Lista de primeiras-damas de Portugal

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Primeira-dama de Portugal
Coat of arms of Portugal.svg
Residência Palácio de Belém
Duração 5 anos (possibilidade de 10 anos se o presidente se reeleger)
Precursor Rainha Consorte de Portugal (enquanto cônjuge do Chefe de Estado)
Criado em 24 de agosto de 1911
Primeiro titular Lucrécia de Arriaga
Salário Não remunerado

Primeira-dama é o título atribuído à esposa do Presidente da República Portuguesa, ou a quem com ele viva em união de facto.

História[editar | editar código-fonte]

A Constituição da República Portuguesa não prevê a existência do título de «Primeira-dama», embora a esposa do Presidente da República receba essa deferência com frequência até pelas altas individualidades. A Lei das Precedências do Protocolo do Estado Português atribui aos cônjuges das altas entidades públicas (nas quais se inclui o Presidente da República), ou a quem com elas viva em união de facto, precedência protocolar equiparada quando estejam a acompanhá-las.[1]

Teoricamente, o seu papel é desempenhar aquilo que o seu marido, o Presidente, não consegue por falta de tempo, liderando, por exemplo, campanhas de caridade e de voluntariado ou participando nelas, a fim de ajudar os menos favorecidos. Primeira-dama não é um cargo eletivo; não exerce funções oficiais e não recebe salário. No entanto, ela participa em muitas cerimónias oficiais e funções do Estado quer juntamente com o presidente, quer sozinha nas atividades próprias de Primeira-Dama.

A esposa do presidente tem ao seu dispor o Gabinete do Cônjuge da Casa Civil da Presidência da República, que presta apoio à Primeira-Dama.

Lista[editar | editar código-fonte]

Esta é uma lista das primeiras-damas da República Portuguesa, ordenadas cronologicamente desde a implantação da República em 5 de outubro de 1910 até ao presente:

Primeira República (1910–1926)[editar | editar código-fonte]

