Leucothea

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Leucothea
Leucothea, museu do Louvre

Leucothea (em grego antigo: Λευκοθέα, transl.: leukothea – trad.: “deusa branca”), na mitologia grega, era uma antiga deusa do mar, que se manifestava sob a forma de uma ninfa transformada.

Origem[editar | editar código-fonte]

Na sua variante mais familiar, Ino, irmã de Sémele e esposa do rei Atamante, transformou-se em deusa após Hera a ter enlouquecido como represália por ter acolhido e cuidado de Dioniso. Ino lancou-se ao mar com o filho, Melicertes nos braços; de acodo com a mitologia os deuses do olimpo tiveram pena deles e fizeram de ambos deuses do mar transformando Melicertes em Palemon, o patrono dos jogos ístmicos, e Ino em Leucothea, a protectora dos marinheiros.

Na versão de Rodes é possível detectar-se um nível mítico ainda mais antigo: nessa versão a mulher que se transformou em Leucothea era Hália - uma ninfa local e um dos telquines originários da ilha, que sucumbiu a Posídon; Hália teve com ele uma filha, Rodo, e mais seis filhos, que depois ousaram insultar Afrodite. Como vingança de tal afronta, Afrodite fez com que Rodo e os irmãos enlouquecessem e violassem a própria mãe; Posseidon, vendo a sua amada ultrajada, condenou-os a viver debaixo de terra, onde se transformaram em demónios, após o que Hália se lançou ao mar [1].

Protectora[editar | editar código-fonte]

Na Odisseia, Homero relata que Leucothea salvou a vida de Odisseu após Calipso o ter permitido regressar a casa e ter-lhe oferecido, para tal, uma jangada. Posídon ao ver a embarcação destruíu-a com a palma da mão. Odisseu submergeu-se pelo peso das suas ricas vestes, mas a sua grande fortaleza física permitiu-lhe desembaraçar-se do lastre antes de morrer afogado; quando chegou à superfície encontrou Leucóothea, que para despistar Posídon se disfarçou de gaivota.

Leucothea entregou a Odisseu um velo mágico que, atado à cintura, o livraria de morrer afogado se se voltasse a submergir. Odisseu obedeceu-lhe e, em vez de se agarrar aos restos da embarcação, pode nadar para longe, o que fez que Posídon não pudesse localizá-lo.

Culto[editar | editar código-fonte]

Leucothea tinha os seus altares junto aos de Posídon, sendo que o principal estava em Corinto. Tinha um santuário em Lacônia onde respondia a perguntas sobre os sonhos, sendo esta a sua forma de oráculo. Pode comparar-se Leucothea com Losana, uma deusa etrusca

Os romanos adoravam-na com o nome de Mater Matuta e acudiam ao seu templo, em Roma para interceder pelos filhos dos parentes; nunca pelos próprios, pois Leucothea fora violada e humilhada pelos seus filhos antes de ser imortal.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Russo, Sergio. Quando il mare profuma di ambrosia. Leucotea e Palemone nel Mediterraneo, 2017

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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