Lilian Thuram

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Lilian Thuram
Lilian Thuram
Lilian Thuram em 2012.
Informações pessoais
Nome completo Ruddy Lilian Thuram-Ulien
Data de nasc. 1 de janeiro de 1972 (47 anos)
Local de nasc. Pointe-à-Pitre, Guadalupe
Nacionalidade guadalupense e francês
Altura 1,82 m
Destro
Informações profissionais
Clube atual Aposentado
Posição Lateral-direito e zagueiro
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
1991–1996
1996–2001
2001–2006
2006–2008
Monaco
Parma
Juventus
Barcelona
0196 000(11)
0230 0000(1)
0205 0000(1)
0058 0000(0)
Seleção nacional
1994–2008 França 0142 0000(2)

Ruddy Lilian Thuram-Ulien (Pointe-à-Pitre, Guadalupe 1 de janeiro de 1972) é um ex-futebolista francês que atuava como lateral-direito e zagueiro.

Recordista de partidas com a Seleção Francesa, Thuram disputou 142 jogos com a camisa dos Bleus entre 1994 e 2008.

Jogou na França, na Itália e na Espanha por mais de 15 temporadas, incluindo dez no Parma e na Juventus, onde se tornou ídolo em ambos os clubes. Com a Seleção Francesa, Thuram venceu a Copa do Mundo de 1998 e a Eurocopa de 2000, além de ter sido vice na Copa do Mundo de 2006. Um jogador rápido, forte fisicamente e versátil, ele era capaz de jogar tanto como zagueiro quanto como lateral-direito, e era competente ofensivamente e defensivamente. Apesar de seu estilo de jogo "agressivo", Thuram foi descrito como estudioso e inteligente fora do campo. Em 2010 ele tornou-se embaixador da UNICEF e se destacou por suas iniciativas de combate contra o racismo.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Infância e início de carreira[editar | editar código-fonte]

Quando criança, jogava bola nas praias e nas ruas de Guadalupe, sua terra natal, tendo se mudado para França com 9 anos de idade, no ano de 1981. Foi criado pela mãe solteira junto com seus outros quatro irmãos no bairro parisiense de Fontainebleu, no subúrbio da capital francesa, já que ela havia se separado de seu pai quando a família ainda morava na ilha de Guadalupe, localizada nas Antilhas Francesas. Thuram chegou a rever o pai quando adulto algumas vezes, mas não criou laços afetivos com ele.

Antes de ser convencido a virar jogador profissional pelo Monaco, Thuram vislumbrava ser sacerdote. Para o bem do futebol, ele mudou de ideia aos 19 anos.[carece de fontes?] Fez seu primeiro jogo como profissional pelo Monaco, comandado à época por Arsène Wenger, contra o Toulon, no dia 24 de maio de 1991, em jogo válido pela Ligue 1. Entrou no segundo tempo e jogou 15 minutos. O placar final foi de 1 a 1. Já seu primeiro gol como profissional saiu contra o Spartak Moscou, em casa, no dia 24 de novembro de 1993, pela fase de grupos da Liga dos Campeões. O Monaco venceu por 4 a 1 e Thuram marcou o último tento da partida.

Sucesso na Itália[editar | editar código-fonte]

Em 1996, Thuram chegou ao Parma. Sob o comando de Carlo Ancelotti e ao lado de Gianluigi Buffon, Roberto Sensini, Fabio Cannavaro e Hernán Crespo, fez história no time, conquistando o vice-campeonato italiano logo em sua primeira temporada (o título ficou com a Juventus). Formou ao lado de Cannavaro e Sensini um trio de zaga incrível no Parma, ganhando a Copa da UEFA, a Copa da Itália e a Supercopa Italiana. Em 1997, foi eleito o melhor jogador estrangeiro do Campeonato Italiano e, pela France Football, o melhor jogador francês da temporada.

Em 2001, depois de cinco boas temporadas pelo Parma[1], além de ótimas exibições pela Seleção, onde jogou e venceu a Copa do Mundo de 1998 e a Eurocopa de 2000, a Juventus abriu os cofres e pagou 34,4 milhões de euros por Thuram, na época a transferência mais cara da história de um defensor.[2] Na equipe de Turim, o atleta reencontraria o goleiro Buffon, seu companheiro nos tempos de Parma. Logo na sua primeira temporada, conquistou o Campeonato Italiano, ficando um ponto na frente da vice-campeã Roma. Na temporada seguinte, de novo, conquistou o Campeonato Italiano, mas a derrota na final da Liga dos Campeões para o Milan acabou com a alegria da conquista.

Em 2004, a equipe de Turim anunciou a contratação do técnico Fabio Cabello e de Cannavaro, ambos conhecidos de Thuram dos tempos de Parma. O time venceu os dois campeonatos nacionais seguintes, mas, em 2006 estes títulos foram revogados por conta do escândalo de manipulação de resultados conhecido como Calciopoli. Além de perder os dois últimos títulos, o clube foi rebaixado à Serie B. Thuam então deixou o time bianconeri.

