Lamarquismo

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Retrato de Jean-Baptiste Lamarck

O lamarquismo ou lamarckismo foi uma teoria proposta no século XIX criada pelo biólogo francês Jean-Baptiste Lamarck para explicar a evolução das espécies. Lamarck acreditava que mudanças no ambiente causavam mudanças nas necessidades dos organismos que ali viviam, causando mudanças no seu comportamento.[1] O lamarquismo baseia-se em duas leis, descritas por Lamarck no livro Philosophie zoologique:

  • "Primeira Lei": Uso e Desuso – órgãos utilizados constantemente tendem a se desenvolver, enquanto órgãos inutilizados podem sofrer atrofia;
  • "Segunda Lei": Transmissão dos caracteres adquiridos – as características do uso e desuso seriam herdadas por gerações seguintes, por exemplo: uma girafa precisa esticar o pescoço para alcançar as folhas das árvores, o seu pescoço cresce e os seus descendentes nascem já com o pescoço mais comprido.

Teoria[editar | editar código-fonte]

Lamarck começou a publicar detalhes da sua teoria em 1801. Ele acreditava que uma mudança no ambiente fazia com que as necessidades dos organismos também mudassem, causando uma alteração no comportamento daquele organismo. Não somente a esse, mas que essa mudança poderia ser transmitida ao seu descendente.

Estas alterações comportamentais faziam com que determinada estrutura ou órgão fosse mais ou menos usado. O uso causaria o aumento de tamanho das estruturas, enquanto o desuso causaria a diminuição ou atrofiamento das estruturas, ocasionando o desenvolvimento ou desaparecimento dessa. Lamarck chamou de Primeira Lei a esta regra. A segunda Lei afirma que todas estas mudanças são hereditárias.

O mecanismo proposto por Lamarck é bastante diferente do de Darwin, a seleção natural, mas o resultado previsto é semelhante: adaptação contínua e gradual dos organismos ao seu ambiente. Tal como Darwin, Lamarck cita a variedade de animais e plantas produzidos sob a influência do homem; órgãos vestigiais; e a presença de estruturas embriónicas que não estão presentes nos adultos.

A teoria de Lamarck era bastante semelhante à proposta por Erasmus Darwin, avô de Charles, embora aparentemente nenhum dos dois tenha conhecido o trabalho do outro. A genética mendeliana, redescoberta no início do século XX, veio refutar a hereditariedade lamarckiana.[1]

Atualmente, novas descobertas sobre epigenética aparentam revelar a existência de mecanismos "lamarckianos" na regulação da expressão génica, embora Lamarck nunca tenha proposto estes mecanismos em concreto.[2] A expressão genética é regulada pelo epigenoma, que por sua vez responde a inúmeros fatores como alimentação e fatores ambientais. Parte do epigenoma pode ser transmitido aos descendentes, mas a maioria das posições metiladas voltam ao seu estado inicial nas células germinativas.[3]

Referências

  1. a b «Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829)». Consultado em 2010-09-26. 
  2. Penny, David. (2015-06-01). "Epigenetics, Darwin, and Lamarck" (em en). Genome Biology and Evolution 7 (6): 1758–1760. DOI:10.1093/gbe/evv107. ISSN 1759-6653. PMID 26026157.
  3. Tang, Walfred W.C.; Sabine. (2015-06-04). "A Unique Gene Regulatory Network Resets the Human Germline Epigenome for Development". Cell 161 (6): 1453–1467. DOI:10.1016/j.cell.2015.04.053. ISSN 0092-8674. PMID 26046444.
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