Maria Leopoldina da Áustria
Maria Leopoldina da Áustria (nome pessoal em alemão: Caroline Josepha Leopoldine Franziska Ferdinanda; Viena, 22 de janeiro de 1797 – Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 1826) foi a primeira Imperatriz Consorte do Brasil, como esposa do Imperador Pedro I, de 12 de outubro de 1822 até sua morte. Ela também foi Rainha Consorte de Portugal durante o breve reinado de seu marido como Rei Pedro IV, de 10 de março a 2 de maio de 1826.
Ela nasceu em Viena, Áustria, filha de Francisco II, Sacro Imperador Romano, e de sua segunda esposa, Maria Teresa de Nápoles e Sicília. Entre seus muitos irmãos estavam o Imperador Fernando I da Áustria e Maria Luísa, Duquesa de Parma, esposa de Napoleão Bonaparte.
A educação que Maria Leopoldina recebeu na infância e adolescência foi ampla e eclética, com um nível cultural mais elevado e uma formação política mais consistente. Essa educação dos pequenos príncipes e princesas da família Habsburgo baseava-se na crença educacional iniciada por seu avô, Leopoldo II, Sacro Imperador Romano, que acreditava que "as crianças deveriam ser inspiradas desde cedo a ter qualidades elevadas, como humanidade, compaixão e o desejo de fazer as pessoas felizes".[1] Com uma profunda fé cristã e uma sólida formação científica e cultural (que incluía política internacional e noções de governo), a arquiduquesa foi preparada desde cedo para ser uma consorte real adequada.[1][2][3]
No século XXI, alguns historiadores propuseram que ela foi uma das principais articuladoras do processo de Independência do Brasil ocorrido em 1822.[4][5][6] Seu biógrafo, o historiador Paulo Rezzutti, afirma que foi em grande parte graças a ela que o Brasil se tornou uma nação. Segundo ele, a esposa de Dom Pedro "abraçou o Brasil como seu país, os brasileiros como seu povo e a Independência como sua causa". Ela também foi conselheira de Dom Pedro em importantes decisões políticas que refletiram o futuro da nação, como o Dia do Fico e a subsequente oposição e desobediência aos tribunais portugueses em relação ao retorno do casal a Portugal.[7] Consequentemente, por governar o país durante as viagens de Dom Pedro pelas províncias brasileiras, ela é considerada a primeira mulher a se tornar chefe de Estado em um país americano independente.[8][9][10]
Primeiros anos
[editar | editar código]Nascimento e família
[editar | editar código]Maria Leopoldina nasceu em 22 de janeiro de 1797, no Palácio Imperial de Hofburg, em Viena,[11] no então Arquiducado da Áustria. Era a sexta filha de Francisco II, Sacro Imperador Romano, embora apenas a terceira sobrevivente. Após 1804, seu pai passou a usar o título de Imperador da Áustria, como Francisco I, em razão da exigência de Napoleão Bonaparte para que abdicasse do título de Sacro Imperador Romano quando este se proclamou Imperador dos Franceses. Maria Leopoldina foi a quinta filha, terceira sobrevivente, e a quarta menina, segunda sobrevivente, nascida do segundo casamento de Francisco com Maria Teresa de Nápoles e Sicília. Seus avós paternos eram Leopoldo II, Sacro Imperador Romano, e a infanta Maria Luísa da Espanha. Seus avós maternos eram o rei Fernando IV e III de Nápoles e Sicília, posteriormente Fernando I das Duas Sicílias, e a arquiduquesa Maria Carolina da Áustria. Por parte de ambos os pais, que eram primos em segundo grau, Maria Leopoldina descendia da Casa de Habsburgo-Lorena, uma das dinastias mais antigas e poderosas da Europa, reinante na Áustria entre 1282 e 1918, e considerada a casa governante mais antiga do continente à época de seu nascimento, bem como da Casa de Bourbon, dinastia que então reinava sobre a Espanha, Nápoles, Sicília e Parma. O ramo principal dos Bourbons, que governou a França desde 1589, havia sido deposto pela Revolução Francesa em 1792, embora tenha sido brevemente restaurado entre 1814 e 1830. De acordo com seu principal biógrafo, Carlos H. Oberacker Júnior, em A Imperatriz Leopoldina: Sua Vida e Sua Época, informação confirmada por Bettina Kann em "Cartas de uma Imperatriz" e por outros autores, a arquiduquesa recebeu o nome de Caroline Josepha Leopoldine Franziska Ferdinanda.[12][13][14][15][16]


Em um dos ensaios incluídos em sua obra, Oberacker Júnior apresentou um trecho da edição do jornal austríaco Wiener Zeitung, de 25 de janeiro de 1797, que noticiava o nascimento da arquiduquesa ocorrido três dias antes, já com seu nome completo. O autor também destacou que o nome Maria não consta no registro de batismo preservado da arquiduquesa, fato confirmado pela documentação existente.[18] Segundo Oberacker Júnior, a arquiduquesa teria começado a utilizar o nome Maria durante sua viagem ao Brasil, ao tratar de assuntos privados. Já em território brasileiro, passou a assinar apenas Leopoldina ou a empregar o prenome Maria, como se observa, por exemplo, em seu juramento à Constituição do Brasil, em 1822. Conforme outra hipótese apresentada pelo mesmo autor, o uso do nome Maria pode ter sido motivado por sua profunda devoção à Virgem Maria, com o intuito de invocar sua proteção, bem como pelo fato de que todas as suas cunhadas também utilizavam esse nome.[19]
Maria Leopoldina nasceu em um período particularmente turbulento da história europeia. Em 1799, Napoleão Bonaparte tornou-se Primeiro Cônsul da França e, posteriormente, Imperador, dando início a uma série de conflitos e à formação de sistemas de alianças conhecidos como "Coalizões", que frequentemente redefiniram as fronteiras do continente europeu. A Áustria participou ativamente de todas as Guerras Napoleônicas, combatendo a França, sua tradicional inimiga. Napoleão abalou profundamente as antigas instituições monárquicas europeias, e intensas batalhas espalharam-se por todo o Sacro Império Romano-Germânico. Em 1810, sua irmã mais velha, a arquiduquesa Maria Luísa, casou-se com Napoleão, em uma tentativa de fortalecer os laços entre a França e a Áustria. Essa união foi considerada, sem dúvida, uma das derrotas mais graves da Casa de Habsburgo. Sua avó materna, a rainha Maria Carolina de Nápoles e Sicília, que nutria profundo ódio pela França desde a execução de sua estimada irmã, a rainha Maria Antonieta, em 1793, comentou, indignada, a atitude do genro: "Era exatamente o que me faltava: tornar-me agora a avó do diabo."[20]
Educação
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Em 13 de abril de 1807, a arquiduquesa, então com dez anos de idade, perdeu a mãe em decorrência de complicações no parto. Um ano depois, em 6 de janeiro de 1808, seu pai contraiu novo matrimônio com aquela que Maria Leopoldina viria a descrever, mais tarde, como a pessoa mais importante de sua vida: Maria Luísa da Áustria-Este.
Prima de seu marido e neta da imperatriz Maria Teresa, a nova imperatriz era culta e superava sua predecessora em erudição e brilho intelectual.[21] Musa e amiga pessoal do poeta Johann Wolfgang von Goethe, foi responsável pela formação intelectual de sua enteada, despertando em Maria Leopoldina o apreço pela literatura, pela natureza e pela música de Joseph Haydn e Ludwig van Beethoven. Por não ter filhos próprios, acolheu com afeto os filhos de sua antecessora; Maria Leopoldina sempre considerou a madrasta como sua verdadeira mãe e cresceu tendo a imperatriz Maria Luísa como sua "mãe espiritual".[22] Graças a ela, a arquiduquesa teve a oportunidade de conhecer Goethe em 1810 e 1812, durante as estadas em Carlsbad, acompanhando a madrasta.[22]
Maria Leopoldina foi educada segundo os três princípios da Casa de Habsburgo: disciplina, piedade e senso de dever.[22] Sua infância foi marcada por uma formação rigorosa, intensos estímulos culturais e pelas sucessivas guerras que ameaçavam os domínios de seu pai. Ela e seus irmãos foram criados de acordo com os princípios educacionais estabelecidos por seu avô, Leopoldo II, Sacro Imperador Romano, que defendia a igualdade entre os homens, o tratamento cortês para com todos, a prática da caridade e, sobretudo, o sacrifício dos desejos pessoais em favor das necessidades do Estado. Entre esses princípios encontrava-se o hábito de exercitar a caligrafia por meio da escrita do seguinte texto:[22]
"Não oprimam os pobres. Sejam caridosos. Não se queixem do que Deus lhes deu, mas melhorem seus hábitos. Devemos nos esforçar sinceramente para sermos bons."
