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Livraria Saraiva

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saraiva
Razão socialSaraiva e Siciliano S/A
Empresa de capital aberto
CotaçãoB3: SLED3, SLED4
Atividade
Fundação13 de dezembro de 1914
Fundador(es)Joaquim Ignácio da Fonseca Saraiva
Encerramento6 de outubro de 2023
SedeSão Paulo,  Brasil
Área(s) servida(s) Brasil
Locais06 (mai/2023)[1][2]
Proprietário(s)Família Saraiva
Empregados321 (mai/2023)[1]
Produtos
Websitewww.saraiva.com.br

Saraiva foi uma rede brasileira de livrarias, fundada em 13 de dezembro de 1914 por Joaquim Inácio da Fonseca Saraiva, imigrante português de Trás-os-Montes, no centro da cidade de São Paulo. Em 2008, a empresa adquiriu a Livraria Siciliano e passou a ter 20% do mercado livreiro do Brasil.

Em recuperação judicial desde novembro de 2018, no fim de 2020 a rede já havia fechado metade das lojas que possuía no início de 2020[3] e teria tomado a decisão de encerrar todas as suas operações ao final de 2023.[4][5][6][7][8] Em 6 de outubro de 2023, teve falência decretada.[9]

História

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Logotipo em formato ex-livrístico da Saraiva em 1942.

A primeira sede localizava-se no Largo do Ouvidor, bem próximo à Faculdade de Direito de São Paulo, sob o nome comercial de Livraria Acadêmica, devido à essa proximidade, ela acabou se especializando na venda de títulos juridicos.[10]

Em 1947, a empresa se transformou em sociedade anônima e passou a se chamar Saraiva S.A. – Livreiros Editores. Em 1972, a Saraiva virou uma companhia aberta.

Nos anos 70, foi inaugurada a segunda livraria da empresa, na Praça da Sé, que resistiu até este último momento. Nos anos 80, ela investiu em distribuição de livros e em 1983 iniciou o processo de expansão de sua rede de livrarias, com aberturas especialmente em shoppings. Vieram as primeiras megastores e, em 1998, ela inaugurou seu e-Commerce.[11]

Compra da Siciliano

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Filial no Park Shopping, em Brasília.

No dia 6 de março de 2008, a empresa comprou a totalidade das ações da Livraria Siciliano por R$ 60,03 milhões, somando às suas 36 lojas mais 63 lojas em quatorze estados brasileiros, provenientes da rede da Siciliano.[12]

Caso Amazon

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A Saraiva estaria dificultando a entrada da Amazon no Brasil. Segundo fontes da Istoé Dinheiro, a livraria estaria usando seu poder sobre editoras do país para dificultar a entrada da Amazon. Ainda segundo estas fontes, a Saraiva estaria fazendo ameaças de represálias comerciais à editoras que fizessem acordo com a empresa estadunidense. A Saraiva, através do seu CEO Marcílio Pousada nega as acusações: “Jamais falaríamos isso, Temos 97 anos de relacionamento com as editoras”.[13]

Saraiva Mega Store

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Saraiva Mega Store é uma rede de lojas pertencente a Rede Saraiva, especializada em uma grande variedade de livros nacionais e importados, CDs e DVDs, eletrônicos, informática, games, softwares, revistas e produtos de papelaria.[14]

Recuperação judicial

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Com o setor em crise, a Saraiva entrou com um pedido de recuperação judicial no dia 23 de novembro de 2018, com uma divida de R$ 674 milhões, fechou 19 lojas pelo Brasil no mês de outubro, restando 85 lojas físicas.[15][16] O pedido de recuperação foi aberto pela Saraiva e Siciliano S/A e a Saraiva Livreiros S/A perante a 2.ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. O pedido foi concedido em 26 de novembro de 2018, e o Plano de Recuperação Judicial foi aprovado por maioria dos credores na Assembleia-Geral ocorrida em 29 de agosto de 2019,[17] no qual prevê a reorganização da estrutura da empresa, com adoção de processos gerenciais, bem como a reestruturação do passivo de acordo com cada classe.

A Saraiva fechou 36 unidades entre março e novembro de 2020, e ainda teve uma queda de 75% na receita do grupo de 2020 em relação ao ano anterior, e dificuldades da empresa em cumprir as obrigações de curto prazo, ficando com 39 lojas físicas mais o ambiente virtual.[18] Ainda em 2020, a rede perdeu batalhas na Justiça contra editoras que pediam a devolução de livros em consignação nas lojas que estavam sendo fechadas.[18]

A Saraiva aprovou junto a parte dos credores a conversão de R$ 163 milhões de dívida em ações, com o processo, a empresa passará a ter um capital pulverizado na Bolsa. Com a amortização, passa a ter dívida inferior a R$ 300 milhões.[19]

A empresa teria obtido o primeiro resultado financeiro positivo em anos, mostrando que uma recuperação é possível.[20][21][22] Em 2022, contava com 34 lojas, número inferior as 113 unidades apresentadas no início de 2017, antes de entrar com processo de recuperação judicial.[19]