# Primeira-dama
(Nascimento–Morte)
Retrato Período em funções Presidente da República
1 Lucrécia Augusta de Brito de Berredo Furtado de Melo Arriaga
(1844–1927)
Lucrécia de Arriaga.png 24 de Agosto de 1911 29 de Maio de 1915
Manuel de Arriaga
Apesar das suas convicções pró-monárquicas, apoia o seu marido e muda-se com a família para o Palácio de Belém, onde continua essencialmente dedicada ao lar, como era "costume feminino" na altura. Todavia, a primeira-dama evita a exposição pública e a comemoração do segundo aniversário da República, em 1912, torna-se uma das raras ocasiões em que participa em eventos públicos.
2 Maria do Carmo Xavier Braga
(postumamente)
(1841–1911)
Maria do Carmo Xavier Braga.png —— ——
Teófilo Braga
A vida do casal é marcada pela morte prematura dos três filhos: Joaquim, quase à nascença, em 1869; Teófilo, aos 13 anos, em 1886; e Maria da Graça, aos 16 anos, em 1887. Maria do Carmo, cuja saúde sempre fora frágil, mergulha numa enorme tristeza. Por volta da altura da implantação da República, após a qual o marido é escolhido para liderar o Governo Provisório até à eleição de Manuel de Arriaga, Maria do Carmo já estava muito debilitada, vindo a falecer pouco depois, antes do mandato presidencial de Teófilo Braga.
vago 29 de Maio de 1915 5 de Outubro de 1915
3 Elzira Dantas Gonçalves Pereira Machado
(1865–1942)
ElziraDantasMachado.png 5 de Outubro de 1915 12 de Dezembro de 1917
Bernardino Machado
Casa com Bernardino Machado em Janeiro de 1882, e com ele tem dezanove filhos. A par da gestão do património familiar, desenvolve uma intensa actividade cívica, colaborando em várias organizações de defesa dos direitos das mulheres. Quando o marido assume pela primeira vez a Presidência da República, em 1915, mantém o dinamismo anterior. Com a entrada de Portugal na I Guerra Mundial, lança a Cruzada das Mulheres Portuguesas, cujo objectivo central é o auxílio aos soldados mobilizados e às suas famílias.
4 Maria dos Prazeres Martins Bessa Pais
(1867–1945)
Maria dos Prazeres Martins Bessa Pais.png 9 de Maio de 1918 14 de Dezembro de 1918
Sidónio Pais
Contrai matrimónio com Sidónio Pais em Fevereiro de 1895, e com ele tem cinco filhos. Quando o marido assume a Presidência da República, na sequência do golpe militar de Dezembro de 1917, permanece em Coimbra, onde o casal se fixara. Não participa em qualquer acto público nesse período e só se desloca ao Palácio de Belém uma única vez, no dia seguinte ao assassinato de Sidónio Pais, para velar o corpo do marido em câmara ardente.
5 Mariana de Santo António Moreira Freire Correia Manuel Torres de Aboim do Canto e Castro
(1865–1946)
Mariana Canto e Castro.png 16 de Dezembro de 1918 5 de Outubro de 1919
João do Canto e Castro
Com origens aristocráticas e de educação profundamente católica e monárquica. Em Julho de 1891, contrai matrimónio com João do Canto e Castro, com quem virá a ter três filhos. Quando o marido aceita a chefia do Estado em 1918, apesar das suas convicções monárquicas, a primeira-dama vive o afastamento de muitos familiares e amigos, adeptos da causa monárquica. Mariana permanece em sua casa, mudando-se para o Palácio da Cidadela de Cascais, de Maio a Setembro de 1919, devido ao estado de saúde do marido.
6 Maria Joana Morais Perdigão Queiroga de Almeida
(1885–1965)
Maria Joana Queiroga de Almeida.png 5 de Outubro de 1919 6 de Outubro de 1923
António José de Almeida
Descende de uma família de abastados proprietários alentejanos. Contrai matrimónio com António José de Almeida em Dezembro de 1910, com quem vem a ter uma filha. Em 1916, envolve-se nas actividades da Cruzada das Mulheres Portuguesas, presidindo à Comissão de Assistência às Mulheres e Mães dos Mobilizados. O marido assume as funções de Presidente da República em Outubro de 1919. A visita de Leopoldo III da Bélgica, em Novembro de 1920, é uma das raras ocasiões em que Maria Joana está presente em cerimónias oficiais. Após a imposição da Ditadura Militar em Portugal, participa no movimento nacional de apoio às famílias dos presos, deportados e exilados, em Maio de 1928, tendo presidido à respectiva Comissão de Honra.
7 Belmira das Neves
(1886–1967)
Belmira das Neves.png 6 de Outubro de 1923 11 de Dezembro de 1925
Manuel Teixeira Gomes
Oriunda de uma modesta família algarvia, conhece Manuel Teixeira Gomes na sua terra natal e passam a viver em comum em 1899. Da união nascem duas filhas. Quando Teixeira Gomes é eleito para a Presidência da República, em 1923, Belmira das Neves decide permanecer em Portimão. Quando este parte para o exílio voluntário, dois anos depois, não mais se voltam a ver.
8 Elzira Dantas Gonçalves Pereira Machado
(2.ª vez)
(1865–1942)
ElziraDantasMachado.png 11 de Dezembro de 1925 31 de Maio de 1926
Bernardino Machado
(2.ª vez)
Após a recondução do seu marido às mesmas funções presidenciais em 1925, é novamente afastado pelo golpe militar de 28 de Maio de 1926. Elzira acompanha-o, como já havia feito da primeira vez, no exílio.

Segunda República (1926–1974)[editar | editar código-fonte]

