Lista de cruzadores de batalha do Japão

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O Haruna, membro da Classe Kongō, durante seus testes marítimos em 23 de janeiro de 1915

A Marinha Imperial Japonesa construiu quatro cruzadores de batalha e planejou outros quatro durante as primeiras décadas do século XX. O cruzador de batalha cresceu a partir do conceito do cruzador blindado, que tinha se mostrado muito bem sucedido durante a Batalha de Tsushima ao final da Guerra Russo-Japonesa. O Império do Japão imediatamente se voltou para seus dois rivais restantes na dominação do Oceano Pacífico: os Estados Unidos e o Reino Unido.[1] Os planejadores navais calcularam que seu país precisaria de uma frota pelo menos setenta por cento tão forte quanto da Marinha dos Estados Unidos para o Japão poder se sair vitorioso. Para esse fim, foi desenvolvido o conceito da frota "Oito-Oito", em que oito couraçados e oito cruzadores de batalha formariam uma linha de batalha coesa.[2] A Marinha Imperial Japonesa, assim como a Marinha Imperial Alemã e diferente da Marinha Real Britânica,[3] planejou e projetou cruzadores de batalha que poderiam operar junto com os mais bem protegidos couraçados a fim de combater uma inferioridade numérica.[4]

A primeira fase do plano Oito-Oito começou em 1910, quando a Dieta Nacional autorizou quatro cruzadores de batalha da Classe Kongō. Estes foram projetados pelo engenheiro britânico George Thurston, com o primeiro navio sendo construído nos estaleiros britânicos da Vickers e os três restantes no Japão. Eram armados com oito canhões de 356 milímetros e tinham velocidade máxima de 27 nós, sendo os navios capitais mais avançados do mundo na época.[5] Mais quatro cruzadores de batalha da Classe Amagi foram encomendados depois da Primeira Guerra Mundial. Estes teriam dez canhões de 410 milímetros, porém nenhum foi completado como planejado devido ao Tratado Naval de Washington de 1922, que limitou o tamanho da Marinha Imperial.[6] Mais dois cruzadores de batalha do Projeto B-65 foram planejados pouco antes da Segunda Guerra Mundial, mas outras prioridades navais e o rumo negativo da guerra fizeram com que nenhum tivesse sua construção iniciada.[7]

Dos oito cruzadores de batalha que tiveram suas construções iniciadas pelo Japão, nenhum sobreviveu além da Segunda Guerra Mundial. O Amagi estava no meio de um processo de conversão para porta-aviões quando seu casco sofreu danos estruturais gravíssimos durante o Grande Sismo de Kantō em 1923, sendo depois desmontado. Os dois últimos navios da Classe Amagi foram cancelados e desmontados seguindo os termos do Tratado Naval de Washington.[6] O Akagi foi convertido em porta-aviões na década de 1920 e serviu durante a Segunda Guerra Mundial, sendo afundado na Batalha de Midway em junho de 1942 depois de sofrer danos graves de ataques aéreos norte-americanos. As quatro embarcações da Classe Kongō também foram afundadas durante a guerra: duas na Batalha Naval de Guadalcanal em novembro de 1942,[8] uma depois de ser torpedeada por um submarino norte-americano em novembro de 1944[9] e a última por ataques aéreos norte-americanos no Distrito Naval de Kure em julho de 1945.[10]

Legenda
Armas principais Número e tamanho dos canhões da bateria principal
Deslocamento Deslocamento do navio totalmente carregado
Propulsão Número e tipo do sistema de propulsão e velocidade máxima
Batimento Data em que o batimento de quilha ocorreu
Lançamento Data em que o navio foi lançado ao mar
Comissionamento Data em que o navio foi comissionado em serviço
Destino Fim que o navio teve

Classe Kongō[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Classe Kongō
Configuração do Kongō em 1944

