Lino Oviedo

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Lino Oviedo
Nome nativo Lino César Oviedo Silva
Nascimento 23 de setembro de 1943
Juan de Mena
Morte 2 de fevereiro de 2013 (69 anos)
Presidente Hayes
Cidadania Paraguai
Ocupação político

Lino César Oviedo Silva (Juan de Mena, Cordillera, 23 de setembro de 1943Presidente Hayes, 2 de Fevereiro de 2013) foi um político e general paraguaio, comandante do exército do país de 1993 a 1999. Oviedo esteve exilado no Brasil por quatro anos.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Seu pai, Ernesto Oviedo, combateu na Guerra do Chaco. Aos quatorze anos, Oviedo foi transferido para um colégio militar, donde egressou para servir ao Exército. Entre 1962 e 1992 Oviedo galgou postos na hierarquia do Exército, até chegar ao posto de general de divisão. Oviedo serviu como instrutor de tiro e carros de combate, e propôs a criação de um sistema nacional de inteligência no país; teve participação no fim da ditadura de Alfredo Stroessner.

Não teve só participação, foi o principal responsável pela queda de Stroessner. Daí a sua popularidade.

O primeiro civil a assumir a presidência após a ditadura foi o empresário Juan Carlos Wasmosy. O governo Wasmosy enfrentou algumas das piores crises da história do Paraguai, com dois períodos, em 1995 e 1997, de grave depressão econômica, e amplo descontentamento da população. Wasmosy viu seu principal mentor político, o general Oviedo, virar-se contra si.

Oviedo foi acusado de tramar um golpe de estado contra Wasmosy, sendo em 22 de abril de 1996 deposto do comando do Exército. Após convidá-lo para ocupar o Ministério da Defesa, Wasmosy decidiu ordenar que passasse à reserva militar.

A versão dos partidários de Oviedo é a de que Wasmosy tentou cooptar Oviedo para se perpetuar no poder, ao invés de convocar as eleições previstas. Oviedo ameaçou denunciar Wasmosy, e este preventivamente o denunciou como golpista. Oviedo foi julgado por um tribunal militar e absolvido. Vence a convenção para candidato à Presidência pelo Partido Colorado, e o candidato de Wasmosy, Argaña, perde. Então Wasmosy leva casuisticamente Oviedo a um novo julgamento, este pela corte suprema do Paraguai, entulho autoritário da ditadura de Stroessner. Oviedo é condenado e preso, e aí assume como candidato o vice dele, Cubas. Wasmosy consegue enfiar ilegalmente Argaña como vice de Cubas. Este promete durante a campanha indultar Oviedo, o que faz logo que é empossado e que é uma prerrogativa do presidente. Instigada por Wasmosy, a Suprema Corte nacional toma uma decisão estranha: condena Cubas a prender Oviedo. Cubas recusa por essa não ser uma atribuição de um presidente prender alguém. Então Wasmosy arma no Congresso o pedido de impeachment de Cubas por desobedecer uma ordem da Suprema Corte. Nesse ínterim Argaña morre de enfarte num motel com a amante. Oito horas depois, já com o cadáver enrijecido é simulado um assassinato de Argaña nas ruas de Assunção e Cubas é acusado levianamente. Com a população perplexa, é acelerado o processo de impeachment com várias irregularidades. Cubas não resiste e aceita ir imediatamente para o Brasil. A suspeita de que serviços de inteligência brasileiros estiveram envolvidos tanto no assassinato farsa como no impeachment é confirmada pelo fato de que mal foi votado o impeachment o avião da FAB já chegava para pegar Cubas. Oviedo foge para a Argentina, e depois asila-se no Brasil. González Macchi, o presidente provisório, teria que convocar novas eleições com 3 meses, mas prefere convocar ilegalmente convocar eleições para vice-presidente. Convocadas essas eleições, o candidato apoiado por Oviedo (do Brasil) ganha. González Macchi então se perpetua no poder inconstitucionalmente, com o reconhecimento do Congresso Brasileiro.

Oviedo explicita então sua atuação política criando uma facção no Partido Colorado. Em 14 de junho Oviedo é preso, acusado de insurreição, sendo após um mês libertado. Sua popularidade aumenta consideravelmente no país, e em 1997 Oviedo é nomeado pelo Partido Colorado candidato à Presidência. No ano seguinte um Tribunal Militar Extraordinário o condena a dez anos de prisão. Nas eleições de 1998, nas quais Oviedo não pôde concorrer por estar preso, foi vitorioso seu simpatizante Cubas. Dois dias após assumir a Presidência Cubas emite um indulto pela libertação de Oviedo.

A situação política do país resulta num impasse entre os simpatizantes de Oviedo e seus opositores. O ápice foi o assassinato do líder de oposição e vice-presidente do país, Argaña. Cubas se vê cercado de insustentáveis pressões e, em 29 de março de 1999, foge para a Argentina, mesmo dia em que Oviedo parte em exílio, também para a Argentina - fruto de sua relação amistosa com o presidente Carlos Menem.

Oviedo permaneceu por tempo indeterminado na Argentina antes de fugir clandestinamente para o Brasil. Após ser detido em Foz do Iguaçu, Oviedo teve garantida a liberdade no país; a justiça brasileira negou seguidas vezes pedidos de extradição do governo paraguaio, alegando terem motivação política.[1] Durante o exílio Oviedo foi acusado de incentivar um golpe de estado contra o presidente interino González Macchi, em 2000.

Declarando confiança na justiça paraguaia e em sua capacidade de provar-se inocente, Oviedo retornou a Assunção após cinco anos de exílio. Oviedo foi imediatamente preso,[2][3] e cumpriu pena até o dia 6 de setembro de 2007. Nesta data, a justiça do Paraguai decidiu que os dezoito meses que ele passou detido no Brasil deveriam ser considerados. Dessa maneira, Oviedo cumpriu metade da pena e teve direito à liberdade condicional. Em 2008 candidatou-se à presidência, tendo sido derrotado por Fernando Lugo que seria destituído do cargo em 2012. Em 2013 saiu novamente candidato à presidência do Paraguai pelo Partido UNACE, mas morreu em um acidente de helicóptero em 2 de fevereiro de 2013 em Presidente Hayes, na província do Chaco. Oviedo retornava de um comício na cidade de Concepción.[4][5]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]