Lista de espécies perigosas em Portugal

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Ainda que Portugal seja dos países com menor número de espécies perigosas, existem na fauna e flora presentes no território nacional espécies que oferecem perigo para o ser humano.

Em geral os animais existentes em Portugal não são agressivos e as suas mordeduras e picadas são meramente defensivas. As consequências destes ataques são geralmente benignas, podendo, contudo, ser de maior gravidade no caso de hipersensibilidade, crianças, idosos ou doentes crónicos.

Espécies perigosas em Portugal[editar | editar código-fonte]

Estas listas incluem qualquer espécie animal, vegetal ou fungo existente em Portugal que possa causar perigo para a vida ou saúde dos seres humanos.

Atenção: O facto de uma determinada espécie não estar incluída nestas listas não significa que, em determinado caso ou em certas condições, não ofereça perigo para o Homem. Todas as espécies devem ser manuseadas com o devido respeito e precaução.

Espécies potencialmente letais[editar | editar código-fonte]

Espécies Venenosas[editar | editar código-fonte]

Ofídios
Imagem Nome Identificação Descrição Perigo Consequências
Lataste's viper.jpg Víbora-cornuda
Vipera latastei
Ofídio (cobra) da família das víboras (viperidae), existente em todo o território nacional, geralmente em zonas montanhosas, áreas florestais ou áreas arenosas (no litoral). Cabeça triangular destacada, pupilas verticais, ausência de placas cefálicas, linha dorsal escura em ziguezague ou ondulada, comprimento até 50 cm, corpo robusto (grosso), cauda curta e, específico desta espécie, focinho proeminente (que faz lembrar um corno).[1] Mordedura Geralmente não fatal em adultos saudáveis, a mordedura das víboras é muito perigosa em crianças, idosos ou doentes crónicos ou caso a região mordida seja na cabeça, pescoço ou tórax. A gravidade do envenenamento é variável. Sintomas inicais: dor local, edema, taquicardia, sudorese; depois possíveis: edema progressivo, equimose, hipotensão, hemorragia; mais tarde possíveis: linfangite, síndrome compartimental e raramente morte (por infecção secundária ou discrasia hemorrágica com falência multiorgânica). Tratamento: repouso, lavagem da ferida, gelo, analgesia e soro antiveneno (antivíbora europeia). Não existe antídoto específico para estas espécies.
Vipera seoanei 05.jpg Víbora-de-seoane
Vipera seoanei
Ofídio (cobra) da família das víboras (viperidae), existe em Portugal somente na região de Peneda-Gerês e Paredes de Coura, geralmente em serranias. Cabeça triangular destacada, pupilas verticais, ausência de placas cefálicas, linha dorsal escura em ziguezague ou ondulada, comprimento até 70 cm, corpo robusto (grosso) e cauda curta.[1] Mordedura
Fungos
Imagem Nome Identificação Descrição Perigo Consequências
Amanita phalloides 1.JPG Chapéu-da-morte
(ou Cicuta-verde)
Amanita phalloides
Fungo existente em todo o território nacional, geralmente em bosques e florestas. Ingestão A intoxicação apresenta 3 fases. 1ª Fase (6 a 24 horas após a ingestão): náuseas, vómitos, diarreia severa, febre, taquicardia, hipoglicemia, hipotensão e desequilíbrio dos electrólitos, com distúrbio ácido-base. 2ª Fase (24 a 48 horas): surgem sintomas gastrintestinais e deterioração das funções hepática e renal. 3ª Fase (3 a 5 dias): ocorre dano hepatocelular e falha renal, que pode evoluir para falha hepática severa; cardiomiopatias e coagulopatias. Os danos no fígado são irreversíveis sendo, nos casos mais graves, necessário recorrer ao transplante hepático. Nos casos fatais, a morte resulta de falência hepática e/ou renal. Tratamento: lavagem gástrica, hidroterapia, antibioterapia e, nos casos mais graves, transplante hepático.
European Destroying Angel.jpg Anjo-destruidor-europeu
Amanita virosa
Fungo existente em todo o território nacional, geralmente em bosques e florestas. Ingestão
Amanita verna-02.jpg Anjo-da-morte
Amanita verna
Fungo existente em todo o território nacional, geralmente em bosques e florestas. Ingestão
Plantas
Imagem Nome Identificação Características Perigo Consequências
Conium maculatum.jpg Cicuta
Conium maculatum
Planta existente em todo o território nacional.[2] Erva aromática, anual ou bienal, de 30–200 cm de altura, com caules cilíndricos, ocos e geralmente manchados de cor púpura. Folhas triangulares e sem pêlos. Umbelas terminais com flores brancas. Ingestão Todas as partes da planta são muito venenosas devido a conterem alcalóides (cicutina). Sintomas: ardor na boca e garganta, náuseas, vómitos, diarreia, paralisia progressiva dos músculos, esfriamento das extremidades, convulsões e, por fim, a morte por paragem cárdio-respiratória.
04913 Digitalis purpurea nevit.jpg Dedaleira
Digitalis purpurea
Planta existente em todo o território nacional, abundante na Serra da Estrela.[3] Erva bienal alta, com até 150 cm de altura, e flores púrpuras. Ingestão A planta é venenosa, especialmente através de infusão (chá) das folhas, mas também pelo consumo das folhas ou flores. Sintomas: ardor na boca e garganta, náuseas, vómitos, diarreias; podem ocorrer convulsões e morte por paragem cárdio-respiratória.
Oenanthe crocata2.jpg Embude
Oenanthe crocata
Planta existente em todo o território nacional.[4] Erva com folhas semelhantes à salsa (Petroselinum crispum) e flores brancas. Ingestão A planta é venenosa. Sintomas: ardor na boca e garganta, náuseas, vómitos, diarreia; podem ocorrer convulsões e morte por paragem cárdio-respiratória.
Solanum nigrum.jpeg Erva-moura
Solanum nigrum
Planta existente em todo o território nacional.[5] Erva com folhas largas, flores brancas e frutos negros. Ingestão A planta é tóxica devido à presença de solanina (alcalóide). Sintomas: ardor na boca e garganta, náuseas, vómitos, diarreia e, também, convulsões e morte por paragem cárdio-respiratória.
Dat str tat8.jpg Estramónio
Datura stramonium
Planta invasora existente em Portugal Continental e na Madeira.[6] Planta herbácea anual, com até 2 m de altura. Folhas ovaladas com pecíolo com pêlos. Grandes flores brancas ou violetas. Frutos em cápsulas ovóides cobertas de acúleos (espinhos). Ingestão A planta é tóxica devido à presença de atropina (alcalóide). Sintomas: delírio, que se manifesta em excitação, angústia, desorientação, alucinações e insónia; podem ocorrer convulsões e morte por paragem cárdio-respiratória.

