Lagarto (Sergipe)

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Município de Lagarto
"Terra dos Papa-Jacas"
Bandeira de Lagarto
Brasão de Lagarto
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 1698 (319 anos)
Gentílico lagartense
Lema Cidade Ternura
Prefeito(a) Valmir Monteiro (PSC)
(2017–2020)
Localização
Localização de Lagarto
Localização de Lagarto em Sergipe
Lagarto está localizado em: Brasil
Lagarto
Localização de Lagarto no Brasil
10° 55' 01" S 37° 39' 00" O10° 55' 01" S 37° 39' 00" O
Unidade federativa  Sergipe
Mesorregião Agreste Sergipano IBGE/2008[1]
Microrregião Agreste de Lagarto IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Simão Dias, Riachão do Dantas, Boquim, Salgado, Itaporanga d'Ajuda e Campo do Brito, São Domingos, Macambira e Pedra Mole
Distância até a capital 75 km
Características geográficas
Área 969,226 km² [2]
População 103 188 hab. IBGE/2016[3]
Densidade 106,46 hab./km²
Altitude 183 m
Clima Tropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,625 (SE: 14º) – médio PNUD/2010[4]
PIB R$ 1,228,320 00 mil IBGE/2013[5]
PIB per capita R$ 12,124 97 IBGE/2013[5]
Página oficial

Lagarto é um município brasileiro localizado no estado de Sergipe, na Região Nordeste do país. Encontra-se na região centro-sul e é a maior cidade do interior do estado, com uma população estimada em 2016 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 103 188 habitantes.[6] Terceiro município mais populoso de Sergipe, a cidade fica localizada a 75 km da capital, Aracaju.

História[editar | editar código-fonte]

A história revela que a sede do município é uma das mais antigas povoações do Estado, sendo a terceira vila criada na capitania sergipense, cuja colonização já estava no território em 1596. Estabeleceram-se na região, por conta das cartas de sesmarias, em maio do mesmo ano, Domingos Fernandes Nobre, Antônio Gonçalves de Santana e Gaspar de Menezes. A colonização das terras de Lagarto aconteceu no século XVIII, após a chegada de um novo grupo de colonos, o que deu origem às fazendas de gado e aos engenhos. Alguns historiadores defendem a tese de que Lagarto nascera no povoado Santo Antônio, distante seis quilômetros da atual sede do município, onde ainda existe o marco inicial erguido próximo à capela que leva o nome do povoado. Contam, ainda, que os habitantes da época saíram desta localidade por conta de um surto de varíola que vitimou muitos moradores, e se instalaram onde hoje se encontra o centro da cidade. Duas versões conduzem ao nome do município: a existência de uma pedra em forma de lacertílio, encontrada às proximidades de um riacho; e o registro de um brasão com a marca de um lagarto, deixado por uma família de nobres portugueses.

Localizada a 75 km da capital, Lagarto ostenta uma área de 969,2 km², que acolhem mais de 103 mil habitantes, divididos entre as zonas urbana e rural.

Com uma economia composta por diferentes itens, a exemplo da agricultura, baseada, principalmente, nas culturas de feijão, laranja, fumo e mandioca; da pecuária de corte; da criação de ovinos; do comércio e da indústria, Lagarto é uma região muito produtora, onde o que se planta dá bons resultados. A divisão de terras, que aconteceu no período de colonização, fez com que cooperativas fossem montadas, a exemplo da instituição erguida na Colônia 13, fundada em 1960, e que permitiu a produção por colonos em todas as direções. Segundo Luiz Antonio Barreto, o lugar foi tão bem dividido que, em 1757, quando os vigários fizeram relatos e deram notícias das freguesias de Sergipe, a de Lagarto chamava a atenção, pois as povoações estavam muito próximas uma das outras, coisa de légua e meia ou em meia légua de distância, o que explica a existência de mais de uma centena de povoados. Como reserva de riquezas naturais, possui argila, calcário e pedras para fabricação de brita e paralelepípedo.

Lagarto também foi sede de um dos três distritos militares de Sergipe, em 1658. A elevação de freguesia à categoria de vila aconteceu em 1698, dois anos depois da criação da Ouvidoria Autônoma de Sergipe. Passou à categoria de cidade em 20 de abril de 1880, data oficial de sua elevação a categoria de cidade. Suas terras também deram origem a outros municípios, a exemplo de Riachão do Dantas e Simão Dias.