O programa de estudos de Maria Leopoldina e de seus irmãos abrangia disciplinas como leitura, escrita, dança, desenho, pintura, piano, equitação, caça, história, geografia e música;[22] em um módulo mais avançado, incluía ainda matemática (aritmética e geometria), literatura, física, canto e artesanato.[23] Desde cedo, Maria Leopoldina demonstrou maior inclinação para as ciências naturais, interessando-se especialmente por botânica e mineralogia.[22][24] A arquiduquesa também herdou do pai o hábito do colecionismo: passou a reunir moedas, plantas, flores, minerais e conchas.[25] Entre outubro e dezembro de 1816, aprendeu rapidamente a língua portuguesa; já em dezembro, a arquiduquesa falava fluentemente com diplomatas portugueses e vivia "cercada por mapas do Brasil e livros que tratavam da História desse Reino ou de memórias a ele relacionadas".[26] O aprendizado de línguas integrava a formação da família, e Leopoldina tornou-se uma poliglota notável, dominando sete idiomas: seu alemão nativo, além de português, francês, italiano, inglês, grego e latim.
Casamento
[editar | editar código]Durante séculos, os casamentos reais na Europa desempenharam, sobretudo, a função de alianças políticas, moldando a cartografia geopolítica do continente por meio de uma complexa rede de interesses comuns e solidariedade entre as casas reinantes.[27] O matrimônio entre Maria Leopoldina e Dom Pedro de Alcântara, príncipe real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, constituiu uma aliança estratégica entre as monarquias portuguesa e austríaca. Com essa união, a Casa de Habsburgo-Lorena reafirmou seu célebre lema: Bella gerant alii, tu, felix Austria, nube ("Que outros façam guerra; tu, feliz Áustria, casa-te").
Em 24 de setembro de 1816, o imperador Francisco I anunciou que Dom Pedro de Alcântara desejava contrair matrimônio com uma arquiduquesa da Casa de Habsburgo.[28] O príncipe Klemens von Metternich sugeriu que a escolhida fosse Maria Leopoldina, por considerar que havia chegado "a sua vez" de se tornar esposa.[29] O marquês de Marialva teve papel central nas negociações do casamento, sendo o mesmo diplomata que, com o aconselhamento de Alexandre de Humboldt, havia tratado da vinda da Missão Artística Francesa ao Brasil. O rei Dom João VI empenhou-se em incluir a infanta Dona Isabel Maria nas negociações, embora esta viesse a exercer a regência do Reino de Portugal entre 1826 e 1828 e permanecesse solteira. O marquês de Marialva assegurou às autoridades austríacas que a família real portuguesa estava determinada a regressar à Europa assim que o Brasil demonstrasse ter "escapado definitivamente das chamas das guerras de independência que avançavam nas colônias espanholas", argumento que contribuiu para a obtenção do consentimento austríaco. Uma vez alcançado o acordo, o contrato matrimonial foi assinado em Viena, em 29 de novembro de 1816.
Dois navios foram preparados e, em abril de 1817, cientistas, pintores, jardineiros e um taxidermista, todos acompanhados de seus assistentes, seguiram para o Rio de Janeiro antes da chegada de Maria Leopoldina. Enquanto isso, a arquiduquesa dedicou-se ao estudo da história e da geografia de sua futura pátria, além de aprender a língua portuguesa. Durante essas semanas, compilou e redigiu um vade-mécum, documento singular, sem paralelo entre as princesas da Casa de Habsburgo.[30]

O casamento por procuração entre Maria Leopoldina e Dom Pedro ocorreu em 13 de maio de 1817 na Igreja Agostiniana em Viena. O noivo foi representado pelo tio da noiva, o arquiduque Carlos, duque de Teschen.[31]
"O ponto culminante das cerimônias de casamento ocorreu no Augarten, em Viena, onde, em 1 de junho, o marquês de Marialva, que até então tivera poucas oportunidades de demonstrar o esplendor, a riqueza e a hospitalidade de sua nação, ofereceu uma recepção suntuosa, para a qual se preparara ao longo de todo o inverno. Pouco antes do matrimônio, duas fragatas austríacas, Áustria e Augusta, partiram rumo ao Rio de Janeiro, transportando móveis e decorações destinados à recém-instalada embaixada austríaca, equipamentos para uma expedição científica ao interior do Brasil e numerosas amostras de produtos do comércio austríaco".[32]
Por meio desse casamento, o rei João VI buscou contrabalançar a influência crescente da Inglaterra em seus domínios, estabelecendo novas alianças com dinastias tradicionais. A Áustria, por sua vez, via o recém-criado Império Luso-Brasileiro como um aliado transatlântico estratégico, alinhado aos ideais reacionários e absolutistas da Santa Aliança.[33] Assim, o matrimônio configurou-se como um ato estritamente político, desprovido de caráter sentimental.
Da Áustria para o Novo Mundo e a Missão Científica
[editar | editar código]A travessia do Atlântico
[editar | editar código]A viagem de Maria Leopoldina para o Brasil foi longa e repleta de dificuldades. A arquiduquesa partiu de Viena em direção a Florença no dia 2 de junho de 1817, onde aguardou novas instruções da corte portuguesa, pois a situação política no Brasil ainda estava instável devido a Revolução Pernambucana.
Em 13 de agosto de 1817, Maria Leopoldina finalmente recebeu autorização para iniciar sua viagem de Livorno, na Itália, a bordo da frota portuguesa, composta pelos navios D. João VI e São Sebastião. Com uma grande bagagem e uma comitiva considerável, ela enfrentou 86 dias de travessia pelo Atlântico. Quarenta caixas do tamanho de um homem carregavam seu enxoval, livros, coleções e presentes para a futura família. Além disso, trouxe consigo uma impressionante comitiva: damas da corte, uma camareira, um mordomo, seis damas de companhia, quatro pajens, seis nobres húngaros, seis guardas austríacos, seis camareiros, um esmoleiro, um capelão, um secretário particular, um médico, um artista, um mineralogista e seu professor de pintura.[34] A arquiduquesa partiu definitivamente para o Brasil dois dias depois, em 15 de agosto. As diferenças de costumes e hábitos, já percebidas desde o início da viagem, indicavam as dificuldades que ela enfrentaria no Rio de Janeiro. No entanto, a primeira vez que ela pisou em território português não foi no Brasil, mas sim na Ilha da Madeira, em 11 de setembro.[35][36][37]


Em 5 de novembro de 1817, Maria Leopoldina finalmente chegou ao Rio de Janeiro, onde teve o tão esperado encontro com seu marido e sua nova família.[38] No dia seguinte, 6 de novembro, a cerimônia oficial de casamento aconteceu na Capela Real da Catedral do Rio de Janeiro, acompanhada de grandes celebrações por toda a cidade.[31]

Quando Maria Leopoldina chegou ao Rio de Janeiro, sua aparência física surpreendeu a família real portuguesa, que esperava uma arquiduquesa deslumbrante. Ao invés disso, ela era acima do peso, embora com um rosto belo. No entanto, sua cultura e inteligência impressionaram a todos, especialmente seu grande interesse pela botânica, que era incomum para uma mulher de sua época. A chegada da arquiduquesa também ofereceu a Jean-Baptiste Debret a oportunidade de realizar sua primeira encomenda no Brasil, na qual teve 12 dias para decorar a cidade. Debret, que tinha um estúdio no bairro do Catumbi, aproveitou a ocasião para fazer desenhos de plantas e flores para Maria Leopoldina, já que ele também era naturalista. Ele afirmou: "Fiquei encarregado de fazer alguns desenhos para ela, que ousou pedir, em nome da sua irmã, antiga Imperatriz dos Franceses." Seu estúdio, Debret desenhou os grandes uniformes de gala da corte, em tons de verde e dourado, as condecorações do novo Estado e, previamente, a coroa criada por Napoleão em 1806 para o Reino da Itália. Ele também desenhou a insígnia da Ordem do Cruzeiro do Sul, semelhante à Medalha da Legião de Honra, e anos depois, desenhou a Imperial Ordem da Rosa, instituída em homenagem à segunda esposa de Dom Pedro, Amélia de Leuchtenberg.
