Leopardo-de-amur

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Leopardo-de-amur

Leopardo-de-amur
Estado de conservação
Espécie em perigo crítico
Em perigo crítico
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Felidae
Género: Panthera
Espécie: 'P. pardus
Subespécie: P. p. orientalis
Nome trinomial
Panthera pardus orientalis
Schlegel, 1857
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O leopardo-de-amur (Panthera pardus orientalis) é uma subespécie extremamente rara de leopardo e mais setentrional existente, nativa do sudeste da Russia e da província de Jilin, no nordeste da China. É também conhecido como leopardo-siberiano e leopardo-do-extremo-oriente. Está listado como Em perigo critico de extinção na lista vermelha da UICN. Em 2007 a população total de leopardos de amur foi estimada em apenas 19-26 animais. A partir de 2015, estima-se que menos de 60 indivíduos sobrevivem na China e na Russia.

Caracteristicas[editar | editar código-fonte]

Os leopardos-de-amur se diferenciam das demais subespécies de leopardo devido à sua pele e pernas mais grossas e peludas, possivelmente para sobreviver melhor no clima frio da taiga. Ainda possuem rosetas maiores e mais espaçadas. Durante o inverno sua pelagem apresenta uma coloração creme pálida, porém no verão é mais alaranjada. Durante o verão sua pelagem tem normalmente cerca de 2,5 centímetros de espessura, porém no inverno tem aproximadamente 7 centímetros. Os machos medem de 1,89 a 2,26 m de comprimento total (incluindo a cauda), com uma altura no ombro de 64 a 78 cm e uma peso de 32,2-48 kg, as fêmeas são relativamente menores com 25 a 42,5 kg. Os leopardos de amur possuem perna grossas e robustas que são bem adaptados para caminhar sob a neve profunda.

Distribuição geográfica e habitat[editar | editar código-fonte]

O leopardo de amur uma vez já habitou todo o nordeste da China, incluindo as províncias de Jilin e Heilongjiang e toda a península da Coréia. A distribuição do leopardo na Russia foi dramaticamente reduzida durante os anos 70, perdendo cerca de 80% de sua ocorrência original.

Hoje,o leopardo de amur habita cerca de 5.000 quilômetros quadrados. A última população selvagem viável remanescente, estimada em 57 indivíduos, é encontrada em uma pequena área da província russa de Primorsky Krai, entre Vladivostok e a fronteira chinesa. Na China adjacente, estima-se que 7 a 12 indivíduos permaneçam. Na Coréia do sul, o último registro confirmado de uma leopardo de amur remonta a 1969, quando um espécime foi capturado nas encostas da montanha Odo, na província de Gyeongsang do sul.

Um individuo em cativeiro

Os leopardos atravessam a Rússia, a China e a Coréia do Norte através do rio Tumen, apesar de uma cerca de arame farpado alta e longa marcar a fronteira entre os países. As condições ecológicas ao longo da borda das montanhas ainda não são monitoradas. Na China os leopardos de amur foram flagrados por armadilhas fotográficas em Wangqing, Hunchun e Jilin. O único portal oficial do governo norte-coreano informou em 2009 que alguns leopardos ainda residiam na reserva natural de Myohyangsan, localizada no condado de Hyangsan. Se a presença dos animais for confirmada nesta área pode ser a população mais meridional de leopardos de amur.

Os números de leopardos de amur foram reduzidos através da caça de suas presas combinada com a perda de habitat e do desenvolvimento agrícola e urbano. No entanto, tanto os levantamentos de filmagens quanto os de registros feito por armadilhas indicam que a população permaneceu estável nos últimos 30 anos, mas com alta taxa de consanguinidade. Se forem tomadas medidas de conservação adequadas, é provável que a população venha a aumentar com o passar do tempo.

Ecologia e comportamento[editar | editar código-fonte]

Leopardo de amur em um zoológico na Alemanha

Os leopardos de amur são crepusculares e geralmente começam a caçar pouco antes do Pôr-do-sol. Eles também exibem atividade durante a madrugada. Durante o dia, eles descansam e se escondem em cavernas ou matas densas, mas raramente caçam. São solitários, se juntando somente durante a época de reprodução ou quando as fêmeas estão criando seus filhotes.