O primeiro governante municipal foi Mons. João Batista de Carvalho Daltro, que exerceu seu mandato de 1890 a 1893. O atual prefeito, José Valmir Monteiro.

Mais Sobre Lagarto[editar | editar código-fonte]

Lagarto é uma das maiores e mais prósperas cidades do Estado de Sergipe, abrange a com uma área de 969,577 km² e população estimada de 103.188 habitantes. O Município tem uma localização geográfica privilegiada sendo um Polo MultiRegional (Regiões Centro Sul, Centro Agreste, Sul e parte da Bahia)com aproximadamente 500 mil habitantes num raio de 50 km.  Distando 75 km da capital, destaca-se pela sua longevidade, beleza histórica, cultural e natural que denunciam a existência de sua gente desde o início do século XVII, acredita-se, atribuindo-lhe mais de 300 anos de história, segundo pesquisas recentes.

A gênese de sua formação situa-se no povoado Santo Antônio, fundado nos idos de 1604 pelo sesmeiro Antônio Gonçalves de Santomé dentro do contexto emergente da necessidade de se conquistar Sergipe, expandir o catolicismo e a criação de gado no sentido Sul-Norte da Capitania. Em 1658 Lagarto torna-se distrito militar, medida que efetivava a posse do território e garantia proteção contra as ameaças externas e internas.

Em meados do século XVII uma forte epidemia teria forçado a migração da primeira povoação para a atual sede do município, num lugar denominado Colina do Lagarto, onde, sob a invocação a Nossa Senhora da Piedade e auxiliados pelos carmelitas, os lagartenses teriam alcançado o livramento da moléstia que dizimou considerável parte da sua população. Assim, desta devoção nasceu, em 11 de dezembro de 1679, a Freguesia de Nossa Senhora da Piedade do Lagarto que foi sustentada pelas atividades agropecuárias, até hoje abundantes.

Em 20 de outubro de 1697 cria-se a Vila de Nossa Senhora da Piedade do Lagarto, soberana desde sua fundação, com fronteiras que ultrapassam as atuais. Neste lugar foi se aprimorando uma noção de independência, pertencimento e de lagartinidade, seguida de redefinições e afirmações territoriais, políticas, identitárias e culturais que culminaram e se aperfeiçoaram após a sua elevação à categoria de cidade, em 20 de abril de 1880.

O município de Lagarto se desenvolveu de forma mais proeminente na segunda metade do século XX, graças aos resultados de sua diversificada atividade agrícola. Hoje, notável subcentro regional, destaca-se como importante centro empresarial, dispondo de atividades comerciais e industriais significativas que atendem as multiregiões do estado e aos municípios limítrofes baianos.

Berço de intelectuais renomados como Sílvio Romero, Laudelino Freire, Aníbal Freire, Abelardo Romero Dantas e Luiz Antônio Barreto, dentre tantos outros personagens que engrandecem a sua história e envaidece sua gente, a exemplo dos imortais integrantes da Academia Lagartense de Letras e seus respectivos patronos. Da sua prole destacam-se nomes do seu atual cenário intelectual sergipano e nacional, com ênfase para os pesquisadores Rusel Barroso, Aglaé d’Ávila Fontes e Beatriz Góis Dantas, para o poeta Assuero Cardoso e para o historiador Claudefranklin Monteiro.

Dotada de um vasto patrimônio cultural, a cidade de Lagarto orgulha-se de seus grupos folclóricos, musicais e teatrais, sem esquecer-se dos seus festejos e do seu cabedal religioso que tanto a enobrece, com destaque para Banda de Pífanos, Ternos de Zabumba, Cangaceiros, Parafusos, Taeiras, Silibrina e Encomendação das Almas na dimensão do folclore; Orquestra Los Guaranis, Lacertae, Zanimais,  Banda Nuvem Negra, Kalil, Estúdio Box & Azulejo, Trio Chamego do Forró, Lourinho do Acordeon, Lourival Mendes, Antenor Nunes e Violão de Ouro no âmbito musical; Companhia de Teatro Cobras & Lagartos, Sete Panos, Grupo Cultural Tecendo a Manhã e Louvor Sertanejo nas artes cênicas; Festejos de Setembro – Festa de Nossa Senhora da Piedade, Desfile Cívico e Feira Agropecuária da Região Centro Sul e Sul do Estado, Vaquejada, Festejos Juninos e Natalinos no campo religioso e cultural.