Em recuperação judicial desde novembro de 2018, tomou a decisão de encerrar todas as suas operações físicas a partir de 25 de setembro, demitindo funcionários e fechando as últimas lojas, mantendo apenas as vendas eletrônicas.[4][5][6][7]

Em 4 de outubro, duas semanas após anunciar o fechamento das livrarias e demitir os funcionários,[4][5] protocolou um pedido de autofalência.[23][24][a] Em 6 de outubro, a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais decretou a falência da rede de livrarias Saraiva.[9]

Em 26 de fevereiro de 2025, foi anunciado que a Saraiva teve seu site colocado a leilão, após a URL da livraria não ter sido renovada no Registro BR (Órgão brasileiro de controle do domínio de sites).[25]

Ver também

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Ligações externas

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Notas

  1. A autofalência é a insolvência confessada pelo devedor empresário ou sociedade empresária como forma de proteção do crédito público. (Lei 11.101/05)

Referências

  1. a b «Relatório Mensal de Atividades - Abril e Maio de 2023». Saraiva RI. 5 de julho de 2023. Consultado em 28 de agosto de 2023 
  2. «Saraiva (SLED4) tem prejuízo ajustado de R$ 16,2 milhões no 2º tri, perda 26% menor na comparação anual». InfoMoney. 14 de agosto de 2023. Consultado em 28 de agosto de 2023 
  3. «Saraiva fecha metade das suas lojas de janeiro a novembro de 2020». IG. 8 de janeiro de 2021. Consultado em 19 de abril de 2016 
  4. a b c «Saraiva fecha todas as livrarias, demite toda a equipe e funcionará apenas como site». O Globo. 20 de setembro de 2023. Consultado em 21 de setembro de 2023 
  5. a b c «Saraiva demite funcionários das 5 lojas restantes e rede passa a operar apenas como e-commerce». CNN Brasil. Consultado em 21 de setembro de 2023 
  6. a b «Saraiva fecha todas as lojas no Brasil e demite funcionários; relembre a história da livraria». Estadão. 21 de setembro de 2023. Consultado em 21 de setembro de 2023 
  7. a b «Análise: Fim da Saraiva e da Cultura abre caminho para mercado editorial mais moderno». Folha de S.Paulo. 21 de setembro de 2023. Consultado em 21 de setembro de 2023 
  8. «Saraiva entra com pedido de autofalência na Justiça». G1. 5 de outubro de 2023. Consultado em 5 de outubro de 2023 
  9. a b «Justiça de São Paulo decreta falência da livraria Saraiva». G1. 7 de outubro de 2023. Consultado em 8 de outubro de 2023 
  10. «Quem fundou a Saraiva, rede que fechou todas as lojas nesta semana». PEGN. 21 de setembro de 2023. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  11. «Saraiva fecha todas as lojas no Brasil e demite funcionários; relembre a história da livraria». Estadão. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  12. Folha Online (6 de março de 2008). «Livraria Saraiva compra a concorrente Siciliano por R$ 60 mi». Folha de S.Paulo. Consultado em 21 de janeiro de 2016 
  13. "Os planos da Amazon para o Brasil" Arquivado em 18 de junho de 2012, no Wayback Machine., Istoé Dinheiro, 23 de Março, 2012.
  14. «Nossas Lojas». Saraiva. Consultado em 21 de janeiro de 2016 
  15. «Maior rede de livrarias do país pede recuperação judicial». G1. Consultado em 1 de outubro de 2021 
  16. Econômico, Brasil (23 de novembro de 2018). «Saraiva segue os passos da Cultura e entra com pedido de recuperação judicial». Portal iG. Consultado em 1 de outubro de 2021 
  17. «Plano de recuperação judicial da Saraiva é aprovado». Revista Exame. Grupo Abril. 29 de agosto de 2019. Consultado em 1 de setembro de 2019 
  18. a b «Saraiva fecha mais de 30 livrarias no Brasil durante a pandemia». d24am. 10 de janeiro de 2021. Consultado em 19 de abril de 2016 
  19. a b «Livraria Saraiva fecha acordo que pode encerrar recuperação judicial». CNN Brasil. Consultado em 22 de agosto de 2022 
  20. «Saraiva (SLED4) reduz prejuízo em 12% no segundo trimestre de 2022, a R$ 21,8 milhões». InfoMoney. 12 de agosto de 2022. Consultado em 22 de agosto de 2022 
  21. «Lucro e fim da recuperação judicial: o que esperar da retomada da Saraiva?». Money Times. 17 de agosto de 2022. Consultado em 22 de agosto de 2022 
  22. «Curtas | Saraiva»Subscrição paga é requerida. Valor Econômico. Consultado em 22 de agosto de 2022 
  23. «Saraiva entra com pedido de autofalência na Justiça». G1. 5 de outubro de 2023. Consultado em 5 de outubro de 2023 
  24. «Livraria Saraiva pede falência e encerra 109 anos de história». Metrópoles. 4 de outubro de 2023. Consultado em 5 de outubro de 2023 
  25. PublishNews (26 de fevereiro de 2025). «Site da Saraiva vai a leilão». PublishNews. Consultado em 20 de janeiro de 2026