Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo

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Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo
Tipo instituição educacional
Website oficial
Geografia
Coordenadas 23° 31' 59.3206" S 46° 37' 36.3277" O
Logradouro Rua Cantareira, 1351 - Luz, São Paulo - SP, 01103-201
Cidade São Paulo
País Brasil

O Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo (LAOSP) é uma instituição, fundada em 1873, cujas principais atividades se dão no âmbito da educação profissional, atuando também na produção industrial e cultural.

Atualmente, o Liceu de Artes e Ofícios, uma sociedade civil de direito privado, se desdobra em três organismos diferentes: a LAO-Indústria (resultado do desmembramento da atividade produtiva da escola, especializada na fabricação de hidrômetros, medidores de gás e materiais para a construção civil, atua também como mantenedora das atividades educacionais do Liceu); a Escola Técnica do LAOSP (responsável pela atividade-fim do LAOSP, oferecendo cursos técnicos, ensino médio e cursos livres relacionados à área de tecnologia) e o Centro Cultural (responsável pela promoção das artes em geral e da preservação da memória da própria instituição).

História[editar | editar código-fonte]

Fundação[editar | editar código-fonte]

A instituição foi criada em 1873 por um grupo de aristocratas pertencentes à elite cafeeira nacional que pretendia formar mão de obra especializada para uma futura possível industrialização do país, de acordo com os ideais positivistas que pregavam a "dignificação do homem através do trabalho".

Inicialmente adotou-se o nome "Sociedade Propagadora da Instrução Popular". Não se pretendia nos primeiros anos promover educação profissional: lecionavam-se cursos noturnos de Primeiras Letras e Aritmética, entre outros, para adultos e crianças. Desde essa época, porém, já existia um Conselho Superior (presidido pelo Conselheiro Leôncio de Carvalho) que representava a elite paulista do período.

Passados sete anos, o Conselho Superior decidiu pela total reformulação da instituição e sua efetiva transformação em uma escola. Esta ainda não possuía sede nem diretrizes curriculares e o modelo adotados para a nova instituição seriam as experiências europeias dos Liceus de Artes e Ofícios (as Arts & Crafts Schools idealizadas por William Morris). O movimento das Arts & Crafts (artes e ofícios) já ocorria na Europa há algum tempo e pregava a valorização do trabalho manual do artesão na indústria capitalista.

Com a adoção do nome Lyceu de Artes e Officios, o novo modelo passa a ser exercido e são ministrados cursos de marcenaria, serralheria, gesso, desenho, entre outros, dentro do espírito positivista-burguês das Artes e Ofícios.

Consolidação[editar | editar código-fonte]

Projeto de Ramos de Azevedo e Domiziano Rossi para o Liceu (1896), atual sede da Pinacoteca.

A partir de 1890, assume a direção do Liceu o arquiteto Francisco Paula Ramos de Azevedo, responsável por uma nova reforma curricular e administrativa da escola que a faria prosperar de modo inédito. Ramos de Azevedo também foi um dos fundadores da Escola Politécnica da futura Universidade de São Paulo e trouxe da Bélgica um espírito empreendedor que ia de encontro aos interesses do Conselho Superior. A partir de sua reforma, os alunos do Liceu (aprendizes) passariam a receber financeiramente pela obra que produziam. Esta obra levaria a marca de qualidade do Liceu estampada e seria vendida por todo o País. Com este modelo, o LAOSP tornou-se autossuficiente e independente.

A prosperidade financeira do Liceu possibilitou a criação de uma sede definitiva. Em 1897 o Escritório Técnico Ramos de Azevedo iniciou o projeto do edifício da Praça da Luz, nunca concluído mas entregue em 1900. Este edifício, através de um acordo com o Estado de São Paulo, seria dividido entre o LAOSP e a recém criada Pinacoteca do Estado.

A produção industrial do Liceu prosperou nitidamente nos períodos de Guerras Mundiais, com o aumento do consumo de itens produzidos no país (devido à redução de importações). Neste período, passaram pelo Liceu nomes como Victor Brecheret; Alberto Santos Dumont; Adoniran Barbosa. O Liceu se torna o principal divulgador e realizador de obras em estilo Art nouveau da cidade (e do país).

Século XX[editar | editar código-fonte]

Oficina dos Ferreiros Artísticos do Liceu na Rua da Cantareira, c. 1910. Acervo do Liceu de Artes e Ofícios.

A partir dos anos 1950, com a adoção pelo país de um novo modelo de desenvolvimento industrial, os artesãos do Liceu passaram a ser inadequados para as novas atividades de produção. Ocorreu a separação entre a atividade industrial da instituição e sua seção educacional: todo o ideal original de indissociabilidade entre arte e indústria se perdeu a partir daí. São frutos dessa nova fase industrial: execução das esquadrias do MASP; execução de parte do mobiliário do Aeroporto Internacional de Cumbica; produção dos caixas-automáticos 24 Horas; entre outros.

