Lilian Thuram

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Lilian Thuram
Lilian Thuram
Thuram em 2013
Informações pessoais
Nome completo Ruddy Lilian Thuram-Ulien
Data de nasc. 1 de janeiro de 1972 (50 anos)
Local de nasc. Pointe-à-Pitre, Guadalupe
Nacionalidade francês
guadalupense
Altura 1,82 m
destro
Informações profissionais
Clube atual aposentado
Posição lateral-direito ou zagueiro
Clubes de juventude
1981–1982
1983–1984
1985–1987
1987–1988
1989–1990
1990–1991
Portugais de Fontainebleau
Fontainebleau
Melun
Melun-Fontainebleau
Fontainebleau
Monaco
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
1991–1996
1996–2001
2001–2006
2006–2008
Monaco
Parma
Juventus
Barcelona
0196 000(11)
0230 0000(1)
0205 0000(1)
0058 0000(0)
Seleção nacional
1994–2008 França 0142 0000(2)

Ruddy Lilian Thuram-Ulien (Pointe-à-Pitre, Guadalupe, 1 de janeiro de 1972) é um ex-futebolista francês que atuava como lateral-direito ou zagueiro.

Por clubes, atuou na França, na Itália e na Espanha por mais de 15 temporadas, incluindo dez no Parma e na Juventus, tendo se tornado ídolo em ambas as equipes. Já pela Seleção Francesa, o ex-lateral é o recordista de partidas: disputou 142 jogos com a camisa dos Bleus entre 1994 e 2008. Thuram destacou-se por ter conquistado a Copa do Mundo FIFA de 1998, a Euro 2000[1] e a Copa das Confederações FIFA de 2003, além de ter sido vice na Copa do Mundo FIFA de 2006.

Um jogador rápido, forte fisicamente e versátil, ele era capaz de jogar tanto como zagueiro quanto como lateral-direito, e era competente ofensivamente e defensivamente. Apesar de seu estilo de jogo agressivo, foi descrito como estudioso e inteligente fora do campo. No ano de 2010, Thuram tornou-se embaixador da UNICEF e foi parabenizado por suas iniciativas de combate contra o racismo.[2][3]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Infância e início no Monaco[editar | editar código-fonte]

Quando criança, jogava bola nas praias e nas ruas de Guadalupe, sua terra natal, tendo se mudado para França com nove anos de idade, no ano de 1981. Foi criado pela mãe solteira junto com seus outros quatro irmãos no bairro parisiense de Fontainebleau, no subúrbio da capital francesa, já que ela havia se separado de seu pai quando a família ainda morava na ilha de Guadalupe, localizada nas Antilhas Francesas. Thuram chegou a rever o pai quando adulto algumas vezes, mas não criou laços afetivos com ele.

Antes de ser convencido a virar jogador profissional pelo Monaco, Thuram vislumbrava ser sacerdote. Para o bem do futebol, ele mudou de ideia aos 19 anos.[4] Fez seu primeiro jogo como profissional pelo Monaco, comandado à época por Arsène Wenger, contra o Toulon, no dia 24 de maio de 1991, em jogo válido pela Ligue 1. Entrou no segundo tempo e jogou 15 minutos. O placar final foi de 1 a 1. Já seu primeiro gol como profissional saiu contra o Spartak Moscou, em casa, no dia 24 de novembro de 1993, pela fase de grupos da Liga dos Campeões da UEFA. O Monaco venceu por 4 a 1 e Thuram marcou o último tento da partida.[5]

Parma e Juventus[editar | editar código-fonte]

Em julho de 1996, Thuram chegou ao Parma.[6] Sob o comando de Carlo Ancelotti e ao lado de Gianluigi Buffon, Roberto Sensini, Fabio Cannavaro e Hernán Crespo, fez história no time, conquistando o vice-campeonato italiano logo em sua primeira temporada (o título ficou com a Juventus). Formou ao lado de Cannavaro e Sensini um trio de zaga incrível no Parma, ganhando a Copa da UEFA, a Copa da Itália e a Supercopa Italiana. Em 1997, foi eleito o melhor jogador estrangeiro do Campeonato Italiano e, pela France Football, o melhor jogador francês da temporada.