À distância, o príncipe português inicialmente parecia à sua nova esposa um cavalheiro perfeito e bem-educado, mas a realidade logo se mostrou bem diferente. Dom Pedro, um ano mais jovem que Maria Leopoldina, raramente correspondia às descrições que ela havia recebido dos casamenteiros. Seu temperamento era impulsivo e colérico, e sua educação, bastante modesta. A comunicação entre o jovem casal também se revelou difícil, pois Pedro falava pouco francês e seu português era, no mínimo, vulgar.[38] Além disso, seguindo a tradição portuguesa, Dom Pedro, então com 18 anos, tinha um histórico de aventuras amorosas e se interessava principalmente por corridas de cavalos e romances. No momento do casamento, ele ainda vivia como se estivesse em um relacionamento com a dançarina francesa Noémie Thierry, que acabou sendo expulsa da corte por seu pai, um mês após a chegada de Maria Leopoldina ao Rio de Janeiro.[38]
O jovem casal se instalou em seis quartos relativamente pequenos no Palácio de São Cristóvão. O pátio interno e o caminho até as cavalariças não eram pavimentados, e a chuva tropical transformava rapidamente tudo em lama. Os insetos estavam por toda parte, até nas roupas, pois os uniformes e as insígnias da corte, feitos de veludo e pelúcia, apodreciam e mofavam devido ao calor e à umidade intensos.[38] Em meio a essas dificuldades, o Príncipe von Metternich interceptaria uma carta do Barão von Eschwege destinada à sua companheira em Viena, na qual ele comentava sobre a situação: "Falando do Príncipe Herdeiro, embora ele não seja desprovido de inteligência natural, falta-lhe educação formal. Ele foi criado entre cavalos, e a princesa, mais cedo ou mais tarde, perceberá que ele não é capaz de conviver em harmonia. Além disso, a corte do Rio é muito entediante e insignificante, comparada às cortes da Europa."
Após a chegada de Maria Leopoldina, a primeira onda de imigrantes chegou ao Brasil: colonos suíços, que se estabeleceram nas proximidades da corte, fundando Nova Friburgo e se estabelecendo na futura Petrópolis, que viria a se tornar a residência de verão imperial. A partir de 1824, com a campanha brasileira na Europa organizada pelo major Georg Anton Schäffer, um número maior de alemães chegou ao país. Eles se instalaram novamente em Nova Friburgo e nas regiões temperadas dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde foi criada a colônia de São Leopoldo, em homenagem à nova princesa. Alguns imigrantes da Pomerânia se estabeleceram no Espírito Santo, vivendo até a década de 1880 em isolamento a ponto de não falarem português.
Missão Científica Austríaca
[editar | editar código]O Brasil teve o privilégio de ser retratado e estudado por artistas e cientistas europeus de primeira linha muito antes de outros países americanos. No século XVII, durante a ocupação holandesa no nordeste brasileiro, o príncipe João Maurício de Nassau-Siegen trouxe para o Brasil um notável grupo de colaboradores, como o médico Willem Piso, que veio estudar doenças tropicais; o pintor Frans Post, então com pouco mais de 20 anos; o também pintor Albert Eckhout; o cartógrafo Cornelis Golijath; e o astrônomo Georg Marggraf, que, com Piso, coautoria a Historia Naturalis Brasiliae (Amsterdã, 1648), a primeira obra científica sobre a natureza brasileira. O príncipe Nassau-Siegen também se preocupava em registrar os eventos políticos de sua administração e confiou a Caspar Barlaeus a tarefa de escrever uma história de seu governo no Brasil.
Após a expulsão dos holandeses, os portugueses perceberam que a recuperação do território havia sido o resultado de uma série de circunstâncias favoráveis, que dificilmente se repetiriam caso houvesse uma nova invasão da América portuguesa. Diante dessa situação, Portugal adotou uma política de Estado que proibia o acesso de estrangeiros às suas possessões ultramarinas, chegando até a proibir a publicação de qualquer notícia ou referência sobre suas terras americanas. Essa política de isolamento foi seguida durante várias gerações, desde meados do século XVII até a chegada da família real ao Brasil, quando ocorreu a abertura do Brasil ao mundo. Esse marco foi simbolizado pelo Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas, assinado pelo Príncipe Regente D. João durante sua estadia em Salvador, em 1808.[39]
A abertura dos portos e a revogação da proibição de desembarque de estrangeiros no Brasil coincidiram com um momento difícil para os naturalistas europeus, já que o trânsito pela Europa estava significativamente prejudicado pelas Guerras Napoleônicas. Além disso, o Brasil, com sua vasta e pouco conhecida extensão territorial, despertava um enorme interesse científico na Europa. Nesse contexto, Maria Leopoldina, desde a juventude (por volta dos 14 anos), começou a demonstrar um interesse especial pelas ciências naturais, especialmente pela geologia e botânica. Esse interesse não passou despercebido por seus professores e por seu pai, o Imperador Francisco I da Áustria, que se surpreendeu com a inclinação da jovem arquiduquesa (já que tais interesses eram mais esperados em um de seus irmãos). No entanto, ele nada fez para impedir os estudos de Maria Leopoldina, que seguiu com seu amor pelas ciências naturais.

Em 1817, quando o casamento de Maria Leopoldina com Dom Pedro foi anunciado, organizou-se imediatamente, sob os auspícios da corte austríaca (com a participação também de cientistas bávaros), uma grande expedição científica que se tornaria a principal missão de exploração das terras brasileiras desconhecidas pela ciência da época.
Em 1815, o rei Maximiliano I José da Baviera já havia planejado uma grande expedição científica pela América do Sul, mas alguns contratempos impediram que esse projeto se concretizasse. Assim, quando Maria Leopoldina embarcou para o Brasil para se casar com Dom Pedro, o soberano bávaro aproveitou a oportunidade e enviou dois de seus súditos: Carl Friedrich Philipp von Martius, médico e botânico, e Johann Baptist von Spix, zoólogo, que acompanharam a comitiva da arquiduquesa.
Além deles, Karl von Schreibers, diretor do Museu de História Natural, sob ordens do chanceler príncipe von Metternich, organizou uma missão composta por cientistas notáveis que se juntaram à comitiva. Entre eles estavam: Johann Christof Mikan, botânico e entomologista; Johann Emanuel Pohl, médico, mineralogista e botânico; Johann Buchberger, pintor de flora; Johann Natterer, zoólogo; Thomas Ender, pintor; Heinrich Schott, jardineiro; e o naturalista italiano Giuseppe Raddi. O objetivo desse grupo era coletar espécimes e criar ilustrações de pessoas e paisagens com a finalidade de fundar um museu em Viena, dedicado ao estudo das riquezas naturais do Brasil.[40]
O maior interesse da expedição científica que acompanhou Maria Leopoldina ao Brasil era mapear o Novo Mundo por meio da pesquisa de plantas, animais e povos indígenas. Esse fascínio pela natureza e pela diversidade do território brasileiro foi impulsionado pela publicação do primeiro volume da obra do geógrafo alemão Alexander von Humboldt, Le voyage aux régions equinoxiales du Nouveau Continent, fait en 1799–1804 ("A viagem às regiões equinociais do Novo Continente, feita em 1799–1804"), escrita em parceria com Aimé Bonpland. Humboldt teve uma grande influência sobre diversos artistas, como Johann Moritz Rugendas, e a característica marcante de sua pesquisa, assim como a dos artistas humboldtianos, era retratar de forma enciclopédica tudo o que viam, detalhando e explicando minuciosamente as observações que faziam.[41]
O conhecido interesse de Maria Leopoldina pelas ciências foi notado já em 1818, quando ela influenciou seu sogro, Dom João VI, a criar o Museu Real (atualmente o Museu Nacional do Brasil).[42] Poucos meses após sua chegada ao Brasil, foi fundado também o primeiro Museu Nacional de História Natural do país, o que incentivou cientistas a explorar o Brasil em busca de novas descobertas. Em setembro de 1824, a escritora britânica Maria Graham, uma mulher viajada e com uma vasta obra publicada, chegou à Boa Vista e foi recebida calorosamente por Dom Pedro e Maria Leopoldina. Maria Graham foi então encarregada da educação de Maria da Glória, a filha mais velha do casal imperial, cuja educação na época era bastante negligenciada.[43] A relação entre Maria Leopoldina e sua governanta logo se transformou em uma amizade afetuosa,[43] principalmente porque ambas compartilhavam um interesse comum pelas ciências.[42] Embora Maria Graham tenha sido dispensada de seu cargo por Dom Pedro apenas seis semanas depois, para grande desgosto de Maria Leopoldina,[43] o vínculo entre as duas perdurou até a morte da arquiduquesa. Ambas estavam unidas pela busca de informações e pelo desejo de adquirir conhecimentos a que, devido à sociedade dominada pelos homens, raramente tinham acesso.[42]
Imperatriz do Brasil
[editar | editar código]Contexto da Independência
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O ano de 1821 foi decisivo na vida de Maria Leopoldina. Vinda de uma das famílias mais conservadoras e tradicionais da Europa, a Casa de Habsburgo-Lorena, ela recebeu uma educação rigorosa, baseada nos moldes das monarquias absolutistas da época. Em junho de 1821, uma assustada Maria Leopoldina escreveu ao pai: "Meu marido, Deus nos ajude, adora as novas ideias", demonstrando desconfiança em relação aos novos valores políticos constitucionais e liberais.[44][45] Ela havia sido testemunha pessoal dos eventos que ocorreram na Europa anos antes, quando Napoleão Bonaparte alterou sistematicamente o poder político do continente, o que influenciou, de certa forma, sua visão sobre esses novos conceitos políticos. A educação conservadora e tradicional que a arquiduquesa recebeu também teve papel relevante nesse aspecto.