Espécies Traumatogénicas[editar | editar código-fonte]

Mamíferos
Imagem Nome Identificação Características Perigo Consequências
Toro De Lidia En Colombia.JPG Toiro
Bos tauros
Mamífero criado em todo o território nacional. Corpulento com hastes desenvolvidas. Investida Os bovinos podem causar lesões traumatogénicas (perfurantes ou contundentes) graves ou fatais através de investida (mesmo embolados) ou através de pisadura. A raça brava (toiros ou vacas bravos) são mais susceptíveis de ataques deliberados.
Canis lupus signatus (Kerkrade Zoo) 20.jpg Lobo-ibérico
Canis lupus signatus
Mamífero distribuído em Portugal Continental por duas populações, a Norte do Douro (maioria das alcateias) no Minho e em Trás-os-Montes, e a Sul do Douro na Beira Alta. Semelhante a outras subespécies do lobo-cinzento, os lobos-ibéricos machos medem 130–180 cm de comprimento e pesam 30–40 kg, enquanto as fêmeas medem 130–160 cm e pesam 25–35 kg. A altura ao garrote pode chegar aos 70 cm. Mordedura A mordedura dos lobos pode causar lesões traumatogénicas graves ou fatais. Em Portugal os ataques fortuitos a humanos são raros, não há casos fatais desde meados do século XX e no século XXI não há registo de ataques a humanos, somente a ovelhas ou cabras. Contudo qualquer contacto com o lobo-ibérico deve pautar-se por precaução e respeito, especialmente no caso de lobas com crias.
Year Old Rottweiler.jpg Cão
Canis lupus familiaris
Mamífero criado em todo o território nacional. Existem diversas raças com tamanho e características distintas. Mordedura A mordedura dos cães pode causar lesões traumatogénicas graves ou fatais. Podem também transmitir patologias (ex. raiva). As raças consideradas perigosas por lei[7] em Portugal são: Cão de Fila Brasileiro, Dogue Argentino, Pit Bull Terrier, Rottweiler, Staffordshire Terrier Americano, Staffordshire Bull Terrier e Tosa Inu. Atenção: outras raças de médio ou grande porte também podem constituir perigo para o ser humano ou para animais.