Em 2001, depois de cinco boas temporadas pelo Parma,[7] além de ótimas exibições pela Seleção, onde jogou e venceu a Copa do Mundo FIFA de 1998 e a Eurocopa de 2000, a Juventus abriu os cofres e pagou 34,4 milhões de euros por Thuram, na época a transferência mais cara da história de um defensor.[8] Na equipe de Turim, o atleta reencontraria o goleiro Buffon, seu companheiro nos tempos de Parma. Logo na sua primeira temporada, conquistou o Campeonato Italiano, ficando um ponto na frente da vice-campeã Roma. Na temporada seguinte, de novo, conquistou o Campeonato Italiano, mas a derrota na final da Liga dos Campeões para o Milan acabou com a alegria da conquista.

Em 2004, a equipe de Turim anunciou a contratação do técnico Fabio Capello e de Cannavaro, ambos conhecidos de Thuram dos tempos de Parma. O time venceu os dois campeonatos nacionais seguintes, mas, em 2006 estes títulos foram revogados por conta do escândalo de manipulação de resultados conhecido como Calciopoli. Além de perder os dois últimos títulos, o clube foi rebaixado à Serie B. Thuam então deixou o time bianconeri.

Barcelona[editar | editar código-fonte]

Thuram em 2008, durante treino do Barcelona

Por cinco milhões de euros, Thuram se tornou o novo reforço do Barcelona, comprado pelos catalães juntamente com o seu companheiro de Juventus, Gianluca Zambrotta, que foi vendido aos espanhóis por 14 milhões de euros.[9][10] Seu desempenho, entretanto, foi muito prejudicado por lesões e ele não era considerado titular absoluto – disputava a posição com o mexicano Rafa Márquez e o espanhol Carles Puyol, ambos em ótima fase. Com a camisa blaugrana, conquistou apenas a Supercopa da Espanha, em 2006.

Aposentadoria[editar | editar código-fonte]

Na janela de transferências 2008–09, após o encerramento do contrato com o Barcelona, ele recebeu uma proposta para jogar no Paris Saint Germain,[11] mas exames médicos alegaram que Thuram sofria de um problema cardíaco.[12] Assim, o zagueiro francês decidiu encerrar sua carreira aos 36 anos, jogando apenas jogos amadores.[13][14]

Seleção Nacional[editar | editar código-fonte]

Sua primeira atuação pela Seleção Francesa foi no dia 17 de agosto de 1994, em um empate por 2 a 2 com a República Checa.

A grande atuação de Thuram com a camisa francesa aconteceu contra a Croácia, nas semifinais da Copa do Mundo FIFA de 1998. Ele foi o autor dos dois gols franceses, por coincidência, seus dois únicos com a camisa dos Les Bleus em 14 anos de serviço. Os croatas saíram na frente, mas logo depois apareceu a estrela de Thuram, que, com dois gols na etapa final, levou os Bleus para a final. O primeiro gol saiu depois de boa tabela com Youri Djorkaeff, que terminou com um chute na saída do goleiro. No segundo tento, Thuram roubou a bola e bateu de perna esquerda para virar o placar, levando a França à sua primeira final de Copa do Mundo.[15]

Na final, o adversário era o tradicionalíssimo Brasil, que defendia o título ganho em 1994. Jogando como lateral-direito, Thuram apoiou menos o ataque e se preocupou mais com a defesa. Com dois gol de Zinédine Zidane e um de Emmanuel Petit, a França venceu por 3 a 0 e conquistou o título. Thuram foi escolhido o terceiro melhor jogador da Copa do Mundo de 1998, ficando atrás somente de Ronaldo e do croata Davor Šuker, artilheiro da competição.

Após se tornar campeão mundial em 1998, Thuram fez parte da Seleção Francesa campeã da Euro 2000, título que levou a França ao primeiro lugar no ranking da FIFA de 2001 a 2002. Ele também atuou na Copa do Mundo FIFA de 2002, na Copa do Mundo FIFA de 2006, na Euro 96, na Euro 2004 e na Euro 2008, se aposentando da Seleção Francesa após a Eurocopa de 2008, juntamente com Claude Makélélé.[16][17] Thuram é o atual recordista de jogos com a camisa dos Bleus, com 142 partidas.

