Livro de Daniel

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O Livro de Daniel é um livro do Antigo Testamento da Bíblia, cujo título é derivado do nome do profeta[nota 1] A autoria do livro é atribuída tradicionalmente a Daniel; Cristo também apóia esta posição em Mateus 24:15-16. Nas bíblias cristãs, como por exemplo na Tradução Brasileira da Bíblia, vem depois do Livro de Ezequiel e antes do Livro de Oseias. Alguns trechos são escritos em hebraico (1:1-2:3;8:1-12:13)[1] e a maioria em aramaico (2:4-7:28)[1] , havendo também as adições em grego (versículos 24 a 90 do cap. 3 e caps. 13 e 14) não encontradas na versão da Bíblia proposta por Lutero.

Contém uma linguagem conhecida pelos estudiosos bíblicos como sendo "apocalíptica", que é cheia de símbolos vivos para representar pessoa(s) ou evento(s) futuro(s). Contém basicamente seis histórias de Daniel e seus amigos judeus, quando estavam na corte do rei Nabucodonosor, e mais quatro profecias, únicas em estilo no Antigo Testamento.

Versões[editar | editar código-fonte]

O livro possui duas versões, sendo que a versão utilizada pela Igreja Católica conta com adições em grego (versículos 24 a 90 do cap. 3 e caps. 13 e 14), encontradas na Septuaginta, mas não encontradas na Bíblia Hebraica e no Antigo Testamento das Igrejas que adotam a Bíblia proposta por Lutero.

Origem[editar | editar código-fonte]

Pela singularidade de seu estilo e conteúdo o livro é alvo de críticas e especulações diversas a respeito de sua origem. De maneira semelhante aquilo que se vê em relação a escritos antigos não há consenso quanto a origem do texto.

Para alguns trata-se de um escrito apocalíptico, que surgiu no séc. II AC[2] [3] [4] , na época em que o rei Antíoco IV queria acabar com a cultura, costumes e religião dos judeus, e por isso perseguia quem não se sujeita aos padrões e costumes da cultura grega. A finalidade do livro é sustentar a esperança do povo fiel e, ao mesmo tempo, provocar a resistência contra os opressores. Para uma correta compreensão deste livro, é importante lê-lo junto com os livros dos Macabeus.

Temas centrais[editar | editar código-fonte]

  1. Equilíbrio alimentar e seu benefício (cap. 1)
  2. Revelação e interpretação do sonho do rei (cap. 2)
  3. Adoração verdadeira e a falsa (cap. 3)

Segundo este livro, todos os outros poderes, por maiores que sejam, podem ser derrubados pela ação daqueles que acreditam ser Deus o único absoluto (Dn 2:31-47).

Estrutura literária[editar | editar código-fonte]

O livro é organizado basicamente em duas seções: uma histórica e a outra profética ou apocalíptica.

Seção histórica[editar | editar código-fonte]

Na primeira parte (Dn 1-6), contam-se histórias passadas sob o domínio dos persas, mostrando como Daniel e seus companheiros resistiram aos poderosos do império e permaneceram fiéis à sua religião; assim foram salvos por Deus[5] .

  • cap. 1 - Daniel e seus companheiros a serviço de Nabucodonosor;
  • cap. 2 - o Sonho da Estátua;
  • cap. 3 - a adoração da estátua de ouro e os três companheiros de Daniel na fornalha;
  • cap. 4 - a loucura de Nabucodonosor;
  • cap. 5 - o festim de Baltazar;
  • cap. 6 - Daniel na cova dos leões.

Em todos esses casos Daniel e seus companheiros saem triunfantes de uma provação e os pagãos glorificaram a Deus que os salvou[1] .

Seção profética[editar | editar código-fonte]

Na segunda parte (Dn 7-12), em linguagem figurada, própria da apocalíptica, o autor divide a história em etapas, mostrando o conflito entre as grandes potências. Ressalta que se aproxima a última etapa da história: o Reino de Deus está para ser implantado; por isso, é preciso ter ânimo e coragem para resistir ao opressor, permanecendo fiel[5] , ou seja contém as seguintes visões:

  • cap. 7 - as quatro feras;
  • cap. 8 - o bode e o carneiro;
  • cap. 9 - as setenta semanas;
  • caps 10 a 12 - Tempo da cólera e Tempo do fim, além das disputas do Rei do Norte com o Rei do Sul[1] .

Singularidades das versões deuterocanônicas[editar | editar código-fonte]

As partes deuterocanônicas contém:

Críticas[editar | editar código-fonte]

David Plotz, da revista Slate, classificou este livro como tardio, curto, e não muito importante.[7]

Notas

  1. . Entretanto, cabe observar que este livro é relacionado como escrito profético no Antigo Testamento das bíblias cristãs, diferentemente do que ocorre na Bíblia Hebraica, na qual é relacionado entre Ester e Esdras como outros escritos (Bíblia de Jerusalém (Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 1.245)

Referências

  1. a b c d Bíblia de Jerusalém, cit., p 1.244
  2. A Bíblia de Jerusalém (cit., pp 1.244-1.245) sustenta que os 39 primeiros versículos do capítulo 11 testemunham as guerras entre Selêucidas e Lágidas e uma parte do reinado de Antíoco Epífanes, e que, portanto, o livro teria sido composto durante as perseguições promovidas por Antíoco Epífanes e antes da vitória da insurreição dos Macabeus, ou seja, entre 167 e 164 AC.
  3. Airton José da Silva sustenta que foi escrito em 164 AC, em Apocalíptica, acessado em 21 de agosto de 2010
  4. A Tradução Ecumênica da Bíblia (Ed. Loyola, São Paulo, 1994, p 1.358), sustenta que o livro foi escrito final de 164 ou no início de 163 AC.
  5. a b Daniel, Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 21 de agosto de 2010
  6. Bíblia de Jerusalém, cit., p 1.245
  7. Good Book (em inglês). Slate (3 de março de 2009). Página visitada em 8 de julho de 2011. "[...] Daniel, a late, short, and not hugely important book."

Ver também[editar | editar código-fonte]


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