Conhecida pelos seus como Cidade Ternura, a terra dos papa-jacas e da maniçoba, ainda preserva o bucolismo do interior sergipano, abrigando em teu seio riquezas culturais e naturais típicas do campo, a exemplo dos patrimônios históricos do Povoado Santo Antônio, o Pôr do Sol da Barragem Dionísio de Araújo Machado, o Belo cenário rural do Vale do Brejo e Cajazeira e da Cachoeira do Saboeiro.

A atual Lagarto universitária é um dos municípios que mais tem crescido no Estado de Sergipe e no Nordeste apresentando notável desenvolvimento no campo educacional, industrial, agropecuário e empresarial. Sua economia é diversificada, baseada na industrialização de fumo, plástico e alimentícios, seu comércio é pujante e variado, na agricultura e na pecuária destaca-se respectivamente na produção de feijão, laranja, fumo e mandioca, gado de corte e ovinos. Lagarto não para de crescer e sua história justifica toda sua vivacidade.[1]

Lagarto Terra dos Intelectuais[editar | editar código-fonte]

Por Sandra Cruzz*

Lagarto é terra da sabedoria graças a tantos filhos dotados de inteligência. Deus não poupou generosidade para que o lugar se transformasse em berço cultural do Estado de Sergipe.

A cidade abriga a nascença de grandes nomes da intelectualidade brasileira, a exemplo de Sílvio Romero, Laudelino Freire, Aníbal Freire, Filomeno Hora, Abelardo Romero Dantas, Ranulfo Prata, entre outros. Quem nasce em Lagarto exala um orgulho explicável pela tradição de cultura e inteligência peculiar aos seus filhos. Agora compreendo o que me falava um outro lagartense, o abnegado pesquisador Rusel Barroso. Certamente, quem não conhece a história do lugar se encanta com a descoberta. Lá, há muito para se contar. As pessoas são estudiosas, polidas e de muito bom gosto. É difícil ir a Lagarto e não querer voltar.

Visitar a “Cidade Ternura”, como é conhecida a querida Lagarto, é descobrir um mundo grande dentro de uma cidade aparentemente pequena. Conectados ao que existe fora de Sergipe, os lagartenses conseguem manter e difundir sua cultura e história, e não se intimidam diante das dificuldades do interior. Pelo contrário, ultrapassam fronteiras em busca dos seus sonhos, sem deixar jamais de declarar a paixão que possuem pela terra natal. [2]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a uma latitude 10º55'02" sul e a uma longitude 37º39'00" oeste, estando a uma altitude de 183 metros. Possui uma área de 1.036 km²[7] e está situado na microrregião agreste de Lagarto. A hidrografia do município é composta pelos rios Vaza-Barris, Piauí, Jacaré, Piauitinga de Cima, Machado e Caiça, pelos riachos Oiti, Pombos, Flexas e Urubutinga. No seu solo, há riquezas minerais exploradas e inexploradas: argila, calcário, mármore, enxofre, e pedras de revestimento. Sua área de preservação são as piscinas do povoado Brejo, as - fontes naturais -, o Balneário Bica (fonte natural no perímetro urbano).

Hoje, há mais de 100 povoados que compõem o município. Os principais são Colônia Treze, Açuzinho, Açu, Caraíbas, Brasília, Brejo, Jenipapo, Gameleiro, Urubutinga, Araçás, Estancinha,Urubu Grande, Boa Vista do Urubu, Coqueiro, Boieiro, Mariquita de Baixo,Mariquita de Cima, Tapera dos Modestos, Rio Fundo de Cima, Rio Fundo de Baixo, Carcará, Candeal, Flexas, Quipé, Bonfim, Quilombo, Telha, Pururuca, Santo Antônio, Taperinha, Itaperinha, Tanque, Curralinho, Campo do Crioulo, Saco do Tigre, Saco Redondo, Gavião, Oiteiros,Várzea dos Cágados, Brejo, Moita Redonda, Fazenda Grande, Tapera do Saco, Sobrado, Pé da Serra do Qui, Luís Freire, Mangabeira, Rio das Vacas, Olhos d'Água,Pindoba, Madanela, Barro Vermelho,Limoeiro, Fundão, etc.

Demografia[editar | editar código-fonte]

A população de Lagarto é mista, com predominância de ascendência portuguesa.[carece de fontes?]