Estilo de jogo[editar | editar código-fonte]

Thuram era um zagueiro que teve origem como lateral que se impõe muito nas disputas físicas, onde sempre ganhava as divididas no jogo de corpo. Muitos atacantes tinham medo dele pelo seu jeito de atacar os adversários e os desarmar. Apesar do porte físico, era um zagueiro rápido que sempre visava a bola em seus desarmes. Também era dono de uma grande técnica.[18]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Thuram sempre se destacou por ter inteligência muito acima da média dos jogadores de futebol.[19] Entre as diversas que ele comprou durante a carreira, está a luta contra o racismo.[20] Ele virou um ícone de campanhas pela Uefa e se tornou um embaixador oficial da Unicef. Hoje roda pelo mundo como militante do movimento negro.[21] Thuram também foi figura importante nas lutas contra a homofobia ao redor da Europa. O defensor ainda participou de marchas em apoio ao casamento de pessoas do mesmo sexo, pela independência da Catalunha e ainda pediu atenção ao fato de haver recrutamento infantil em guerras civis na África.[22] Em 2009, recusou o cargo de "ministro da diversidade" oferecido pelo presidente Nicolas Sarkozy no fim de 2008, segundo entrevista publicada na época pelo jornal "Le Monde".[23] Thuram alegou que o presidente francês tinha um "discurso racista", além de ser crítico à política imigratória de Sarkozy e ao costume do presidente de chamar tais jovens de "decadentes" ou de "escória da sociedade".[24][25]

Thuram também é desafeto de Jean-Marie Le Pen, que já declarou que Thuram era uma “afronta à França” por ser negro e não ter nascido em território europeu. Outros militantes do partido afirmaram que Lilian era no mínimo hipócrita por defender os mais pobres e estar na posição de futebolista milionário que não vive a realidade dos subúrbios. Em resposta, o jogador respondeu "Se alguém vir o Le Pen por aí, diga que se ele tem algum problema em ser francês, nós não temos. Viva a França! Mas não a França que Le Pen quer, e sim a França verdadeira."[26][27][28][29]

Após sua aposentadoria, criou a fundação Lilian Thuram que desenvolve atividades de conscientização como forma de combate ao preconceito racial.[30]

Em 2010, o jogador francês lançou um livro chamado “Mes étoiles noires” (“Minhas estrelas negras”, em português), no qual aborda questões relacionadas ao racismo. No livro, Thuram diz que Itália é um país racista e se refere, dentre outras coisas, a um cântico dos torcedores da Juventus cuja letra diz que “um negro não pode ser italiano”.[31]

Em entrevista à Rai Radio 2 após os Atentados terroristas em Paris em 2015, Thuram questionou o discurso do presidente francês François Hollande, que afirmou que os ataques colocaram a França em uma guerra. Para o ex-zagueiro, o país já estava em um conflito há muito tempo, desde que decidiram empreender ofensivas a territórios estrangeiros. “Hollande disse na sexta-feira que agora estamos em guerra após os ataques. Meu país está em guerra, sim, mas não a partir de agora. A França tem feito guerra fora de suas fronteiras há algum tempo.”[32]

Títulos[editar | editar código-fonte]