Os quatro navios da Classe Kongō foram os primeiros cruzadores de batalha encomendados pela Marinha Imperial Japonesa. Todos foram autorizados em 1910 como parte do Decreto de Expansão Naval Emergencial, que foi uma resposta à construção do HMS Invincible pela Marinha Real Britânica.[11] As embarcações foram projetadas pelo engenheiro naval britânico George Thurston. O primeiro navio da classe foi construído nos estaleiros da Vickers no Reino Unido, enquanto os três restantes foram construídos em estaleiros do Japão. Eles eram armados com oito canhões de 356 milímetros e tinham uma velocidade máxima de 27 nós (cinquenta quilômetros por hora), sendo considerados na época superiores a outros cruzadores de batalha contemporâneos.[5]

Todos os quatro navios passaram por enormes modernizações durante as décadas de 1920 e 1930, o que levou a Marinha Imperial reclassificá-los como couraçados rápidos.[12] Essas modernizações fortaleceram suas blindagens, os equiparam com hidroaviões, reformularam seus sistemas de propulsão e reconfiguraram seus armamentos.[13] Agora com uma velocidade de trinta nós (56 quilômetros por hora), todos os quatro tiveram carreiras ativas na Segunda Guerra Mundial; o Hiei e o Kirishima escoltaram a força de porta-aviões que realizou o Ataque a Pearl Harbor, enquanto o Kongō e o Haruna apoiaram as invasões da Malásia e Singapura. O Hiei e o Kirishima acabaram afundados durante a Batalha Naval de Guadalcanal em novembro de 1942,[14] o Kongō afundou no Estreito de Formosa em novembro de 1944 depois de ser torpedeado por um submarino,[9] e o Haruna foi afundado por ataques aéreos em julho de 1945.[10]

Navio Armas
principais[5]
Deslocamento[5] Propulsão[15] Serviço[16]
Batimento Lançamento Comissionamento Destino
Kongō (金剛) 8 × 356 mm 27 940 t 4 turbinas a vapor
27 nós (50 km/h)
janeiro de 1911 maio de 1912 agosto de 1913 Afundado em 1944
Hiei (比叡) novembro de 1911 novembro de 1912 agosto de 1914 Afundados em 1942
Kirishima (霧島) março de 1912 dezembro de 1913 abril de 1915
Haruna (榛名) Afundado em 1945

Classe Amagi[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Classe Amagi
Desenho da Classe Amagi

Quatro cruzadores de batalha da Classe Amagi foram planejados como parte do plano Oito-Oito. A encomenda destes navios mais quatro couraçados da Classe Kii colocaram um enorme fardo econômico sobre o governo japonês, que nessa época estava gastando um terço do orçamento nacional apenas na marinha.[17] As construções das embarcações começaram em dezembro de 1920 e em novembro e dezembro de 1921,[6] porém a classe foi cancelada pelos termos do Tratado Naval de Washington de 1922. O Amagi e o Akagi, por estarem mais perto de serem finalizados, foram selecionados para conversão para porta-aviões, aproveitando uma provisão do tratado. O Grande Sismo de Kantō de 1923 causou enorme estresse estrutural ao casco do Amagi, com ele ficando muito danificado para ser utilizável, assim a conversão foi cancelada e o navio desmontado.[18] Os outros dois navios, o Atago e o Takao, foram cancelados em abril de 1924 e desmontados também. O Akagi foi convertido em porta-aviões e serviu na Segunda Guerra Mundial, participando do Ataque a Pearl Harbor e depois sendo afundado na Batalha de Midway em junho de 1942.[6]

Navio Armas
principais[6]
Deslocamento[6] Propulsão[6] Serviço[6]
Batimento Lançamento Comissionamento Destino
Amagi (天城) 10 × 410 mm 46 740 t 4 turbinas a vapor
30 nós (56 km/h)
dezembro de 1920 Cancelado e desmontado
Akagi (赤城) abril de 1925 março de 1927 Convertido em porta-aviões; afundado em 1942
Atago (愛宕) novembro de 1921 Cancelados e desmontados
Takao (高雄) dezembro de 1921

Projeto B-65[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Projeto B-65
Desenho do Projeto B-65