Maria Leopoldina, antes uma mulher privada de afeto e aprovação, logo se transformou na adulta que encarava a vida sem ilusões. À medida que o atrito entre Portugal e o Brasil se intensificava, ela se envolveu cada vez mais na turbulência política que precedeu a Independência do Brasil. Seu envolvimento com a política brasileira a levou a desempenhar um papel fundamental na posterior Independência, ao lado de José Bonifácio de Andrada. Nesse período, ela se distanciou das ideias conservadoras (absolutistas) da corte vienense e adotou um discurso mais liberal (constitucional), em favor da causa brasileira.[46][47]
Como resultado da Revolução Liberal que ocorreu em Portugal em 1820, a corte foi obrigada a retornar a Portugal em 25 de abril de 1821. Um esquadrão de onze navios levou o rei João VI, a corte, a casa real e o tesouro real de volta ao continente, deixando apenas Dom Pedro no Brasil como regente do país, com amplos poderes, porém contrabalançados por um conselho de regência. Inicialmente, o novo regente mostrou-se incapaz de controlar o caos, em uma situação dominada pelas tropas portuguesas e em condições anárquicas. A oposição entre portugueses e brasileiros tornou-se cada vez mais evidente. Na correspondência de Maria Leopoldina, pode-se perceber que ela abraçou fervorosamente a causa do povo brasileiro e passou a desejar a independência do país.[48]
O conspirador de São Cristóvão
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Maria Leopoldina cresceu com medo de revoluções populares, especialmente devido ao exemplo de sua tia-avó, Maria Antonieta, a última rainha da França, guilhotinada durante a Revolução Francesa. No entanto, o medo das revoluções que diminuíam os poderes dos monarcas, como aconteceu na França em 1789 e recentemente em Portugal em 1820, não foi sentido da mesma forma no Brasil. "Assim que o movimento autonomista e, depois, o movimento independentista ganharam Dom Pedro e Dona Leopoldina como protagonistas, os brasileiros os viram como aliados pela primeira vez, e não como tiranos que deveriam ser derrotados para que renunciassem ao poder."[49]
Preparada para manter a fidelidade à monarquia absolutista, Maria Leopoldina não imaginava que se tornaria Regente nos momentos conturbados que antecederam a ruptura com Portugal, nem que defenderia a Independência do Brasil mesmo diante de Dom Pedro, em uma atitude claramente contrária à educação que recebera. A arquiduquesa austríaca sempre esteve ao lado da causa brasileira e, em diversas cartas escritas a amigos na Europa, começou a distinguir entre portugueses e brasileiros, deixando claro o que pensava sobre o domínio português na colônia. Com o retorno da corte a Portugal e a nomeação de Dom Pedro como Príncipe Regente do Brasil, em 25 de abril de 1821,[50] Maria Leopoldina percebeu que permanecer na América era a solução para a defesa da legitimidade dinástica contra os excessos liberais que ameaçavam o poder das Casas de Habsburgo e Bragança no Brasil. Dom Pedro, por outro lado, sem experiência política e sobrecarregado pela situação instável da época, pedia constantemente ao pai que o libertasse da regência e lhe permitisse regressar a Portugal com sua família. Em setembro de 1821, seis meses após a partida do rei João VI, ele escreveu: "Peço a Vossa Majestade com a maior urgência que me liberte desta onerosa tarefa."[50]
A determinação de Maria Leopoldina em ficar no Brasil tornou-se ainda mais firme graças ao apoio de José Bonifácio de Andrada, um homem instruído de São Paulo. Com a ajuda dele, ela convenceu decisivamente o marido de que a integridade territorial do Brasil só seria possível se ambos permanecessem no país.[50] Finalmente, em 9 de janeiro de 1822, Dom Pedro declarou solenemente: "Fico!" Aos 24 anos, Maria Leopoldina tomou uma decisão política que a condenou a ficar indefinidamente na América, afastando-a de seu pai, irmãos e outros familiares para sempre.[51][52] Assim como sua irmã Maria Luísa se casou com Napoleão Bonaparte com a intenção de estreitar as relações políticas entre os impérios austríaco e francês, Maria Leopoldina desempenhou um papel muito mais relevante na história do Brasil, com a escolha de se dedicar ao país onde se encontrava e contribuir decisivamente para a sua independência.
Dois dias depois, a decisão de Dom Pedro de permanecer no Brasil causou indignação nas Cortes de Portugal, onde os representantes parlamentares queriam que toda a família real deixasse o Brasil, dividindo o país em regiões separadas.[50] A revolta se intensificou, com repartições e edifícios governamentais sendo incendiados. Dom Pedro e Maria Leopoldina estavam no teatro naquele momento; enquanto ele cavalgava com suas tropas contra as Cortes, Maria Leopoldina subiu ao palco e anunciou: "Mantenham a calma, meu marido tem tudo sob controle!"[50] Com este anúncio, que foi recebido com júbilo, ela se colocou firmemente ao lado do povo brasileiro.[50]
No entanto, Maria Leopoldina sabia que sua vida estava em perigo. Ela retornou às pressas para Boa Vista, grávida de sete meses, levando seus dois filhos — Maria da Glória, de três anos, e João Carlos, de onze meses — em uma carruagem. Fugiu com eles para Santa Cruz, em uma perigosa viagem de doze horas.[50] A situação política logo se acalmou, e ela pôde retornar com seus filhos a Boa Vista. No entanto, o jovem Príncipe João Carlos nunca se recuperou da tensão e morreu em 4 de fevereiro de 1822.[50]
No final de 1821, uma carta de Maria Leopoldina dirigida ao seu secretário Schäffer deixa claro que, desde então, ela estava mais decidida pelo Brasil e pelos brasileiros do que Dom Pedro: era necessário ficar no Brasil e ir contra as exigências da corte portuguesa. O seu Dia do Fico foi anterior ao do seu marido.[53]
No Manifesto às Nações Amigas, assinado por Dom Pedro em 6 de agosto de 1822, o despotismo das cortes de Lisboa foi denunciado em relação aos assuntos brasileiros, e as nações amigas do Brasil foram convocadas a tratar diretamente com o Rio de Janeiro e não mais com o governo português, explicando sua causa e os acontecimentos do ponto de vista dos brasileiros. No mesmo documento, porém, é possível observar que, mesmo às vésperas da Proclamação da Independência, o príncipe regente não desejava romper os laços entre Portugal e Brasil, mas também não se comprometia a defender os vínculos entre os dois países.[54][55] Essa medida de neutralidade acabou sendo ineficaz, visto que um mês depois o país se tornaria independente. Como as mulheres não eram bem vistas no meio político, Maria Leopoldina atuava por meio de conselhos específicos e influência sobre o marido, alcançando suas conquistas dessa maneira. Dom Pedro, a princípio, evitou o contato com a ideia brasileira de liberdade, tentando manter a neutralidade para evitar a provável perda de sua herança ao trono português, caso desobedecesse às cortes. Maria Leopoldina, no entanto, percebeu que Portugal, dominado pelas cortes, já estava perdido, e que o Brasil ainda se apresentava como uma "tela em branco", que poderia se tornar uma potência futura, muito mais relevante do que a antiga metrópole.[48] As ordens das cortes, se cumpridas, acabariam por fragmentar o Brasil em dezenas de repúblicas, como acontecera com as colônias espanholas na América do Sul.[56] Segundo Ezequiel Ramírez, os sinais de uma nascente unidade brasileira como nação independente eram visíveis nas províncias do sul, mas o norte apoiava as Cortes de Lisboa e reivindicava a independência regional. Se o Príncipe Regente tivesse deixado o país naquele momento, o Brasil estaria perdido para Portugal, pois as cortes de Lisboa repetiriam o mesmo erro que levou as cortes espanholas a perder as colônias, buscando estabelecer contatos diretos com cada província em particular.[9][57]
A postura de Maria Leopoldina, em defesa dos interesses brasileiros, está eloquentemente expressa na carta que escreveu a Dom Pedro, por ocasião da Independência do Brasil:
"Você precisa voltar o mais rápido possível. Esteja convencida de que não é apenas o amor que me faz querer sua presença imediata mais do que nunca, mas as circunstâncias em que o amado Brasil se encontra. Somente sua presença, muita energia e rigor podem salvá-la da ruína".[58]
No Rio de Janeiro, milhares de assinaturas coletadas exigiram que os regentes permanecessem no Brasil. "A atitude corajosa de José Bonifácio de Andrada frente à arrogância portuguesa incentivou muito as aspirações de unidade que existiam nas províncias do sul, especialmente em São Paulo. Um homem altamente educado liderou esse movimento." Após o Dia do Fico, um novo ministério foi organizado sob a liderança de José Bonifácio, "um monarquista rígido", e o Príncipe Regente logo conquistou a confiança do povo. Em 15 de fevereiro de 1822, as tropas portuguesas deixaram o Rio de Janeiro, e sua partida representou a dissolução dos laços entre o Brasil e a metrópole. Dom Pedro foi recebido triunfantemente em Minas Gerais.