Monaco
Parma
Juventus
Barcelona
Seleção Francesa

Referências

  1. «A imortal seleção da França, campeã do mundo em 1998 e da Euro em 2000». Trivela. 4 de junho de 2018. Consultado em 27 de junho de 2022 
  2. Ali Farhat (19 de março de 2021). «"Ninguém nasce racista, tornamo-nos racistas", diz ex-jogador Lilian Thuram». DW Brasil. Consultado em 7 de abril de 2022 
  3. Claudio Nogueira (12 de março de 2014). «Lilian Thuram carrega a bandeira contra o racismo». O Globo. Consultado em 7 de abril de 2022 
  4. «Lilian Thuram quis ser padre, mas nem por isso deixa de ajudar as crianças de África». Maisfutebol. 1 de agosto de 2006. Consultado em 7 de abril de 2022 
  5. «Monaco-Spartak Moskva | UEFA Champions League 1993/94» (em inglês). UEFA.com. Consultado em 27 de junho de 2022 
  6. «Parma sicuro: " Thuram vuol venire da noi "» (em italiano). Corriere della Sera. 19 de novembro de 2015. Consultado em 27 de junho de 2022 
  7. Leandro Stein (10 de fevereiro de 2015). «[Galeria] 20 grandes ídolos que nos fazem lembrar como o Parma já valeu bem mais de € 1». Trivela. Consultado em 7 de abril de 2022 
  8. «As 25 maiores vendas de jogador da história do futebol». Terra. Consultado em 7 de abril de 2022 
  9. «Barcelona contrata Zambrotta e Thuram, do Juventus». O GLOBO. 19 de julho de 2006. Consultado em 27 de março de 2020 
  10. «Barcelona contrata Zambrotta e Thuram da Juventus». UOL. 20 de julho de 2006. Consultado em 27 de março de 2020 
  11. «Mercado: Thuram jugará en el París Saint Germain» (em espanhol). Goal.com. 25 de junho de 2008. Consultado em 7 de abril de 2022 
  12. «Thuram brings career to a close» (em inglês). BBC. 1 de agosto de 2008. Consultado em 26 de agosto de 2021 
  13. «Thuram anuncia aposentadoria por problema no coração». Estadão. 1 de agosto de 2008. Consultado em 24 de julho de 2019 
  14. «Zagueiro francês Lilian Thuram deixa o futebol por causa de problema cardíaco». GloboEsporte.com. 1 de agosto de 2008. Consultado em 24 de julho de 2019 
  15. «The goals against Croatia in 1998 that made France defender Lilian Thuram a World Cup icon» (em inglês). talkSPORT. 13 de julho de 2018. Consultado em 26 de junho de 2022 
  16. «Thuram e Makelele anunciam aposentadoria da seleção francesa». UOL. 17 de junho de 2008. Consultado em 27 de março de 2020 
  17. «Makelele e Thuram se despedem da seleção francesa». Estadão. 17 de junho de 2008. Consultado em 27 de março de 2020 
  18. «Lilian Thuram: defensor nato». Trivela. 11 de fevereiro de 2011. Consultado em 27 de março de 2020 
  19. «A vida de Lilian Thuram em 15 fatos». Observatório da Discriminação Racial no Futebol. 13 de abril de 2016. Consultado em 27 de março de 2020 
  20. Marco Vaza. «"Quando cheguei a Paris, não era visto como um francês, mas como um negro"». PÚBLICO. Consultado em 6 de agosto de 2017 
  21. Tiago Barbosa (15 de julho de 2018). «O futebol negro-branco-árabe da França campeão do mundo num documentário imperdível na Netflix». Diário do Centro do Mundo. Consultado em 7 de abril de 2022 
  22. Rafael Reis (27 de abril de 2017). «Por onde andam os jogadores da França que calou o Brasil na Copa de 1998?». UOL. Consultado em 7 de abril de 2022 
  23. «O racismo no futebol francês». GGN. 17 de maio de 2011. Consultado em 7 de abril de 2022 
  24. «Ex-jogador Thuram recusa cargo de ministro oferecido por Sarkozy». Diário do Grande ABC. 3 de fevereiro de 2009. Consultado em 7 de abril de 2022 
  25. «Ex-jogador Thuram recusa convite de Sarkozy para ministério». Extra. 3 de fevereiro de 2009. Consultado em 7 de abril de 2022 
  26. «Lilian Thuram responde às acusações racistas de Le Pen». Estadão. 29 de junho de 2006. Consultado em 7 de abril de 2022 
  27. «"Viva a França (...) A verdadeira!", diz Thuram a Le Pen». UOL. 29 de junho de 2006. Consultado em 7 de abril de 2022 
  28. Demétrio Magnoli (6 de julho de 2006). «Thuram, Le Pen e nós». Folha de S.Paulo. Consultado em 7 de abril de 2022 
  29. «Thuram rebate críticas racistas de político de direita francês». UOL. 29 de junho de 2006. Consultado em 7 de abril de 2022 
  30. «Lilian Thuram inaugureune fondation à son nom». L'Obs (em francês) 
  31. «Campeão em 1998 pela França, Thuram fala sobre racismo e futebol». Portal Brasil. Consultado em 6 de agosto de 2017 
  32. Leo Escudeiro (18 de novembro de 2015). «Thuram defende integração, e não segregação, como resposta da sociedade francesa aos ataques». Trivela. Consultado em 27 de março de 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]