Eles são extremamente conservadores na escolha de seus territórios. O território de um individuo geralmente se sobrepõem ao de outros leopardos e normalmente está localizado em uma bacia hidrográfica que geralmente se estende para as bordas topográficas naturais da área. Dependendo do sexo e da idade o território de um leopardo pode variar em área de 5.000 a 30.000 ha. Eles podem utilizar as mesmas trilhas de caça e rotas de migração ao longo de muitos anos, em locais onde os animais selvagens são abundantes, os leopardos habitam permanentemente uma determinada área ou realizam apenas migrações ocasionais para seguir rebanhos de ungulados e fugir da neve. Na região de Ussuri, as principais presas dos leopardos são os wapitis muchurianos, veados almiscarados, alces, javalis e mais raramente lebres, texugos, aves, ratos e filhotes de ursos negros asiáticos com menos de 2 anos de idade.

Um Leopardo de amur no zoológico de nova Orleans, EUA

Quando a densidade de presas é baixa, os leopardos possuem amplos territórios, que podem chegar a 100 quilômetros quadrados. Durante um estudo feito com os leopardos amur no inicio da década de 1990, uma disputa territorial entre dois machos de leopardos em uma fazenda de cervos foi documentada, sugerindo que as fazendas de cervos são habitats favorecidos. Os leopardos fêmeas com filhotes são frequentemente encontrados nas proximidades de fazendas de cervos. O grande número de cervos domésticos é uma fonte de alimento confiável que pode ajudar os leopardos a sobreviver em épocas difíceis.

Eles podem correr a até 60 km/h, saltar mais de 5,8 m horizontalmente e até 3,0 m verticalmente.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

A maturidade sexual é atingida por volta dos 2 ou 3 anos de idade, e continuam se reproduzindo até os 10-15 anos. O estro dura de 12 a 18 dias e, em casos excepcionais pode durar até 25 dias. A gestação requer 90 a 105 dias, mais geralmente dura de 92-95 dias e resulta no nascimento de uma ninhada de 1 a 5 filhotes que nascem pesando de 500 a 700 gramas. Os jovens abrem os olhos com 7 a 10 dias e começam engatinhar com 12 ou 15 dias de idade, com 2 meses eles saem da toca e é com esta mesma idade que começam a comer carne, sendo completamente desmamados aos três meses. Os filhotes geralmente permanecem com suas mães até que ela entre novamente no estro, alcançando a independência por volta dos 18 ou 24 meses de idade. Em cativeiro eles podem viver por até 21 anos, enquanto que na natureza raramente excedem ao 15 anos.

Estado de conservação[editar | editar código-fonte]

A espécie está em estado de ameaça crítica, com menos de 50 espécimes na natureza, devido a degradação de seu habitat por consequência da exploração de madeira, da agricultura, de incêndios florestais e da caça clandestina motivada pelo valor de sua pele.[1] A última contagem realizada pela WWF revelou doze leopardos-de-amur aonde haviam sido registrados apenas sete pelos últimos quatro anos, o que traz perspectivas positivas sobre o aumento da população.[1]

Referências

  1. a b «Boas notícias para duas espécies raras de leopardo». Scientific American Brasil. 27 de julho de 2011. Consultado em 27 de julho de 2011. Uma delas é o leopardo-de-amur (Panthera pardus orientalis), em estado de ameaça crítica, na Rússia, [...]. Quanto ao leopardo-de-amur, há menos de 50 animais da espécie em ambiente natural. No entanto, esse número talvez venha a aumentar ligeiramente: novos vídeos de uma equipe de pesquisa da Wildlife Fund, ou WWF, revelaram 12 leopardo-de-amur numa área onde apenas 7 tinham sido observados nas últimas quatro pesquisas anuais. As imagens foram obtidas por armadilhas de câmeras [...] no extremo oriente da Rússia. [...] Os leopardos-de-amur perderam a maior parte de seu hábitat por causa da exploração de madeira, da agricultura e de incêndios florestais, além de terem sofrido intensa caça clandestina por sua pele. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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