Largo da Memória

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Largo da Memória
Largo da Memória 06.JPG
Autor Daniel Pedro Müller (engenheiro), Vicente Gomes Pereira (mestre pedreiro)
Data da construção 1814
Cidade São Paulo, SP
Tombamento 1975/ 1991
Órgão CONDEPHAAT/ CONPRESP

O Largo da Memória é um logradouro histórico localizado no centro da cidade de São Paulo, no Brasil, no início da Rua 7 de Abril (antiga Rua da Palha). É delimitado pelas ruas Coronel Xavier de Toledo, uma das principais vias da cidade de São Paulo do corredor leste-oeste, e Quirino de Andrade e pela Ladeira da Memória, próxima ao Vale do Anhangabaú. Criado no fim do período colonial, o largo abriga o mais antigo monumento de São Paulo, o Obelisco do Piques, inaugurado em 1814.

História[editar | editar código-fonte]

O largo foi construído no local antes conhecido como "Piques", um barranco de forma triangular que servia de entrada e saída da cidade de São Paulo para os tropeiros que transportavam mercadorias. Em 1814, o governo provisório da Capitania de São Paulo constituído pelo bispo D. Mateus de Abreu, o Ouvidor D. Nuno Eugênio de Lossio e pelo chefe-de-esquadra Miguel José de Oliveira Pinto, triunvirato que governou entre 1813 e 1814, encarregou o engenheiro militar Daniel Pedro Müller da construção da estrada dos Piques que facilitaria a comunicação entre São Paulo e as cidades do interior, de um muro de arrimo e de um chafariz novo (em formato de casinha acachapada)[1].

A partir do alargamento das ladeiras do Pique e da Palha, Müller construiu o largo e o chafariz e com a sobra de material de outra obra solicitou ao mestre pedreiro Vicente Gomes Pereira (Mestre Vicentinho) a construção do obelisco "à memória do zelo do bem público" demonstrado pelo governo[2]. O obelisco feito em pedra de cantaria e se localizava dentro de uma bacia de alvenaria com grades de ferro. A obra seria a celebração do encerramento de um dos governos interinos do bispo Dom Mateus ou do fim de uma seca que castigara a região naquele ano.[3] A Pirâmide do Piques é considerada o primeiro monumento de São Paulo ou, como definiu Roberto Pompeu de Toledo em seu livro A Capital da Solidão, a "primeira obra inútil", cuja "função não dizia respeito a nenhum aspecto prático da vida".[3] "A pirâmide era sinal de que São Paulo deixava de ter a função de mero posto avançado para a conversão dos índios", escreveu o autor.[3]

Durante o século XIX, foi uma das "portas de entrada" da cidade, por situar-se no encontro entre os trajetos com destino a Sorocaba, Pinheiros, Anastácio e Água Fria,[4] e um importante ponto de encontro dos moradores da província, viajantes e escravos, atraídos pela água potável fornecida pelo chafariz do largo.[5]. A água era captada no Tanque Reúno, próximo à localização da atual Praça da Bandeira, passava pelo Piques e seguia até chegar ao lago central do Jardim Público, atual Parque da Luz.[4]

No final daquele século ganhou uma figueira, Ficus organensis Miquel, que em 1986 era considerada "a árvore mais conhecida de São Paulo".[5] Em 1919, Washington Luís, por ocasião das comemorações do centenário da independência do Brasil, contratou Victor Dubugras e José Wasth Rodrigues para projetar a reforma do Largo que lhe deu as feições atuais.[6] Com estilo neocolonial, o projeto valorizou o obelisco, introduziu um novo chafariz (em um tanque também chamado de "vasca")[1], um pórtico com azulejos, escadarias e bancos circulares chamados também de êxedras. Os azulejos da obra com o brasão da cidade (escolhido em concurso público vencido por Guilherme de Almeida e Wasth Rodrigues, em 1917) foram produzidos na Inglaterra e pintados e requeimados no Brasil na primeira fábrica brasileira a produzir faiança fina, um tipo de cerâmica utilizado em louças como xícaras, pratos e outros. Localizada em Santa Catarina, a fábrica era de propriedade de Ranzini, um ceramista italiano[1]. Além disso, o projeto paisagístico manteve a figueira no mesmo lugar.[5] A figueira só teve alguns galhos cortados na construção da Estação Anhangabaú, na década de 1970, alguns metros abaixo.[5]. A construção dos acessos à estação do metrô e a instalação do terminal de ônibus na Praça da Bandeira (São Paulo), no final da década de 1960, alterou significativamente o entorno do Largo.[4]