# Primeira-dama
(Nascimento–Morte)
Retrato Período em funções Presidente da República
9 Maria das Dores Formosinho Vieira Cabeçadas
(1880–1949)
31 de Maio de 1926 17 de Junho de 1926
José Mendes Cabeçadas
Casada com Mendes Cabeçadas desde Março de 1911, com quem tem quatro filhas. Maria das Dores Cabeçadas vive com alguma preocupação a breve passagem do marido pela Presidência da Republica (por um período de apenas 17 dias) na sequência do golpe militar de 28 de Maio de 1926. A oposição à ditadura que caracterizou a actividade de Mendes Cabeçadas a partir de então (e as represálias que a família sofre em consequência disso) são encaradas por ela com o ânimo possível.
10 Henriqueta Júlia de Mira Godinho Gomes da Costa
(1863–1936)
29 de Junho de 1926 9 de Julho de 1926
Manuel Gomes da Costa
Casa-se em 1886 com Manuel Gomes da Costa, de quem vem a ter três filhos. O casal muda-se para o Palácio de Belém quando o seu marido assume a chefia do Estado após o afastamento de Mendes Cabeçadas. A estadia termina cerca de três semanas depois com o contra-golpe de Óscar Carmona. Henriqueta e Gomes da Costa partem então para o exílio nos Açores.
11 Maria do Carmo Ferreira da Silva Carmona
(1878–1956)
29 de Novembro de 1926 18 de Abril de 1951
Óscar Carmona
Casada com Óscar Carmona desde 1914, já depois do nascimento dos três filhos, Maria do Carmo torna-se uma presença constante ao lado do marido. Acompanha-o na recepção de destacadas figuras de visita a Portugal e em muitas das deslocações pelo país e às colónias. Dedica-se ainda a actividades de beneficência, assumindo, designadamente, a presidência de honra da Secção Auxiliar Feminina da Cruz Vermelha Portuguesa.
12 Berta da Costa Ribeiro Arthur Craveiro Lopes
(1899–1958)
9 de Agosto de 1951 5 de Julho de 1958
Francisco Craveiro Lopes
Conhece Francisco Craveiro Lopes em Moçambique, e casa com ele em Dezembro de 1918, na cidade de Lourenço Marques. O casal vem a ter quatro filhos. Sem gosto pelo protagonismo e com discrição, Berta Craveiro Lopes adapta-se progressivamente à situação aquando da passagem do marido pela Presidência da República. Não obstante, acompanha o marido nas diversas deslocações oficiais por Portugal e ao estrangeiro, ocasiões em que a sua figura elegante e carácter afável são unanimemente elogiados. Falece no Palácio de Belém no final do mandato do seu marido, em 1958.
vago 5 de Julho de 1958 9 de Agosto de 1958
13 Gertrudes Ribeiro da Costa Rodrigues Thomaz
(1894–1991)
9 de Agosto de 1958 25 de Abril de 1974
Américo Thomaz
Casou com Américo Thomaz em Outubro de 1922, acabando o casal por ter três filhos. Com a eleição do marido para a Presidência da República em 1958, Gertrudes Thomaz adapta-se com rapidez à nova situação por já estar habituada a uma certa exposição pública, consequência do cargo de ministro da Marinha que Américo Thomaz ocupava desde 1944. É presença constante ao lado do marido, acompanhando-o nas suas deslocações oficiais, em Portugal e no estrangeiro, sendo-lhe conhecida a versatilidade da conversa e o bom gosto no vestir. Participa também em várias actividades de carácter benemérito e em festividades de carácter religioso. Segue para o exílio no Brasil na sequência do 25 de Abril de 1974 e do afastamento do marido das funções presidenciais, regressando a Portugal quatro anos mais tarde.

Terceira República (1974–presente)[editar | editar código-fonte]

