Livraria Cultura

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Livraria Cultura
Loja da Livraria Cultura na Avenida Paulista.
Razão social Livraria Cultura S.A.
Empresa de capital fechado
Atividade Varejo
Fundação 1947 (73 anos)
Fundador(es) Eva Herz
Sede São Paulo, SP  Brasil
Pessoas-chave
  • Pedro Herz
  • Fabio Herz
  • Sergio Herz
Empregados Aproximadamente 1800
Produtos
Website oficial www.livrariacultura.com.br

A Livraria Cultura é uma livraria brasileira, fundada em 1947 por Eva Herz (1911-2001) no centro de São Paulo, mais especificamente na Rua Augusta[1]. Atualmente, a Livraria Cultura está presente em 17 cidades do Brasil, como Brasília, Campinas, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro e Salvador, além de ter uma loja Geek.Etc.Br na capital paulista.

Após anos de prejuízos financeiros, que incluiu o fechamento das unidades físicas no Rio de Janeiro, a empresa entra com um pedido de recuperação judicial, no dia 24 de Outubro de 2018, procurando renegociar suas dívidas com editoras de livros e outros credores da empresa.[2][3] O pedido de recuperação judicial foi aceito no dia 13 de Abril de 2019 para reestruturar a dívida de 285 milhões de reais.[4]

História[editar | editar código-fonte]

Em 1947, Eva Herz, filha de imigrantes judeus da Alemanha, montou um serviço de aluguel de livros chamado Biblioteca Circulante em sua casa na Alameda Lorena, em São Paulo.[5] Os livros eram importados da Europa e sua clientela era principalmente de imigrantes. O serviço se popularizou e a biblioteca circulante passou a emprestar livros de autores brasileiros, bem como a vendê-los.

Em 1969, Herz inaugura a loja do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, extinguindo a Biblioteca Circulante. O filho de Eva, Pedro Herz, tornou-se seu sócio na empresa.[5]

Na comemoração de seus 60 anos, em 2007, a Livraria Cultura renovou sua identidade visual e também sua visão como empresa. A unidade da Avenida Paulista foi reinaugurada em 21 de maio de 2007, no espaço antes ocupado pelo histórico Cine Astor, substituindo as quatro lojas menores existentes no Conjunto Nacional.[1]

Com o tempo, as quatro lojas reabriram: uma, no final de 2007, abrigando apenas os livros de arte; entre 2008 e 2009, as outras três, em parceria com as editoras Companhia das Letras, Instituto Moreira Salles e Record, em um processo conhecido como varejo customizado. Essa loja customizada foi fechada em 2017.[6]

Em maio de 2013, a Livraria Cultura vendeu 25% de suas ações para o fundo Capital Mezanino, da gestora Neo Investimentos, em 2009; a associação ao Itaú acontece porque uma empresa que pertence ao banco presta serviços de administração para a Neo Investimentos.[7]

Em 2013, a loja da Record fechou dando lugar à primeira unidade da Geek.Etc.Br e, em 2014, a loja do Instituto Moreira Salles mudou para outro endereço. No começo de 2016, a loja de artes e a Geek deixaram de ocupar as duas lojas externas. Os livros de fotografia e artes foram realocados para dentro da loja principal e a Geek passou a ocupar o espaço da antiga loja da Companhia das Letras. Em 19 de julho de 2017, a livraria adquiriu a operação da Fnac no Brasil sem revelar os valores. No final do mesmo ano a livraria adquiriu o marketplace de livros Estante Virtual.[8]

Em Outubro de 2018, a Livraria Cultura entrou com um pedido de recuperação judicial, após fechar lojas, reduzir o quadro de funcionários e encerrar as atividades da Fnac no Brasil.[9][10]

Em Abril de 2019, os credores aceitaram um plano de reestruturação das dívidas da empresa, descontando 70% da dívida e dando um prazo de 12 anos para a quitação da dívida. A Livraria Cultura tem 15 lojas, além da loja virtual.[4]Em setembro de 2020,foi apresentado um novo plano de reestruturação,com rejeição dos credores.[11]

Denúncias de assédio moral[editar | editar código-fonte]

Em 21 de abril de 2019, o Jornal Passa Palavra do Coletivo Passa Palavra publicou uma matéria expondo diversas situação de abuso moral da gestão da livraria contra seus funcionário, uma série de depoimentos sobre casos de perseguição, troca de hostilidades, cobranças desproporcionais e ameaças feitas por superiores durante o expediente; muitos deles funcionários, inclusive, contam que tiveram traumas psicológicos por causa da postura da empresa.[12]

A Livraria Cultura negou veementemente todas as acusações feitas pelos ex-funcionários; em nota, a empresa informa que os fatos narrados “foram completamente distorcidos”. “Os casos citados supostamente ocorreram anos atrás. Não temos como comentar algo que não se sustenta”, diz o texto.[13][14]

Em fevereiro de 2020, mais denúncias de abuso moral são publicadas no site Viomundo, reproduzidas no Jornal Passa Palavra do Coletivo Passa Palavra.[15]

Referências

  1. a b Glaucia Garcia. «Uma breve história das livrarias paulistanas» 
  2. «Livraria Cultura entra com pedido de recuperação judicial». G1. 24 de Outubro de 2018. Consultado em 25 de Outubro de 2018 
  3. Scheller, Fernando (24 de Outubro de 2018). «Com receita em queda e dívidas, Livraria Cultura pede recuperação judicial». Estadão. Consultado em 25 de Outubro de 2018 
  4. a b «Credores aprovam plano de recuperação judicial da Livraria Cultura». G1. Consultado em 13 de abril de 2019 
  5. a b «A fantástica história da Livraria Cultura». Revista Bula. 16 de janeiro de 2018. Consultado em 9 de dezembro de 2018 
  6. Bentley, Gabriel (27 de Janeiro de 2016). «Livraria Cultura fecha uma de suas unidades no Conjunto Nacional». VEJA SP. Consultado em 25 de Outubro de 2018 
  7. Barbosa, Mariana (31 de maio de 2019). «Cortes geram rumor sobre falsa venda da Livraria Cultura». Folha de S. Paulo. Consultado em 21 de fevereiro de 2020 
  8. Tais Laporta (19 de julho de 2017). «Livraria Cultura compra operações da Fnac no Brasil». G1 Economia. Consultado em 21 de julho de 2017 
  9. «Livraria Cultura entra com pedido de recuperação judicial». G1 
  10. «Fnac tira site do ar e fecha última loja no Brasil». G1 
  11. «Plano de recuperação da Livraria Cultura é rejeitado por parte dos credores». G1. Consultado em 17 de setembro de 2020 
  12. Chapola, Ricardo; Prado, Matheus. «Ex-funcionários relatam casos de assédio moral na Livraria Cultura». Revista Veja São Paulo. Consultado em 25 de abril de 2019 
  13. «Livraria Cultura rebate e chama denúncias de trabalhadores de "distorções"». Brasil Econômico. Consultado em 26 de abril de 2019 
  14. «Livraria Cultura se posiciona sobre casos de assédio moral». Meio & Mensagem. Consultado em 25 de abril de 2019 
  15. «"Nosso último grito de socorro": trabalhadores voltam a denunciar a Livraria Cultura». Jornal Passa Palavra. 19 de fevereiro de 2020. Consultado em 21 de fevereiro de 2020