O censo 2010 mostra, que 48,46% da população reside na zona rural, já a zona urbana tem 51,54%. A população masculina é de 49,02%, e a feminina é de 50,98%. Possui 33.532 domicílios.

Política[editar | editar código-fonte]

Administradores[editar | editar código-fonte]

  • Sebastião D'Ávila Garcez (1897-1902)
  • José Cirilo de Cerqueira (1902-1910)
  • Gonçalo Rodrigues da Costa (1911-1912)
  • Felipe Jaime Santiago (1912-1913)
  • Antônio Oliva (1914-1917)
  • Joaquim da Silveira Dantas (1918-1921)
  • Acrísio D'Ávila Garcez (1922-1925)
  • Porfírio Martins de Menezes (1926-1930)
  • Rosendo de Oliveira Machado (1931-1934)
  • Artur Gomes (interventor) (1935-1938)
  • Armando Feitosa Horta (interventor) (1939-1942)
  • José Marcelino Prata (interventor) (1943-1946)
  • José da Silveira Lins (eleito em 1946, governou pouco tempo, sendo substituído por interventores)
  • Aldemar Francisco Carvalho (interventor) (1947-1949)
  • Manoel Emílio de Carvalho (interventor) (1947-1949)
  • Alfredo Batista Prata (1950-1954)
  • Dionísio de Araújo Machado (1955-1958)
  • Antônio Martins de Menezes (1959-1962)
  • Rosendo Ribeiro Filho (Ribeirinho) (1963-1966)
  • Dionísio de Araújo Machado (1967-1970)
  • José Ribeiro de Souza (Zé Coletor) (1971-1972)
  • João Almeida Rocha (Dr. João) (1973-1976)
  • José Vieira Filho (1979-1981)
  • Artur de Oliveira Reis(Artur do Gavião) (1982-1988)
  • José Rodrigues dos Santos (Zezé Rocha) (1989-1992)
  • José Raymundo Ribeiro (Cabo Zé) (1993-1996)
  • Jerônimo de Oliveira Reis (1997-2002)
  • José Rodrigues dos Santos (Zezé Rocha) (2002-2008)
  • José Valmir Monteiro (2009-2012)
  • José Willame de Fraga (Lila) (2013-2016)
  • José Valmir Monteiro (2017-2020)

Economia[editar | editar código-fonte]

Em Lagarto, as atividades econômicas estão expressivamente pautadas nos produtos agrícolas, com destaque no cultivo de Tabaco e plantas cítricas. Na criação têm-se os rebanhos bovinos, eqüinos, ovinos, suínos; e os galináceos. A industrialização do Tabaco movimenta a economia do município em que mais da metade de sua produção é exportada para outros estados. Destaca-se ainda neste setor as indústrias de embalagens, concessionárias de veículos, fábricas de móveis, fábricas de velas, indústrias de produtos químicos e indústrias do gênero alimentício. A cidade também se destaca no plantio da Mandioca, por este motivo é realizado no mês de junho o Festival da Mandioca que atrai dezenas de milhares de pessoas para a cidade no período festivo.

Há no comércio local, mais de 500 lojas de artigos diversos, duas lojas do Gbarbosa, sendo um Hipermercado, e também um Supermercado do grupo Wal-Mart, tendo como bandeira o Todo Dia, e um supermercado de atacado e varejo do grupo Faria Souto, tendo como bandeira o Fasouto. Recentemente foram inauguradas as lojas Magazine Luiza e Primazia Gospel Store, além de diversos estabelecimentos novos como: bares, restaurantes, lanchonetes e postos de gasolina. Há diversas revendedoras de carro de passeio e máquinas agrícolas, bem como de peças.

Dispõe de 6 agências bancárias, dos seguintes bancos: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste, Banese, Bradesco e Itaú.

No artesanato têm-se trabalhos em crochê, bordados em ponto-de-cruz e fabricação de vassouras de palha.

Afora essas atividades, há ainda uma feira livre. É uma das maiores do Estado de Sergipe e acontece toda segunda-feira, desde a madrugada até o entardecer. Todo o entorno da Praça Rosendo Ribeiro Filho é ocupado pela feira, que está subdividida em setores: frutas, verduras, carne, farinha, trocas, madeiras, roupas.

Há grandes empreendedores no Município, em que suas empresas geram milhares de empregos diretos e indiretos, e atua em vários setores da economia, da indústria à construção, do comércio à educação superior.

