Legionella pneumophila

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Como ler uma caixa taxonómicaLegionella pneumophila
Legionella pneumophila 01.jpg

Classificação científica
Reino: Bacteria
Filo: Proteobacteria
Classe: Gammaproteobacteria
Ordem: Legionellales
Família: Legionellaceae
Género: Legionella
Nome binomial
Legionella pneumophila
Brenner DJ, Steigerwalt AG, McDade JE 1979

Legionella pneumophila é uma bactéria pleomórfica, flagelada, Gram negativa do género Legionella.

História[editar | editar código-fonte]

A Legionella pneumophila é uma bactéria que ficou conhecida devido a um trágico acidente numa convenção da American Legion [1] em 1976, no Bellevue Stratford Hotel [2], Filadélfia, onde repentinamente 34 participantes faleceram e 221 contraíram uma pneumonia grave. A busca do motivo dessas mortes levou ao conhecimento mais apurado da bactéria, apesar de já ser, na época, uma bactéria conhecida.

Biologia[editar | editar código-fonte]

A Legionella pneumophila é uma bactéria ubiquitária e saprófita da água, não fermentadora da lactose, sendo nutricionalmente exigente. É oxidase positiva, catalase positiva e hidrolisa o hipurato. Patógeno intracelular facultativo, apresenta um sistema de secreção tipo IV, chamado dot/icm responsável por sua capacidade de invadir a célula hospedeira.

Infecção[editar | editar código-fonte]

A infecção pela bactéria ocorre principalmente na inalação de vapor, gotículas de água ou neblina contaminada com a Legionella, oriundas principalmente de chuveiros domésticos, torres de resfriamento, condensadores evaporativos e bandejas de gotejamento de condensado, sobretudo quando existem algum depósito de água como nos aquecedores por acumulação, fontes decorativas, todo processo que produz aerossol e spray de água.

Patogénese[editar | editar código-fonte]

A Legionella pneumophila multiplica-se no interior das dust cells, lesionando as células infectadas por acção de: fosfatases, lipases e nucleases, provocando o recrutamento de novos fagócitos. Há produção de anticorpos e activação subsequente dos macrófagos, que eliminam a bactéria.

Patologia[editar | editar código-fonte]

• Após a inalação para os pulmões, a L. pneumophila entra nos macrófagos alveolares via coiling, ou por convencional fagocitose, passando a replicar-se no vacúolo especializado. • Uma proteína da membrana exterior liga-se ao componente do complemento 3 (C3), facilitando o reconhecimento pelos fagócitos, e induzindo poros na membrana do macrófago. • Outra proteína da membrana exterior (OMP) chamada macrophage invasion potentiator (macrófago potenciador de invasão) (MIP) determina a entrada da célula. • Quando os nutrientes começam a escassear, a produção de citotoxinas pelas bactérias em stress, levam a ruptura dos macrófagos e o ciclo recomeça. • A secreção de proteases (são enzimas que quebram ligações peptídicas entre os aminoácidos das proteínas) pela L. Pneumophila contribui para o dano dos tecidos. • A propagação da doença leva o recrutamento de fagócitos oriundos do sangue, mas L. pneumophila é relativamente resistente aos neutrófilos e multiplica-se dentro dos monócitos.

Fatores de risco[editar | editar código-fonte]

OBS: Em fevereiro de 2016 foi publicado um estudo que existe a possibilidade da legionella ser transmitida de pessoa para pessoa. Este estudo ainda será mais aprofundado e o mesmo foi feito em Portugal após o caso de 2015.

Doenças causadas[editar | editar código-fonte]

A L pneumophila pode originar infecções assintomáticas ou sintomáticas. As infecções sintomáticas podem ser:

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Os métodos mais eficientes para o diagnóstico da Legionella pneumophila passam pela Imunofluorescência direta, método menos sensível, ou pela Imunofluorescência indireta, com maior sensibilidade. Métodos menos eficientes incluem:

Prevenção[editar | editar código-fonte]

Como a Legionella não se apresenta como risco razoável em ambientes naturais e também não é facilmente controlada como o são outras bactérias de origem hídrica (tal qual os coliformes), as técnicas tradicionais do saneamento para barrar a contaminação de sistemas de água pela Legionella se mostraram ineficientes. Dessa forma a prevenção da Legionella se dá por meio de um Gerenciamento de Riscos associados a esta bactéria. Pela sua capacidade de persistência nos sistemas de água (não necessariamente sistema de água potável), as estratégias de controle devem ser definidas a partir do sistema como um todo, além das relações entre sistemas, sub-sistemas e sistemas de água no entorno. Isso é feito, normalmente, a partir de uma Avaliação de Risco que aponta primeiramente as vulnerabilidades dos sistemas de água para desenvolvimento da Legionella e posteriormente técnicas e medidas para controlar de modo a que seu risco seja mantido em patamares aceitáveis de segurança. Essa é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde[3] e é refletida em diversas legislações, guias e normas técnicas atuais apontam para este sentido, como uma forma de lidar com este risco, tal como no Reino Unido[4], na Espanha[5], nos Estados Unidos[6] e outros. O Brasil possui em desenvolvimento de uma norma técnica neste sentido.

Resumidamente, em caso de detecção de contaminação pela Legionella em sistemas de água, pode-se (mas é necessária uma avaliação técnica), utilizar em grandes quantidades a adição de cloro contínua a longo prazo, ou pela elevação da temperatura da água para temperaturas entre os 60 e os 70 graus Celsius.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento farmacológico só se aplica à Doença do legionário, já que a Febre de Pontiac ao fim de 1 a 5 dias cura espontaneamente. Como antimicrobiano de primeira linha, deve-se usar eritromicina. Como antimicrobiano de segunda linha, pode-se utilizar a rifampicina, mas nunca em monoterapia. A Legionella pneumophila produz beta-lactamases, sendo resistente aos beta-lactâmicos (nomeadamente a penicilina).

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Legionella pneumophila