Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo

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Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo
Tipo instituição educacional e centro cultural
Website oficial
Geografia
Coordenadas 23° 31' 59.3206" S 46° 37' 36.3277" O
Localização São Paulo
País Brasil

O Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo (LAOSP) é uma instituição, fundada em 1873, cujas principais atividades se dão no âmbito da educação profissional, atuando também na produção industrial e cultural[1].

Atualmente, o Liceu de Artes e Ofícios, uma sociedade civil de direito privado, se desdobra em três organismos diferentes: a LAO-Indústria (resultado do desmembramento da atividade produtiva da escola, especializada na fabricação de hidrômetros, medidores de gás e materiais para a construção civil, atua também como mantenedora das atividades educacionais do Liceu); a Escola Técnica do LAOSP (responsável pela atividade-fim do LAOSP, oferecendo cursos técnicos, ensino médio e cursos livres relacionados à área de tecnologia) e o Centro Cultural (responsável pela promoção das artes em geral e da preservação da memória da própria instituição)[2].

História[editar | editar código-fonte]

Fundação[editar | editar código-fonte]

A instituição foi criada em 1873 por um grupo de aristocratas pertencentes à elite cafeeira nacional que pretendia formar mão de obra especializada para uma futura possível industrialização do país, de acordo com os ideais positivistas que pregavam a "dignificação do homem através do trabalho". Seu fundador, Carlos Leôncio da Silva Carvalho, era um advogado e Deputado Geral(atualmente corresponde ao posto de Deputado Federal) e com o apoio financeiro da maçonaria paulista e dos cafeicultores, conseguiu tornar real a instituição para divulgação das artes e ofícios focando na formação de mão-de-obra especializada para a lavoura, a indústria e o comércio[3].

Inicialmente adotou-se o nome "Sociedade Propagadora da Instrução Popular". Não se pretendia nos primeiros anos promover educação profissional: lecionavam-se cursos noturnos de Primeiras Letras e Aritmética, entre outros, para adultos e crianças. Desde essa época, porém, já existia um Conselho Superior (presidido pelo Conselheiro Leôncio de Carvalho) que representava a elite paulista do período[4].

Passados sete anos, o Conselho Superior decidiu pela total reformulação da instituição e sua efetiva transformação em uma escola. Esta ainda não possuía sede nem diretrizes curriculares e o modelo adotados para a nova instituição seriam as experiências europeias dos Liceus de Artes e Ofícios (as Arts & Crafts Schools idealizadas por William Morris). O movimento das Arts & Crafts (artes e ofícios) já ocorria na Europa há algum tempo e pregava a valorização do trabalho manual do artesão na indústria capitalista.

Com a adoção do nome Lyceu de Artes e Officios, o novo modelo passa a ser exercido e são ministrados cursos de marcenaria, serralheria, gesso, desenho, entre outros, dentro do espírito positivista-burguês das Artes e Ofícios.

Consolidação[editar | editar código-fonte]

Projeto de Ramos de Azevedo e Domiziano Rossi para o Liceu (1896), atual sede da Pinacoteca.

A partir de 1890, assume a direção do Liceu o arquiteto Francisco Paula Ramos de Azevedo, responsável por uma nova reforma curricular e administrativa da escola que a faria prosperar de modo inédito. Ramos de Azevedo também foi um dos fundadores da Escola Politécnica da futura Universidade de São Paulo e trouxe da Bélgica um espírito empreendedor que ia de encontro aos interesses do Conselho Superior. A partir de sua reforma, os alunos do Liceu (aprendizes) passariam a receber financeiramente pela obra que produziam. Esta obra levaria a marca de qualidade do Liceu estampada e seria vendida por todo o País. Com este modelo, o LAOSP tornou-se autossuficiente e independente[5].

A prosperidade financeira do Liceu possibilitou a criação de uma sede definitiva. Em 1897 o Escritório Técnico Ramos de Azevedo iniciou o projeto do edifício da Praça da Luz, nunca concluído mas entregue em 1900. Este edifício, através de um acordo com o Estado de São Paulo, seria dividido entre o LAOSP e a recém criada Pinacoteca do Estado.

A produção industrial do Liceu prosperou nitidamente nos períodos de Guerras Mundiais, com o aumento do consumo de itens produzidos no país (devido à redução de importações). Neste período, passaram pelo Liceu nomes como Victor Brecheret; Alberto Santos Dumont; Adoniran Barbosa. O Liceu se torna o principal divulgador e realizador de obras em estilo Art nouveau da cidade (e do país).