Regência
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Quando seu marido viajou para São Paulo em agosto de 1822, com o objetivo de pacificar a política (o que culminaria na Proclamação da Independência do Brasil em setembro), Maria Leopoldina foi nomeada sua representante oficial, ou seja, Regente em sua ausência.[61] Seu estatuto foi formalmente confirmado por um documento de investidura datado de 13 de agosto de 1822, no qual Dom Pedro a nomeava chefe do Conselho de Estado e Princesa Regente Interina do Reino do Brasil, conferindo-lhe plena autoridade para tomar quaisquer decisões políticas necessárias durante sua ausência.[61] Maria Leopoldina teve grande influência no processo de independência. Os brasileiros já sabiam que Portugal pretendia chamar Dom Pedro de volta, revertendo o Brasil ao estatuto de colônia, em vez de manter o país como um reino unido a Portugal. Havia temores de que uma guerra civil pudesse separar a Província de São Paulo do restante do Brasil, o que tornava a ação decisiva de Maria Leopoldina ainda mais crucial para a estabilidade e continuidade do movimento de independência.
A Princesa Regente recebeu um novo decreto com exigências de Lisboa, que chegou ao Rio de Janeiro. Sem tempo para esperar o retorno de Dom Pedro, Maria Leopoldina, aconselhada por José Bonifácio de Andrada, usou seus atributos como chefe de governo interina e, na manhã de 2 de setembro de 1822, reuniu-se com o Conselho de Estado. Juntos, assinaram o Decreto de Independência, declarando o Brasil separado de Portugal. Maria Leopoldina enviou uma carta a Dom Pedro, junto com outra carta de José Bonifácio, além de comentários de Portugal criticando as ações de seu marido e do Rei João VI. Em sua carta ao marido, a Princesa Regente sugeriu que ele proclamasse a Independência do Brasil, com a advertência: "O pomo está maduro, colha-o já, senão apodrece".[61][62]
Dom Pedro declarou a Independência do Brasil ao receber a carta de sua esposa em 7 de setembro de 1822, em São Paulo.[61] Maria Leopoldina também havia enviado documentos recebidos de Lisboa e comentários de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, deputado das cortes, pelos quais o Príncipe Regente soube das críticas a ele na metrópole. A posição de João VI e de todo o seu ministério, dominado pelas cortes, era difícil.
Enquanto aguardava o retorno do marido, Maria Leopoldina, governante interina de um país já independente, idealizou a bandeira do Brasil, na qual misturou o verde da Casa de Bragança e o amarelo dourado da Casa de Habsburgo.[63] Outros autores afirmam que Jean-Baptiste Debret, o artista francês que registrou o Brasil na década de 1820, foi o autor do pavilhão nacional que substituiu o da antiga corte portuguesa, símbolo da opressão do antigo regime. Debret teria colaborado com José Bonifácio de Andrada para desenhar a bandeira imperial, onde o retângulo verde representava as florestas e o losango amarelo, cor da dinastia Habsburgo-Lorena, simbolizava o ouro. Após isso, Maria Leopoldina dedicou-se profundamente ao reconhecimento da autonomia do novo país pelas cortes europeias, escrevendo cartas ao pai, o Imperador da Áustria, e ao sogro, o Rei de Portugal.[64][65][66]
Maria Leopoldina tornou-se a primeira Imperatriz Consorte do Brasil, sendo aclamada como tal em 1 de dezembro de 1822, na cerimônia de coroação e consagração de seu marido como Dom Pedro I, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.[61] Devido ao estatuto do Brasil como a única monarquia na América do Sul na época, Maria Leopoldina foi a primeira Imperatriz do Novo Mundo.[67]
A participação da Bahia no processo de independência
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Primeira sede do governo, centro irradiador de políticas metropolitanas e porto estratégico, a Bahia só perdeu sua posição privilegiada no Brasil com a descoberta de ouro na Capitania Hereditária do Espírito Santo. A região onde os depósitos foram encontrados pelos bandeirantes foi desmembrada da capitania e transformada na província de Minas Gerais, e esse desmembramento se repetiu com a descoberta de novos depósitos, levando a Capitania do Espírito Santo a anexar Minas Gerais como uma malfadada barreira de contenção contra o contrabando de ouro. Em 1776, a capital foi transferida para o Rio de Janeiro. Salvador não quis apenas acolher a corte de passagem, como fizera em 1808, mas sim de forma permanente. Durante o processo de separação de Portugal, a Bahia abrigou correntes antagônicas: o interior, pró-independência, e a capital, leal à corte de Lisboa. Após 7 de setembro de 1822, uma luta armada se seguiu, resultando na vitória das tropas imperiais em 2 de julho de 1823.
As mulheres baianas desempenharam papel ativo na luta patriótica. Maria Quitéria, alistada clandestinamente como soldado leal à causa brasileira, foi descrita por Maria Graham e condecorada com a Ordem do Cruzeiro do Sul pelo Imperador Pedro I. A tradição oral da Ilha de Itaparica também registra o papel de Maria Felipa de Oliveira, uma afro-brasileira que teria liderado mais de 40 mulheres negras na defesa da ilha. Já a Irmã Joana Angélica, abadessa do Convento da Lapa, impediu com sua própria vida a entrada das tropas portuguesas no convento.
A consciência política das mulheres baianas também se manifesta na "Carta das senhoras baianas à sua alteza real dona Leopoldina", que felicita a Princesa Regente por sua participação nas resoluções patrióticas em nome de seu marido e do país. Na carta, assinada por 186 damas baianas e entregue em mãos em agosto de 1822, elas expressam sua gratidão pela estadia de Maria Leopoldina no Brasil. A Princesa Regente escreveu ao marido, expressando sua opinião sobre a presença das mulheres na política, dizendo-lhe que a atitude das damas "prova que as mulheres são mais alegres e mais aderentes à boa causa".[68][69] Apesar de não ter retornado para sediar o governo, a Bahia desempenhou um papel crucial no equilíbrio político regional em favor do Império do Brasil. Em reconhecimento ao apoio obtido durante o processo de Independência, o Imperador e a Imperatriz visitaram Salvador entre fevereiro e março de 1826.[70]
Declínio da saúde e morte
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O rei João VI de Portugal faleceu em 10 de março de 1826, o que fez com que Dom Pedro herdasse o trono português como rei Pedro IV, enquanto continuava a ser imperador Pedro I do Brasil.[72] Com isso, Maria Leopoldina tornou-se Imperatriz Consorte do Brasil e Rainha Consorte de Portugal. No entanto, ciente de que uma reunificação entre Brasil e Portugal seria rejeitada por ambos os povos, Dom Pedro, menos de dois meses depois, em 2 de maio, abdicou apressadamente da coroa de Portugal em favor de sua filha mais velha, Maria da Glória, que passou a ser rainha Dona Maria II.[73][74]
O escandaloso relacionamento de Dom Pedro I com Domitila de Castro Canto e Melo, a Marquesa de Santos, marcou a vida de Maria Leopoldina de maneira profundamente dolorosa. A relação extraconjugal, o reconhecimento público de sua filha ilegítima, a nomeação da amante como dama de companhia da Imperatriz e, por fim, a viagem do casal imperial à Bahia no início de 1826, acompanhados pela Marquesa, deixaram Maria Leopoldina completamente humilhada, abalando sua saúde emocional e psicológica. A filha que Dom Pedro teve com a Marquesa, em maio de 1824, apenas três meses após o nascimento do herdeiro da Imperatriz, foi oficialmente legitimada por ele, recebendo o nome de Isabel Maria de Alcântara Brasileira. Ela foi agraciada com o título de Duquesa de Goiás, o tratamento de Alteza e o direito de usar o honorífico "Dona".[75]
Em uma carta à sua irmã Maria Luísa, a Imperatriz desabafou: "O monstro sedutor é a causa de todas as minhas desgraças". Sozinha, isolada e dedicada apenas à tarefa de gerar um herdeiro para o trono (o futuro Imperador Dom Pedro II, que nasceria em 1825),[76] Maria Leopoldina mergulhou em uma depressão profunda. Desde o início de novembro de 1826, sua saúde começou a se deteriorar rapidamente. Cólicas, vômitos, sangramentos e delírios se tornaram frequentes nas últimas semanas de sua vida, agravados por uma nova gravidez, o que contribuiu ainda mais para o seu sofrimento.
