L.; Harley, E.L. (1987). «A checklist of mycorrhiza in the British flora.». New Phytologist. 105: 1–102. doi:10.1111/j.1469-8137.1987.tb00674.xAcessível livremente 
  12. Phillips, Roger (2010). Mushrooms and Other Fungi of North America. Buffalo, NY: Firefly Books. p. 69. ISBN 978-1-55407-651-2 

Ligações externas

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