Academia Catarinense de Letras

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Academia Catarinense de Letras
(ACL)
Símbolo oficial da ACL
Academia Catarinense de Letras.jpg
Sede da ACL em Florianópolis.
Tipo Associação literária
Fundação 30 de outubro de 1920 (99 anos)
Sede Casa José Boiteux
Brasil Florianópolis
Membros Ver: Lista de membros da Academia Catarinense de Letras
Línguas oficiais Português
Presidente Liberato Manuel Pinheiro Neto
Sítio oficial https://www.acletras.org/

A Academia Catarinense de Letras (ACL) é a entidade literária máxima do estado brasileiro de Santa Catarina, fundada em 1920.

A Casa José Boiteux, sede da ACL, está situada em imponente casarão da Avenida Hercílio Luz, no centro do município de Florianópolis.[1]

A entidade foi a primeira do gênero no Brasil a admitir em seus quadros a presença de mulheres, com as escritoras Maura de Senna Pereira e Delminda Silveira.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Com o objetivo de fomentar a produção literária e congregar os homens de letras em Santa Catarina, surgiu em 30 de outubro de 1920 a Sociedade Catarinense de Letras, a partir de convite do jornalista, historiador e advogado José Boiteux, nascido em 1865.[1]

A ideia já havia sido lançada por duas vezes na década anterior pelo então jovem escritor Othon da Gama Lobo d'Eça, mas não vingou. Em 1924, inspirando-se na Academia Brasileira de Letras, a sociedade passa a ser denominada Academia Catarinense de Letras. Na época ainda estavam vagas dezesseis das quarenta cadeiras.

Ao contrário de outras academias semelhantes, a ACL contou com mulheres em seus quadros desde o início, com Delminda Silveira sendo a primeira titular da cadeira de número 10, e Maura de Senna Pereira a primeira titular da cadeira 38.[2]

Até dezembro de 2011 a entidade funcionou no Centro Integrado de Cultura, e ganhou sua sede própria no ano seguinte; nas novas instalações também funciona o Museu Histórico e Geográfico de Santa Catarina.[1] O prédio histórico passou por várias reformas, sendo completamente restaurado no ano de 2010.[2]

Em 2017, com apoio da Lei Rouanet, foi lançado o documentário “Letras Catarinas – a trajetória de uma Academia” que reproduz de forma didática e simples a existência do sodalício, mostrando sua história através de atores que representam seus principais nomes, além de depoimentos e registros históricos; tem a duração de vinte e cinco minutos.[2]

Sessões[editar | editar código-fonte]

Possui sessões ordinárias sempre nas últimas segundas-feiras de cada mês; dentre as reuniões extraordinárias há a "Sessão da Saudade", realizada após o falecimento de algum de seus membros e em sua homenagem.[1] Os encontros ocorrem no salão do edifício que possui uma mesa para a diretoria, postada à frente de cadeiras onde ficam os demais acadêmicos e visitantes, e ladeada pelas bandeiras do estado, do Brasil e da capital catarinense.[1]

Marcada pela informalidade (em contrapartida à Brasileira, com o formalismo dos "fardões") qualquer dos presentes pode participar, opinando sobre os temas debatidos.[1]

No mês de dezembro ocorre um jantar solene de encerramento do ano acadêmico, com premiação dos destaques literários.[1]

Composição[editar | editar código-fonte]

A Academia Catarinense de Letras é composta por quarenta escritores nascidos ou que fizeram sua história em Santa Catarina. As cadeiras são vitalícias, ou seja, membros novos só podem ser escolhidos após o falecimento de algum membro atual.[1]

O processo de escolha do novo membro principia com a publicação de edital comunicando o início das inscrições para a eleição, que se dava pela maioria simples dos votantes, em escrutínio secreto.[1]

