Livro de Jó

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
The Patient Job

O Livro de Jó ou Job é um dos livros sapienciais do Antigo Testamento e da Tanakh, vem depois do Livro de Ester e antes do Livro de Salmos. É considerada a obra prima da literatura do movimento de Sabedoria. Também é considerada uma das mais belas histórias de prova e fé. Conta a história de , onde o livro mostra que era um homem temente a Deus e o agradava.

As inúmeras exegeses presentes neste livro são tentativas clássicas para conciliar a coexistência do mal e de Deus (teodiceia). A época em que se desenrolam os fatos, ou quando este livro foi redigido, é controverso. Existe uma famosa discussão no Talmud a este respeito.

A autoria de é incerta. Alguns eruditos atribuem o livro a Moisés. Outros atribuem a um dos antigos sábios, cujos escritos podem ser encontrados em Provérbios ou Eclesiastes. Talvez o próprio Salomão tenha sido seu autor.

O livro de Jó também é considerado o livro mais antigo da Bíblia, mais até que o livro de Gênesis.

Por outro lado, a Edição Pastoral da Bíblia sustenta que o livro provavelmente foi redigido, em sua maior parte, durante o exílio, no século VI a. C[1].

A Bíblia de Jerusalém sustenta que o livro é posterior a Jeremias e Ezequiel, ou seja, escrito em uma época posterior ao Exílio na Babilônia, considerando provável sua composição no início do séc. V a. C[2].

A Tradução Ecumênica da Bíblia sustenta que a obra foi composta em várias etapas[3]:

  • O prólogo (1:1-2:13) e o epílogo (42:7-17), seriam um conto folclórico que originalmente narrava a paciência exemplar de um homem da terra de Us (talvez em Edom, a sudeste do Mar Morto). Este conto circulava entre os sábios do Oriente Médio de formal oral desde o fim do Segundo Milênio a. C., e foi recontado em hebraico na época de Samuel, David e Salomão (sécs. XI e X a. C.).
  • Servindo-se da bem conhecida história do infeliz Jó (Ez 14:14.20), um poeta da segunda geração do Exílio na Babilônia (aprox. 575 a. C.) compôs o poema (3:1-31:40; 38:1-42:6).
  • Os discursos de Eliú (32:1-37:24), que tratam do valor educador do sofrimento, seria uma adição posterior de outro autor.
  • Muitos pensam que o Elogio da Sabedoria (28:1-28) seria uma adição posterior.

Temática[editar | editar código-fonte]

Existem duas teorias acerca da temática central do livro de Jó[4]. A primeira teoria diz que o tema central do livro de Jó não é o problema do mal, nem o sofrimento do justo e inocente, e muito menos o da "paciência de Jó", mas a natureza da relação entre o homem e Deus, em oposição à teologia da retribuição[1].

Já para a segunda teoria, após uma análise sistemática do livro de Jó, observa-se que Jó apesar dos contratempos que enfrentava nunca deixou de ser fiel à Deus, indo contra os conselhos de sua própria esposa (2,9-10), mantendo-se firme em sua fé mesmo após tudo que lhe aconteceu. A obediência de Jó e sua fidelidade eram inabaláveis, o que chamou a atenção do próprio Altíssimo, enquanto Jó ainda tinha bens(1,8). Contudo, para essa teoria, o ápice do livro de Jó ocorreu exatamente quando o protagonista demonstrou um sentimento de inconformismo com sua situação, queixando a Deus pelo que passava (23,2) e ainda enfatizando que ele enquanto homem era justo, se colocando à prova (23,10), tamanha certeza de sua integridade. O comportamento de Jó era incomum, foram poucos os homens que questionaram a Deus seus problemas (Abraão Gn 15:2-5, Gideão Jz 6:13, Moisés Ex 5,22, dentre outros). Após vários questionamentos inconformados de Jó como homem justo que era, Deus o respondeu pessoalmente (38,1) e lhe deu muito mais do que ele tinha no primeiro estado(42,12).

Como Jó, na época do Exílio na Babilônia, o povo de Judá tinha perdido tudo: família, propriedades, instituições e a própria liberdade, o que exigia uma revisão da teologia da retribuição[1].

Para conseguir sua intenção, o autor usa uma antiga lenda sobre a retribuição (1,1-2,13; 42,7-17), omitindo o final (42,7-17) e substituindo-o por uma série de debates que mostram o absurdo da teologia da retribuição, incapaz de atender à nova situação (3,1-42,6)[1].

Aspecto importante do livro é que Jó faz a sua experiência de Deus na pobreza e marginalização. A confissão final de Jó - "Eu te conhecia só de ouvir. Agora, porém, meus olhos te veem" (42,5) - é o ponto de chegada de todo o livro, transformando a vida do pobre em lugar da manifestação e experiência de Deus. A partir disso, podemos dizer que o livro de Jó é a proclamação de que somente o pobre é apto para fazer tal experiência e, por isso, é capaz de anunciar a presença e ação de Deus dentro da história[1].

Bruce Wilkinson[5] e Kenneth Boa[6] interpretaram[7] na história de , cinco maneiras com as quais Deus usa as adversidades descritas em Deuteronômio 8:

  • a) Humilhar-nos: Jó 22.29; Dt. 8:2.
  • b) Testar-nos: Jó 2:3; Dt. 8:2.
  • c) Reorganizar nossas prioridades: Jó 42:5,6; Dt. 8:3.
  • d) Disciplinar-nos: Jó 5:17; Dt. 8:5.
  • e) Preparar-nos para as bênçãos futuras: Jó 42:10; Dt. 8:7.

Referências

  1. a b c d e , Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 07 de agosto de 2010
  2. Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 801
  3. Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, pp 1.165-1.166
  4. «O Livro de Jó - Transcendendo a problemática do sofrimento» (em portugues). Consultado em 04 de dezembro de 2016  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  5. «Bruce Wilkinson» (em inglês). Consultado em 26 de junho de 2012 
  6. «Kenneth Boa» (em inglês). Consultado em 26 de junho de 2012 
  7. Acácio, José M. Antigo Testamento III - Livros Poéticos. 3 ed. CETADEB. Paraná, Apucarana, 2008, p.27.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Livro de Jó
Ícone de esboço Este artigo sobre a Bíblia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.