Reino Lácmida
Reino Lácmida
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Mapa do Reino Lácmida (verde) e do território sassânida sob domínio lácmida (verde claro) no século VI
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| Continente | Ásia | ||||||||
| Capital | Hira | ||||||||
| Religião | Igreja do Oriente[1] | ||||||||
| Forma de governo | Monarquia | ||||||||
| Maleque | |||||||||
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| História | |||||||||
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O Reino Lácmida[2] ou Reino Lacmida[3] (em árabe: اللخميون; romaniz.: al-Lakhmiyyūn), também chamado de Reino Manadiráida (em árabe: المناذرة; romaniz.: al-Manādhirah), foi um reino árabe fundado e governado pela dinastia lácmida de c. 268 a 602. Estendendo-se pela Arábia Oriental e pela Mesopotâmia Meridional, existiu como dependência do Império Sassânida, embora os lácmidas mantivessem Hira como sua capital e dali governassem de forma independente.[4][5] O reino se envolveu nas guerras romano-persas, nas quais combateu como aliado persa contra o Reino Gassânida, governado por uma tribo árabe rival e dependente do Império Romano. Embora o termo “lácmida” tenha sido aplicado à dinastia reinante desse reino, estudos mais recentes preferem chamá-los de nacéridas.[6]
A autoridade da dinastia nacérida estendia-se também aos seus aliados árabes no Barém (costa oriental da Arábia) e em Iamama.[7] Em 602, o xainxá Cosroes II (r. 590–628) depôs e executou o último rei lácmida, Anumane III, e anexou o Reino Lácmida, desencadeando uma revolta de seus aliados árabes no Négede. A desordem subsequente entre rebeldes antipersas e lealistas pró-persas no reino culminou na Batalha de Di Car, que resultou numa derrota do exército sassânida e seus aliados, pondo fim à hegemonia persa sobre a Arábia Oriental.[7] O êxito da rebelião e a vitória contra os persas em Di Car despertaram confiança política, entusiasmo e uma nova autoconsciência entre os árabes.[8] Somada à crescente instabilidade na própria Pérsia após a queda de Cosroes em 628, essa sucessão de eventos prenunciou a decisiva Batalha de Cadésia em 636 e a conquista muçulmana da Pérsia.[9][10]
Nomenclatura e problemas da identidade lácmida
[editar | editar código]A natureza e a identidade do Reino Lácmida permanecem em grande parte obscuras. A família reinante nacérida surge com Anre I dos lacmitas, mencionado na inscrição de Paiculi do fim do século III entre os vassalos do Império Sassânida. A partir disso, o termo “lácmida” tem sido aplicado pelos historiadores aos nacéridas e aos seus súditos, governados a partir de Hira. Entretanto, como aponta o historiador Greg Fisher, há “muitíssimo pouca informação sobre quem formava o conjunto das pessoas que viviam em ou ao redor de Hira, e não há razão para supor que qualquer conexão entre os líderes nacéridas e lacmitas que possa ter existido no século III ainda estivesse presente no século VI, ou que os nacéridas governassem um Reino Lácmida homogêneo”.[6] Essa situação é agravada pelo fato de que as fontes históricas — em sua maioria bizantinas — passam a tratar dos lácmidas em maior detalhe apenas a partir do fim do século V, bem como pela relativa escassez de trabalhos arqueológicos em Hira.[11]
Referências
- ↑ Maalouf 2005, p. 23.
- ↑ VOLP, verbete lácmida
- ↑ Jaguaribe 2001, p. 276.
- ↑ Editores da Britânica 1998.
- ↑ Conrad 2000, p. 692.
- ↑ a b Fisher 2011, p. 258.
- ↑ a b Sauer 2017, p. 275.
- ↑ Power 1913.
- ↑ Shahîd 1995, p. 120.
- ↑ Bosworth 1983, pp. 3–4.
- ↑ Fisher 2011, pp. 258–259.
Bibliografia
[editar | editar código]- Bosworth, C. Edmund (2003). «Ḥira». Encyclopædia Iranica. 12, Fascículo 3. Nova Iorque: Universidade de Colúmbia
- Bosworth, C. E. (1983). «Iran and the Arabs Before Islam». In: Yarshater, Ehsan. The Cambridge History of Iran. Vol. 3(1): The Seleucid, Parthian and Sasanian Periods. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 0-521-20092-X
- Conrad, Lawrence I. (2000). «The Arabs». In: Cameron, Averil; Ward-Perkins, Bryan; Whitny, Michael. The Cambridge Ancient History. XIV Late Antiquity: Empire and Successors A.D. 425-600. Cambridge: Cambridge University Press
- Editores da Britânica (1998). «Lakhmid dynasty». Enciclopédia Britânica. Chicago: Encyclopædia Britannica Inc.
- Fisher, Greg (2011). «Kingdoms or Dynasties? Arabs, History, and Identity before Islam». Journal of Late Antiquity. 4 (2): 245–267. doi:10.1353/jla.2011.0024
- Jaguaribe, Hélio (2001). Um estudo crítico da história. 1. Rio de Janeiro: Paz e Terra. ISBN 8521903855
- Maalouf, Tony (2005). Arabs in the Shadow of Israel: The Unfolding of God's Prophetic Plan for Ishmael's Line. Grand Rapids, Michigão: Kregel Academic. ISBN 9780825493638
- Power, Edmond (1913). «The Prehistory of Islam». Messenger Publications. Studies: An Irish Quarterly Review. 2 (7): 204–221. JSTOR 30082945
- Rothstein, Gustav (1899). Die Dynastie der Lahmiden in al-Hira. Ein Versuch zur arabisch-persischen Geschichte zur Zeit der Sasaniden (em alemão). Berlim: Reuther & Reichard
- Sauer, Eberhard (2017). Sasanian Persia: Between Rome and the Steppes of Eurasia. Londres e Nova Iorque: Edinburgh University Press. ISBN 978-1474401012
- Shahîd, Irfan (1995). «al-Nuʿman (III) b. al-Mund̲h̲ir». In: Bosworth, C. E.; van Donzel, E.; Heinrichs, W. P.; Lecomte, G. The Encyclopaedia of Islam, Second Edition. Volume VIII: Ned–Sam. Leida: E. J. Brill. ISBN 978-90-04-09834-3
- Tafażżolī, Aḥmad (1986). «Arabic language ii. Iranian loanwords in Arabic». Encyclopædia Iranica. 2, Fascículo 3. Nova Iorque: Universidade de Colúmbia