Maria Leopoldina era profundamente amada pelo povo brasileiro, e sua popularidade era ainda maior e mais expressiva do que a de Dom Pedro. O Rio de Janeiro acompanhava com grande preocupação a gravidade da doença da Imperatriz, e o embaixador do Reino da Prússia, Theremim, relatou com respeito as demonstrações públicas de amor que a Imperatriz recebia, descrevendo-as à corte de Berlim:[77]
"A consternação entre o povo era indescritível; nunca [...] se viu um sentimento tão unânime. O povo estava literalmente de joelhos, suplicando ao Todo-Poderoso pela preservação da Imperatriz; as igrejas não estavam vazias e nas capelas domésticas todos estavam de joelhos; os homens formavam procissões, não as habituais que quase sempre provocam risos, mas de verdadeira devoção. Em suma, tal afeto inesperado, manifestado sem dissimulação, deve ter sido uma verdadeira satisfação para a Imperatriz doente."
No dia 7 de dezembro de 1826, o Diário Fluminense relatou que a ansiedade do povo do Rio de Janeiro era tão grande que todos procuravam incessantemente saber sobre o "estado aflitivo" da Imperatriz:[77]
"Quanto aos boletins, que já se dirigem pessoalmente à Quinta Imperial, onde se misturam grandes e pequenos, nacionais e estrangeiros, ricos e pobres, com lágrimas nos olhos, semblante abatido e coração amargurado e inquieto, todos fazem a mesma pergunta: 'Como está a Imperatriz?'"
Na tarde do dia anterior, 6 de dezembro, conforme noticiado pelo mesmo jornal e posteriormente confirmado pelo sermão do Padre Sampaio, várias procissões, acompanhando "as Sagradas Imagens das respectivas igrejas", estavam a caminho da Capela Imperial. O Padre Sampaio descreveu:[78]
"Nunca se viu tanta gente à entrada de São Cristóvão; as carruagens eram atropeladas; todos corriam em lágrimas, porém, no centro da cidade circulavam as procissões de oração, com suas imagens, e com o acompanhamento de todo o clero, regular ou secular. O povo não podia ver sem demonstrações públicas de piedade a imagem de Nossa Senhora da Glória, que nunca abandonou o seu templo, e que, pela primeira vez, debaixo de muita chuva, foi visitar a Imperatriz, que aparecia todos os sábados aos pés dos seus altares... Não havia, em suma, nenhuma irmandade que não levasse os santos da maior devoção à Capela Imperial."


Maria Leopoldina faleceu no Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, localizada no bairro de São Cristóvão, zona norte da cidade do Rio de Janeiro, em 11 de dezembro de 1826, cinco semanas antes de completar 30 anos.[79] A cerimônia fúnebre foi presidida por Francisco do Monte Alverne, pregador oficial do Império do Brasil.
Seu corpo, coberto com o manto imperial, foi colocado em três urnas: a primeira de pinho português, a segunda de chumbo (com inscrição latina própria, na qual havia um crânio com duas tíbias cruzadas e, sobre esta, o brasão imperial de prata) e a terceira de cedro.
Ela foi sepultada em 14 de dezembro de 1826 na Capela de Nossa Senhora do Socorro (atualmente a Cinelândia).[80] Quando o convento foi demolido em 1911, seus restos mortais foram transferidos para o Convento de Santo Antônio, também no Rio de Janeiro, onde um mausoléu foi construído para ela e alguns membros da família imperial. Em 1954, seus restos mortais foram definitivamente transferidos para um sarcófago de granito verde decorado com ouro, na Cripta e Capela Imperial, sob o Monumento do Ipiranga, na cidade de São Paulo.
Causa da morte
[editar | editar código]Existem divergências sobre a verdadeira causa da morte da primeira Imperatriz do Brasil. Para alguns historiadores, Maria Leopoldina teria falecido devido a sepse puerperal, enquanto o Imperador estava no Rio Grande do Sul, onde havia inspecionado as tropas durante a Guerra da Cisplatina.[81]
Uma versão amplamente divulgada sugere que Maria Leopoldina morreu em consequência dos ataques que teria sofrido durante um acesso de fúria do marido. Essa teoria é defendida por historiadores como Gabriac, Carl Seidler, John Armitage e Isabel Lustosa.[82][83] No entanto, a ideia de que a morte foi causada por violência real sofreu um certo revés, mesmo que um ataque fatal não tenha necessariamente deixado marcas no esqueleto, com a recente exumação dos restos mortais da Imperatriz, que não revelou nenhuma fratura óssea.[84] Isso ocorreu em 20 de novembro de 1826, quando Maria Leopoldina assumiria a regência para que Dom Pedro I pudesse viajar para o Sul e lidar com a guerra contra o Uruguai. De acordo com essa versão, Dom Pedro I, querendo desmentir os rumores sobre relações extraconjugais e o clima ruim entre o casal imperial, teria decidido realizar uma grande recepção de despedida, na qual exigiu que tanto a Imperatriz quanto sua amante, a Marquesa de Santos, comparecessem juntas diante das autoridades eclesiásticas e diplomáticas para um beija-mão protocolar. Com a exigência cumprida, Maria Leopoldina teria reconhecido oficialmente a amante de seu marido, o que a levou a desobedecer as ordens de Dom Pedro I e se recusar a comparecer à recepção. Isso resultou em uma discussão acalorada, em que o Imperador, conhecido por seu temperamento explosivo, teria tentado arrastá-la pelo palácio, agredindo-a verbalmente e fisicamente.[80] No final, ele compareceu à cerimônia de despedida apenas com a Marquesa de Santos e partiu para a guerra sem que a situação fosse resolvida.[80] Não há outras testemunhas dessa agressão além das três mencionadas, e as suspeitas sobre os ataques sofridos por Maria Leopoldina foram levantadas posteriormente por damas e médicos que a apoiaram. Entretanto, a realidade dos fatos pode ter sido diferente:
"Foi exagerado afirmar que Dom Pedro a tivesse chutado e que essa fosse a causa de sua doença. A cena, testemunhada pelo agente austríaco [o embaixador austríaco, Barão Philipp Leopold Wenzel von Mareschal], consistiu em palavras descontroladas. Maria Leopoldina não tinha motivos para o sofrimento da gravidez, cujo fracasso a levou a sucumbir."[85]
A Imperatriz, que estava em depressão severa há meses e já estava na 12ª semana de gravidez, tinha a saúde bastante comprometida. Há relatos de que ela teria enviado uma última carta à sua irmã Maria Luísa, ditada à Marquesa de Aguiar, na qual mencionaria o terrível ataque sofrido das mãos do marido na presença de sua amante.[86] No entanto, estudos recentes sugerem que esta última carta pode ser uma fraude. O original, escrito em francês, nunca foi encontrado em arquivos, seja no Brasil ou no exterior. A cópia que está no Arquivo Histórico do Museu Imperial de Petrópolis é escrita em português, com uma única frase em francês afirmando que a transcrição foi feita a partir de um original emitido em 12 de dezembro de 1826. Esta cópia, que foi utilizada por estudiosos até então, apareceu no Rio de Janeiro em 5 de agosto de 1834 (quase oito anos após a morte da Imperatriz) e foi registrada junto ao tabelião Joaquim José de Castro. As testemunhas para certificar a origem da carta foram César Cadolino, JM Flach, J. Buvelot e Carlos Heindricks. Destes, dois, Cadolino e Flach, estavam bastante endividados com Maria Leopoldina, e para eles não havia nada melhor do que ter uma "confissão" feita pela própria Imperatriz.[87]
Reações
[editar | editar código]Durante a agonia de Maria Leopoldina, diversos rumores começaram a circular: falava-se que a Imperatriz estava prisioneira na Quinta da Boa Vista, que estava sendo envenenada por seu médico a mando da Marquesa de Santos, entre outros. A popularidade de Domitila de Castro, que já não era das melhores, caiu ainda mais. Sua casa, localizada em São Cristóvão, foi apedrejada, e seu cunhado, mordomo da Imperatriz, levou dois tiros.[88][89] O direito da Marquesa de presidir as consultas médicas da Imperatriz, dado seu papel como dama de companhia, foi negado, e ministros e funcionários do palácio sugeriram que ela se afastasse da corte.