Espécies potencialmente perigosas[editar | editar código-fonte]

Espécies Venenosas[editar | editar código-fonte]

Aracnídios
Imagem Nome Identificação Descrição Perigo Consequências
Latrodectus tredecimguttatus female.jpg Viúva-negra mediterrânica
Latrodectus tredecimguttatus
Aracnídeo da família das viúvas-negras (latrodectus), esta aranha é comum em Portugal Continental, com predominância no Alentejo e Algarve, mas geralmente em áreas rurais. Incomum em habitações.[8]
Muitas vezes confundida com aranhas como Steatoda grossa ou Steatoda nobilis (falsas viúvas-negras) comuns em habitações. É contudo inconfundível caso possua as distintas manchas laranja/vermelho pálido ou vivo.
Fêmea: corpo com 14–15 mm, carapaça (com depressão na zona torácica) e patas negras, abdómen volumoso negro com pêlos bífidos e 3 linhas brancas com 13 manchas laranja, vermelhas ou amarelas, mas há também a forma negra integral (lugubris) ou com as manchas bordeadas de branco ou amarelo. Macho: corpo 8–10 mm e abdómen mais pequeno. Picada A gravidade do envenenamento é variável. O veneno é neurotóxico. Sintomas de latrodectismo: dor intensa, edema, cãibras musculares, inluindo rigidez abdominal com dificuldade respiratória, rigidez facial (facies latrodectismica) e rigidez dos músculos penianos (priapismo), aceleração cardíaca, hipertensão, oligúria, suores profusos, hipersalivação e paralesias parciais temporárias; pode provocar necrose e, no caso de crianças com peso inferior a 15 kg, choque e morte. Tratamento: hidroterapia, antibioterapia e soro antilatrodéctico. Prognóstico: com assistência médica imediata na maioria dos casos a vítima começa a recuperar em 12-24 horas e cura-se sem sequelas em alguns dias.
Loxosceles rufescens3.jpg Reclusa-mediterrânica
(ou Aranha-violino)
Loxosceles rufescens
Aracnídeo comum em Portugal Continental, com predominância no Alentejo e Algarve.[9] Apresenta-se tanto em áreas rurais (debaixo de troncos e pedras), como em áreas urbanas (é comum no interior de casas e armazéns). Podem ser confundidas com os espécimes maiores de Pholcus phalangioides (comuns em habitações mas inofensivas). Fêmea: corpo com 7–10 mm, carapaça de cor castanha, amarela ou avermelhada, abdómen oval cinzento ou amarelo pálido, sem padrões e com pêlos curtos escuros, mas com uma mancha cardíaca esbatida mais escura. Tem 6 olhos bem separados em três grupos de dois. Patas compridas e delgadas, com as mesmas cores da carapaça e do abdómen. Macho: corpo com 7–10 mm, abdómen menos volumoso e patas proporcionalmente mais compridas e delgadas. Picada Apesar de relativamente raras (por não ser agressiva e fugir da presença humana), as picadas da aranha-violino são as mais frequentes picadas de aranha em Portugal (por ser comum em habitações). O veneno da aranha-violino é citotóxico e necrosante. Sintomas de loxoscelismo: dor local, edema, que após 1-2 dias apresenta placa violácea com áreas hemorrágicas e que, em casos graves, evolui para ulceração local profunda, necrose tissular (morte dos tecidos no local da picada) e possível gangrena. Tratamento: limpeza da ferida, gelo e antibioterapia.
Lycosa tarentula.JPG Tarântula-ibérica
(ou Tarântula-mediterrânica)
Lycosa hispanica
(ou Lycosa tarantula)
Aracnídeo existente em Portugal Continental e na Madeira, com predominância no Algarve e Madeira.[10] Não faz teias, escavando antes tocas. É incomum em habitações. É confundível com a aranha-lobo-radiada (Hogna radiata). Tem hábitos predominantemente nocturnos, mas também pode estar activa à tarde. Aranha de grandes dimensões. Com envergadura total de 6–7 cm é a maior aranha da Europa. Fêmea: corpo até 30 mm, abdómen cinzento com pêlos e face ventral negra com os lados laranja vivo. Patas robustas, pilosas e cinzentas/negras por cima e laranja por baixo. Macho: corpo até 25 mm, patas mais compridas e abdómen menor que a fêmea.[11] Picada Veneno de baixa toxicidade para os seres humanos que, contudo, pode provocar dor local, edema e, em casos raros, necrose local.
Hogna radiata (AF)-top 01.png Aranha-lobo-radiada
Hogna radiata
Aracnídeo existente em Portugal Continental e na Madeira, com predominância no Alentejo, Algarve e Madeira.[12] É a espécie de licosídeo (tarântulas) mais comum em Portugal. Tem hábitos predominantemente nocturnos, mas também pode estar activa à tarde. Mais pequena e com patas mais finas, mas mais agressiva que a tarântula-ibérica. Aranha de grandes dimensões. Fêmea: corpo até 20 mm, castanho, com pêlos e face ventral negra. Patas robustas e pilosas. Macho: corpo 15–18 mm. Picada Veneno de baixa toxicidade para os seres humanos que, contudo, pode provocar dor local, edema e, em casos raros, necrose local.
Tarântula-de-Porto-Santo (ou Aranha-Lobo-de-Porto-Santo)
Hogna schmitzi
Aranha endémica da ilha de Porto Santo, no Arquipélago da Madeira, catalogada por Wunderlich em 1992.[13] Tem hábitos predominantemente nocturnos, mas também pode estar activa à tarde. Aranha de grandes dimensões. Carapaça e abdómen cinzentos, com pêlos, e face ventral negra. Patas robustas, pilosas e laranja por cima e negras por baixo. Picada Veneno de baixa toxicidade para os seres humanos que, contudo, pode provocar dor local, edema e, em casos raros, necrose local.