Foi na cidade de Lagarto que iniciou-se a empresa Maratá, sendo hoje uma das maiores empresas alimentícias do Nordeste, a qual pertence ao empresário lagartense José Augusto Vieira. O grupo Maratá é o maior empregador privado do município de Lagarto e de toda a região centro-sul do estado de Sergipe.

Está em construção um Shopping,[8] idealizado pelo empresário Zezé Rocha. O empreendimento deverá gerar cerca de 2.700 empregos diretos e indiretos. A área de construção será de aproximadamente 55.682 m² e o investimento em torno de R$ 156 milhões. Localizado às margens da Avenida Contorno, trecho da Rodovia Lourival Batista, que corta o município, estando lado a lado com o campus da saúde da Universidade Federal de Sergipe (UFS), o empreendimento, que contará com praça de alimentação contendo vários restaurantes, 156 lojas, sendo 4 lojas âncora e 6 mega lojas, um centro médico empresarial, praça de eventos com 1.800 m², 5 salas de cinema, espaço externo para realização de feiras, dois restaurantes gourmet e outros vários atrativos.

Um evento muito importante para a economia da cidade de Lagarto é a Exposição de Lagarto (EXPOLAGARTO).

Em 1963, a pecuária já era uma das atividades mais fortes da Região Centro Sul de Sergipe e os criadores sentiam a necessidade de uma maior expansão, de abrir novos espaços para comércio.

Tomando como exemplo a exposição de Aracaju, Martinho Almeida, José Dórea de Almeida (Dorinha), Edmundo Freire, Horácio Góes, Nelson Pinto, Felisbelo M de Almeida, Antônio M. de Almeida e outros criadores, resolveram criar a Exposição-Feira de Animais em Lagarto.

Naquela época era Governador o Sr. Seixas Dórea, que junto ao Secretário da Agricultura Jorge de Oliveira Neto e o prefeito de Lagarto, Rosendo Ribeiro de Souza (Ribeirinho), deram todo apoio à iniciativa desses inovadores criadores.

O local escolhido foi embaixo de mangueiras e jaqueiras, onde hoje funciona a Sede do Rotary em Lagarto. Imagine a coragem que foi realizar uma exposição na rua com mais de 1000 animais, com desfile e sem as mínimas condições de estrutura. Apesar disso, participaram criadores de Lagarto, de Simão Dias, Riachão do Dantas, Itaporanga, Frei Paulo e outros municípios.

Predominou nessa 1ª Exposição a raça bovina Indubrasil, animal de pelagem geralmente branca ou cinza, orelhas grandes, cupim e barbela bastante desenvolvidas, que naquela época era utilizado na região como animal de dupla aptidão: carne e leite. Posteriormente com a introdução de raças leiteiras, o Indubrasil passou a ser explorado exclusivamente para corte.

Essa iniciativa fez o maior sucesso junto à população, que fazia desse evento um grande marco social. [3]

Com o sucesso da 1ª exposição, os organizadores resolveram mudar para um local mais amplo e com melhores condições para acomodar os animais. O local escolhido foi em frente ao Grupo Escolar Silvio Romero, atrás da Igreja do Rosário, em Lagarto.

Durante 7 anos, a exposição foi realizada nesse mesmo local. Nesse período, vários técnicos participaram da organização. Inicialmente, apenas dois ou três técnicos faziam parte dessa equipe, só a partir de 1967, no Governo Lourival Batista, foi ampliado significativamente o número de técnicos envolvidos.

Os resultados das exposições foram tão bons, que os criadores começaram a pensar em se profissionalizar, criando um espaço definitivo. Em 1969, vêem no terreno do Sr. José Vieira a possibilidade de ali construírem o tão sonhado parque. Dez destes homens deram 300 réis cada um, formando um total de 3000 réis e compraram o terreno que, após adquirido, foi doado ao Governo do Estado, sendo concluído no Governo do Sr. João Garcez. Na época era o Prefeito de Lagarto o Sr. Dionízio de Araújo Machado e respondia pela Secretaria da Agricultura o Agrônomo Geraldo Barreto.

Em 1970 o Parque foi inaugurado e recebeu o nome de Nicolau Almeida, patriarca da Família Almeida e que tinha sido um grande entusiasta da agropecuária da região. Já em 1971, no Governo Paulo Barreto de Menezes, aconteceu a primeira exposição no Parque. Na época, era Secretário da Agricultura o agrônomo Edmilson Machado Almeida e era Prefeito o Sr. José Ribeiro de Souza.