Uma declaração, emitida em 11 de dezembro ao Imperador sobre a morte de sua esposa, relatava que Maria Leopoldina sofria de convulsões, febre alta e delírios. A Imperatriz, que gozava de grande apreço popular, sendo muito mais admirada do que seu marido, teve sua morte profundamente lamentada por grande parte da nação.[90]
Essa versão dos acontecimentos se espalhou pela Europa, e a reputação de Dom Pedro I ficou tão prejudicada que seu segundo casamento se tornou um processo complicado. Há quem diga que o primeiro agraciado com a Imperial Ordem de Pedro Primeiro, o imperador Francisco I da Áustria, teria recebido a condecoração como um pedido de desculpas do imperador brasileiro, seu genro.
Luiz Roberto Fontes, o legista que acompanhou a perícia forense da família imperial realizada entre março e agosto de 2012, afirmou que a causa da morte de Maria Leopoldina foi uma doença grave, e não uma briga entre o casal imperial na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, como foi mencionado publicamente por ele em uma palestra no MusIAL (Museu do Instituto Adolfo Lutz). Fontes esclareceu:
"O que podemos afirmar hoje é que a Imperatriz não morreu por causa de uma briga. Se houve algum desentendimento devido à traição de Dom Pedro I, isso não tem relação com a morte de Dona Leopoldina. Ela tinha uma infecção grave, mas ainda não sabemos qual doença foi. Precisamos de mais análises para descobrir a causa exata da morte. A tomografia não revelou fraturas no fêmur ou em outros ossos, o que descarta a lenda de uma queda de escada ou de um acidente causado por Dom Pedro. Com os exames, vimos que a causa provavelmente foi uma infecção grave, que ela enfrentou por três semanas."[91]
A primeira ameaça de aborto espontâneo ocorreu em 19 de novembro, quando a Imperatriz apresentou um pequeno sangramento. Ao longo da semana, seu quadro se agravou, com a manifestação de febre e diarreia severa, o que indicava uma hemorragia intestinal, uma condição extremamente perigosa para uma gestante.
Em 30 de novembro, os delírios aumentaram e, em 2 de dezembro, os registros médicos indicaram que Maria Leopoldina sofreu um aborto espontâneo de um feto masculino com cerca de três meses de gestação, poucos dias antes de sua morte. Mesmo após a perda do bebê, a saúde da Imperatriz não melhorou. Ela continuou a apresentar delírios, febre e hemorragias. "Ou seja, ela estava em um claro quadro séptico, um quadro de morte", explicou o legista.
Legado
[editar | editar código]Embora tenha sido frequentemente retratada como uma mulher melancólica e humilhada pelos escândalos e relações extraconjugais de Dom Pedro I, sendo vista como o elo frágil no triângulo amoroso, a historiografia mais recente atribui a Maria Leopoldina uma imagem menos passiva na história nacional.
Maria Leopoldina teve grande destaque na política brasileira, tanto durante o retorno da corte portuguesa a Portugal quanto nos bastidores das tensões entre Brasil e Portugal até o momento da Independência, em 1822. Enquanto Dom Pedro I ainda considerava a possibilidade de manter o Reino Unido com Portugal, Maria Leopoldina já havia percebido que o caminho mais prudente seria a emancipação total da metrópole. A formação intelectual e política de Maria Leopoldina, aliada ao seu forte senso de dever e sacrifício em prol do Estado, foi fundamental para o Brasil, especialmente após o rei D. João VI, sob pressão portuguesa, ter sido forçado a retornar a Lisboa. Sendo arquiduquesa da Áustria e membro da Casa de Habsburgo-Lorena, e tendo sido educada sob um regime aristocrático e absolutista, Maria Leopoldina não hesitou em defender ideais mais representativos para o Brasil, influenciados pelo liberalismo e pelo constitucionalismo.
Os brasileiros nutriram grande respeito e admiração por Maria Leopoldina desde os primeiros momentos em que ela chegou ao Brasil. Muito popular, especialmente entre os mais pobres e os escravos, ela passou a ser chamada de "Mãe dos Brasileiros" logo após sua morte. Petições foram feitas para que a Imperatriz recebesse o título de "Anjo da Guarda deste Império nascente".[92] Durante seus últimos dias de vida, quando esteve doente, procissões tomaram as ruas do Rio de Janeiro, e igrejas e capelas se encheram de pessoas em profunda tristeza. A notícia de sua morte causou grande comoção na cidade. O povo foi às ruas em lágrimas, e há relatos de escravos que lamentavam aos gritos: "Nossa mãe morreu. O que será de nós? Quem ficará do lado dos negros?"[89] Com sua morte, a popularidade de Dom Pedro I, já afetada pelos problemas do primeiro reinado, sofreu um grande declínio.[93] O escritor e biógrafo Carlos H. Oberacker Júnior afirmou que "raramente uma estrangeira foi tão querida e reconhecida por um povo como ela".[94]
Durante sua vida, Maria Leopoldina buscou maneiras de acabar com a escravidão. Na tentativa de mudar o tipo de trabalho no Brasil, a Imperatriz incentivou a imigração europeia para o país. A chegada de Maria Leopoldina ao Brasil fomentou o início da imigração alemã, inicialmente de suíços, que se estabeleceram no Rio de Janeiro e fundaram a cidade de Nova Friburgo. Posteriormente, para povoar o sul do Brasil, a Imperatriz incentivou a vinda de alemães. A presença de Maria Leopoldina na América do Sul chamou a atenção como uma forma de "propaganda" do Brasil junto à comunidade germânica.
A importância e a relevância de Maria Leopoldina no Brasil também estão ligadas à missão científica que a acompanhou em sua viagem desde a Península Itálica, composta por pintores, cientistas e botânicos europeus. Como Maria Leopoldina tinha grande interesse em botânica e geologia, dois cientistas alemães a acompanharam: o botânico Carl Friedrich Philipp von Martius e o zoólogo Johann Baptist von Spix, ambos nomes consagrados nas ciências naturais do século XIX, além do pintor viajante Thomas Ender. A pesquisa realizada por essa missão resultou em importantes obras, como Viagem pelo Brasil e Flora Brasiliensis, um compêndio de aproximadamente 20.000 páginas que fez a classificação e ilustração de milhares de espécies de plantas nativas. Juntos, os cientistas percorreram mais de 10.000 quilômetros, indo do Rio de Janeiro até as fronteiras com o Peru e a Colômbia, contribuindo de maneira significativa para o conhecimento científico sobre a fauna e flora brasileiras.
A postura de Maria Leopoldina em recusar-se a retornar a Portugal ainda divide opiniões. Para alguns escritores, essa atitude representou uma postura revolucionária, enquanto para outros, a Arquiduquesa foi apenas uma estrategista. Maria Celi Chaves Vasconcelos, professora da UERJ e especialista na educação de mulheres nobres, argumenta que não há nenhum traço de rebeldia em nenhum escrito sobre ou de Maria Leopoldina: "Seria revolucionária por ter influenciado Dom Pedro na Proclamação da Independência? Não creio que haja qualquer traço revolucionário nisso; penso que ela era, talvez, suficientemente conhecedora de história política para fazer o julgamento correto sobre o momento vivido e o quanto ele era propício à Independência", afirma a pesquisadora.[9] Por outro lado, o historiador Paulo Rezzutti defende que, independentemente dos motivos que a levaram a permanecer no Brasil, Maria Leopoldina deve ser vista como uma mulher revolucionária, pois foi a primeira a se envolver de maneira significativa na política de alto nível nas decisões brasileiras.