Devido à importância cultural, histórica e arquitetônica desse logradouro para formação da cidade o Largo da Memória foi tombado como patrimônio histórico estadual (Condephaat) em 1975[7] e municipal (Conpresp) em 1991.[8]

Restauração do Obelisco do Largo da Memória (2005)[editar | editar código-fonte]

Em 13 de dezembro de 2005, a Prefeitura de São Paulo entregou à cidade o restauro do obelisco do Largo da Memória. As obras foram patrocinadas pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), em parceria com o Departamento do Patrimônio Histórico do Município (DPH), ligado à Secretaria Municipal de Cultura.

As características originais projetadas pelo engenheiro Daniel Pedro Müller foram preservadas e restauradas. A CBA, do Grupo Votorantim, patrocinou a restauração e a conservação do obelisco, e foi responsável pela conservação nos dois anos seguintes (2006 e 2007).

Segundo a Prefeitura de São Paulo, "o projeto de restauração [fazia] parte de uma parceria entre a CBA e o DPH, por intermédio do programa 'Adote uma Obra Artística', da Secretaria Municipal de Cultura, da Federação de Amigos de Museus do Brasil (Fambra) e da Ação Local - Ladeira da Memória, que [buscava] o apoio da iniciativa privada para a conservação e recuperação física de obras de arte e monumentos de São Paulo".[9]

Bicentenário do obelisco do Largo da Memória[editar | editar código-fonte]

Em 18 de outubro de 2014, o obelisco do Largo da Memória completou duzentos anos de história. A data foi comemorada com um evento organizado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, que incluía 56 apresentações de dança, teatro, música, circo, estátuas vivas e intervenção urbana criadas por duzentos artistas. A programação teve inicio em 13 de outubro e se estendeu até 2 de novembro.[10] Mustaches e os Apaches, Cabaré Três Vinténs, Chaiss na Mala, O Bardo e o Banjo e Emblues Beer Band foram algumas das atrações do evento.

O bicentenário também foi marcado por um projeto de limpeza e proteção química do monumento, por meio de um termo de doação de serviços com as empresas NanoBr, Evonik, Rental Master e Inova[11]. O projeto de restauração do conjunto arquitetônico e de reativação da fonte do monumento foi elaborado pelo escritório Gesto Arquitetura e incluído como prioridade no Programa Adote uma Obra Artística, do Departamento do Patrimônio Histórico da Prefeitura de São Paulo.[12]

De acordo com a diretora do Departamento do Patrimônio Histórico, Nádia Somekh, a restauração da obra feita em 2005 se perdeu por falta de conservação[11].

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Matsuy, Karen Sayuri; Oliveira, Fabiana Lopes de. «"Painel de azulejos do Largo da Memória"- FAU-USP». 
  2. Winther, Ana; Diamante, Helenice; Trani, Denise; Antunes, Fátima (6 de maio de 2005). «Prefeitura Municipal de São Paulo- DPH, Largo da Memória». "Largo da Memória, porta de entrada da São Paulo antiga". Diário Oficial da Cidade de São Paulo. Consultado em 13/9/2016. 
  3. a b c Roberto Pompeu de Toledo (2003). A Capital da Solidão. Uma história de São Paulo das origens a 1900 (Rio de Janeiro: Editora Objetiva). pp. págs. 302–304. ISBN 85-7302-568-9. 
  4. a b c Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo
  5. a b c d (12 de fevereiro de 1986) "Árvores notáveis". Veja em São Paulo: pág. 10. Editora Abril.
  6. Governo do Estado de São Paulo - Condephaat
  7. Governo do Estado de São Paulo - Condephaat
  8. Prefeitura Municipal de São Paulo - DPH
  9. «"Prefeitura entrega as obras de restauração do Obelisco da Ladeira da Memória"». Secretaria Executiva de Comunicação da Prefeitura de São Paulo. 13 de dezembro de 2005. 
  10. «O projeto começa aqui». Projeto Fontes de São Paulo. Consultado em 13/9/2016. 
  11. a b «Obelisco do Largo da Memória comemora 200 anos com programação cultural». Secretaria Executiva de Comunicação da Prefeitura de São Paulo. 16 de outubro de 2014. Consultado em 13/9/2016. 
  12. «Entenda o programa Adote uma Obra Artística». Prefeitura de São Paulo. Consultado em 13/9/2016. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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