Quando presidente Péricles Prade este apresentou ao silogeu a sugestão de mudança do processo de votação, pois a ausência de quórum para a obtenção da maioria (em trinta e nove cadeiras, por exemplo, um dos candidatos teria que ter vinte votos) implicava na repetição do pleito, o que poderia se prolongar indefinidamente, como ocorrera no ano de 2012; para que alguém seja candidato é necessário haver escrito um livro ou participado de publicações como estudos, reportagens ou textos literários em coletâneas.[1]

Diretoria[editar | editar código-fonte]

Biênio 2018-2020

Relação dos imortais segundo a cadeira[editar | editar código-fonte]

Cadeira Patrono Fundador Sucessores
1 Álvaro de Carvalho Clementino Fausto Barcelos de Brito Arnaldo Silveira Brandão Edy Leopoldo Tremel
2 Othon da Gama Lobo d'Eça Antero dos Reis Dutra Laércio Caldeira de Andrada Norberto Cândido Silveira Júnior Urda Alice Klueger
3 Delminda da Silveira Carlos de Faria Alfredo Filipe da Luz Paulo Lago Moacir Pereira
4 Cláudio Luís da Costa [3] Luís Antônio Ferreira Gualberto Carlos da Costa Pereira José Ferreira da Silva João Alfredo Medeiros Vieira vaga
5 Oscar Rosas Crispim Mira Leopoldo de Diniz Martins Júnior Theobaldo Costa Jamundá Francisco José Pereira ► Deonísio da Silva
6 Nilo Dias Duarte Mendes de Sampaio João Nepomuceno Manfredo Leite Paulo Gonçalves Weber Vieira da Rosa Hugo Mund Júnior
7 Duarte Paranhos Schutel Juvêncio de Araújo Figueiredo Francisco de Oliveira e Silva Raulino ReitzLeatrice Moellmann ► Vaga
8 Eduardo Duarte Silva Marcos Konder Vítor Konder Carlos Gomes de Oliveira Polidoro Ernani de São Thiago Sílvio Coelho dos Santos  ► Mário Pereira ► Apolinário Ternes
9 Aldo Kriegger Feliciano Nunes Pires Anfilóquio de Carvalho Gonçalves Ivens Bastos de Araújo ► Martinho José Calado JúniorJoão Nicolau Carvalho
10 Martinho de Haro Francisco Antônio Castorino de Farias Delminda Silveira Castorina Lobo de São Thiago ► Júlio de Queiroz ► Godofredo de Oliveira Neto [4]
11 Elke Hering Bell Francisco Carlos da Luz Edmundo da Luz Pinto Henrique Stodieck Glauco Rodrigues Correia Hoyêdo de Gouvêa Lins Olsen Júnior
12 Lindolf Bell Francisco Pedro da Cunha Heitor Pinto da Luz e Silva Holdemar Meneses  ► Edson Ubaldo
13 Acary Margarida Francisco Tolentino Tito Carvalho Osmar SilveiraJosé Artulino Besen
14 Gustavo de Lacerda [4] Maura de Senna Pereira Silveira LenziJosé Isaac Pilati [4][5]
15 Ernesto Meyer Filho Cruz e Sousa Othon da Gama Lobo d'Eça Celestino Sachet
16 João Justino Proença [4] Horácio Serapião de Carvalho Harry Laus Alcides Abreu ► Laerte Tavares [4]
17 Álvaro de Carvalho Jerônimo Coelho José Arthur Boiteux Oswaldo Rodrigues Cabral Carlos Humberto Pederneiras Corrêa ► Gilberto Gerlach
18 João Silveira de Sousa Henrique Fontes José Curi
19 Carlos Jardim Joaquim Antônio de São Tiago Arnaldo Claro São Tiago Arthur Pereira e Oliveira  ► Sérgio da Costa Ramos
20 Luis Delfino dos Santos Joaquim Augusto do Livramento Fúlvio Aducci Custódio Francisco de Campos Victor Antônio Peluso JúniorAltamiro de Moraes Matos
21 Adolfo Zigelli Joaquim Gomes de Oliveira e Paiva Joe Collaço Evaldo Pauli ► Maria Tereza de Queiroz Piacentini
