Les sept boules de cristal

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Les sept boules de cristal
13º Álbum da série regular
Imagem ilustrativa padrão; esse artigo não possui imagem.
País de origem  Bélgica
Língua de origem Francês
Editora(s) Casterman
Colecção Les Aventures de Tintin
Primeira edição 1948
Número de páginas 62
Primeira publicação Le Soir
Género(s) Aventura
Autor(es) Hergé
Colorista(s) Studios Hergé
Personagens principais Tintim
Milu
Capitão Haddock
Professor Girassol
Dupond e Dupont
Local da acção Bélgica
França
Título(s) em português As 7 Bolas de Cristal
Colecção As Aventuras de Tintim
Títulos da série regular
Le trésor de Rackham le Rouge
Le temple du soleil

As 7 bolas de cristal (Les 7 boules de cristal, no original em francês) é o décimo terceiro álbum da série de banda desenhada franco-belga As aventuras de Tintim, produzida pelo belga Hergé. Encomendado pelo jornal belga Le Soir foi editado diariamente entre de dezembro de 1943, em meio à ocupação alemã da Bélgica durante a Segunda Guerra Mundial. A história foi cancelada abruptamente após a libertação aliada em setembro de 1944, quando Hergé foi acusado de colaborar com os alemães ocupantes e proibido de trabalhar. Depois que ele foi liberado dois anos depois, a história foi publicada semanalmente na nova Revista Tintin de setembro de 1946 a abril de 1948. A história gira em torno das investigações de um jovem repórter Tintim, o seu cão Milu e seu amigo Capitão Haddock no rapto de seu amigo Professor Girassol e sua conexão com uma doença misteriosa que afligiu os membros de uma expedição arqueológica ao Peru.


Les 7 boules de cristal foi um sucesso comercial e foi publicado no formato álbum pela Casterman logo após a sua conclusão. Hergé concluiu o arco começado nesta história em Le temple du soleil, enquanto a própria série se tornou uma parte definidora da tradição da banda desenhada franco-belga. Os críticos classificaram Les 7 boules de cristal como uma das melhores histórias de Tintin, descrevendo-a como a parte mais assustadora da série. A história foi adaptada no filme de animação Tintin et le temple du soleil de 1969 produzido pelo Belvision Studios e para a série animada de 1991 para a série animada As Aventuras de Tintim dos estúdios Ellipse Animation e Nelvana.


Sinopse[editar | editar código-fonte]

Uma misteriosa doença afecta os membros de uma expedição arqueológica recentemente regressada dos Andes, onde descobriu o túmulo do inca Rascar Capac. Um por um, os membros da expedição caem numa misteriosa letargia. A única pista são uns estilhaços de cristal encontrados perto de cada vítima, pertencentes a bolas de cristal. Preocupados com a situação, Tintim, o Capitão Haddock e o Professor Girassol visitam um amigo do último, o Professor Hipólito Bergamotte, o último membro da expedição ainda livre do coma. É em casa deste que se encontra a múmia do inca Rascar Capac. A múmia desaparece, no entanto, quando a meio de uma tempestade um relâmpago cria uma bola de fogo que entra pela chaminé da casa do professor e a atinge. A meio da noite os 3 companheiros são visitados pela múmia em pesadelos e, acordando, encontram o Professor Bergamotte no mesmo estado de letargia dos outros membros da expedição, e com estilhaços de cristal ao pé da sua cama.

Bergamotte acaba por acordar momentaneamente, aos gritos com interlocutores invisíveis e misteriosos que aparentemente o atacam na sua letargia. Mais tarde, Tintim acaba por visitar o hospital onde todos os membros da expedição estão internados, e testemunha uma das horríveis crises de sofrimento que ocorre numa altura precisa do dia.

O enredo aprofunda-se ainda mais, quando Girassol descobre uma bracelete de ouro da múmia e a coloca no seu pulso (comentando como lhe fica "a matar"), desaparecendo misteriosamente após este acontecimento.

Enquanto procuram Girassol, Tintim e o Capitão entram num tiroteio com o presumível raptor do professor, que acaba por escabar num carro preto. É dado o alarme e a polícia estabele bloqueios ao longo das estradas da região, mas os raptores mudam de carro e passam pela polícia.

Tintim e Haddock perseguem os raptores até La Rochelle, onde descobrem que Girassol está a bordo do navio Pachacamac, que se dirige para o Peru, decidindo ir ao encontro deste na América do Sul.

A história continua depois no livro seguinte: O Templo do Sol. A sequela só seria publicada em 1946, devido aos problemas que Hergé teve após a libertação da Bélgica na Segunda Guerra Mundial, altura em que ele e outros membros do jornal Le Soir sofreram investigações por trabalharem para um jornal colaboracionista.

Envolvente[editar | editar código-fonte]

O livro As 7 bolas de cristal foi escrito durante a Segunda Guerra Mundial, numa altura em que a Bélgica estava ocupada pela Alemanha nazi. Por causa disso, Hergé decidiu evitar o conteúdo político que havia incluído em histórias anteriores como O Lótus Azul, A orelha quebrada ou O ceptro de Ottokar.