Tarântula-das-Desertas
Hogna ingens
Aranha endémica das ilhas Desertas, no Arquipélago da Madeira, catalogada por Blackwall em 1857.[14] Tem hábitos predominantemente nocturnos, mas também pode estar activa à tarde. Aranha de grandes dimensões. Carapaça cinzenta/negra com pêlos, abdómen cinzento com pêlos e face ventral negra. Patas robustas, pilosas e cinzentas salpicadas de branco. Picada Veneno de baixa toxicidade para os seres humanos que, contudo, pode provocar dor local, edema e, em casos raros, necrose local.
Bark Scorpion.jpg Escorpião
(ou Lacrau)
Buthus ibericus
Aracnídeo existente em Portugal Continental, com predominância no Alentejo e Algarve. Com 5–6 cm de comprimento, geralmente de cor amarela. Tem hábitos predominantemente nocturnos, tornando-se activo ao entardecer. Incomum em habitações. Picada O veneno do lacrau é neurotóxico. Sintomas: dor muito intensa, edema, paralisia parcial do membro afectado, ansiedade, arrepios, cãibras musculares, hipotensão, aumento da pulsação cardíaca e diminuição da temperatura corporal. Crianças e idosos têm sintomas exacerbados, tal como em caso de picadas na cabeça, pescoço, tórax ou abdómen. Tratamento: aplicação local de anestésico, analgesia e soro antiescorpiónico. Prognóstico: as picadas de lacrau geralmente não são fatais nem deixam sequelas, salvo casos de crianças muito pequenas ou hipersensibilidade (pode ocorrer choque e, sem tratamento, morte).
Quilópodes
Scolopendra cingulata - D7-08-2291.JPG Centopeia-mediterrânica
(ou Centopeia-amarela)
Scolopendra cingulata
Artrópode da classe Quilópode existente no Alentejo e Algarve.[15] Pode ser encontrada no solo, debaixo de pedras ou manta morta, preferencialmente em locais mais húmidos. Ocasional em habitações. Tem hábitos predominantemente nocturnos. Com até 12 cm de comprimento, é a maior espécie de centopeia de Portugal e da Europa. Com corpo listado, de cor castanha, castanha-avermelhada ou castanha-amarelada, com 8 ocelos e 21 pares de patas robustas, com o último par mais robusto e espinhoso. Picada Veneno de baixa toxicidade para os seres humanos que, contudo, pode provocar dor muito intensa, eritema (vermelhidão) e edema. Tratamento: gelo, aplicação local de anestésico, analgesia e, se necessário, corticosteróides. No caso de crianças muito pequenas ou hipersensibilidade é necessária assistência médica imediata.
Scutigera coleoptrata MHNT.jpg Centopeia-comum
Scolopendra oraniensis
Artrópode da classe Quilópode existente em todo o território nacional, com predominância no Alentejo e Algarve.[15] Comum em habitações. Tem hábitos predominantemente nocturnos. De cor castanha ou amarela, com longas listas longitudinais e 15 pares de patas finas. Picada Menos perigosa que a espécie Scolopendra cingulata. Veneno de baixa toxicidade para os seres humanos que, contudo, pode provocar dor muito intensa, eritema (vermelhidão) e edema.
Peixes
Imagem Nome Identificação Descrição Perigo Consequências
Echiichthys vipera.jpg Peixe-aranha-comum
Echiichthys vipera
Peixe existente na Costa Portuguesa, com predominância em praias arenosas do Litoral Alentejano e Algarve.[16] Peixe de cor amarela ou castanha com até 37 cm, contendo espinhos venenosos nas barbatanas dorsais e nas brânquias (guelras). Encontra-se enterrado na areia em águas pouco profundas, sendo mais comuns as picadas na baixa-mar. Picada Não são agressivos, as picadas não resultam de qualquer ataque, mas de serem pisados inadvertidamente. As zonas mais afectadas são os pés (devido à vítima pisar o peixe-aranha enterrado na areia ou o rascasso escondido junto a rochas) ou, raramente, a barriga no caso de crianças que chapinhem deitadas na água. Os sintomas mais significativos iniciam-se 2-3 minutos após a picada. Sintomas: dor local muito intensa, edema, dormência, formigueiro, náuseas, vômitos, dores articulares, dores de cabeça, cólicas abdominais, tonturas, aumento do volume miccional e tremores. Sintomas raros: arritmia, fraqueza, dificuldade respiratória, convulsões, diminuição da pressão arterial, gangrena, degeneração de tecidos e perda de consciência. Tratamento: colocar o membro afectado em água quente (inactiva o veneno que é termolábil) e retirar os espinhos remanescentes; analgesia e aplicação de anti-inflamatórios e antissépticos. Em caso de sintomas raros é necessária assistência médica. Prognóstico: a vítima recupera totalmente em algumas horas ou dias.[17]
Trachinus draco.jpg Peixe-aranha-maior
Trachinus draco
Peixe existente na Costa Portuguesa, com predominância em praias arenosas do Algarve.[18] Peixe de cor amarela, castanha ou verde-escura com até 53 cm, contendo espinhos venenosos nas barbatanas dorsais e nas brânquias (guelras). Encontra-se enterrado na areia, sendo mais comuns as picadas na baixa-mar. Picada
