Lajos Tichy

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Lajos Tichy
Lajos Tichy
Lajos Tichy em 1958
Informações pessoais
Nome completo Lajos Tichy
Data de nasc. 21 de março de 1935
Local de nasc. Budapeste, Flag of Hungary.svg Hungria
Falecido em 6 de janeiro de 1999 (63 anos)
Local da morte Budapeste, Flag of Hungary.svg Hungria
Informações profissionais
Posição Atacante
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
1953–1971 Hungria Honvéd
Seleção nacional
1955 - 1971 Flag of Hungary.svg Hungria 72 (51)
Túmulo de Tichy.

Lajos Tichy (Budapeste, 21 de março de 1935 — Budapeste, 6 de janeiro de 1999) foi um futebolista húngaro que atuava como atacante.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Honvéd[editar | editar código-fonte]

Tichy passou toda a carreira em um único clube, o Honvéd. Debutou no time do exército, já o mais poderoso do país, em 1953 e conviveu com estrelas da mágica seleção húngara que fora medalha de ouro no ano anterior nas Olimpíadas de 1952 e que, no ano seguinte, seria vice-campeã da Copa do Mundo de 1954. Elas eram Gyula Grosics, József Bozsik, László Budai e, principalmente, Sándor Kocsis, Zoltán Czibor e Ferenc Puskás.

Tichy conquistaria o Campeonato Húngaro nos dois primeiros anos de Honvéd; porém, em razão da disputa desigual, só ganharia seu espaço após a crise de 1956. O time estava fora do país quando a Revolução Húngara de 1956 foi reprimida pelo Pacto de Varsóvia. Como resultado, os jogadores exilaram-se e, após muita negociação, o trio de ferro Puskás, Czibor e Kocsis resolveram permanecer fora enquanto o restante voltou para casa. Tichy, naquele momento, já era jogador de seleção: fez em 1955 sua estreia pela Hungria. O clube, porém, sofreria uma carência de títulos: Tichy só levantaria como titular a Copa da Hungria de 1964.

Após dezoito anos de Honvéd, Tichy aposentou-se no clube em 1971, no mesmo ano assumindo como técnico das divisões inferiores do clube. De 1976 a 1982 e de 1982 a 1989, foi técnico da equipe principal, ajudando o clube a reconquistar títulos: com Tichy como técnico, o Honvéd venceu os campeonatos de 1980, 1985, 1986, 1988 e 1989, além das copas de 1985 e 1989. A outra única equipe em que Tichy se ligou foi o Al-Shabab, dos Emirados Árabes, treinado por ele entre 1982 e 1984.

Seleção Húngara[editar | editar código-fonte]

Quando veio a Copa do Mundo de 1958, Tichy já era um dos principais jogadores do país, com apenas 23 anos. Acabou sendo o único destaque da decadente Hungria naquele mundial, marcando quatro vezes com seus característicos chutes violentos:[1][2] uma na derrota por 1 x 2 para a anifitriã Suécia, dois nos 4 x 0 sobre o México e um na derrota de 1 x 2 no play-off contra o País de Gales. A derrota para os galeses, de virada, acabou eliminando precocemente os húngaros na primeira fase.

No início da década de 1960, ele recebeu a boa companhia de outros jovens no ataque, Flórián Albert e János Göröcs, que classificaram a Hungria sem sustos para a Copa do Mundo de 1962,[3] após a não-classificação para a fase final da Eurocopa 1960, a primeira realizada.

No Chile, Tichy marcou mais três vezes: em outro de seus chutes violentos,[4] fez o primeiro gol na vitória magiar por 2 x 1 sobre a celebrada Inglaterra de Bobby Moore, Jimmy Greaves, Johnny Haynes e Bobby Charlton, na estreia. Outros dois gols vieram no jogo seguinte, um 6 x 1 sobre a Bulgária. Já classificada, a Hungria entrou sem muita vontade [5] na última partida contra a Argentina e empatou sem gols.

A Hungria voltava a recuperar o prestígio perdido quando foi eliminada nas quartas-de-final, para a futura vice-campeã Tchecoslováquia. Mesmo jogando melhor e criando boas oportunidades,[6] os húngaros perderam por 0 x 1, com alguma polêmica: o árbitro soviético Nikolay Latichev anulou um gol aparentemente válido de Tichy, em que a bola bateu no travessão e deu a impressão de ter caído dentro do gol.[7] Posteriormente, o juiz ainda marcaria um impedimento inexistente de Tichy.[7]

Tichy foi ainda convocado para a Copa do Mundo de 1966. Porém, já aos 31 anos e vivenciando a decadência do Honvéd, ficou na reserva. O trio de ataque húngaro nos quatro jogos realizados pelo país, que novamente caiu nas quartas-de-final, foi formado por Albert, Ferenc Bene e János Farkas.[8][9][10][11] Tichy continuou a jogar esporadicamente pela Hungria até 1971. Os magiares, porém, não se classificaram para as fases finais da Eurocopa 1968 e para a Copa do Mundo de 1970.

Títulos[editar | editar código-fonte]

  • Campeonato Húngaro: 1954, 1955 (como jogador), 1980, 1985, 1986, 1988, 1989 (como treinador)
  • Copa da Hungria: 1964 (como jogador), 1985, 1989 (como treinador)

Referências

  1. "Alteração inútil", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 6 - 1958 Suécia, fevereiro de 2006, Editora Abril, pág. 32
  2. "Ataque novo e goleada", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 6 - 1958 Suécia, fevereiro de 2006, Editora Abril, pág. 33
  3. "Todos querem ir ao Chile", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 6 - 1958 Suécia, março de 2006, Editora Abril, págs. 10-13
  4. "Fiasco na lama", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 6 - 1958 Suécia, março de 2006, Editora Abril, pág. 35
  5. "Nem 1 golzinho", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 6 - 1958 Suécia, março de 2006, Editora Abril, pág. 36
  6. "Jogou mais e perdeu", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 7 - 1962 Chile, março de 2006, Editora Abril, pág. 39
  7. a b "Culpa do juiz?", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 7 - 1962 Chile, março de 2006, Editora Abril, pág. 39
  8. "Entrosamento total", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 8 - 1966 Inglaterra, abril de 2006, Editora Abril, pág. 30
  9. "Desastre absoluto", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 8 - 1966 Inglaterra, abril de 2006, Editora Abril, pág. 31
  10. "Esperança vã", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 8 - 1966 Inglaterra, abril de 2006, Editora Abril, pág. 34
  11. "Um herói, outro vilão", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 8 - 1966 Inglaterra, abril de 2006, Editora Abril, pág. 39