Lista de crises econômicas no Brasil

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Esta é uma lista de crises econômicas, financeiras e monetárias brasileiras. A economia do Brasil sempre foi caracterizada por instabilidade. Este artigo, contudo, elenca os períodos de desajuste econômico mais significativos e que tiveram impacto em todo ou em grande parte do território nacional.

As listas a seguir distinguem a origem de determinada crise entre interna e externa. As crises internas tiveram início no território nacional, enquanto as externas foram consequências locais de crises que tiveram início em outro país. Porém, essa distinção é uma simplificação, já que várias crises têm fatores tanto endógenos quanto exógenos.

Antes da independência[editar | editar código-fonte]

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Crise Descrição Origem Durante o governo
Epidemia de sarampão  entre os escravos em 1745 Segundo a "lista dos escravos que se tomaram para o engenho de Sergipe do conde" no ano 1745, no Cartório dos Jesuítas,[1] houve um grande prejuízo em "todos os engenhos e escravaturas do Brasil", devido a "uma epidemia universal que chegou a todos vinda em um navio de negros da Costa da Mina,[...] a todos causou estragos perdas e despesas." (Entende-se: perdas e despesas para a economia.)[1] Interna André de Melo e Castro
Decadência da mineração ao fim do século XVIII Crise causada pelo esgotamento das jazidas de ouro e de outros metais preciosos, encerrando o ciclo do ouro. Durante o período colonial, sempre houve um grande produto que era o centro da economia, como o ouro, e, antes dele, o açúcar. Após o fim do ciclo do ouro, faltava ao Brasil um grande produto para preencher a lacuna deixada pelos metais preciosos.[2] A crise que seria causada pelo esgotamento do ouro foi prevista pelo vice-rei Luís de Almeida Portugal Soares Mascarenhas (vice-rei de 1769 a 1778), que, com isso em mente, favoreceu o desenvolvimento da lavoura.[3]

Durante a crise, o poder de compra da população era bem menor do que na fase áurea da mineração.Foi uma crise longa, que só terminaria no século seguinte, durante o período regencial (1831-1840), com a ascensão do café.[2]

Interna Vários, inclusive João VI e, após a independência, Pedro I

Após a independência[editar | editar código-fonte]

Crise Descrição Origem Durante o governo
Crise da independência Crise que atravessou o processo de Independência do Brasil, caracterizada por uma duradoura estagnação das exportações, e que só iria se resolver mais tarde com a ascensão do café como principal produto da economia nacional.[4] Interna Dom Pedro I
Crises entre 1857 e 1873 Crises monetárias relacionadas ao sistema de crédito e às emissões de moeda sem lastro em ouro. Simultaneamente às crises monetárias, em 1857, os preços do café (principal exportação brasileira) caíram no mercado internacional devido a uma crise internacional. As vendas de café caíram de 2,0 para 1,8 milhões de sacas no ano seguinte.[5]


Um dos acontecimentos desse período foi a crise comercial de 1864, marcada pela quebra da Casa Souto, um dos maiores estabelecimentos bancários da época.[5]

Interna Dom Pedro II
Crise financeira de 1875 Crise financeira caracterizada por grande déficit nas contas públicas. O governo retirou 20% do meio circulante do país. A crise foi agravada por uma seca no nordeste dois anos depois.[5] Interna
Crise do encilhamento Após a Proclamação da República, Ruy Barbosa, ministro da Fazenda, assinou um decreto, em 1890, que permitia que estabelecimentos bancários emitissem dinheiro. A razão para a medida era que a quantidade de dinheiro no país não era suficiente para atender às necessidades de expansão da agricultura e da indústria, além de haver mais trabalhadores assalariados a serem pagos desde o fim da escravidão. Com a medida, a quantidade de dinheiro no país triplicou de 1889 a 1891. Mas a euforia fincanceira gerada ultrapassou em muito a capacidade produtiva do país. Como consequência, houve uma grande quantidade de falências e um enorme processo inflacionário.[6] Interna Fonseca, Peixoto
Grande Depressão A Grande Depressão de 1929 teve graves impactos na produção de café no Brasil, que era o principal produto exportado. Nessa época, várias toneladas de café foram queimadas para controlar os preços e acabar com os estoques.[7] Externa Vargas
Crise econômica no início dos anos 1960 A partir de 1962, o país enfrentou baixas taxas de crescimento, chegando apenas 0,6% de crescimento em 1963.[8] De um lado, houve uma queda dos investimentos públicos e privados; de outro lado, a elevação do déficit público, causando a aceleração da inflação, que em 1961 era de 51,6% e passa a 80% em 1962, chegando a 93% em 1963.[9] Tudo isso leva a uma crise no balanço de pagamentos.[10] Interna Goulart, Castelo
Fim do padrão-ouro O fim do padrão-ouro em 1971 foi um evento que alterou a geografia econômica e política mundial. A partir desse choque, o Dólar americano seria o lastro de todas as economias mundiais, tornando todas as moedas fiduciárias e de cunho forçado, lastreadas apenas em títulos da dívida americana, deflagrando os choques do petróleo. Externa Médici
Crises do Petróleo A crise do petróleo foi uma reação provocada pelo embargo dos países membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e Golfo Pérsico de distribuição de petróleo para os Estados Unidos e países da Europa. Num contexto de déficit de oferta, com o início do processo de nacionalizações e de uma série de conflitos, como a guerra dos Seis Dias (1967), a guerra do Yom Kipur (1973), a revolução islâmica no Irã (1979) e a guerra Irã-Iraque (a partir de 1980), além de uma excessiva especulação financeira. Os preços do barril de petróleo se elevaram, deflagrando prolongada recessão nos Estados Unidos e na Europa, desestabilizando a economia mundial. Externa Médici,