Grosserdrachenkopf-02.jpg Rascasso-vermelho
Scorpaena scrofa
Peixe existente na Costa Portuguesa, com predominância em praias rochosas do Algarve.[19] Peixe de cor vermelha com 26–50 cm, contendo espinhos venenosos nas barbatanas dorsais. Peixe solitário e de hábitos nocturnos, passa o dia praticamente imóvel, disfarçado entre rochas e algas em águas pouco profundas ou poças de água na baixa-mar. Picada
Myliobatis aquila.jpg Raia
Myliobatis aquila
Peixe existente na Costa Portuguesa.[19] Peixe cartilaginoso de cor castanha, com o corpo achatado dorsiventralmente e contendo um ferrão venenoso na cauda longa. Picada Afecta maioritariamente mergulhadores e raramente banhistas (quando a raias são pisadas, geralmente na baixa-mar). Sintomas: trauma local (da perfuração do ferrão), dor muito intensa, edema, cãibras musculares, náuseas, fadiga, dores de cabeça, calafrios e febre; possível infecção bacteriana ou fúngica. Geralmente benignas, as picadas de raia podem causar risco de vida em caso de hipersensibilidade ou no caso da picada se localizar em locais sensíveis (cabeça, pescoço, tórax ou abdómen). Tratamento: é necessária assistência médica; colocar o membro afectado em água quente (ajuda a inactivar o veneno que é termolábil); antibioterapia (para prevenir infecções), analgesia e aplicação de anestésico local, anti-inflamatórios e antissépticos. Prognóstico: na maioria dos casos as dores e restantes sintomas cessam até 48 horas após a picada (com os piores sintomas nos primeiros 30-60 minutos).
Leucoraja fullonica Gervais.jpg Raia
Myliobatis aquila
Peixe existente na Costa Portuguesa.[19] Peixe cartilaginoso de cor amarela, com tons avermelhados, com o corpo achatado dorsiventralmente e contendo um ferrão venenoso na causa. Picada
Dipturus oxyrinchus.jpg Raia
Myliobatis aquila
Peixe existente na Costa Portuguesa.[19] Peixe cartilaginoso de cor castanha, com tons amarelados e avermelhados, com o corpo achatado dorsiventralmente e contendo um ferrão venenoso na causa. Picada
Cnidários e Equinodermes
Imagem Nome Identificação Descrição Perigo Consequências
Pelagia noctiluca (Sardinia).jpg Alforreca
(ou Medusa)
Pelagia noctiluca
Cnidário existente na Costa Portuguesa, com predominância na Costa Ocidental, Açores e Madeira.[20] Corpo gelatinoso (umbrela) geralmente cor-de-rosa ou amarelo, com 8 longos tentáculos com cnidócitos (células urticantes) carregados de nematocistos (cápsulas urticantes). Picada Veneno tóxico para os seres humanos. Sintomas: dor intensa, edema local, cãibras musculares e queimaduras dolorosas, que deixam flictenas (bolhas). No caso de hipersensibilidade pode ocorrer choque anafilático com risco de vida.
Tratamento: remoção imediata dos fragmentos de tentáculos que fiquem presos à pele, seguido da aplicação local de solução aquosa de ácido acético (3 a 10%) ou vinagre (ou na sua falta água salgada), gelo e pasta de bicarbonato de sódio em água ou creme gordo; aplicação de analgésicos, anti-inflamatórios e anti-histamínicos sistémicos. Não usar água doce, álcool, amónia ou urina (devido a espalharem o veneno).
Prognóstico: nos casos leves as lesões saram em dias ou semanas; nos casos graves são possíveis cicatrizes de duração prolongada ou vitalícia.
Atenção: os cnidócitos encontram-se activos mesmo que a alforreca esteja fora de água ou se encontre morta.[17]
Rhizostoma octopus 120924wa 02.jpg Alforreca
(ou Medusa)
Rhizostoma luteum
Cnidário existente na Costa Portuguesa.[21] Corpo gelatinoso (umbrela) branco, podendo ter tons azulados ou violetas, com longos tentáculos com cnidócitos (células urticantes) carregados de nematocistos (cápsulas urticantes). Picada
Kompaßqualle im Spülsaum.JPG Alforreca
(ou Medusa)
Chrysaora hysoscella
Cnidário existente na Costa Portuguesa.[22] Corpo gelatinoso (umbrela) radiado amarelo e castanho com até 30 cm, com 24 longos tentáculos com cnidócitos (células urticantes) carregados de nematocistos (cápsulas urticantes). Picada
Portuguese Man-O-War (Physalia physalis).jpg Caravela-portuguesa
Physalia physalis
Cnidário existente na Costa Portuguesa.[23] Corpo gelatinoso (umbrela) em crista de cor branca e com tons azuis e violetas, com longos tentáculos (podem ter alguns metros) com cnidócitos (células urticantes) carregados de nematocistos (cápsulas urticantes). Picada
Paracentrotus lividus, aboral view.JPG Ouriço-do-mar
Paracentrotus lividus
Equinoderme existente na Costa Portuguesa.[24] Corpo com 11–25 cm coberto de espinhos, com cores variáveis. Picada O ouriço-do-mar é venenoso, mas o veneno é de baixa toxicidade para os seres humanos e raramente causa sintomas. O problema reside nos espinhos, que são dolorosos, numerosos e difíceis de retirar. Tratamento: retirar os espinhos com pinça, podendo ser usado vinagre (pois dissolve os espinhos).[17]
Centrostephanus longispinus.jpg Ouriço-de-espinhos-longos
Centrostephanus longispinus
Equinoderme existente na Costa Portuguesa.[25] Corpo com 15–30 cm coberto de espinhos longos, com cores variáveis. Picada