Século XX[editar | editar código-fonte]

Oficina dos Ferreiros Artísticos do Liceu na Rua da Cantareira, c. 1910. Acervo do Liceu de Artes e Ofícios.

A partir dos anos 1950, com a adoção pelo país de um novo modelo de desenvolvimento industrial, os artesãos do Liceu passaram a ser inadequados para as novas atividades de produção. Ocorreu a separação entre a atividade industrial da instituição e sua seção educacional: todo o ideal original de indissociabilidade entre arte e indústria se perdeu a partir daí. São frutos dessa nova fase industrial: execução das esquadrias do MASP; execução de parte do mobiliário do Aeroporto Internacional de Cumbica; produção dos caixas-automáticos 24 Horas; entre outros[6].

Nos anos 1970 ocorre uma nova reforma curricular e institui-se a Escola Técnica. Seus primeiros cursos envolvem Edificações (EDI), Máquinas e Motores (transformado em Mecânica - MEC - posteriormente), Decoração, Eletrônica (ELO) e mais tarde Desenho de Construção Civil (DCC) e Eletrotécnica. Quatro destes cursos (EDI, ELO, MEC e DCC) compuseram o núcleo pedagógico da escola e sobreviveram até 2002 (data da formatura de suas últimas turmas). Na década de 1980 foi fundado o Centro Cultural do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, estreando o espetáculo multimídia Multivisão.

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Portão das Oficinas do Liceu.

Em 2007, iniciaram-se três novos cursos na escola: Multimídia (MT), Gestão de Negócios Culturais (GT) e Produção de Eventos Culturais e Promocionais (EVT). Os dois últimos cursos duraram apenas dois anos.

Em 2009, as três novas turmas eram compostas por Edificações (EDI), Eletrônica (ELO) e Multimídia (MT). Em 2011, o colégio abriu 20 novas vagas para bolsas de Ensino Médio Regular.

Em 2018, o curso de Edificações (EDI) integrado ao Ensino Médio foi finalizado, restando, apenas, o curso concomitante a esse (filantrópico).

O curso de Eletrônica (ELO) foi o próximo encerrado no colégio, em 2019, porém foi criado o curso de Automação Industrial concomitante ao Ensino Médio para substituí-lo.

A partir do ano de 2020, o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo apresenta dois cursos técnicos, sendo eles: Automação Industrial com Ênfase em Tecnologias de Construção e Multimídia (MT), ambos integrados ao Ensino Médio[7][8].

Ao longo da história, o Liceu pautou-se por um grupo de princípios de atuação de uma forma geral ligados ao ensino gratuito, à formação profissional e humanística. Recentemente, porém, através de reformas na Escola levadas a cabo pela LAO-Indústria, instituiu-se um modelo de ensino pago e a total separação entre a formação profissional e o ensino básico[9].

Além disso, em 2019, foi criado o Liceu Tech, uma área de cursos de inovação do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, coordenada pelo Eng. Eletricista Alessandro Cunha, sendo eles: Internet das Coisas (IoT), Field Programmable Gate Array (FPGA) e Printed Circuit Board (PCB).

Incêndio[editar | editar código-fonte]

Em 4 de fevereiro de 2014, um incêndio danificou quase todo o acervo. Quadros, esculturas, móveis antigos e históricos do local, réplicas em gesso de obras-primas como Davi e Pietá, de Michelangelo, ficaram destruídas. Dois vigias avisaram o Corpo de Bombeiros quando o incêndio começou, por volta da 1h. Ao todo, 48 homens, em 14 viaturas, contiveram as chamas em 20 minutos.[10][11]

Apesar de ninguém ter ficado ferido, parte do forro do teto caiu, vidros se despedaçaram e o piso de madeira do local também foi danificado pelo fogo. De acordo com o capitão Miguel Jodas, do Corpo de Bombeiros, 100% da área interna do prédio do central cultural foi danificada.[11] Em virtude disso, foi totalmente reformulado, criando um centro cultural moderno [12].