O Parque possuía, naquela ocasião, 7 galpões para bovinos, além de 10 baias para equinos. Foram expostos naquele ano, 737 animais. Nessa época, várias outras raças já haviam sido introduzidas e outras foram, aos poucos, se destacando, a exemplo de Gir, Nelore, Simental, Guzerá, Holandês, Chianino, Tabapuã, Pardo Suíço e outros.

Com a evolução do rebanho, foi mudando também os critérios de avaliação, deixando de ser por estética e passando a serem utilizados critérios de ponto de vista econômico. Os juízes, na sua maioria, vinham de Minas Gerais e Bahia.

Segundo alguns criadores, os Estados de Minas Gerais e Bahia tiveram muita importância no melhoramento genético do rebanho bovino de Sergipe, visto que os grandes reprodutores foram trazidos desses Estados, a exemplo do reprodutor Imperador, do criador Silvio Garcez, vindo de Uberaba (MG). Vale salientar a importância do criador Murilo Dantas que, com sua visão empresarial, levou o rebanho bovino além-fronteiras.

Naquela ocasião a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural objetivando fazer um trabalho de difusão de tecnologias estimulava os reprodutores a se fazerem presentes com outros tipos de animais como aves, caprinos, suínos e exposição de mudas arbóreas e frutíferas.

As exposições eram consideradas pelos técnicos como uma grande oportunidade de troca de experiência. Mas, segundo criadores como o Sr. Horácio Góes, ela é mais do que isso, é um local de conhecer pessoas e fazer amigos.[4]

No ano de 2016, a prefeitura de Lagarto decide modernizar a Exposição Agropecuária de Lagarto, dando uma "cara nova" no tradicional evento, com parcerias com o setor privado e abrangência da feira para outros setores da economia como a indústria, o comércio em geral e os serviços, e a mudança do nome do evento para EXPOLAGARTO, maior expô-feira do estado de Sergipe e também de parte da Bahia.

O evento trouxe investidores que acreditam no futuro da Indústria, Agricultura, Pecuária, Comércio e Serviços para uma cidade em pujante crescimento. Diversas linhas da economia de Sergipe e de outros estados encontraram-se em um só espaço para confirmar as possibilidades de desenvolvimento, mesmo em tempos de crise. Foram momentos também de entretenimento e lazer para população do centro-sul sergipano, retorno das famílias, crianças, adolescentes, idosos e adultos para a tão saudosa Exposição de Lagarto.

O Festival Lagartense de Música Popular, a programação cultural e de cursos e palestras para produtores rurais e pecuaristas, as premiações pecuárias, o leilão e as atividades do pequeno vendedor ao grande empresário refletiram o resgate e a possibilidade vindoura de outras edições.

O ano de 2016 entra para a história como aquele em que as festividades de setembro foram resgatadas na cidade que mais cresce no interior sergipano.[5]

Estrutura urbana[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

As escolas de Lagarto incentivam muito a cultura e todo ano a Secretaria Municipal de Educação e Cultura organizam o tradicional Desfile Cívico-Militar de Lagarto, onde participam escolas da Rede Pública e Particular. As escolas que se destacam são: Públicas – Colégio Municipal Frei Cristóvão de Santo Hilário, Colégio Municipal Zezé Rocha, Colégio Estadual Professor Abelardo Romero Dantas (Polivalente), Escola Municipal Adelina Maria de Santana Souza, Colégio Estadual Silvio Romero (O mais antigo da cidade)Escola Estadual Dom Mário Rino Sivieri, Instituto Federal de Sergipe (Antiga UNED). Particulares – Colégio Nossa Senhora da Piedade (Colégio das Freiras), Antigo Colégio Cenecista Laudelino Freire, Grêmio Escolar Pequeno Príncipe, Fundação José Augusto Vieira, Colégio Mundial.

Instituições de ensino superior: Faculdade Dom Pedro II (antiga José Augusto Vieira), Universidade Vale do Acaraú, Universidade Tiradentes (EAD), Faculdade Ages[9], Instituto Federal de Sergipe e o Campus Avançado da Saúde da Universidade Federal de Sergipe.

Instituições de ensino profissionalizante: SENAC - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial e SENAI.