Como indica a sequência inicial do livro, As 7 bolas de cristal e o seu tema retiram inspiração da Maldição do faraó, uma especulação de que os membros da expedição de Howard Carter (que descobriu o túmulo do faraó Tutancâmon) haviam morrido na sua maioria em condições trágicas e misteriosas devido a uma maldição.

Personagens[editar | editar código-fonte]

Publicação[editar | editar código-fonte]

A publicação original por páginas começou no jornal belga Le Soir a 16 de dezembro de 1943. Foi suspensa a 3 de setembro de 1944, devido à libertação de Bruxelas, quando Hergé e muitos dos seus colegas tiveram de responder por terem trabalhado para o dito jornal, tido como colaboracionista. Esta publicação por páginas terminou estando Tintim a deixar o hospital após visitar os sete membros da expedição no seu ataque de pânico. Seguidamente, sai do hospital lendo um jornal e esbarra no General Alcazar que o informa do desaparecimento do seu assitente Chiquito e de que este é um verdadeiro descendente dos Incas.

A publicação foi continuada na recém-lançada Revista Tintin em 1946, sob o título Le temple du soleil (O Templo do Sol em português). Começa com Tintim a caminho de Moulinsart onde está o Capitão Haddock em estado de depressão devido ao desaparecimento de Girassol. Isto, associado ao súbito salto para a acção por parte do capitão, reflecte a condição psicológica de Hergé à altura: o seu futuro incerto devido às acusações de colaboracionismo e subsequente proposta de lançamento da Revista Tintim. (A cena com Alcazar seria recolocada num porto com o General a preparar-se para partir de novo para a América do Sul).

Ligações a outros livros de Tintim[editar | editar código-fonte]

O Professor Paul Cantonneau, um dos cientistas que é posto em letargia devido à maldição inca, aparece anteriormente como um dos membros da expedição enviada ao Árctico em A Estrela Misteriosa. O General Alcazar aparecera em A orelha quebrada e Bianca Castafiore (que aparece brevemente na cena no music-hall) surgira em O ceptro de Ottokar. Ambas as personagem voltariam a aparecer noutras aventuras.


Adaptações[editar | editar código-fonte]

Em 1969, a companhia de animação Belvision Studios, que produziu as séries de televisão de 1956–1957, Les aventures de Tintin, d'après Hergé, lançou seu primeiro longa-metragem de animação, Tintin et le temple du soleil, que adaptou os arcos de história] Les 7 boules de cristal e Le temple du soleil. Produzido por Raymond Leblanc e dirigido por Eddie Lateste, foi escrito por Lateste, o cartunista Michel Greg, Jos Marissen e Laszló Molnár. A música foi de François Rauber e a música de Zorrino foi composta por Jacques Brel. Lofficier e Lofficier comentaram que a parte do filme baseado em Les 7 boules de cristal "sofre de ser excessivamente condensada por razões temporais".[1]


Em 1991, uma segunda série animada baseada nas Aventuras de Tintin foi produzida, desta vez como uma colaboração entre o estúdio francês Ellipse Animation e a companhia de animação canadense Nelvana. Les 7 boules de cristal foi a décima primeira história a ser adaptada e foi dividida em dois episódios de trinta minutos. Dirigida por Stéphane Bernasconi, os críticos elogiaram a série por ser "geralmente fiel", com composições tendo sido tiradas diretamente dos quadrinhos originais.

O videogame Tintin : Le Temple du Soleil foi desenvolvido e publicado pela empresa francesa Infogrames em 1997, baseado em Les 7 boules de cristal e Le temple du soleil.[2]


Na virada do novo século, Tintin permaneceu popular. Em 2001, Les 7 boules de cristal e Le temple du soleil foram adaptados para um musical teatral, Kuifje - De Zonnetempel (Tintin - O Templo do Sol), que estreou no Stadsschouwburg em Antuérpia, em língua holandesa, em 15 de setembro. A produção, dirigida por Dirk de Caluwé, adaptada por Seth Gaaikema e Frank Van Laecke com música de Dirk Brossé, apresentava Tom Van Landuyt como Tintin. O musical foi adaptado por Didier Van Cauwelaert para o francês e estreou um ano depois em Charleroi como Tintin - Le Temple du Soleil. A partir daí, a produção foi agendada para ser apresentada em Paris em 2003, mas foi cancelada.[3][4] Ele retornou para uma breve temporada em Antuérpia em 18 de outubro de 2007.[5]



Referências

  1. Lofficier, Jean-Marc; Lofficier, Randy (2002). The Pocket Essential Tintin. Harpenden, Hertfordshire: Pocket Essentials. pp. 89-90 ISBN 978-1-904048-17-6.
  2. "Tintin: Prisoners of the Sun". GameFAQs.com.
  3. "Kuifje – De Zonnetempel (De Musical) / Tintin – Le Temple du Soleil – Le Spectacle Musical". Tintinologist.org.
  4. "Musical Kuifje binnen 2 weken in Antwerpen
  5. "'Kuifje — De Zonnetempel' dit najaar ook in Antwerpen"

Ligações externas[editar | editar código-fonte]