Nos anos 1970 ocorre uma nova reforma curricular e institui-se a Escola Técnica. Seus primeiros cursos envolvem Edificações (EDI), Máquinas e Motores (transformado em Mecânica - MEC - posteriormente), Decoração, Eletrônica (ELO) e mais tarde Desenho de Construção Civil (DCC) e Eletrotécnica. Quatro destes cursos (EDI, ELO, MEC e DCC) compuseram o núcleo pedagógico da escola e sobreviveram até 2002 (data da formatura de suas últimas turmas). Na década de 1980 foi fundado o Centro Cultural do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, estreando o espetáculo multimídia Multivisão.

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Portão das Oficinas do Liceu.

Em 2007, iniciaram-se três novos cursos na escola: Multimídia (MT), Gestão de Negócios Culturais (GT) e Produção de Eventos Culturais e Promocionais (EVT). Os dois últimos cursos duraram apenas dois anos. Em 2009, as três novas turmas eram compostas por Edificações (EDI), Eletrônica (ELO) e Multimídia (MT), cursos que se mantém até hoje. A novidade da escola para o ano de 2011 será a abertura de 20 novas vagas para bolsas de Ensino Médio Regular.

Ao longo da história, o Liceu pautou-se por um grupo de princípios de atuação de uma forma geral ligados ao ensino gratuito, à formação profissional e humanística. Recentemente, porém, através de reformas na Escola levadas a cabo pela LAO-Indústria, instituiu-se um modelo de ensino pago e a total separação entre a formação profissional e o ensino básico.

Incêndio[editar | editar código-fonte]

Em 4 de fevereiro de 2014, um incêndio danificou quase todo o acervo. Quadros, esculturas, móveis antigos e réplicas em gesso de obras-primas como Davi e Pietá, de Michelangelo, ficaram destruídas. Dois vigias avisaram o Corpo de Bombeiros quando o incêndio começou, por volta da 1h. Ao todo, 48 homens, em 14 viaturas, contiveram as chamas em 20 minutos.[1]

Apesar de ninguém ter ficado ferido, parte do forro do teto caiu, vidros se despedaçaram e o piso de madeira do local também foi danificado pelo fogo. De acordo com o capitão Miguel Jodas, do Corpo de Bombeiros, 100% da área interna do prédio do central cultural foi danificada.[1]

Recuperação[editar | editar código-fonte]

Em agosto de 2018, a instituição foi reaberta após uma grande reforma. Segundo Livio De Vivo,o presidente do Liceu, apesar de contar com o auxílio do seguro, a instituição teve de arcar com recursos próprios em parte da construção do novo prédio e do restauro de obras queimadas. Das 28 réplicas em gesso, oito já foram restauradas e já estão em exibição no espaço. Mais de 10 obras ficaram irrecuperáveis por causa do incêndio.[2]

Com 1.200 m², o novo Centro Cultural conta com dois espaços expositivos e é decorado com a mesma estrutura metálica do prédio que pegou fogo. Apesar de ter perdido a sua capacidade estrutural no incêndio, as peças metálicas foram restauradas e agora servem para ornamentação. A entrada principal na Rua da Cantareira foi refeita, com um design mais moderno, mas o pórtico localizado na Rua João Teodoro foi mantido.[2]

Para recuperar a história da instituição, o espaço inferior do novo Centro Cultural foi reservado para exposições sobre o próprio Liceu e inclui pequenas salas, onde foram colocadas as réplicas em gesso, como uma homenagem ao antigo centro. Numa parede lateral, fotos e objetos mostram a relação do Liceu com a cidade de São Paulo, ao relembrar construções que utilizam peças feitas pela instituição, como as portas da Catedral da Sé ou o Monumento a Duque de Caxias. Por fim, outra parede relembra as oficinas mantidas pelo Liceu, como de serraria, desenho e artes decorativas. Atualmente, o Liceu conta com quatro cursos técnicos gratuitos, além de ensino médio privado.[2]

Obras com a marca Liceu[editar | editar código-fonte]

A lista seguinte reúne edifícios e monumentos em que existem registros da atuação do Liceu, seja em sua construção, seja em seus materiais.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Folhapress/Gazeta do Povo, ed. (4 de fevereiro de 2014). «Incêndio destrói Liceu de Artes de Ofícios de São Paulo». Consultado em 4 de setembro de 2018. 
  2. a b c Pedro Rocha (10 de agosto de 2018). O Estado de S. Paulo, ed. «Liceu de Artes e Ofícios reinaugura espaço cultural destruído em incêndio». Consultado em 4 de setembro de 2018. 
  3. Informação, Cactus Tecnologia da. «.:Blog do Gemaia:.». www.blogdogemaia.com. Consultado em 15 de abril de 2018. 

Leitura adicinal[editar | editar código-fonte]

  • GORDINHO, Margarida Cintra (org.). Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo - Missão excelência. São Paulo: Editora Marca d'Água, 2000. 119p. il. ISBN 85-85118-30-X.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]