São características das escolas realizarem eventos e desfiles paralelos em diferentes épocas do ano: Carroceatas, Apresentações de Ballet, Projetos Pedagógicos, Palestras, entre outros.

Em 2008 a cidade de Lagarto recebeu o Prêmio Educação Nota 10, do Instituto Ayrton Senna, devido ao seu importante trabalho na educação, tanto na rede pública quanto particular.

Em 2009 o município aderiu ao Programa Proinfo(Programa Nacional de Tecnologia na Educação), Equipando cerca de 80% das escolas da rede municipal com Kits Proinfo Rural, Proinfo Urbano e Sala de Recursos Multifuncionais, concomitantemente foram capacitados professores de todas as escolas selecionadas no referido Programa, através do Proinfo Integrado.[10]

Saúde[editar | editar código-fonte]

Conta atualmente com o Hospital Regional de Lagarto que atende parte da população da região Centro-Sul do estado e de cidades da Bahia próximas a divisa SE/BA, além do Hospital Nossa Senhora da Conceição. A cidade também possui duas Clínicas de Saúde da Família e outros centros de saúde, onde se destacam: Centro de Saúde Maria do Carmo Nascimento Alves, Centro de Diagnóstico Leandro Maciel - Posto do Leite, Centro Especializado Monsenhor Daltro, Unidade de Saúde do Povoado Brasília, Unidade de Saúde do Povoado Jenipapo, Unidade de Saúde da Colônia Treze, Unidade de Saúde da Mariquita. Em breve o Hospital Regional de Lagarto será federalizado , se transformando em Hospital Universitário[11].

Cultura e lazer[editar | editar código-fonte]

Folclore[editar | editar código-fonte]

Muitos grupos folclóricos fazem parte da cultura da cidade. Com o passar do tempo, muitos acabaram sendo esquecidos pela população local, entretanto, alguns continuam sendo preservados, tais como:

  • Chegança - Grupo de dança que retrata a luta entre reis católicos e turcos, pela reconquista do trono português
  • Parafusos - Esse grupo retrata a fuga dos escravos para quilombos. Ao passarem pelas vilas, eles roubavam anáguas de linho com babados das senhorinhas. Depois de serem libertados, desfilavam pelas ruas da cidade com as vestes. Segundo o historiador Adalberto Fonseca, o termo "Parafusos" foi criado pelo Padre Salomão Saraiva, que ao ver da igreja os escravos com saias exclamou que pareciam parafusos dançando. A expressão pegou e durante muitos anos, o desfile dos parafusos fazia parte do calendário folclórico da cidade.
  • Taieiras - Grupos de moças com vestes orientais que dançam em torno de um mastro enfeitado, ao som de música de zabumba, enquanto rapazes espadachins encenam lutas para proteger o casal real.
  • Cangaceiros- Grupos de homens vestidos como cangaceiros que relembram os atos de Lampião, visitando lojas e casas e pedindo comida e bebida, sob ameaça de agressão se não forem atendidos.
  • Zabumba- Grupo de homens que saem tocando instrumentos rúticos de percussão para animar festas de batizados, casamentos, e outras manifestações populares em troca de gorjetas, comida e bebida.
  • Quadrilhas - Grupo de rapazes, moças e até crianças que dançam músicas juninas sob o toque da sanfona. São apresentadas geralmente por escolas e atuam nos meses de junho/julho.
  • Silibrina - É uma comemoração antecipada da festa junina. Para alguns é até uma brincadeira eletrizante comemorando a chegada das festas juninas. É comemorada a mais de 80 anos e é organizada pelos fogueteiros:Zé Canuto, Dedé fogueteiro, Canuto filho, Sr. Defino, Hamilton Prata e Domingos da Colônia 13.

A silibrina é acompanhada pela banda de pífano e zabumbas do saudoso Zé Terreno e regada com muita cachaça.