Espécies Traumatogénicas[editar | editar código-fonte]

Mamíferos
Imagem Nome Identificação Características Perigo Consequências
Sangliers.jpg Javali
Sus scrofa
Mamífero selvagem abundante em Portugal Continental, em bosques ou, de noite, em áreas agrícolas. Macho: peso entre 130–250 kg. Fêmea: peso entre 80–130 kg. Medem entre 125–180 cm de comprimento e podem alcançar uma altura no garrote de 100 cm. Investida Os javalis podem provocar lesões traumatogénicas graves com as presas (dentes proeminentes que crescem para fora da boca e que podem atingir 20 cm).
WhiteCat.jpg Gato
Felis silvestris catus
Mamífero criado em todo o território nacional. Existem diversas raças com tamanho e características distintas. Ataque com garras e mordedura Os gatos podem provocar lesões traumatogénicas graves, especialmente com as garras, que podem deixar sequelas permanentes.
Peixes
Imagem Nome Identificação Descrição Perigo Consequências
Muraena helena.2 - Aquarium Finisterrae.JPG Moreia-pintada
Muraena helena
Peixe existente na Costa de Portugal Continental, Açores e Madeira, geralmente em cavidades rochosas.[26] Peixe ósseo anguiliforme com corpo longo, robusto e cilíndrico, de cor castanha, podendo ter manchas amareladas de núcleo castanho, medindo até 1,5 metros. Mordedura As mordeduras das moreias podem provocar ferimentos sérios e dolorosos, que podem inclusive deixar sequelas permanentes. É necessária assistência médica. Tratamento: antibioterapia e aplicação de antissépticos. Geralmente afecta apenas mergulhadores.[27]
Dentist needed.jpg Moreia-preta
Muraena augusti
Peixe existente na Costa dos Açores e Madeira, geralmente em cavidades rochosas.[28] Peixe ósseo anguiliforme de olhos esbranquiçados, com corpo longo, robusto e cilíndrico, de coloração variável entre o azul escuro e o castanho, de acordo com o fundo onde se encontra (possui capacidade mimética), medindo até 1,3 metros. Mordedura