Os cruzadores de batalha do Projeto B-65 originalmente tinham a intenção de fazer parte da Força de Batalha Noturna japonesa, uma formação que atacaria os contratorpedeiros e cruzadores do anel de defesa exterior de uma frota inimiga sob a escuridão da noite. Os cruzadores e contratorpedeiros japoneses penetrariam o anel para lançarem torpedos nos couraçados inimigos. O restante da frota inimiga seria subjugada pela principal frota japonesa no dia seguinte. Os navios do Projeto B-65 iriam dar apoio aos cruzadores rápidos e contratorpedeiros durante esses ataques noturnos.[19] Essa estratégia foi alterada depois dos japoneses descobrirem as especificações dos cruzadores de batalha norte-americanos da Classe Alaska. O projeto foi aumentado de tamanho e seu novo propósito passou a ser escoltar a frota principal contra os riscos representados pela Classe Alaska.[20][21] O Japão passou a se focar em navios de guerra mais úteis e versáteis, como porta-aviões e cruzadores, à medida que a guerra se aproximava em 1940; a derrota na Batalha de Midway adiou o Projeto B-65 indefinidamente, com eles no final nunca sendo construídos devido a considerações estratégicas mais importantes.[22][23]

Navio Armas
principais[24]
Deslocamento[24] Propulsão[24] Serviço[24]
Batimento Lançamento Comissionamento Destino
Nº 795 9 × 310 mm 35 000 t 4 turbinas a vapor
34 nós (63 km/h)
Cancelados
Nº 796

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

Citações

  1. Stille 2008, p. 4
  2. Stille 2008, p. 7
  3. Stille 2008, p. 3
  4. Evans & Peattie 1997, p. 150
  5. a b c d Jackson 2000, p. 48
  6. a b c d e f g h Gardiner & Gray 1985, p. 235
  7. Evans & Peattie 1997, p. 360
  8. Jackson 2000, p. 121
  9. a b Wheeler 1980, p. 183
  10. a b Jackson 2000, p. 129
  11. Gardiner & Gray 1985, p. 234
  12. Stille 2008, p. 16
  13. Stille 2008, pp. 16–17
  14. Stille 2008, p. 19
  15. Stille 2008, p. 15
  16. Lengerer 2012, p. 145
  17. Gardiner & Gray 1985, p. 224
  18. Stille 2008, p. 8
  19. Evans & Peattie 1997, pp. 273–276
  20. Lacroix & Wells 1997, p. 606
  21. Evans & Peattie 1997, pp. 359–360
  22. Lacroix & Wells 1997, p. 829
  23. Garzke & Dulin 1985, pp. 84–85
  24. a b c d Garzke & Dulin 1985, p. 86

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Evans, David C.; Peattie, Mark R. (1997). Kaigun: Strategy, Tactics, and Technology in the Imperial Japanese Navy, 1887–1941. Annapolis: Naval Institute Press. ISBN 0-87021-192-7 
  • Gardiner, Robert; Gray, Randal (1985). Conway's All the World's Fighting Ships: 1906–1921. Annapolis: Naval Institute Press. ISBN 0-87021-907-3 
  • Garzke, William H.; Dulin, Robert O. (1985). Battleships: Axis and Neutral Battleships in World War II. Annapolis: Naval Institute Press. ISBN 0-87021-101-3 
  • Jackson, Robert (2000). The World's Great Battleships. [S.l.]: Brown Books. ISBN 1897884605 
  • Lacroix, Eric; Wells, Linton (1997). Japanese Cruisers of the Pacific War. Annapolis: Naval Institute Press. ISBN 0-87021-311-3 
  • Lengerer, Hans (2012). «The Battlecruisers of the Kongô Class». In: Jordan, John. Warship 2012. Londres: Conway. ISBN 978-1-84486-156-9 
  • McCurtie, Francis (1989) [1945]. Jane's Fighting Ships of World War II. Londres: Bracken Books. ISBN 1-85170-194-X 
  • Schom, Alan (2004). The Eagle and the Rising Sun: The Japanese-American War, 1941–1943, Pearl Harbor through Guadalcanal. Nova Iorque: Norton & Company. ISBN 0-393-04924-8 
  • Stille, Mark (2008). Imperial Japanese Navy Battleship 1941–1945. Oxford: Osprey Publishing. ISBN 978-1-84603-280-6 
  • Wheeler, Keith (1980). War Under the Pacific. Nova Iorque: Time-Life Books. ISBN 0-8094-3376-1 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]