Religião[editar | editar código-fonte]

No campo religioso, a Igreja Católica Apostólica Romana possui o maior rebanho de fiéis da cidade, sendo composta por 6 Paróquias: Nossa Senhora da Piedade (Centro), Santa Luzia (Pov. Colônia Treze), Nossa Senhora das Graças (Pov. Jenipapo) e Nossa Senhora de Fátima (Bairro São José - Conj. Loiola), Santa Luzia (Bairro Alto da Boa Vista) e Santa Teresinha do Menino Jesus (Bairro Novo Horizonte), todas estas vinculadas a Diocese de Estância. Um aspecto relvante do patrimônio artístico e religioso é a imagem da Padroeira da cidade, Nossa Senhora da Piedade, que é coroada canonicamente por ordem do Papa João Paulo II, havendo no Brasil apenas outras três coroadas de tal forma. A tricentenária Paróquia da Piedade se destaca pelas inúmeras vocações sacerdotais, sendo terra natal de dois bispos Dom Dulcênio Fontes de Matos e Dom João José da Costa, O.Carm, e de dezenas de sacerdotes. É bom ressaltar a presença de três ordens religiosas na cidade, que prestam relevantes serviços sociais: Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Bom Conselho e Pias Mestras Rosa Venerini, que atuam no campo da educação e as Religiosas Irmãs Camilianas que atuam no campo da saúde. Os eventos religiosos como as Procissões, novenários, shows, quermesses, movimentam a cidade. Também merece destaque o papel das Igrejas Cristãs protestantes, que também realizam um excelente trabalho de evangelização, em cultos, visitas ou reuniões, bem como a realização de eventos:o Congresso da Catedral Batista, Projeto Jonas e o Lagospel Music. Estão presentes em Lagarto as Igrejas Batistas, Assembleia de Deus, Igreja Adventista do Sétimo Dia, Testemunhas de Jeová, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Presbiteriana, Igreja do Evangelho Quadrangular, Mundial do Poder de Deus e Universal do Reino de Deus. Os Espíritas e as religiões de matrizes africanas também estão presentes no município.

Turismo[editar | editar código-fonte]

No município de Lagarto, há importantes pontos turísticos: Barragem Dionízio de Araújo Machado a orla da barragem Dionísio de Araújo Machado, em Lagarto, promete ser uma das grandes obras turísticas do município[12], Praça Dr. Filomeno Hora, Pedra da Arara, Cachoeira do Saboeiro(Povoado Mariquita), Fazenda Bonfim (Rio do Cristo), Fazenda Boa Vista da Cajazeira (por seu imponente casarão do século XIX em estilo colonial), Rios locais e o Santuário Mariano de Nossa Senhora da Piedade (onde existe uma imagem de La Pietá, que igual só há na Espanha, coroada com autorização de Sua Santidade o Papa João Paulo II). Há também festas anuais de renome estadual e nacional, são elas: LaGospel Music, Lagarto Folia, Silibrina (uma das mais tradicionais do Nordeste, com mais de 80 anos de tradição), Festival da Mandioca, Vaquejada de Lagarto, Exposição Agropecuária de Lagarto (A partir de 2016 se chama EXPOLAGARTO), Desfile Cívico-Militar, Festa da Padroeira, Forroreta, Madereta, os tradicionais Natais dos Povoados.

O turista, além de apreciar a beleza local, pode saborear deliciosos pratos da cozinha regional: arroz de galinha, sopa de mocotó, mugunzá, arroz doce, vatapá, maniçoba, caruru, beiju de tapioca, pé-de-moleque, malcasado, etc.

 Comunicação[editar | editar código-fonte]

Rádios[editar | editar código-fonte]

  • Aparecida FM 94,7
  • Eldorado FM 100.7
  • FM Juventude 104,9
  • Treze FM 104,9
  • Jenipapo FM 104,9
  • Progresso AM 750 kHz

Televisão[editar | editar código-fonte]

Filhos ilustres[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  3. «Estimativa populacional 2016 IBGE». Estimativa populacional 2016. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2016. Consultado em 28 de outubro de 2016 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil» (PDF). Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 3 de agosto de 2013 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2010-2013». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 28 de outubro de 2016 
  6. http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=280350&search=sergipe%7Clagarto
  7. «Área Territorial Oficial». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE. Consultado em 30 de novembro de 2010 
  8. «Shopping começa a ser construído em Lagarto». Portal Lagartense. Consultado em 22 de Outubro de 2011 
  9. http://www.faculdadeages.com.br/uniages/faculdade-ages-de-lagarto-se/
  10. Núcleo de Tecnologia Educacional-NTELagarto
  11. http://www.agencia.se.gov.br/noticias/saude/hospital-regional-de-lagarto-sera-federalizado
  12. http://www.lagartense.com.br/37417/local-que-vai-receber-orla-da-barragem-esta-sendo-preparado

Ligações externas[editar | editar código-fonte]