Espécies Vectoras[editar | editar código-fonte]

Insectos
Imagem Nome Identificação Descrição Perigo Consequências
Aedes aegypti biting human.jpg Mosquito
Aedes aegypti
Mosquito (insecto) da família dos culicídios (culicidae), espécie invasora existente na Ilha da Madeira, pelo menos desde 2005. Existe tanto em zonas rurais como urbanas.[29] O Aedes aegypti é um mosquito hematófago com actividade diurna, que tem como vítima preferencial o Homem e praticamente não faz qualquer som audível antes de picar. Mede menos de 1 centímetro; é preto com manchas brancas no corpo e nas patas.[30] Picada O Aedes aegypti é vector de dengue e de outras doenças graves. Presente na Ilha da Madeira desde 2005 este mosquito provocou um surto de dengue em 2012 e 2013, com a duração de 6 meses e sem óbitos registados, não tendo ocorrido casos de dengue hemorrágico.[31]
Catflea small.jpg Pulga
Ctenocephalides
Insecto existente em todo o Território Nacional. Existe tanto em áreas urbanas como rurais, parasitando o Homem e animais domésticos ou selvagens.[32] Possui corpo ovalado de cor castanha de variados tons e 6 patas, com desenvolvimento acentuado do par anterior (usado para saltar). Picada Este insecto hematófago é vector de várias patologias, podendo transmitir ao Homem riquetsioses, como tifo murino, e outras doenças bacterianas como tularémia, salmoneloses e peste bubónica, bem como outras patologias como himenolepíase, com baixa patogenia conhecida em Portugal (com excepção da peste bubónica que actualmente não tem patogenia conhecida).
Male human head louse.jpg Piolho da cabeça
Pediculus humanus capitis
Insecto existente em todo o Território Nacional. Existe tanto em áreas urbanas como rurais, parasitando o Homem. Insecto hematófago, de cor cinzento claro (ou avermelhado após alimentar-se), possui corpo ovalado, medindo de 2,5 a 3 mm, sem asas, distinguindo-se a cabeça com um par de antenas, toráx com 6 patas e abdómen com 7 segmentos. Picada Os piolhos, principalmente o piolho do corpo, são vectores de várias patologias, como tifo murino, febre recorrente ou febre das trincheiras, com baixa patogenia conhecida em Portugal.
Body lice.jpg Piolho do corpo
Pediculus humanus humanus
Insecto existente em todo o Território Nacional. Existe tanto em áreas urbanas como rurais, parasitando o Homem. Insecto hematófago, de cor acastanhada ou cinzento claro (ou avermelhado após alimentar-se), possui corpo ovalado, medindo de 2,5 a 3,5 mm, sem asas, distinguindo-se a cabeça com um par de antenas, toráx com 6 patas e abdómen com 7 segmentos. Picada
Pthirus pubis - crab louse.jpg Piolho púbico
Pthirus pubis
Insecto existente em todo o Território Nacional. Existe tanto em áreas urbanas como rurais, parasitando o Homem. Insecto hematófago, de cor amarelada (ou avermelhado após alimentar-se), possui corpo arredondado, medindo de 1 a 3 mm, sem asas e com 6 patas. Picada
Aracnídios
Imagem Nome Identificação Descrição Perigo Consequências
Rhipicephalus sanguineus.jpg Carraça
Rhipicephalus sanguineus
Aracnídio da família dos ixodídeos (ixodidae) existente em todo o Território Nacional. Existe tanto em áreas urbanas como rurais. [33] Aracnídeo hematófago, possui corpo ovalado e 8 patas de cor castanha de variados tons, com quelícera curta. Picada Este ixodídeo é vector de febre botonosa ou escaro-nudolar (febre da carraça) transmissível ao Homem e a animais domésticos, com patogenia conhecida em Portugal.
Carraça
Ixodes ricinus
Aracnídio da família dos ixodídeos (ixodidae) existente em todo o Território Nacional. Predominante em áreas rurais.[34] Aracnídeo hematófago, possui corpo ovalado e 8 patas de cor castanha ou bege, com carapaça maciça nos machos e parcialmente mole nas fêmeas. Não possui olhos, usando antes o órgão de Halle. Picada Este ixodídeo é vector de borreliose de Lyme (doença de Lyme), ehrlichiose granulocítica humana e perimiocardite crónica. Destas patologias a borreliose de Lyme tem patogenia conhecida em Portugal.
Carraça
Dermacentor marginatus
Aracnídio da família dos ixodídeos (ixodidae) existente em todo o Território Nacional. Predominante em áreas rurais.[35] Aracnídeo hematófago, possui corpo ovalado e 8 patas de cor castanha ou bege. Picada Este ixodídeo é vector de borreliose de Lyme (doença de Lyme) e tibola. Destas patologias a borreliose de Lyme tem patogenia conhecida em Portugal.
Sarcoptes scabei 2.jpg Ácaro
Sarcoptes scabiei
Aracnídio da família dos sarcoptodes (sarcoptidae) existente em todo o Território Nacional. Aracnídeo hematófago, possui corpo globoso e cabeça curta. As patas são curtas, grossas e cónicas com ventosas tarsais. Picada Este ácaro é vector de escabiose (sarna), com patologia conhecida em Portugal.
Mamíferos
Imagem Nome Identificação Descrição Perigo Consequências
Rattus norvegicus 1.jpg Ratazana
Rattus norvegicus
Roedor da família dos murídios (muridae) existente em todo o Território Nacional. Tem hábitos nocturnos. Existe tanto em áreas urbanas como rurais.[36] Possui corpo cinzento-acastanhado robusto com 18 a 25 cm de comprimento e 250 a 600 g de peso. Tem pelos ásperos, orelhas pequenas e arredondadas, e olhos pequenos. A cauda é grossa e peluda medindo cerca de 15 a 21 cm. Mordedura ou contacto com fluídos Estes roedores são vectores de doenças graves transmissíveis ao Homem e a animais domésticos, tais como: leptospirose, tifo, peste bubónica, febre hemorrágica, salmonelose, sarna ou micoses. O contágio pode ocorrer por contacto directo, por mordedura ou manuseamento, ou indirecto, através do contacto com urina, fezes, saliva ou sangue dos roedores.
Rattus rattus04.jpg Rato Preto
Rattus rattus
Roedor da família dos murídios (muridae) existente em todo o Território Nacional. Tem hábitos nocturnos e excelente capacidade como trepador. Existe tanto em áreas urbanas como rurais.[37] Possui corpo preto esguio com 16 a 21 cm de comprimento e de 80 a 300 g de peso. Tem pelagem delicada e orelhas e olhos grandes. A cauda é fina e com poucos pelos medindo cerca de 19 a 25 cm. Mordedura ou contacto com fluídos
House mouse.jpg Rato Doméstico
Mus musculus
Roedor da família dos murídios (muridae) existente em todo o Território Nacional. Tem hábitos nocturnos. Existe tanto em áreas urbanas como rurais.[38] Possui um corpo cinzento-acastanhado delgado com 8 a 9 cm de comprimento e 10 a 21 g de peso. Tem um pelo delicado e sedoso, orelhas grandes e salientes, olhos pretos, pequenos e salientes, e a cauda é fina e sem pelos medindo 8 a 10 cm. Mordedura ou contacto com fluídos