Representações na cultura
[editar | editar código]A Imperatriz Maria Leopoldina já foi retratada como personagem no cinema e na televisão, sendo interpretada por Kate Hansen no filme Independência ou Morte (1972),[95] por Maria Padilha na minissérie Marquesa de Santos (1984)[96] e por Érika Evantini na minissérie O Quinto dos Infernos (2002).[97]
A vida de Maria Leopoldina também foi tema do projeto de 1996 da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, cujo nome já deriva indiretamente dela (pois a escola está localizada na área da Estrada de Ferro Leopoldina, nomeada em homenagem à Imperatriz). Na ocasião, a designer de carnaval e professora Rosa Magalhães recebeu apoio do governo austríaco para o desfile.
Em 2007, a atriz Ester Elias deu vida a Maria Leopoldina no musical Império, de Miguel Falabella, que conta parte da história do Império do Brasil .
Em 2017, a atriz Letícia Colin interpretou a Imperatriz Maria Leopoldina na novela Novo Mundo.[98]
Em 2018, Maria Leopoldina e Imperatriz Leopoldinense foram homenageadas pela escola de samba Tom Maior, no carnaval paulista.
Títulos, estilos e honras
[editar | editar código]| Estilo imperial e real de tratamento de Maria Leopoldina do Brasil | |
| |
| Estilo imperial | Sua Majestade Imperial |
|---|---|
| Estilo real | Sua Majestade Fidelíssima |
| Estilo alternativo | Sua Majestade Imperial e Fidelíssima |
Títulos e estilos
[editar | editar código]- 22 de janeiro de 1797 – 6 de novembro de 1817: Sua Alteza Imperial e Real, a Arquiduquesa Leopoldina da Áustria, Princesa da Hungria, Croácia e Boêmia
- 6 de novembro de 1817 – 12 de outubro de 1822: Sua Alteza Real, a Princesa Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves
- 7 de setembro de 1822 - 12 de outubro de 1822: Sua Alteza Real, a Princesa Regente Interina do Brasil
- 12 de outubro de 1822 – 11 de dezembro de 1826: Sua Majestade Imperial, a Imperatriz do Brasil
- 10 de março de 1826 – 2 de maio de 1826: Sua Majestade Fidelíssima, a Rainha de Portugal e Algarves
Honras
[editar | editar código]Brasileiras:[99]
- Grã-Cruz da Imperial Ordem do Cruzeiro
- Grã-Cruz da Imperial Ordem de Pedro Primeiro
- Grã-Cruz da Imperial Ordem da Rosa
Portuguesas:[99]
- Grã-Cruz da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa
- Grã-Cruz da Ordem da Rainha Santa Isabel
Estrangeiras:
Dama da Ordem da Cruz Estrelada
Dama da Ordem de Santa Isabel[99]
Dama da Ordem da Rainha Maria Luísa
Descendência
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Em junho de 1818, Maria Leopoldina engravidou e, após um parto difícil, deu à luz sua primeira filha, Maria da Glória, em 4 de abril de 1819.[100] Sua próxima gravidez, no entanto, terminou em aborto espontâneo em novembro de 1819. Em 26 de abril de 1820, ela sofreu outro aborto espontâneo,[101] dessa vez de um menino, que foi batizado de Miguel em homenagem ao tio paterno, mas faleceu quase imediatamente após o nascimento. Esses eventos trágicos tiveram um impacto profundo sobre Maria Leopoldina, que, ciente da importância de gerar um herdeiro para a Casa de Bragança, ficou profundamente deprimida e se afastou da sociedade por um tempo.[101] Sua primeira gravidez bem-sucedida resultou no nascimento de João Carlos, Príncipe da Beira, em 6 de março de 1821, o que trouxe grande alegria à corte e ao povo. No entanto, ele faleceu em 4 de fevereiro de 1822, com apenas 11 meses de idade.[100] As três gestações seguintes resultaram em três filhas: Januária, nascida em 11 de março de 1822; Paula, nascida em 17 de fevereiro de 1823; e Francisca, nascida em 2 de agosto de 1824. Finalmente, em 2 de dezembro de 1825, nasceu o tão aguardado herdeiro, o futuro Imperador Dom Pedro II. Sua nona e última gestação, no entanto, foi fatal. Maria Leopoldina morreu devido a complicações após um aborto espontâneo.[76]
| Nome | Retrato | Vida | Notas |
|---|---|---|---|
| Maria II de Portugal | 4 de abril de 1819 – 15 de novembro de 1853 |
Rainha de Portugal de 1826 até 1853. O primeiro marido de Maria II, Augusto de Beauharnais, 2.º Duque de Leuchtenberg, morreu poucos meses após o casamento. O seu segundo marido foi o Príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gota, que se tornou Rei Dom Fernando II após o nascimento do seu primeiro filho. Ela teve onze filhos deste casamento. Maria II foi herdeira presuntiva do seu irmão Pedro II como Princesa Imperial até à sua exclusão da linha de sucessão brasileira pela lei n.º 91 de 30 de outubro de 1835.[102] | |
| Miguel, Príncipe da Beira | 26 de abril de 1820 | Príncipe da Beira desde o nascimento até à sua morte. | |
| João Carlos, Príncipe da Beira | 6 de março de 1821 – 4 de fevereiro de 1822 |
Príncipe da Beira desde o nascimento até à sua morte. | |
| Januária do Brasil | 11 de março de 1822 – 13 de março de 1901 | Casou-se com Luís, Conde de Aquila, filho de Dom Francisco I, Rei das Duas Sicílias. Teve quatro filhos deste casamento. Oficialmente reconhecida como Infanta de Portugal em 4 de junho de 1822,[103] foi posteriormente considerada excluída da linha de sucessão portuguesa após a independência do Brasil.[104] | |
| Paula do Brasil | 17 de fevereiro de 1823 – 16 de janeiro de 1833 | Ela morreu aos 9 anos, provavelmente de meningite.[105] Nascida no Brasil após a sua independência, Paula foi excluída da linha de sucessão portuguesa.[106] | |
| Francisca do Brasil | 2 de agosto de 1824 – 27 de março de 1898 |
Casou-se com o Francisco, Príncipe de Joinville, filho de Luís Filipe I, Rei dos Franceses. Desse casamento nasceu três filhos. Nascida no Brasil após a independência, Francisca foi excluída da linha de sucessão portuguesa.[107] | |
| Pedro II do Brasil | 2 de dezembro de 1825 – 5 de dezembro de 1891 |
Imperador do Brasil de 1831 até 1889. Foi casado com Teresa Cristina das Duas Sicílias, filha de Dom Francisco I, Rei das Duas Sicílias. Desse casamento nasceu quatro filhos. Nascido no Brasil após a sua independência, Pedro II foi excluído da linha de sucessão portuguesa e não se tornou Rei Dom Pedro V de Portugal após a abdicação do seu pai.[108] |
Ancestrais
[editar | editar código]| Ancestrais de Maria Leopoldina da Áustria[109][110][111] | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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- Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em inglês cujo título é «Maria Leopoldina of Austria», especificamente desta versão.
Bibliografia
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Ligações externas
[editar | editar código]- Artigo de Maria Cristina, Princesa Miguel de Kent sobre Leopoldina. Consultado em 26 de janeiro de 2006.
| Maria Leopoldina de Áustria Casa de Habsburgo-Lorena Ramo da Casa de Habsburgo 22 de janeiro de 1797 – 11 de dezembro de 1826 | ||
|---|---|---|
| Título novo Independência do Brasil |
Imperatriz Consorte do Brasil 12 de outubro de 1822 – 11 de dezembro de 1826 |
Sucedida por Amélia de Leuchtenberg |
| Precedida por Carlota Joaquina da Espanha |
Rainha Consorte de Portugal e Algarves 10 de março de 1826 – 2 de maio de 1826 |
Sucedida por Augusto de Beauharnais (Como Príncipe Consorte) |
Princesa do Brasil 13 de maio de 1817 – 12 de outubro de 1822 |
Título abolido Independência do Brasil | |
- Nascidos em 1797
- Mortos em 1826
- Nascidos em 1826
- Nascidos em 1911
- Nascidos em 1954
- Imperatrizes do Brasil
- Rainhas de Portugal
- Duquesas de Bragança
- Casa de Habsburgo-Lorena
- Grã-Mestras da Ordem Real de Santa Isabel
- Mortes no sobreparto
- Regentes do Brasil
- Sepultados na Capela Imperial
- Naturais de Viena
- Arquiduquesas da Áustria
- Damas da Ordem da Cruz Estrelada
- Austríacos do século XVIII
- Católicos da Áustria
- Católicos do Brasil
- Monarcas da Casa de Habsburgo
- Rainhas católicas
- Austríacos do século XIX
- Princesas Reais de Portugal
- Cristãs
