Lambada

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Esta página ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde Fevereiro de 2008). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Disambig grey.svg Nota: Para o filme de 1990, veja Lambada (filme).
Lambada
Origens estilísticas guitarrada, maxixe, carimbó,cúmbia, merengue
Contexto cultural Anos 1980, no Pará
Instrumentos típicos Guitarra elétrica, tambor, bateria, saxofone
Popularidade Sucesso internacional no final dos anos 1980
Formas regionais
Amazonas, Pará, Região Nordeste do Brasil

A lambada é um gênero musical com origens na Região Norte do Brasil, mais especificamente no estado do Pará nos anos 1980.[1] [2] Tem, como base, o carimbó e a guitarrada. Foi influenciada por ritmos como a cúmbia e o merengue.

História[editar | editar código-fonte]

Diversos relatos de paraenses contam que uma emissora local de rádio chamava de "lambadas" as músicas mais vibrantes. O uso pegou, batizando o ritmo cuja paternidade é controversa e motivo de discussão entre músicos e pesquisadores paraenses. Porém é fato que o músico e compositor de carimbó Pinduca lançou, em 1976, uma música intitulada "Lambada (Sambão)", faixa número 6 do LP "No embalo do carimbó e sirimbó volume 5". Foi a primeira gravação de uma música sob o rótulo de "lambada" na história da música popular brasileira. Há, também, quem sustente a versão de que o guitarrista e compositor paraense Mestre Vieira, o inventor da guitarrada, seria, também, o criador da lambada. Seu primeiro disco oficial, "Lambada das Quebradas", foi gravado em 1976, mas lançado oficialmente dois anos depois, em 1978.

Já a dança lambada teve sua origem a partir de uma mudança do carimbó, que passou a ser dançado por duplas abraçadas ao invés de duplas soltas. Assim como o forró, a lambada tem, na polca, sua referência principal para o passo básico, somando-se o balão apagado, o pião e outras figuras do maxixe. Usa, normalmente, as cabeças dos tempos e o meio do tempo par, se começarmos a dançar no "um", para as trocas de peso (pisa-se no "um", no "dois" e no "e" - que é chamado comumente de contratempo). A lambada chega, então, a Porto Seguro e, ali, se desenvolve. Boas referências foram a Lambada Boca da Barra, em Porto Seguro, e o Jatobar, no Arraial d'Ajuda, onde, desde o início, também zouks (lambadas francesas) serviram para embalar os lambadeiros.

O nome "lambada" e a mistura do carimbó com a música metálica e eletrônica do Caribe caíram no gosto popular e se disseminaram, numa primeira fase, até a Região Nordeste do Brasil. O grande sucesso, no entanto, só aconteceu após a entrada de empresários franceses no negócio em meados da década de 1980. Com uma gigantesca estrutura de marketing e músicos populares, o grupo Kaoma lançou, em 1989, com êxito, a lambada na Europa e outros continentes. Adaptada ao ritmo, a música boliviana "Chorando Se Foi" tornou-se o carro chefe da novidade pelo mundo.[3]

Tudo isso acontece na época do apogeu do carnaval baiano, que ditava uma moda atrás da outra e, numa delas, apresentou a lambada ao Brasil. Essa segunda fase da dança durou apenas uma temporada e foi um pouco mais abrangente que a primeira, que só havia chegado até a região nordeste do Brasil. Até esse ponto, a lambada tinha, como principal característica, os casais abraçados. Era uma exigência tão forte que, quando da realização de alguns concursos, aqueles que se separassem eram desclassificados.

No mundo inteiro, a lambada tornou-se um grande sucesso e, em pouco tempo, estava presente em filmes e praticamente todos os programas de auditório, aparecendo até em novelas. Foi a hora dos grandes concursos e shows. A necessidade do espetáculo fez com que os dançarinos criassem coreografias cada vez mais ousadas, com giros e acrobacias.