22 Guido Wilmar Sassi Jonas de Oliveira Ramos Nereu Ramos Joaquim Domingues de Oliveira Luiz Gallotti ►  Antônio Carlos Konder Reis ►  Vaga
23 Abelardo Sousa José Cândido de Lacerda Coutinho Altino Corsino da Silva Flores Flávio José Cardozo
24 Cláudio Alvim Barbosa José Johanny Francisco Barreiros Filho Liberato Manuel Pinheiro Neto
25 Juvêncio Martins Costa Amaro Seixas Ribeiro Neto Paschoal Apóstolo Pítsica Jair Francisco HammsCarlos Ronald Schmidt
26 Dimas Waltrick Lauro Müller Adolfo Konder Sylvia Amelia Carneiro da Cunha Lélia Pereira da Silva Nunes
27 Adolfo Melo Luís Delfino João Batista Crespo Pedro Bertolino
28 Heidy de Assis Corrêa (Hassis) Lídio Martins Barbosa Osvaldo Melo Péricles Prade
29 Aldo Baldin Liberato Bittencourt Edmundo Acácio Soares MoreiraNapoleão Xavier do Amarante
30 Nazira Mansur Aguiar Manuel Joaquim de Almeida Coelho Lucas Alexandre Boiteux Jaldyr Bhering Faustino da Silva Jali Meirinho
31 Manuel José de Sousa França [4] Henrique Boiteux Walter Piazza João José Leal [4][6]
32 Juvenal Melchiades de Souza Manuel dos Santos Lostada Gustavo Neves Lauro Junkes ► Amilcar Neves
33 Horácio Nunes Pires Manuel da Silva Mafra Gil Costa Renato de Medeiros BarbosaJoão Paulo Silveira de Souza
34 Pedro Paulo Vecchietti Marcelino Antônio Dutra Ogê Mannebach Jorge Borges Cordeiro da Silva ► Osvaldo Della Giustina
35 Luiz Henrique Schwanke Martinho José Calado e Silva Haroldo Genésio Calado Lídio Martinho Calado Rodrigo de Haro
36 Ione Urbano Sant'Anna José dos Santos de Diniz Martins Iaponan Soares ► João Carlos Mosimann
37 José Basilício de Souza Polidoro Olavo de São Tiago Ivo d'Aquino Fonseca Licurgo Costa  ► Artemio Zanon
38 Roberto Trompowski Maura de Senna PereiraSalomão Ribas Junior
39 Sebastião Catão Calado Carlos José da Mota de Azevedo Correia Almiro Caldeira de Andrada Gilberto Callado de Oliveira [6]
40 Virgílio Várzea Nereu Correia Norberto Ungaretti ►David Gonçalves

Referências

  1. a b c d e f g h i j Viviane Bevilacqua (11 de novembro de 2012). «Conheça o que é e como funciona a Academia Catarinense de Letras». Diário Catarinense. Consultado em 22 de março de 2019. Cópia arquivada em 23 de março de 2019. A matéria traz, ainda, a relação dos Imortais catarinenses em novembro de 2012. 
  2. a b c d Paulo Clóvis Schmitz (11 de dezembro de 2017). «Documentário sobre a Academia Catarinense de Letras será lançado hoje, em Florianópolis». ND+. Consultado em 23 de março de 2019. Cópia arquivada em 23 de março de 2019 
  3. «Juiz aposentado João Alfredo Medeiros Vieira morre em Florianópolis». www.nsctotal.com.br. Consultado em 28 de agosto de 2019 
  4. a b c d e f g «Academia Catarinense de Letras elegeu quatro novos imortais». www.nsctotal.com.br. Consultado em 26 de junho de 2019 
  5. «Posse na Academia Catarinense de Letras». www.nsctotal.com.br. Consultado em 26 de junho de 2019 
  6. a b «Promotor aposentado assume a cadeira 31 da Academia Catarinense de Letras». www.nsctotal.com.br. Consultado em 26 de junho de 2019 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]