Lesão do plexo braquial

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Lesão do plexo braquial
Esquema mostrando o plexo braquial (clique para ampliar)
Classificação e recursos externos
CID-10 G54.0, P14.3, S14.3
CID-9 353.0, 767.6, 953.4
DiseasesDB 31267
MeSH D020516
Star of life caution.svg Aviso médico

A lesão do plexo braquial é uma lesão nervosa que pode acometer recém-nascidos na hora do parto natural[1] e adultos geralmente em acidentes de moto[2] e esportes de contato.[3]

História[editar | editar código-fonte]

O primeiro relato foi feito pelo obstetra Smellie em 1764.[4] Em 1874 Duchenne e Erb comentam sobre a paralisia das raízes superiores. Onze anos depois, Klumpke descreve a paralisia das raízes inferiores. A reconstrução cirúrgica é realizada por Kennedy, em 1903.[5]

Anatomia[editar | editar código-fonte]

A sensibilidade e motricidade do membro superior é responsabilidade das raízes nervosas do plexo braquial (chamadas de C5, C6, C7, C8 e T1). As raízes C5 e C6 (tronco superior) tem a função básica de movimento do ombro e flexão do cotovelo. C7 (tronco médio) comanda o conjunto muscular extensor do cotovelo, extrínseco do polegar e dedos. C8 e T1 são responsáveis por muitos movimentos da mão, flexor extrínseco e musculatura intrínseca.[6]

A inervação do braço é composta pelo plexo braquial localizado nas axilas e pescoço. Os ramos anteriores dos quatro nervos espinhais cervicais inferiores (C5,C6,C7,C8) e do primeiro torácico (T1) podem ter sofrido rompimento ou estiramento.

Classificação da lesão[editar | editar código-fonte]

A gravidade da lesão do plexo braquial é determinada pelo tipo de dano do nervo. Há vários sistemas de classificação diferentes para classificar a gravidade dos nervos periféricos e lesões do plexo braquial. A maioria dos sistemas tentativa de correlacionar o grau de lesão com os sintomas da patologia e prognóstico. classificação de Seddon, concebida em 1943, continua a ser utilizado, e baseia-se em três tipos principais de lesão de fibras nervosas, e se há continuidade do nervo.

  1. Neurapraxia: A forma mais branda de lesão do nervo. Trata-se de uma interrupção da condução nervosa, sem perda de continuidade do axônio. A recuperação ocorre sem degeneração walleriana.
  2. Axoniotmese: Envolve a degeneração axonal, com perda da relativa continuidade do axônio e sua cobertura de mielina, mas a preservação da estrutura do tecido conectivo do nervo (o tecido de encapsulamento, o epineuro e perineuro, estão preservadas)
  3. Neurotmese: A forma mais grave de lesão do nervo, em que o nervo é completamente interrompido pela tração, contusão ou laceração. Não só axônio, mas o tecido conjuntivo encapsular perder a sua continuidade. O grau mais extremo de neurotmese é transsecção, embora a maioria das lesões neurotmeticas não produzem perda bruta de continuidade do nervo, mas sim, o rompimento interno da arquitetura do nervo suficiente para envolver perineuro e endoneuro, bem como os axônios e seus invólucros. Ele necessita de cirurgia, com recuperação imprevisível.

Conseqüências[editar | editar código-fonte]

Esquema mostrando as inervações cutâneas do plexo braquial

As principais conseqüências em lesões do plexo braquial são paralisia total ou parcial do braço, ombro, mãos e antebraço, além de transtornos de sensibilidade e dependendo do caso dor. Nas regiões onde não existe recrutamento de fibras musculares irá ocorrer atrofia muscular.

Existe de forma secundária também todo o aspecto psicológico que pode acometer os lesionados.

Exames clinicos[editar | editar código-fonte]

O exame utilizado em lesões de plexo é a eletroneuromiografia,[7] além da avaliação por exames médicos na clínica, onde será avaliado grau de força, reflexo, sensibilidade e outros fatores.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento para lesões do plexo braquial inclui terapia ocupacional ou fisioterapia e, em alguns casos, cirurgia para religamento dos nervos. Algumas lesões do plexo braquial podem curar sem tratamento. Geralmente espera-se três meses antes de qualquer intervenção cirúrgica, visando indícios de recrutamento de fibras nervosas. Por vezes é necessária a utilização de órteses e tipoias.

Muitas crianças melhoram ou recuperam dentro de seis meses, mas aqueles que não têm uma boa recuperação precisam de cirurgia para tentar compensar os déficits dos nervos. A capacidade de dobrar o cotovelo (função do bíceps) no terceiro mês de vida é considerado um indicador da provável recuperação, com movimento ascendente adicional do pulso, bem como a correcção de dedos polegar e indicador fortes de indica uma melhora espontânea excelente. Grande amplitude de movimento e exercícios realizados pelos pais, acompanhados de exames repetidos por um médico, pode ser tudo o que é necessário para pacientes com fortes indicadores de recuperação.

Referências

  1. Santa Fisio. Lesão do Plexo Braquial-visão obstétrica. Acesso em 29 de junho de 2010.
  2. FLORES, Leandro Pretto. Estudo epidemiológico das lesões traumáticas de plexo braquial em adultos. Arq. Neuro-Psiquiatr., São Paulo, v. 64, n. 1, mar. 2006 . Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X2006000100018&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 29 jun. 2010. doi: 10.1590/S0004-282X2006000100018.
  3. Clínica Deckers. Lesão do Plexo Braquial (Ferroada). Acesso em 29 de junho de 2010
  4. Wgate. Fisioterapia plexo braquial. Acesso em 29 de junho de 2010
  5. [1]
  6. CARMO, Jose Maurício de Morais Costa; José Emílio Valdivia Murillo; Jorge Ribamar Bacelar (Abril de 1996). Lesões do plexo braquial: análise do tratamento cirúrgico de 50 casos (em português). Página visitada em 12/02/2009.
  7. Emglab. Eletroneuromiografia Acesso em 29 de junho de 2010

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]