Como acontece com frequência, a valorização do produto no seu país de origem só se deu após seu reconhecimento no exterior. Seguiu-se um período intenso de composições e gravações de lambadas tanto no mercado interno quanto externo. Os franceses,[3] por exemplo, compraram, de uma só vez, os direitos autorais de centenas de músicas. Dezenas de grupos e diversos cantores pegaram carona no sucesso do ritmo, como Beto Barbosa, Márcia Ferreira, Manezinho do Sax, Sidney Magal, Sandy e Júnior, Fafá de Belém e Angélica.

Depois dessa fase de superexposição, como acontece com quase todo fenômeno midiático, deu-se um natural desgaste, com a consequente queda nas vendas, até cessar a produção. Depois de algum tempo, a música lambada entrou em crise e parou de ser gravada. Os DJs das boates aproveitam então para simular o enterro do estilo musical. A dança perde destaque, mas sobrevive, pois já haviam sido feitas, nas lambaterias, muitas experiências com variados estilos de música que tivessem a batida (base de marcação) que permitisse dançar lambada. Só para citar um exemplo, a banda de rumba flamenca Gipsy Kings teve vendagem significativa no Brasil por conta da dança. As músicas francesas, espanholas, árabes, americanas, africanas, caribenhas etc. viraram, então, a salvação e solução para a continuidade do estilo de dança. De todas as músicas testadas, o zouk foi o ritmo que melhor se encaixou na dança, tornando-se a principal música para dançar lambada.

Esta passa a ser dançada com um andamento mais lento, com mais tempo e pausas que praticamente não existiam na música lambada, permitindo explorar, ao máximo, a sensualidade, plasticidade e beleza da dança. Os movimentos ficaram mais suaves e continuam fluidos, modificando-se à medida em que ela incorpora e troca com outras modalidades. Contribuem, ainda, as diversas pesquisas, até fora da dança de salão, como, por exemplo, as de contato e improvisação. Hoje, a relação com o parceiro volta a ganhar valor, as acrobacias ficam praticamente exclusivas para os palcos e os locais para dançar reabrem em diversos estados brasileiros. Encontramos lambaterias e professores de lambada em diversos pontos do planeta e, ainda que a chamem de zouk atualmente, muitos vivem dela até hoje.

Em 2011, a cantora Jennifer Lopez readaptou o sucesso "Lambada", do grupo Kaoma, para um single em ritmo eletrônico chamado "On the Floor".[4] [5]

Carimbó[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Carimbó
Banda Calypso durante o "Show da Emancipação", em 2009.

O carimbó é uma dança típica de origem indígena, pertencente ao folclore amazônico do Norte do Brasil,[6] que é uma das principais fontes rítmicas da lambada. Na forma tradicional, o carimbó é acompanhado por tambores de tronco de árvores afinados a fogo. Atualmente, o carimbó tem, como característica, ser mais solto e sensual, com muitos giros e movimentos onde a mulher tenta cobrir o homem com a saia.

A maior influência hoje do carimbó em todo território nacional é a XCalypso, que antes era composta por Joelma e Chimbinha e conhecida como Banda Calypso.

Referências

  1. Almanaque Abril. Editora Abril, 1991. pp. 217-278.
  2. Manchete. Block Editores, 1995. pp. 57-58.
  3. a b Azevedo, Ricardo. Axé Music. Ricardo Azevedo. pp. 92-94. ISBN 8560575006
  4. «New Music: Jennifer Lopez ft. Pitbull "On the Floor"» (em inglês). Rap-Up. 14 de Janeiro de 2011. Consultado em 8 de Março de 2011. 
  5. «Jennifer Lopez Steps Back “On The Floor”» (em inglês). Idolator. (Buzzmedia). 16 de Janeiro de 2011. Consultado em 8 de Março de 2011. 
  6. Boieras, Gabriel.; Cattani, Luciana. Maravilhas do Brasil: festas populares. Escrituras Editora, 2006. pp. 108. ISBN 8575312367

Ligações externas[editar | editar código-fonte]