# Primeira-dama
(Nascimento–Morte)
Retrato Período em funções Presidente da República
14 Maria Helena Martins Monteiro de Barros Spínola
(1913–2002)
15 de Maio de 1974 30 de Setembro de 1974
António de Spínola
Casada com António de Spínola desde 1932, vai acompanhando o marido na vida determinada pela carreira militar deste e, na década de 50, inicia uma intensa actividade na Cruz Vermelha Portuguesa, chegando a pertencer à Direcção da Secção Auxiliar Feminina. Quando o marido assume a chefia do Estado após a Revolução de 25 de Abril de 1974, o casal continua a morar na sua residência particular e Maria Helena Spínola assiste, um pouco à margem, ao rumo dos acontecimentos. O Presidente renuncia ao cargo nesse mesmo ano, e é acompanhado pela esposa para o exílio, regressando a Portugal no Verão de 1976.
15 Maria Estela Veloso de Antas Varajão Costa Gomes
(1927–2013)
30 de Setembro de 1974 14 de Julho de 1976
Francisco da Costa Gomes
Casa-se com Francisco da Costa Gomes em Dezembro de 1952, com quem vem a ter um filho. Quando o marido é nomeado para ocupar as funções de Presidente da República no final de Setembro de 1974, o casal vê-se forçado a deixar a sua residência particular e a habitar no Palácio de Belém, por razões de segurança. A Primeira-Dama procura conferir alguma dignidade e conforto à nova morada, que desde há muito havia estado desocupada. Acompanha também o marido nas suas deslocações oficiais ao estrangeiro.
16 Maria Manuela Duarte Neto Portugal Ramalho Eanes
(1938–)
ManuelaRamalhoEanes.png 14 de Julho de 1976 9 de Março de 1986
António Ramalho Eanes
Licenciada em Direito, inicia a sua vida profissional no Ministério da Saúde e Assistência, transferindo-se depois sucessivamente para o Instituto de Obras Sociais e para o Ministério da Educação. Casa com António Ramalho Eanes em Outubro de 1970, numa cerimónia realizada na capela do Palácio de Queluz, com quem vem a ter dois filhos (o segundo dos quais nasce durante a Presidência do marido). Quando o marido é eleito Presidente da República, assume o seu papel de Primeira-Dama a tempo inteiro, acompanhando o marido em viagens oficiais no país e ao estrangeiro, recebendo chefes de Estado, conhecendo inúmeras personalidades do mundo artístico e cultural que visitam Portugal. Em 1983 é uma das fundadoras do Instituto de Apoio à Criança. No final do segundo mandato do marido, participa activamente na campanha eleitoral do Partido Renovador Democrático e na campanha presidencial de Francisco Salgado Zenha.
17 Maria de Jesus Simões Barroso Soares
(1925–2015)
Maria Barroso.2013.JPG 9 de Março de 1986 9 de Março de 1996
Mário Soares
Conhece Mário Soares na universidade, e casam-se em Fevereiro de 1949, por procuração, quando este se encontra preso na Cadeia do Aljube. O casal vem a ter dois filhos. Inicia uma carreira como actriz profissional após concluir o curso de Arte Dramática no Conservatório Nacional. Na década de 50, licencia-se em Histórico-Filosóficas, após ser afastada do teatro em consequência do seu activismo contra o Estado Novo. É uma das fundadoras do Partido Socialista, sendo eleita deputada por três vezes após a Revolução de 25 de Abril de 1974. Quando o marido é eleito Presidente da República em 1986, Maria Barroso é presença constante ao seu lado, acompanhando-o em numerosas visitas oficiais no país ou no estrangeiro e assumindo o papel de anfitriã na recepção de chefes de Estado e de outras personalidades. Em simultâneo, assegura os seus próprios projectos de intervenção social e cultural (Colégio Moderno, Associação para o Estudo e Prevenção da Violência, Fundação Pro Dignitate, Presidência da Cruz Vermelha Portuguesa). Recebeu o epíteto de "A eterna primeira-dama".
18 Maria José Rodrigues Ritta
(1941–)
MariaJoséRitta.png 9 de Março de 1996 9 de Março de 2006
Jorge Sampaio
Casa com Jorge Sampaio em Abril de 1974, numa cerimónia civil; o casal tem dois filhos. Tem uma longa e bem-sucedida carreira na TAP, por 30 anos, ascendendo à direcção comercial da empresa. Em 1996, quando o marido toma posse como Presidente da República, Maria José Ritta decide deixar a TAP e assumir a tempo inteiro o papel de "colaboradora número um do Presidente", como sempre se considera. Marca presença em inúmeras cerimónias oficiais e de Estado. Ambicionando transformar o papel caritativo normalmente reservado à primeira-dama num lugar de intervenção social, dá uma especial atenção à defesa de grandes causas, como os direitos da criança, a terceira idade, a pobreza, a pessoa com deficiência ou a integração dos socialmente excluídos. Preside, em 2001, à Comissão Nacional para o Ano Internacional do Voluntariado.
19 Maria Alves da Silva Cavaco Silva
(1938–)
MariaCavacoSilva - Conferencia Ibero Americana 2009.png 9 de Março de 2006 9 de Março de 2016
Aníbal Cavaco Silva
Licenciada em Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1960, inicia uma carreira no ensino. Conhece Aníbal Cavaco Silva, com quem casa em 1963. O casal vem a ter dois filhos. Com a mobilização do marido para a guerra colonial em Moçambique, acompanha-o. Nos inícios da década de 70, acompanha-o durante o doutoramento que realiza na Inglaterra. A partir de 1978, é docente na Universidade Católica, actividade que mantém durante os dez anos que o marido chefia o Governo (1985-1995). Enquanto primeira-dama, Maria Cavaco Silva dedicara atenção aos desafios que as famílias e os jovens enfrentam no mundo actual e as novas exigências em matéria de assistência social.
vago 9 de Março de 2016 presente
Marcelo Rebelo de Sousa

Referências