Lavander marriage

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Lavander marriage ("casamento lavanda", em tradução livre) é como os países de língua inglesa chamam o casamento entre um homem e mulher em que um ou ambos os parceiros são homossexuais ou bissexuais. O termo mais geral é casamento de orientação mista. É uma forma especifica de casamento por conveniência, no qual o casamento é formado por alguma outra razão que não seja a conexão romântica, presumida como sendo a base dos casamentos modernos, por razões legais envolvendo herança ou imigração, por exemplo.

Os parceiros em um casamento lavanda estão escondendo o fato de que a orientação sexual de pelo menos um deles não é primariamente heterossexual. O termo casamento lavanda data do início do século 20, e é usado quase exclusivamente para caracterizar certos casamentos de personalidades públicas na primeira metade do século 20, principalmente antes da Segunda Guerra Mundial. Na época, a atitude do público em relação à homossexualidade tornava impossível que uma pessoa seguisse uma carreira pública, notadamente na indústria cinematográfica de Hollywood, e reconhecesse sua homossexualidade.[1] Um dos primeiros usos do termo apareceu na imprensa britânica em 1895, numa época em que a cor lavanda era associada à homossexualidade.[2]

Uso[editar | editar código-fonte]

Com a inclusão de cláusulas de moralidade nos contratos de atores de Hollywood na década de 1920, algumas estrelas no armário arranjaram casamentos de conveniência para proteger sua reputação pública e preservar suas carreiras. Uma exceção notória, que demonstrou a posição precária do homossexual público, foi a do ator norte-americano William Haines, que pôs um fim repentino à sua carreira aos 35 anos de idade. Ele se recusou a terminar seu relacionamento com seu parceiro, Jimmy Shields, e entrar em um casamento de fachada, por ordens do chefe de seu estúdio, Metro-Goldwyn-Mayer.[3] O termo casamento lavanda foi usado para caracterizar esses casais/indivíduos:

  • O casamento do ator italiano Rudolfo Valentino, em 1923, com a designer de figurinos e sets Natacha Rambova, que era lésbica, disfarçou o relacionamento da mesma com a atriz Alla Nazimova, bem como sua suposta bissexualidade.[4]
  • A locutora e jornalista inglesa Nancy Spain considerou entrar em um casamento lavanda para disfarçar seu relacionamento com Joan Werner Laurie, uma editora de revistas e de livros.[5]
  • O casamento entre os atores norte-americanos Robert Taylor e Barbara Stanwyck aparentemente era para disfarçar a suposta bissexualidade dela, e foi caracterizado como lavanda por esse motivo, mas foi motivado pela necessidade de proteger a reputação de ambos depois que um artigo da revista Photoplay relatou que eles estavam vivendo juntos por anos apesar de não serem casados.[6]
  • O ator estadunidense Rock Hudson, preocupado com rumores de que a revista Confidential estava planejando expor sua homossexualidade, casou-se com Phyllis Gates, uma jovem contratada por seu agente, em 1955.[7]
  • O termo foi aplicado ao casamento do ator estadunidense Tyrone Power e da atriz francesa Annabella em 1939.[8]
  • A atriz e produtora de teatro americana Katharine Cornell casou-se com o diretor teatral Guthrie McClintic em 1921. Ela aparecia apenas em produções dirigidas por ele, e eles viveram juntos em sua casa em Manhattan até a morte dele em 1961.[9]
  • O ator sueco de Hollywood Nils Asther e a artista de vaudeville Vivian Duncan tiveram um breve casamento de conveniência que resultou em um filho; Asther era um bem conhecido homossexual que tinha um relacionamento com o ator/dublê Kenneth DuMain.[10]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Claude J. Summers (2005). The Queer Encyclopedia of Film & Television (em inglês) ilustrada ed. E.U.A.: Cleis Press. p. 132. ISBN 9781573442091 
  2. John Lyttle (29 de agosto de 1995). «The bride and groom wore lavender». Independent Print Limited. The Independent (em inglês). Consultado em 20 de setembro de 2018 
  3. Benjamin Trimmier. «Haines, William "Billy" (1900-1973)». Glbtq.com (em inglês). Consultado em 20 de setembro de 2018 
  4. Rictor Norton (1997). The Myth of the Modern Homosexual: Queer History and the Search for Cultural Unity (em inglês) ilustrada ed. Universidade da Virgínia: Washington. p. 57. ISBN 9780304338917 
  5. Rose Collis (1997). A Trouser-wearing Character: The Life and Times of Nancy Spain (em inglês) ilustrada ed. Universidade da Virgínia: Cassell. p. 251. ISBN 9780304328796 
  6. Jane Ellen Wayne (2005). The Leading Men of MGM (em inglês) ilustrada ed. E.U.A.: Carroll & Graf Publishers. p. xv. ISBN 9780786714759 
  7. David Bret (2004). Rock Hudson (em inglês) ilustrada ed. E.U.A.: Robson Books. p. 121. ISBN 9781861055576 
  8. David Bret (2000). Errol Flynn: Satan's Angel (em inglês) ilustrada ed. E.U.A.: Robson Books. p. 79. ISBN 9781861053329 
  9. Mosel (1978). Leading Lady: The World and Theatre of Katharine Cornell (em inglês). E.U.A.: Little, Brown & Co. ISBN 9780316585378 
  10. Nils Asther (1988). Narrens väg: ingen gudasaga ; memoarer (em inglês). Suécia: Carlsson. ISBN 9789177981985