Referências

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  14. Naturdata Hogna ingens
  15. a b [14]
  16. «Echiichthys vipera». Naturdata 
  17. a b c «Fauna Perigosa em Portugal». Super Interessante. Julho de 2010 
  18. « Trachinus draco ». Naturdata 
  19. a b c d «Rascasso-vermelho Scorpaena scrofa». Oceanário de Lisboa 
  20. «Naturdata Pelagia noctiluca» 
  21. «Naturdata Rhizostoma luteum» 
  22. «Naturdata Chrysaora hysoscella» 
  23. «Marinha alerta para o contacto com caravelas-portuguesas». Diário de Notícias. 5 de Abril de 2013 
  24. «Ouriço-do-mar (Paracentrotus lividus. Oceanário de Lisboa 
  25. «Naturdata Centrostephanus longispinus». Oceanário de Lisboa 
  26. «Muraena helena». Naturdata 
  27. «Moreias em Portugal». Universidade dos Açores 
  28. «Muraena augusti». Naturdata 
  29. «REVIVE: Rede de Vigilância de Vetores – Relatório de 2014». Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. 22 de Abril de 2015 
  30. «Aprenda a reconhecer o mosquito Aedes aegypti». Prefeitura da cidade de São Paulo. Consultado em 19 de outubro de 2012 
  31. «DGS dá por controlado surto de dengue na Madeira». Diário de Notícias. 12 de Março de 2013 
  32. Naturdata. «Ctenocephalides felis» 
  33. Naturdata. «Rhipicephalus sanguineus» 
  34. Naturdata. «Ixodes ricinus» 
  35. Naturdata. «Dermacentor marginatus» 
  36. Naturdata. «Rattus norvegicus» 
  37. Naturdata. «Rattus rattus» 
  38. Naturdata. «Mus musculus»