Transferência para o Barcelona e fim de carreira forçado[editar | editar código-fonte]

Thuram em 2008, durante treino do Barcelona.

Por 5 milhões de euros, Thuram se tornou o novo reforço do Barcelona, comprado pelos catalães juntamente com o seu companheiro de Juventus Gianluca Zambrotta, que foi vendido aos espanhóis por 14 milhões de euros.[3][4] Seu desempenho, entretanto, foi muito prejudicado por lesões e ele não era considerado titular absoluto – disputava a posição com Puyol e Rafa Márquez, ambos em ótima fase. Com a camisa blaugrana, conquistou apenas a Supercopa da Espanha, em 2006.

Na janela de transferências 2008-09, após o encerramento do contrato com o Barcelona, ele recebeu uma proposta para jogar no Paris Saint Germain, mas exames médicos alegaram que Thuram sofria de um problema cardíaco. Assim, o zagueiro francês decidiu encerrar sua carreira aos 36 anos, jogando apenas jogos amadores.[5][6]

Seleção Francesa[editar | editar código-fonte]

Sua primeira atuação pela Seleção Francesa foi no dia 17 de agosto de 1994, em um empate por 2 a 2 com a República Checa.

A grande atuação de Thuram com a camisa francesa aconteceu contra a Croácia, nas semifinais da Copa do Mundo de 1998. Ele foi o autor dos dois gols franceses, por coincidência, seus dois únicos com a camisa dos Les Bleus em 14 anos de serviço. Os croatas saíram na frente, mas logo depois apareceu a estrela de Thuram, que, com dois gols ainda na primeira etapa, levou os Bleus para a final. O primeiro gol saiu depois de boa tabela com Djorkaeff, que terminou com um chute na saída do goleiro. No segundo tento, Thuram roubou a bola e bateu de perna esquerda para virar o placar, levando a França à sua primeira final de Copa do Mundo.

Na final, o adversário era o tradicionalíssimo Brasil, que defendia o título ganho em 1994. Jogando como lateral direito, Thuram apoiou menos o ataque e se preocupou mais com a defesa. Com dois gol de Zidane e um de Petit, a França venceu por 3 a 0 e conquistou o título. Thuram foi escolhido o terceiro melhor jogador da Copa do Mundo de 1998, ficando atrás somente de Ronaldo e do croata Davor Suker, artilheiro da competição.

Após se tornar campeão mundial em 1998, Thuram fez parte da Seleção Francesa campeã da Euro 2000, Título que levou a França ao primeiro lugar no ranking da FIFA de 2001 a 2002. Ele também atuou na Copa do Mundo 2002, na Copa do Mundo 2006, na Euro 96, na Euro 2004 e na Euro 2008, se aposentando após a Eurocopa de 2008 da Seleção Francesa, juntamente com Claude Makélélé.[7] Thuram é o atual recordista de jogos com a camisa dos Le Bleus, com 142 partidas.

Estilo de jogo[editar | editar código-fonte]

Thuram era um zagueiro que teve origem como lateral que se impõe muito nas disputas físicas, onde sempre ganhava as divididas no jogo de corpo. Muitos atacantes tinham medo dele pelo seu jeito de atacar os adversários e os desarmar. Apesar do porte físico, era um zagueiro rápido que sempre visava a bola em seus desarmes. Também era dono de uma grande técnica.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Thuram sempre se destacou por ter inteligência muito acima da média dos jogadores de futebol. Entre as diversas que ele comprou durante a carreira, está a luta contra o racismo.[8] Ele virou um ícone de campanhas pela Uefa e se tornou um embaixador oficial da Unicef. Hoje roda pelo mundo como militante do movimento negro.[9] Thuram também foi figura importante nas lutas contra a homofobia ao redor da Europa. O defensor ainda participou de marchas em apoio ao casamento de pessoas do mesmo sexo, pela independência da Catalunha e ainda pediu atenção ao fato de haver recrutamento infantil em guerras civis na África.[10] Em 2009, recusou o cargo de "ministro da diversidade" oferecido pelo presidente Nicolas Sarkozy no fim de 2008, segundo entrevista publicada na época pelo jornal "Le Monde".[11] Thuram alegou que o presidente francês tinha um "discurso racista", além de ser crítico à política imigratória de Sarkozy e ao costume do presidente de chamar tais jovens de "decadentes" ou de "escória da sociedade".[12][13]