Geisel,

Década perdida A década perdida refere-se aos anos 1980, após o fim da ditadura militar. Foi uma época de estagnação do produto interno bruto do Brasil, inflação elevada e crise do endividamento externo.[11] Interna Figueiredo, Sarney,Collor
Hiperinflação Surto de inflação nos anos 80 e início dos anos 90.[12]
Desvalorização do real em 1999 Também conhecida como "efeito samba", foi um forte movimento de queda do real que ocorreu no Brasil em janeiro de 1999, quando o Banco Central abandonou o regime de bandas cambiais, passando a operar em regime de câmbio flutuante. Interna FHC
Crise de 2007–2008 A crise financeira global de 2007–2008 teve início nos Estados Unidos. Os efeitos dessa crise levaram tempo para ser sentidos no Brasil. Contudo, houve sim uma desaceleração da economia nacional.[13] Externa Lula
Crise político-econômica de 2014 Também conhecida como a "grande recessão brasileira", foi uma profunda e duradoura crise econômica, sendo caracterizada por recessão por dois anos consecutivos e por sua longa e lenta recuperação, a mais lenta da história do Brasil.[14] Interna Rousseff,Temer
Crise causada pela Pandemia de COVID-19 Em 2020 (ainda sob os efeitos da crise de 2014) o país entrou em nova crise devido à pandemia de COVID-19. Em março, foi prevista pela primeira vez uma retração no PIB do país para o ano devido principalmente à pandemia.[15] Externa Bolsonaro

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b "Lista dos escravos que se tomaram para o engenho de Sergipe do conde" de Linhares , Cartório dos Jesuítas, mç. 15, n.º 25, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa, Portugal
  2. a b «A evolução cultural do império». Enciclopédia Delta de História do Brasil. [S.l.]: Editora Delta S/A. 1969. p. 1652. A fase da regência, uma das mais importantes da história do Brasil, assegurou a independência e viu nascer o fim da grande crise econômica que caracterizava o país desde a decadência da mineração no século XVIII. [...] 
  3. «No Tempo dos Vice-Reis». Enciclopédia Delta de História do Brasil. [S.l.]: Editora Delta S/A. 1969. p. 1544—1553 
  4. «A grande crise da Independência». desafios.ipea.gov.br. Consultado em 18 de outubro de 2020. Cópia arquivada em 18 de outubro de 2020 
  5. a b c «História - Império de crises». www.ipea.gov.br. Consultado em 16 de outubro de 2020. Cópia arquivada em 12 de fevereiro de 2019 
  6. «A evolução econômica da primeira república». Enciclopédia Delta de História do Brasil. [S.l.]: Editora Delta S/A. 1969. p. 1795 
  7. Comércio, Jornal do. «Crise acaba com era de ouro do café no Brasil». Jornal do Comércio. Consultado em 16 de outubro de 2020 
  8. Coutinho, Mauricio C. (dezembro de 2015). «SUBDESENVOLVIMENTO E ESTAGNAÇÃO NA AMÉRICA LATINA, DE CELSO FURTADO». Revista de Economia Contemporânea (3): 448–474. ISSN 1415-9848. doi:10.1590/198055271935. Consultado em 9 de fevereiro de 2021 
  9. Capelato, Maria Helena R. (10 de dezembro de 1973). «Resenha de: Da substituição de importações ao capitalismo financeiro». Revista de História (96). 594 páginas. ISSN 2316-9141. doi:10.11606/issn.2316-9141.rh.1973.132095. Consultado em 9 de fevereiro de 2021 
  10. Bugelli, Alexandre Hamilton (16 de maio de 2008). «A crise econômica brasileira dos anos 1960: uma reconstrução do debate». Consultado em 9 de fevereiro de 2021 
  11. Ometto, Ana Maria H.; Furtuoso, Maria Cristina O.; Silva, Marina Vieira da (outubro de 1995). «Economia brasileira na década de oitenta e seus reflexos nas condições de vida da população». Revista de Saúde Pública (5): 403–414. ISSN 0034-8910. doi:10.1590/S0034-89101995000500011. Consultado em 18 de outubro de 2020 
  12. «G1 explica a inflação». g1.globo.com. Consultado em 19 de outubro de 2020. No Brasil, a hiperinflação ocorreu nos anos 80 e início dos anos 90, [...] 
  13. Giselle Garcia (15 de maio de 2016). «Entenda a crise econômica». Agência Brasil. Consultado em 6 de fevereiro de 2018 
  14. Carvalho, Laura (2018). Valsa brasileira: Do boom ao caos econômico. [S.l.]: Editora Todavia S.A. pp. 144–145. ISBN 9788593828638 
  15. de Castro, Fabrício (30 de março de 2020). «Pela primeira vez, boletim Focus, do BC, prevê retração no PIB deste ano». Estadão. Consultado em 29 de abril de 2020