Recuperação[editar | editar código-fonte]

Em agosto de 2018, a instituição foi reaberta após uma grande reforma. Os custos desta reforma foi com o auxílio do seguro e com recursos próprios em parte da construção do novo prédio e do restauro de obras queimadas. Das 28 réplicas em gesso, oito já foram restauradas e já estão em exibição no espaço. Mais de 10 obras ficaram irrecuperáveis por causa do incêndio.[13]

Com 1.200 m², o novo Centro Cultural conta com dois espaços expositivos e é decorado com a mesma estrutura metálica do prédio que pegou fogo. Apesar de ter perdido a sua capacidade estrutural no incêndio, as peças metálicas foram restauradas e agora servem para ornamentação. A entrada principal na Rua da Cantareira foi refeita, com um design mais moderno, mas o pórtico localizado na Rua João Teodoro foi mantido.[13]

Para recuperar a história da instituição, o espaço inferior do novo Centro Cultural foi reservado para exposições sobre o próprio Liceu e inclui pequenas salas, onde foram colocadas as réplicas em gesso, como uma homenagem ao antigo centro. Numa parede lateral, fotos e objetos mostram a relação do Liceu com a cidade de São Paulo, ao relembrar construções que utilizam peças feitas pela instituição, como as portas da Catedral da Sé ou o Monumento a Duque de Caxias. Por fim, outra parede relembra as oficinas mantidas pelo Liceu, como de serraria, desenho e artes decorativas. Atualmente, o Liceu conta com quatro cursos técnicos gratuitos, além de ensino médio privado.[13][14]

Obras com a marca Liceu[editar | editar código-fonte]

A lista seguinte reúne edifícios e monumentos em que existem registros da atuação do Liceu, seja em sua construção, seja em seus materiais.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Cultural, Instituto Itaú. «Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo (Laosp)». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 22 de abril de 2021 
  2. «Centro Cultural do Liceu de Artes». Governo do Estado de São Paulo. Consultado em 22 de abril de 2021 
  3. http://www.ef5.com.br, F5-Web Design e Tecnologia Atualizada-. «Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo». www.museuafrobrasil.org.br. Consultado em 22 de abril de 2021 
  4. «19&20 - A Modernidade Acadêmica: Os primeiros tempos do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, por Julio Lucchesi Moraes». www.dezenovevinte.net. Consultado em 22 de abril de 2021 
  5. «Pinacoteca de São Paulo: conheça sua história + arquitetura!». Viva Decora Pro. 9 de setembro de 2019. Consultado em 22 de abril de 2021 
  6. «Centro Cultural do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo | São Paulo Bairros». Consultado em 22 de abril de 2021 
  7. «ENSINO TÉCNICO – LICEU – SÃO PAULO». Consultado em 23 de abril de 2021 
  8. Profitec (20 de agosto de 2019). «Conheça os cursos do Liceu de Artes e Ofícios». Blog Profitec. Consultado em 23 de abril de 2021 
  9. leitura, Última atualização:20/10/2020 4 minutos de (8 de agosto de 2018). «Liceu de Artes e Ofícios lança Centro Cultural». revistaSIM. Consultado em 22 de abril de 2021 
  10. «Incêndio atinge o Centro Cultural do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo». R7.com. 4 de fevereiro de 2014. Consultado em 23 de abril de 2021 
  11. a b Folhapress/Gazeta do Povo, ed. (4 de fevereiro de 2014). «Incêndio destrói Liceu de Artes de Ofícios de São Paulo». Consultado em 4 de setembro de 2018 
  12. garoa, Rafael Gushiken / São Paulo da (11 de agosto de 2018). «Liceu de Artes e Ofícios comemora 145 anos e reinaugura como novo Centro Cultural». São Paulo da garoa. Consultado em 23 de abril de 2021 
  13. a b c Pedro Rocha (10 de agosto de 2018). O Estado de S. Paulo, ed. «Liceu de Artes e Ofícios reinaugura espaço cultural destruído em incêndio». Consultado em 4 de setembro de 2018 
  14. leitura, Última atualização:20/10/2020 4 minutos de (8 de agosto de 2018). «Liceu de Artes e Ofícios lança Centro Cultural». revistaSIM. Consultado em 23 de abril de 2021 
  15. Informação, Cactus Tecnologia da. «.:Blog do Gemaia:.». www.blogdogemaia.com. Consultado em 15 de abril de 2018 
  16. Cotrim, Luciana. «Liceu de Artes e Ofício de São Paulo». Série Avenida Paulista. Consultado em 23 de abril de 2021 
  17. «Diana Caçadora » São Paulo Antiga». São Paulo Antiga. 7 de novembro de 2017. Consultado em 23 de abril de 2021 
  18. «Escultura Mercúrio em repouso». Descubra Sampa - Cidade de São Paulo. Consultado em 23 de abril de 2021 

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

  • GORDINHO, Margarida Cintra (org.). Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo - Missão excelência. São Paulo: Editora Marca d'Água, 2000. 119p. il. ISBN 85-85118-30-X.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]