Thuram também é desafeto de Jean-Marie Le Pen, que já declarou que Thuram era uma “afronta à França” por ser negro e não ter nascido em território europeu. Outros militantes do partido afirmaram que Lilian era no mínimo hipócrita por defender os mais pobres e estar na posição de futebolista milionário que não vive a realidade dos subúrbios. Em resposta, o jogador respondeu "Se alguém vir o Le Pen por aí, diga que se ele tem algum problema em ser francês, nós não temos. Viva a França! Mas não a França que Le Pen quer, e sim a França verdadeira."[14][15][16][17]

Após sua aposentadoria, criou a fundação Lilian Thuram que desenvolve atividades de conscientização como forma de combate ao preconceito racial.[18]

Em 2010, o jogador francês lançou um livro chamado “Mes étoiles noires” (“Minhas estrelas negras”, em português), no qual aborda questões relacionadas ao racismo. No livro, Thuram diz que Itália é um país racista e se refere, dentre outras coisas, a um cântico dos torcedores da Juventus cuja letra diz que “um negro não pode ser italiano”. [19]

Em entrevista à Rai Radio 2 após os Atentados terroristas em Paris em 2015, Thuram questionou o discurso do presidente francês François Hollande, que afirmou que os ataques colocaram a França em uma guerra. Para o ex-zagueiro, o país já estava em um conflito há muito tempo, desde que decidiram empreender ofensivas a territórios estrangeiros. “Hollande disse na sexta-feira que agora estamos em guerra após os ataques. Meu país está em guerra, sim, mas não a partir de agora. A França tem feito guerra fora de suas fronteiras há algum tempo.”[20]

Títulos[editar | editar código-fonte]

Monaco[editar | editar código-fonte]

Parma[editar | editar código-fonte]

Juventus[editar | editar código-fonte]

Barcelona[editar | editar código-fonte]

Seleção Francesa[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «[Galeria] 20 grandes ídolos que nos fazem lembrar como o Parma já valeu bem mais de € 1 - Trivela». Trivela. 10 de fevereiro de 2015 
  2. «As 25 maiores vendas de jogador da história do futebol». Terra. Consultado em 6 de agosto de 2017 
  3. «Barcelona contrata Zambrotta e Thuram, do Juventus». O Globo. 19 de julho de 2006 
  4. «Barcelona contrata Zambrotta e Thuram da Juventus - 20/07/2006 - UOL Últimas Notícias». noticias.uol.com.br. Consultado em 6 de agosto de 2017 
  5. «Thuram anuncia aposentadoria por problema no coração». Estadão. 1 de agosto de 2008. Consultado em 24 de julho de 2019 
  6. «Zagueiro francês Lilian Thuram deixa o futebol por causa de problema cardíaco». GloboEsporte.com. 1 de agosto de 2008. Consultado em 24 de julho de 2019 
  7. «Thuram e Makelele deixam seleção francesa | - Guia da Saúde - SC». www.clicrbs.com.br. Consultado em 6 de agosto de 2017 
  8. Vaza, Marco. «"Quando cheguei a Paris, não era visto como um francês, mas como um negro"». PÚBLICO. Consultado em 6 de agosto de 2017 
  9. «Les Bleus: o negro, o branco, o árabe e o futebol na França». espnfc.espn.uol.com.br. Consultado em 6 de agosto de 2017 
  10. blogdorafaelreis. «Por onde andam os jogadores da França que calou o Brasil na Copa de 1998?». UOL Esporte. Consultado em 6 de agosto de 2017 
  11. «O racismo no futebol francês». GGN - O jornal de todos os brasis. Consultado em 6 de agosto de 2017 
  12. «Ex-jogador Thuram recusa cargo de ministro oferecido por Sarkozy - Diário do Grande ABC». Jornal Diário do Grande ABC 
  13. «Ex-jogador Thuram recusa convite de Sarkozy para ministério». Extra Online 
  14. «Lilian Thuram responde às acusações racistas de Le Pen - Esportes - Estadão». Estadão 
  15. «"Viva a França (...) A verdadeira!", diz Thuram a Le Pen - 29/06/2006 - UOL Últimas Notícias». noticias.uol.com.br. Consultado em 6 de agosto de 2017 
  16. «Folha de S.Paulo - Demétrio Magnoli: Thuram, Le Pen e nós - 06/07/2006». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 6 de agosto de 2017 
  17. «Thuram rebate críticas racistas de político de direita francês - 29/06/2006 - Esporte - Copa do Mundo - França». copa.esporte.uol.com.br. Consultado em 6 de agosto de 2017 
  18. «Lilian Thuram inaugureune fondation à son nom». L'Obs (em francês) 
  19. Brasil, Portal. «Campeão em 1998 pela França, Thuram fala sobre racismo e futebol». Portal Brasil. Consultado em 6 de agosto de 2017 
  20. «Thuram defende integração, e não segregação, como resposta da sociedade francesa aos ataques - Trivela». Trivela. 18 de novembro de 2015 

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]